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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Como Devemos Tratar os Conflitos na Igreja



Existem muitas áreas de uma igreja onde o conflito possa se desenvolver. No entanto, a maioria deles tende a cair em uma das três categorias: conflito devido ao pecado flagrante entre os crentes, conflito com a liderança e conflito entre os crentes. É certo que muitos problemas podem envolver duas ou mais destas categorias.

Os crentes que pecam descaradamente representam um conflito para a igreja, assim como visto em 1 Coríntios 5. A igreja que não lida com o pecado entre os membros abre a porta a mais problemas. A igreja não é chamada para ser crítica dos incrédulos, mas espera-se que enfrente e restaure os crentes que não se arrependem dos pecados, como os listados em 1 Coríntios 5:11: "Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador." Tais indivíduos não devem ser aceitos pela igreja até estarem dispostos a se arrepender. Mateus 18:15-17 fornece um procedimento conciso para o confronto e restauração de um crente. A confrontação deve ser feita cuidadosamente, humildemente e com o objetivo de restauração (Gálatas 6:1). As igrejas que amorosamente disciplinam indivíduos em pecado reduzirão boa parte dos seus conflitos.

Às vezes os crentes talvez não estejam satisfeitos com as ações ou políticas dos líderes da igreja. Um incidente no início da história da igreja ilustra isso (Atos 6:1-7). Um grupo de pessoas na igreja de Jerusalém reclamou aos apóstolos que algumas pessoas não estavam recebendo os devidos cuidados. A situação foi remediada e a igreja cresceu (Atos 6:7). A igreja primitiva usou o conflito como uma oportunidade para melhorar o ministério. No entanto, quando as igrejas não têm um processo claro para lidar com certos assuntos, as pessoas tendem a criar suas próprias plataformas. Os indivíduos podem começar a questionar outros na igreja, a envolver-se em fofocas ou até mesmo formar um bloco de "pessoas preocupadas". A liderança pode ajudar a evitar esses problemas ao ser pastores altruístas e amorosos. Os líderes devem ser servos e exemplos, e não senhores (1 Pedro 5:1-3). Os membros frustrados de uma igreja devem respeitar os líderes (Hebreus 13:7,17), ser tardios para acusá-los (1 Timóteo 5:19) e falar a verdade com amor diretamente a eles, não a outras pessoas sobre eles (Efésios 4:15). Nas ocasiões em que um líder aparentemente não esteja respondendo a uma preocupação, o indivíduo deve seguir o padrão estabelecido em Mateus 18:15-17 para garantir que não haverá confusão a respeito da posição de cada um dos envolvidos.

A Bíblia adverte que os membros de uma igreja talvez tenham conflitos uns com os outros. Alguns conflitos decorrem do orgulho e do egoísmo (Tiago 4:1-10). Outros acontecem devido a ofensas que não foram perdoadas (Mateus 18:15-35). Deus nos disse para lutar pela paz (Romanos 12:18, Colossenses 3:12-15). É da responsabilidade de cada crente tentar resolver o conflito. Alguns passos básicos para a solução incluem o seguinte:

1. Desenvolva a atitude correta no coração - seja manso (Gálatas 6:1); humilde (Tiago 4:10); inclinado ao perdão (Efésios 4:31,32) e paciente (Tiago 1:19,20).

2. Avalie a sua parte no conflito - Mateus 7:1-5 (remover o argueiro do teu olho primeiro é necessário antes de ajudar os outros).

3. Vá diretamente ao indivíduo (não a outras pessoas) para expressar a sua preocupação - Mateus 18:15. Isso deve ser feito em amor (Efésios 4:15) e não simplesmente para se queixar ou desabafar uma emoção. Acusar uma pessoa tende a encorajar a autodefesa. Portanto, dirija-se ao problema ao invés de atacar a pessoa em si. Isto fornece uma melhor oportunidade para esclarecer a situação ou pedir perdão pela ofensa.

