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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
terça-feira, 21 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
. . .ninguém sabe, exceto Seus amados – M. Lloyd-Jones (1899-1981)
Para (os incrédulos) Jesus Cristo foi apenas um homem que recebeu os primeiros cuidados de recém-nascido numa simples manjedoura, viveu, alimentou-se e bebeu como os demais seres humanos, e trabalhou como carpinteiro. Depois foi crucificado, na mais completa fraqueza. «Esses são os fatos», dizem eles, «e vão querer que eu creia que ele é o Filho de Deus? Impossível» . . .
Pensam apenas numa plana racional. . . E assim é o pensamento racional. Você lhes fala da doutrina do novo nascimento, e eles dizem: «É claro que coisas desse tipo não acontecem; não há milagres. . . uma vez que se fale em milagres, já se estará violando as leis da natureza». Como disse Matthew Arnold: «Milagres não podem acontecer; logo, não aconteceram milagres». É assim o pensa-mento racional.
. . .antes de alguém tornar-se cristão, tem que parar de pensar desse modo. Deve adotar novo tipo de pensamento; tem que começar a pensar espiritualmente. . . quando nos tornamos cristãos. . . descobrimos que passamos a pensar de maneira diferente. Ficamos noutro nível. . . os milagres já não são problemas, o novo nascimento já não é problema, a doutrina da expiação já não é problema.
Temos um novo entendimento, raciocinamos espiritualmente. Nosso Senhor foi visitado por Nicodemos, que. . . disse: «Senhor, tenho observado os teus milagres; por certo tu és um Mestre, vindo da parte de Deus, pois ninguém pode fazer as coisas que fazes se Deus não estiver com ele». E certamente estava querendo acrescentar: «Dize-me como o fazes. . .» Mas o Senhor olhou para ele e. . .o que disse a Nicodemos significa o seguinte: «Nicodemos, se achas que podes compreender isto antes que suceda contigo, cometes um erro e tanto. Jamais serás um cristão desse jeito. . . estás tentando compreender coisas espirituais com o teu entendimento natural. Mas não podes. Embora sejas mestre em Israel, terás de nascer de novo. . . é preciso que te dês conta de que a natureza deste novo tipo de raciocínio é espiritual».
Faith on Trial, p. 35,6.
Fonte:[Josemar Bessa]
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
O Pecado sumiu da "igreja"
Martyn Lloyd-Jones sugeriu há anos que a doutrina do pecado estava desaparecendo rapidamente do ensino e da pregação evangélica. Ele disse:
Quando tratamos com o não-con verti do, temos a tendência de dizer: Ah, você não precisa se preocupar com o pecado agora, deixe isso para depois. Tudo o que você precisa fazer é ir a Cristo, entregar-se a Cristo. Não se preocupe com o pecado — é claro que você não pode entender isso agora. Não se preocupe se você tem ou não uma sensibilidade ao pecado, ou uma convicção profunda, ou se você entende todas essas coisas. Tudo o que você precisa fazer eira Cristo, entregar-se a Cristo, e então será feliz.
Então, quando estivermos tratando com aqueles que fizeram isso, nossa tendência, novamente, é dizer-lhes: "É claro que, você não deve olhar para si mesmo, deve olhar para Cristo. Não deve analisar-se para sempre. Isso está errado, isso é o que você fez antes de se converter. Você pensava em termos de si mesmo e do que tinha que fazer. A única coisa a fazer é continuar olhando para Cristo e afastar o olhar de si mesmo". Imaginamos, portanto, que tudo o que o cristão necessita é de um pouco de conforto e encorajamento, de pregação sobre o amor de Deus, sobre a sua providência e talvez um pouco de exortação moral e ética. E então, verá, que a doutrina do pecado está, por assim dizer, do lado de fora. Falhamos em enfatizá-la tanto antes como depois da conversão, e o resultado é que ouvimos muito pouco sobre isso.
Martyn L. Jones
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
O melhor está no fim – Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)
Nada há tão desesperador no mundo. . . como a bancarrota da perspectiva não-cristã da vida. . . Charles Darwin ... no fim da vida confessou que o resultado de haver concentrado sua atenção em um único aspecto da vida foi que perdeu a capacidade de apreciar a poesia e a música, e, em grande medida, perdeu até a capacidade de apreciar a natureza.