4. Se a primeira tentativa de resolução não alcançar os resultados necessários, continue com uma outra pessoa que possa ajudar com a mediação (Mateus 18:16). Lembre-se de que seu objetivo não é ganhar um argumento, mas ganhar o seu companheiro crente para a reconciliação. Portanto, escolha alguém que possa ajudá-lo a resolver o conflito.

Os conflitos são tratados de forma melhor quando os indivíduos em oração e humildade se concentram em amar os outros com a intenção de restaurar as relações. A maioria dos conflitos dentro de uma igreja deve ser gerenciável se os princípios bíblicos acima forem seguidos. No entanto, há momentos em que aconselhamento externo possa ajudar. Recomendamos a utilização de recursos como os dos Ministérios PeaceMaker (www.hispeace.org). Esses recursos são em inglês.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Homeschooling: vote sim!



Há uma pesquisa no site do Senado que indaga:

"Você concorda com o projeto que prevê a possibilidade de a educação básica ser feita em casa?"

Se você está alarmado com a má qualidade da educação no Brasil e deseja que os pais brasileiros tenham um direito já garantido em vários outros países, vote SIM!

Na verdade, a proibição ao ensino em casa é ilegal, de acordo com Henrique Cunha de Lima, procurador do Ministério Público de Contas do Estado do Rio de Janeiro: o Brasil assinou tratados internacionais que são superiores ao ECA e à LDB (veja aqui). Mas precisamos de mais facilidade jurídica, pois muitos juízes não estão dispostos a abrir mão da ideia de que o Estado é o mais importante educador das crianças brasileiras - o que é um absurdo e deve ser tratado como tal. O que começou como direito não pode se transformar em obrigatoriedade!

Liberdade para homeschooling já!

Fonte: http://normabraga.blogspot.com.br/2014/12/homeschooling-vote-sim.html

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Texto fora de contexto... Romanos 8:37



Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. (Romanos 8:37)
            O triunfalismo, a ideia de que o crente deve ser vitorioso em todas as áreas de sua vida, é uma das principais marcas da grande maioria das igrejas evangélicas no Brasil. Isso pode ser visto, por exemplo, nos chamados “culto da vitória”, que muitas igrejas possuem. Ou mesmo nas músicas de vários cantores e cantoras, focadas em motivar aos crentes a serem vitoriosos sobre qualquer inimigo e qualquer adversidade.
 
            Não tenho dúvidas, contudo, que o principal texto usado para defender a ideia triunfalista é Romanos 8:37, pois, nele, São Paulo diz com muita clareza “Em TUDO somos mais que vencedores”. A maneira triunfalista de entender esse texto é mais ou menos assim: Se somos mais do que vencedores em todas as coisas, então devo declarar a minha vitória sobre qualquer dificuldade, seja doença, seja crise conjugal, seja desemprego, e Cristo me restituirá em dobro o que eu perdi. A ideia, portanto, baseada nesse texto, é que a vitória sobre o desemprego é um emprego melhor; a vitória sobre a doença, é a cura; a vitória sobre uma crise financeira é a prosperidade. O que o crente precisa, assim, se já é mais que vencedor sobre todas essas coisas, é simplesmente declarar a sua vitória, pois como diz uma das músicas triunfalistas “posso enfrentar o que for, eu sei quem luta por mim”. Só que não... não é isso que o texto quer dizer.
 
            O segredo para se entender bem este texto é analisar no contexto a resposta para duas questões: 1) Quais são “todas estas coisas”?; e 2) O que é ser mais que vencedor sobre estas coisas?. Vamos à primeira.
 
            Uma análise do contexto mais amplo nos revela que o apóstolo Paulo deseja demonstrar os privilégios de pertencer a Cristo a despeito dos sofrimentos da era presente. É isso que ele diz em Romanos 8:18: 

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós

            Ou seja, um dos privilégios de pertencer a Cristo é ter uma viva esperança de um futuro glorioso. É por isso que Paulo diz que “na esperança, fomos salvos.” (Rom 8:24). Também, é por isso que ele diz: “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rom 8:28). Já vimos em outro lugar que este propósito de Deus é, no futuro, nos tornar à imagem de Cristo, sendo isto (ser à imagem de Cristo) a nossa glória futura. 
 