Pobre Darwin. . . O fim de H. G. Wells foi bem parecido. Ele, que havia dado tanto valor à mente e ao entendimento humano, e que havia ridicularizado o cristianismo com suas doutrinas do pecado e da salvação, no final da vida confessou-se frustrado e confuso. O próprio título de seu último livro — Min d at the End of its Tether (Mente Sem Mais Recursos) — dá eloquente testemunho em prol do ensino bíblico sobre a tragédia que caracteriza o fim dos ímpios.
Ou considere a frase da autobiografia de um racionalista como o dr. Marret, que foi diretor de uma faculdade, em Oxford... «Para mim, porém, a guerra pôs repentino fim ao longo verão de minha vida. Daí em diante, não tenho mais nada para ver pela frente senão o frio outono e o inverno mais frio ainda, e, contudo, devo esforçar-me de algum modo para não perder o ânimo».
A morte dos ímpios é coisa terrível. Leia as biografias deles. Passam os seus dias de esplendor. . . Não têm diante de si nenhuma expectativa bem-aventurada, e, à semelhança do que ocorreu ao falecido Lord Simon, procuram alento revivendo seus idos sucessos e triunfos. . .
No Livro de Provérbios lemos que «o caminho dos perversos é como a escuridão». «Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito» (Provérbios 4.19,18). Que glória! . . .ouça então ao apóstolo Paulo (2 Timóteo 4.6-8). . . Uma das mais soberbas apologias feitas por João Wesley, dos seus primeiros metodistas, era esta: «Nossa gente morre bem» ... A Bíblia, em toda parte, nos exorta a que ponderemos sobre o nosso «derradeiro fim» . . . Renda-se a Cristo e confie nEle e no Seu poder. . . E o fim será glorioso.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Sem um tostão, possuímos o mundo
“Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo”.
2 Coríntios 6:10
Devemos deixar tudo — a nós mesmos, nossos direitos, nossa causa, nosso futuro todo — nas mãos de Deus. Principalmente se achamos que estamos sofrendo injustamente. . . Deixemos com Deus a nós próprios, nossa causa, nossos direitos — tudo, enfim — com serenidade de espírito, mente e coração. . .
Agora note o que sucede ao homem que é como este. «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra». Que significa isso? Podemos sumariá-lo mui brevemente. Os mansos já herdam a terra, nesta existência, do seguinte modo: O homem verdadeiramente manso está sempre satisfeito, já está contente. Goldsmith o expressa bem ao dizer: «Nada tendo, todavia, tem tudo».
O apóstolo Paulo o expressa ainda melhor, pois diz: «Nada tendo, mas possuindo tudo». Outra vez, escrevendo aos filipenses, como que diz: «Obrigado pelo presente que me mandastes. Gostei. Não porque eu desejasse alguma coisa, mas me agrada o espírito que vos moveu a mandar-mo. Contudo, quanto a mim, tenho todas as coisas, e abundantemente». Ele já lhes dissera: «Sei estar abatido e sei também ter abundância», e «Posso todas as coisas naquele que me fortalece» (Filipenses 4.11,13). Observe também o modo contundente pelo qual ele expressa esse mesmo pensamento, em 1 Coríntios 3.
Depois de dizer aos seus leitores que não precisavam ter inveja nem preocupar-se acerca destas coisas, diz: «Todas as coisas são vossas», tudo; «seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as cousas presentes, sejam as futuras, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus». Tudo é seu, se você é manso e é cristão verdadeiro; você já herdou a terra.
Martyn L. Jones
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Os dois mundos – Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)
O cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteira-mente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive. em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .
Que se quer dizer com este reino dos céus?. . . Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus.
Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-lhes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28). Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«O reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós». Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).
Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Bem-aventurados os que choram – Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)
Isto. . . distingue-o cristão, mostrando que ele é totalmente diferente daquele que não é cristão, que pertence ao mundo. . . O choro e o luto são coisas que este mundo se esforça para evitar a qualquer custo; toda a sua organização baseia-se na suposição de que a tristeza precisa ser evitada.
A filosofia do mundo é: Esqueça as suas aflições; dê-lhes as costas; faça tudo que puder para não enfrentá-las. . . Toda a organização da vida, a paixão pelas diversões, o dinheiro, a energia e o entusiasmo expendidos para entreter o povo, expressam bem o grande objetivo que o mundo procura, de eliminar essa ideia de choro e esse espírito de tristeza. Mas o Evangelho diz: «Felizes os que choram». Na verdade, esses são os únicos felizes! (Vide também Lucas 6) . . .
Isso. . . é algo que jamais se vê no mundo. . . isso é algo que não é tão evidente na Igreja hoje como o foi outrora, e como transparece no Novo Testamento. . . tem conquistado popularidade a idéia de que se nós, como cristãos, devemos atrair os não-cristãos, devemos exibir aparência de animação e jovialidade. . . não algo que brote de dentro, mas algo de que nos vestimos. . .
Não posso deixar de pensar que a explicação final da condição da Igreja hodierna está num defeituoso senso de pecado e numa defeituosa doutrina do pecado. Ligada a isso, é claro, está a falta de compreenção da verdadeira natureza da alegria crista... (essas coisas), ainda agindo em conjunto, produzem necessariamente uma espécie de gente superficial e um tipo muito insuficiente de vida cristã... Não admira que a Igreja esteja falhando em sua missão se o seu entendimento, tanto do pecado como da alegria, e assim defeituoso e inadequado... a convicção de pecado deve, necessariamente, preceder à conversão; um autêntico senso de pecado tem de vir antes que possa haver verdadeira alegria da salvação...
Assim é que muitos passam a vida empenhados em achar essa alegria cristã... Querem a alegria à parte da convicção de pecado. Mas isso é impossível; nunca poderá ser obtido.
domingo, 9 de outubro de 2011
Que é o Cristão?
Se tão somente tomássemos mais do nosso tempo para contemplar a Ele, depressa nos esqueceríamos de nós mesmos... pare de olhar-se a si próprio e comece a apreciar a Ele. Que diferença há entre o cristão e o não-cristão? Na Segunda Epístola aos Coríntios, terceiro capítulo, diz Paulo que a diferença é esta: o não-cristão é aquele que olha para Cristo e para Deus com um véu sobre os olhos, e, portanto, não pode ver.
Que é o cristão? No versículo décimo-oitavo temos a descrição dele: «E todos nós» — todos e cada um de nós, como cristãos — «com o rosto desvendado» — foi-se o véu — «contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem». O cristão é isso aí. Ele passa o tempo todo olhando para Jesus, a fitá-lO. Sente-se tão arrebatado pela visão dEle que se esquece de si próprio.
A medida em que você sente mais interesse por Cristo, fica menos interessado por si mesmo. Ponha-se a olhá-lO, contemple-O com rosto descoberto, livre do véu. E depois prossiga para aprender que, no Reino de Cristo, o que importa não é a duração do serviço, mas a Sua atitude para com Ele, o seu desejo de agradá-lO. . . Ele não calcula o serviço como o fazem os outros.
Ele está interessado no coração. Nós nos interessamos pelo tempo. Marcamos o ponto, contamos as horas, calculamos o montante do trabalho realizado. À semelhança dos primeiros trabalhadores mencionados na parábola (Mateus 20.1-16), temos a pretensão de havermos feito tudo e nos gabamos do tempo que passamos trabalhando.
E se não nos achamos entre os que foram ao trabalho logo no início, ficamos preocupados porque não fizemos isto ou aquilo, e porque estivemos ausentes esse tempo todo. Não é desse modo que nosso Senhor se interessa pelo nosso trabalho. É no tostão da viúva que Ele tem interesse.
Não no montante do dinheiro, mas no coração dela... De caso idêntico trata Paulo (1 Coríntios 15.8-10): «E, afinal, depois de todos, foi visto também por mim». Mas graças a Deus que Ele não faz diferença... Não está interessado no tempo, mas em nosso relacionamento (pessoal com Ele).
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Um Evangelho honesto!
(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . . Muitíssimas vezes têm-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como. algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor.
O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza às pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .
É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete. A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma.
E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.
A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de mundanismo. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.
Martyn L. Jones
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sábado, 10 de setembro de 2011
Cristianismo: taxa de entrada - nada; subscrição anual - tudo
Frequentemente não reconhecemos a grandeza e o conjunto global da mensagem, não reconhecendo, igualmente, que a totalidade do ser humano deve também estar envolvida nela e por ela — «Viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues». O homem é. . . mente, é coração e é vontade. . .
Deus lhe deu mente, lhe deu coração, lhe deu vontade, pela qual ele pode agir. Pois bem, uma das maiores glórias do Evangelho é esta, que ele abrange o homem todo. . . nenhuma outra coisa faz isso; somente este Evangelho completo, esta visão total da vida, da morte e da eternidade, é que é suficientemente grande para incluir a totalidade do ser humano. É porque não logramos entender isso que surgem muitos dos nossos problemas. Nossa resposta a este Evangelho grandioso é apenas parcial. . .
Haverá ocasiões. . . em que você verá pessoas que se engajaram somente com alguma parte da sua personalidade — só a cabeça, só o coração, só a vontade. Estamos de acordo em que elas estão erradas. Sim, mas falemos com clareza. . . é igualmente errado dedicar apenas duas partes. É igualmente errôneo dedicar a cabeça e o coração, deixando de lado a vontade, ou a cabeça e a vontade, sem o coração, ou o coração e a vontade, omitindo-se a cabeça. . . A posição cristã é tríplice; abrange os três fatores juntos, os três ao mesmo tempo, e os três sempre.
Um Evangelho grandioso como este ocupa o ser humano como um todo, e se não estiver dedicado o homem todo, pense de novo qual é a sua posição. . . Que Evangelho! Que mensagem gloriosa! Ele pode dar plena satisfação à mente, pode mover o coração inteiramente, e pode levar a pessoa a uma obediência total e voluntária, no campo da vontade. Esse é o Evangelho. Cristo morreu para que fôssemos seres humanos integrais, não para que apenas algumas partes de nós fossem salvas; não para que fôssemos cristãos em pedaços irregulares do nosso ser, mas para que haja uma obra completa e equilibrada quanto a nós.
Martyn L. Jones
domingo, 7 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Cada dia mais perto do lar!
Digo a mim mesmo cada dia que passa que este é somente outro marco quilométrico, que nunca retornará, que nunca voltará a aparecer? Estou armando minha tenda móvel «cada dia mais perto do lar»? . . . Sou um filho do Pai celeste posto aqui para o Seu propósito, e não para o meu. Não vim por escolha própria; eu não me trouxe a mim mesmo para cá; nisso tudo há um propósito. Deus me deu o grande privilégio de viver neste mundo, e se me dotou de quaisquer dons, tenho que dar-me conta de que, embora, em certo sentido, todas essas coisas sejam minhas, em última instância pertencem a Deus, como o demonstra Paulo no final do capítulo terceiro de 1 Coríntios. Portanto, considerando-me como alguém que tem este grande privilégio de ser zelador dos pertences de Deus, um mordomo e despenseiro, não me apego a essas coisas. Elas não se tornam o centro da minha vida e existência, não vivo por elas nem vivo sempre a pensar nelas; não absorvem a minha vida. Ao contrário, eu as conservo sem apego; mantenho-me em um estado de bendito desligamento delas. Não sou governado por elas; antes, eu as governo; e, agindo assim, estou adquirindo, paulatinamente, e acumulando com segurança, «tesouros no céu» para mim.
... O Senhor Jesus Cristo nos ordenou que acumulemos para nós tesouros no céu, e os cristãos fiéis sempre o fizeram. Acreditavam na realidade da glória que os aguardava. Tinham esperança de chegar lá, e seu único desejo era desfrutá-la em toda a sua perfeição e em toda a sua plenitude. Se queremos «seguir as suas pegadas» e fruir a mesma glória, é bom ouvir a exortação do Senhor: «Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra. . . mas ajuntai para vós outros tesouros no céu».
Martyn Lloyd-Jones
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Como Viver num Mundo Mau
Todos os Heróis da fé viveram no mesmo mundo em que eu e vocês vivemos; o mundo foi sempre o mesmo. E no registro a respeito deles lê-se como se segue: "Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento para alcançarem melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra".
Esse era o tipo de mundo no qual eles viveram. O nosso mundo não é pior; todavia é igualmente mau. Eles viveram num dia mau, e nós vivemos num dia mau. Mas aqueles homens triunfaram. Foram figuras heróicas, foram capazes de permanecer firmes, de resistir. Tendo feito tudo, permaneceram inabaláveis, ficaram fumes como homens, e até hoje se destacam na história como gigantes.
O segredo deles é que eles fizeram precisamente as coisas que os cristãos hebreus não estavam fazendo. Aqueles homens eram fortes "no Senhor e na força do seu poder"; eles "exercitavam os seus sentidos" para poderem entender a verdade de Deus; eram homens que sabiam diferenciar entre o bem e o mal. Vejam um homem como Moisés. Criado como filho da filha de Faraó, podia ter sido o herdeiro do trono. Entretanto ele pôs isso de lado, e o fez porque tinha os olhos postos "na recompensa". Esse é o segredo de todos aqueles homens; e eu e vocês devemos observá-los e pensar bem no seu exemplo.
E desta maneira que aqueles homens do passado realmente nos ajudam. Vemo-los fazerem exatamente o que somos chamados a fazer. Eles correram a carreira, e triunfaram. Eles se edificaram a si mesmos na sua santíssima fé. Eles ficaram firmes contra as astúcias do diabo, apesar de todo o sofrimento por que passaram. Que homens magníficos! A história deles foi escrita para ajudar-nos e fortalecer-nos. Você não se sente melhor sempre que lê sobre eles? E um tônico excelente. Quando você achar que a luta está sendo demais para você, que tudo está contra você, e quando você se queixar de tudo o que lhe está acontecendo, leia o capítulo onze da Epístola aos Hebreus. Se no fim você não se envergonhar de si mesmo, você é um pobre cristão. E pobre cristão você será, se não se levantar e não disser: "Sim, eles fizeram aquilo no poder de Deus, e eu vou fazer o mesmo. Se Deus os capacitou, Ele me capacitará". Esse é o constante argumento das Escrituras. Tiago cita o caso de Elias. Diz ele: "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós" (5:17). Não havia nada de peculiar em Elias que explicasse as coisas que ele fez; foi Deus que o capacitou. Muito bem, façam como ele, diz Tiago. E assim foi com todos eles. O livro de Jó é, todo ele, um grande tratado sobre este assunto. Considerem a paciência de Jó, e como Deus o tratou no fim, e o abençoou.
Ler a respeito desses homens ajuda-nos a fortalecer-nos e nos anima a prosseguir com os nossos exercícios. Se procedermos assim, viremos a ser como eles. Sigam-nos, sigam essa caravana de heróis; são homens como esses que devemos imitar e que devemos tomar por modelo.
E assim passamos ao nosso derradeiro princípio: "Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai pois aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado". O Filho de Deus é a mensagem fundamental. "Olhando para Jesus", que veio deliberadamente a este mundo mal, a este mundo de guerras, pecado, vergonha e indignidade. Ele não pertencia a este mundo. Veio a ele deliberadamente; Ele sofreu e suportou a contradição dos pecadores contra Si. Ele "resistiu até ao sangue". E isso tudo "pelo gozo que lhe estava proposto". Ele tinha conhecimento do lugar para onde ia e da glória vindoura. Por isso "suportou a cruz, desprezando a afronta".
E desse modo que se faz exercício, é desse modo que se "corre a carreira" que nos é proposta. É desse modo que você se edifica em sua santíssima fé! Esta é a única mensagem para os homens e para as mulheres num mundo como o de hoje. Não podemos mudar as circunstâncias, mas podemos triunfar nelas. Podemos ser: "mais do que vencedores"; e nos tornamos tais quando nos achamos "olhando para JESUS". Olhem para Ele! Olhem as noites que Ele passou em oração, olhem o Seu conhecimento da Palavra de Deus, olhem o modo como Ele "exercitava os Seus sentidos". E todos os que O seguem têm feito o mesmo; todos eles são Seus imitadores.
Devemos tornar-nos Seus imitadores. Devemos olhar para além dos homens, devemos olhar para o Filho de Deus e para o que Ele fez para "livrar-nos do presente século mau" (Gálatas 1:4), e introduzir-nos na glória que nos espera com Deus.
Cristãos, o inundo está olhando para vocês, esperando de vocês ensino, instrução, um exemplo de como viver vitoriosamente. Exercitem, pois, os seus sentidos, agarrem-se a estas coisas, olhem para os grandes heróis da fé, buscando deles inspiração. Acima de tudo, olhem para Jesus, "o autor e consumador da fé", e assim vocês se fortalecerão "no Senhor e na força do seu poder", e serão capazes de resistir no dia mau quando este chegar. Há somente um meio pelo qual podemos "ficar firmes" num tempo como esse, e é conhecer esta verdade, fortalecer-nos nela e, havendo feito tudo, "ficar firmes".
Martyn L. Jones
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Martyn L. Jones
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Livres dos desejos do pecado
(Desejar justiça) significa desejo de ser livre do pecado, porque o pecado nos separa de Deus. Positivamente, pois, significa desejo de ser reto para com Deus. . . Toda a dificul¬dade do mundo de hoje se deve ao fato de que o homem não é reto para com Deus, pois é porque ele não é reto para com Deus que anda por caminhos errados em tudo mais. . . Aquele que tem fome e sede de justiça percebe que o pecado e a rebelião o separaram da face de Deus e anela retornar àquele antigo relacionamento. . .
Mas também significa, necessariamente, o desejo de ficar livre do poder do pecado. . . O homem a quem estamos considerando. . . chegou a perceber que o mundo em que ele vive é controlado pelo pecado e por Satanás. . . Ele entende que «o deus deste mundo» o vem cegando. . . Quer libertar-se desse poder que o arrasta para baixo, a despeito dos esforços dele (ver Romanos 7). Quer ficar livre do poder, da tirania e da servidão do pecado. . .
Mas a coisa vai mais longe ainda. Significa o desejo de ficar livre do próprio desejo do pecado, pois vemos que aquele que verdadeiramente se examina a si próprio, à luz das Escrituras, não só descobre que está na escravidão do pecado; ainda mais horrível é o fato de que ele gosta do pecado, ele o deseja. Mesmo depois de ter entendido que é errado, ele o quer. Mas agora, o homem que tem fome e sede de justiça é aquele que quer desfazer-se daquele desejo do pecado, não somente exterior, mas também interiormente. . . O pecado é algo que polui a própria essência do nosso ser e da nossa natureza. Quem é cristão quer ficar livre disso tudo. . . Ter fome e sede de justiça é desejar libertar-se do ego, em todas as suas horríveis manifestações, em todas as suas formas. . . aquele que tem fome e sede de justiça. . . quer emancipar-se da preocupação egocêntrica, em todas as suas formas e medidas.
Martyn L. Jones
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Jesus. . . Jesus. . . Jesus. . .
Acima de todos os outros fatos está o mais glorioso de todos: o próprio Jesus Cristo. São-nos dados nos Evangelhos os pormenores da Sua vida terrena, de sorte que podemos obter consolo nas horas de aflição. Sobretudo, lembremo-nos de que o Filho de Deus em pessoa andou por este mundo. Não há nada que Ele não saiba da contradição dos pecadores em contraposição a Ele. Embora sendo Ele o Filho de Deus, sabia o que era ficar cansado, ficar exausto, enfraquecer-se fisicamente, suar gotas de sangue em agonia. Sabia o que era enfrentar o mundo inteiro e todo o poder de Satanás e do inferno acumulado contra Ele. «Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado» (Hebreus 4.15).
Não há nada que Ele desconheça da nossa fraqueza e da nossa fragilidade. A encar-nação não é mera idéia; é um fato: «E o Verbo se fez carne» (João 1.14). E em nossa agonia e fraqueza, podemos sempre voltar-nos para Ele com confiança, sabedores de que Ele nos compreende, de que Ele nos conhece e de que pode socorrer-nos. O Filho de Deus fez-se homem para fazer-se o nosso perfeito Sumo Sacerdote e para que pudesse conduzir-nos a Deus.
Minha esperança se ergue sobre o Redentor, sobre o sangue e a justiça de Cristo, o Senhor. Quando as trevas parecem Seu rosto velar, eu repouso em Sua graça imutável, sem par. Em todo temporal de um borrascoso mar, em meio a escuro véu, minha âncora me firma em Cristo, Rocha eterna, e em Sua justiça, pois qualquer outra base é areia movediça.
Assim sendo, haja o que houver, «regozijar-me-ei no Senhor, e me alegrarei no Deus da minha salvação».
From Fear to Faith, p. 7 7,8.Martyn L. Jones
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sábado, 29 de maio de 2010
O Chamado Eficaz
E a maneira de responder a essa pergunta, parece-me, é dizer que o chamado do evangelho, que tem sido dirigido a todos, é eficaz só em alguns. Ora, há uma porção das Escrituras que constitui uma perfeita ilustração desse fato. Os seguidores de Cristo que eram descritos até como "discípulos", se dividiam em dois grupos. Um grupo decidiu que jamais O ouviriam novamente. Eles O deixaram e se foram para casa. E quando Ele Se voltou para os outros, e perguntou: "Quereis ir embora também?", Pedro respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens a palavra de vida eterna" (João 6:67,68). Um grupo não creu e se foi para casa; o outro, que ouvira exatamente as mesmas coisas, permaneceu com Ele; queria ouvir mais, e se regozijou em Sua palavra. O que faz a diferença? E que a palavra foi eficaz no caso dos salvos de uma maneira que não foi eficaz no caso dos não-salvos que a rejeitaram.
Aqui temos, pois, algo completamente óbvio. Podemos dizer que além do chamado externo há o chamado eficaz, e que o que faz uma pessoa salva e genuinamente cristã é que a vocação do evangelho lhe veio com eficácia. Permitam-me que lhes apresente algumas passagens bíblicas que estabeleçam esse fato. A primeira, Romanos 8:28,39, é a grande confirmação desta verdade. "Sabemos", diz Paulo, "que todas as coisas operam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus...", não para todos, mas "para aqueles que amam a Deus". Quem são eles? "Aqueles que são chamados segundo o seu propósito", e Paulo prossegue: "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou". Os salvos são descritos como aqueles que são chamados. E eles têm sido chamados de uma maneira que os outros não o foram. Essa é, portanto, uma afirmação bíblica desse chamado eficaz.
Ainda outra passagem pode ser encontrada em 1 Coríntios 1:2. Ela é uma declaração que vocês encontrarão em outros lugares, ou seja, "à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos...". Não é simplesmente que são chamados santos, mas são chamados para serem santos. E então, nesse mesmo capítulo, o apóstolo o repete. Diz ele: "nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" - notem bem -"mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" (1 Cor. 1:23,24). Ora, há pessoas para quem a pregação de Cristo não passa de loucura; são os não-salvos. Os salvos, contudo, ele novamente os descreve como aqueles que são chamados.
Permitam-me apresentar-lhes outro exemplo. Tomem aquela grande declaração feita pelo apóstolo Pedro: "Mas vós" - sua referência é aos cristãos autênticos - "sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Ped. 2:9,10). Deus os chamara, e porque eles são os salvos, Ele os chamou eficazmente. O chamado do evangelho tem alcançado muitos outros, esses, porém, não são as pessoas de quem Pedro está falando. Ele está falando das pessoas que correspondem ao Israel segundo a carne, no Velho Testamento. Ele lhes aplica a mesma terminologia que era aplicada aos filhos de Israel, assim como os Dez Mandamentos e a lei moral lhes foram entregues. Pedro usa as mesmas palavras - eles são os chamados, o "Israel de Deus", chamados para expressar Seus louvores. Ora, é óbvio, pois, que nessas pessoas o chamado foi eficaz; esse é o ensino dessas Escrituras.
Há, porém, outro argumento que declara isso perfeitamente. Qual é o significado do termo igreja? Somos membros da Igreja Cristã. No entanto, o que ela é - o que ela significa? Qual é a conotação do termo? Bem, a palavra igreja traduz a palavra grega, ecclesia; e aecclesia significa "os chamados para fora". Uma igreja é um ajuntamento de pessoas que foram extraídas, chamadas para fora, separadas em decorrência desse chamado. Como Pedro o coloca: "que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Aí está o significado desse termo igreja. E conseqüentemente essa mesma palavra é em si mesma e por si mesma suficiente para estabelecer a declaração de que obviamente existe uma tal coisa como vocação eficaz, porquanto a mesma mensagem tem chegado a outros, mas eles não têm sido chamados do mundo para a Igreja,
Qual, pois, é a diferença entre o chamado externo e este chamado que se tem tornado eficaz? E a resposta seria que este é um chamado interno, um chamado espiritual. Não é simplesmente algo que vem de fora para uma pessoa - naturalmente, vem de fora, entretanto, além desse chamado externo que vem a todos, há um chamado interno que vem àqueles que são destinados a ser cristãos, e esse é um chamado eficaz. O contraste, portanto, é entre externo e interno ou espiritual.
Agora quero ir ainda mais longe e mais uma vez apresentar-lhes provas bíblicas do fato de que existe um tal chamado interno e espiritual. Temos olhado a ele apenas de forma geral nas Escrituras que lhes tenho apresentado até aqui. Elas são simplesmente designações, descrições. Por isso desejo apresentar--lhes textos bíblicos que especificamente declaram que isso é algo que ocorre no íntimo; e antes de tudo vamos para o sexto capítulo do Evangelho de João. Incidentalmente, esta doutrina particular é ensinada muito mais claramente - se podemos usar tal comparação - por João do que pelo apóstolo Paulo. Certas pessoas às vezes tendem a pensar que esta é uma doutrina contemplada só na mente de Paulo, mas ela é muito mais evidente no Evangelho de João, e particularmente neste grande capítulo 6.
Aqui, no versículo 45, está uma afirmação dela: "Está escrito nos profetas: e serão todos ensinados por Deus". E isso aí; Deus deu ao profeta esta informação e ele a registrou. Haverá certas pessoas que serão ensinadas por Deus, não ensinadas somente por homens, mas também ensinadas por Deus, ensinadas pelo Espírito Santo. Alguma obra interna está para acontecer. "Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim" (v. 45). Notem que as pessoas que vêm a Cristo são aquelas que têm sido ensinadas por Deus, aquelas que aprenderam do Pai através do Espírito, e somente essas. Ora, eis aí uma afirmação crucial. Todavia, nosso Senhor a repete mais adiante nos versículos 63-65. Seus ouvintes se escandalizaram em Suas palavras, e Ele lhes disse: "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Mas", diz ele, "há alguns de vós que não crêem". E João adiciona: "Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar". Eles responderam ao chamado externo, e acreditaram que eram cristãos. Aqui se faz evidente que não o eram; nunca haviam sido ensinados por Deus. Apegaram-se à forma externa, à palavra externa, e não haviam recebido o Espírito. João continua: "Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido". E o Pai não concedera a essas pessoas (o chamado interno), por isso retrocederam e foram para casa. Mas Ele o concedera aos outros, por isso ficaram e se alegraram nele. Eis aí a prova de que existe este chamado espiritual, este chamado interno. E é isso que faz o chamado ser eficaz.
Martyn Lloyd Jones
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Martyn Lloyd Jones
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
O desafio da perfeição
Tudo quanto fazemos neste mundo é de tremenda significação, e não podemos dar-nos o luxo de supor que não há risco. . . nosso Senhor. . . parte da questão relativa ao julgamento feito acerca de outras pessoas. Devemos ser cuidadosos quanto a isso, porque nós mesmos estamos sujeitos a juízo. Mas por que, então, nosso Senhor faz esta promessa, nos versículos 7-11 (de Mateus 7), nesse ponto? Por certo é esta a resposta: Nos versículos 1 a 6, Ele nos mostra o perigo de condenar a outrem, como se fôssemos nós os juízes, e de abrigar amargura e ódio no coração. Ele também nos manda tirar a trave do nosso olho, «antes de querer extrair o argueiro do olho do nosso irmão.
O efeito disso tudo, em nós, é revelar-nos a nós mesmos e mostrar-nos quão terrivelmente necessitamos da graça. . . ficamos humilhados e nos pomos a indagar: «Quem é suficiente para estas coisas? Como terei possibilidade de viver à altura de tal padrão?» . . .damo-nos conta de quão indignos e pecadores somos. E o resultado disso é que nos sentimos totalmente sem esperança nem socorro. Dizemos: «Como podemos viver segundo o Sermão da Montanha? Como pode alguém elevar-se ao nível de tal padrão? Precisamos de socorro e de graça. Onde obtê-los?» Eis a resposta: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á».
Essa é a conexão entre os dois trechos, e devemos dar graças a Deus por ela, porque, estando face a face com este glorioso Evangelho, temos de sentir-nos arruinados e indignos. Os insensatos que pensam no cristianismo somente em termos daquela pouca moralidade que eles mesmos podem produzir, nunca chegam a ver o que é o cristianismo. O padrão pelo qual somos confrontados é aquele que encontramos no Sermão da Montanha. Esse padrão esmaga a todos nós até ao chão, e somos levados a compreender nossa incapacidade e nossa desesperada necessidade de graça. Aí está a resposta; a solução nos está sendo oferecida. No versículo oitavo o Senhor repete a Sua oferta.
Martyn L. Jones
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Um Evangelho honesto!
(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . . Muitíssimas vezes têm-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor. O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza às pessoas.
Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .
É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete.
A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.
A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de mundanismo. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.
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