            Diante de tamanha promessa, a qual conclusão chegamos? A de que Deus é por nós (v. 31). Temos um Deus que, juntamente com Cristo, nos deu privilégios maravilhosos (v.32), como a eleição, a justificação (v.33), a interseção de Cristo em nosso favor (v.34) e a união inviolável com o amor de Cristo (v.35). E é exatamente neste último privilégio que o apóstolo Paulo alista uma série de dificuldades que todo crente pode passar, especialmente aqueles que, como Paulo, enfrentam oposição. Ele alista “tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada”.
 
            Isto significa, então, que o crente é um derrotado? Isto significa que deve-se considerar uma perda seguir a Cristo, visto que o grande resultado é futuro, e no presente há tanto sofrimento? A resposta de Paulo é que não, pois em “todas estas coisas”, ou seja, “nos sofrimentos da era presente”, e mais especificamente “tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada”, somos mais que vencedores. Portanto, já temos a resposta à nossa primeira pergunta “Quais são ‘todas estas coisas?’”: São os sofrimentos do tempo presente, especialmente os decorrentes do serviço a Cristo, alistados no versículo 35 de Romanos 8.
 
            E o que é ser mais que vencedor sobre todas estas coisas? A resposta, agora que analisamos o contexto, ficou mais fácil. Mas antes, já podemos descartar qualquer sentido “materialista” para esta vitória. Definitivamente, para Paulo, a vitória da tribulação, por exemplo, não é uma casa de praia, com uma rede balançando sob a brisa do mar, e um cheirinho bom de churrasco assando na beira da piscina.  A vitória não é a satisfação da ganância, ou de qualquer outra expectativa centrada no ego humano. A vitória é “por meio daquele que nos amou”, como diz o restante do texto, e não tem nenhuma relação com tais interesses mesquinhos. Isto seria ser apenas “vencedor”. Mas Paulo faz questão de dizer que, em Cristo, somos “MAIS que vencedores”.
 
            À luz do contexto, o que vemos é que nenhum destes sofrimentos é capaz de nos separar do amor de Cristo (vs 38,39). Sendo assim, nada retira dos filhos de Deus os privilégios oriundos do amor de Cristo por nós, como a nossa eleição, nossa justificação e a nossa esperança de um futuro glorioso com Deus. Embora saudável ou doente, empregado ou desempregado, rico ou pobre, vivo ou morto, nada nos separa das grandiosas bênçãos amorosas oriundas da nossa união com Cristo, e nisso está a nossa vitória! Eis, portanto, a nossa vitória: nada nos separa do amor de Cristo!
 
            Pondo em termos práticos, o que um pastor deveria dizer a um irmão que está lutando contra o câncer? Se ele entender errado o texto de Romanos 8:37, ele diria: “Irmão, em Cristo somos mais que vencedores. Venha aqui que eu vou declarar a sua vitória sobre esta doença, e Deus vai te dar a cura neste dia!”. Porém, se ele entende tal texto em seu contexto, ele falaria: “Irmão, em Cristo somos mais que vencedores. Saiba que nosso desejo e oração é sua cura, porém louvamos a Deus que esta doença não pode te separar do amor de Cristo e, assim, podemos ter a confiança que seu futuro é glorioso, apesar deste seu sofrimento!”.

            Em resumo, o crente é mais que vencedor sobre qualquer dificuldade de sua vida? Sim. Mas sua vitória consiste em estar unido a Cristo e ter a convicção de seu amor e de um futuro glorioso, apesar dos sofrimentos presentes. É isto que Romanos 8:37, em seu contexto, significa. 

Pr. Antônio Neto

Fonte: Igreja Batista Luz do Mundo

quinta-feira, 20 de março de 2014

Texto fora de Contexto - Romanos 8:28



Rom 8:28  Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
            O texto de Romanos 8:28 é um daqueles prediletos de muita gente. Se fizéssemos uma pesquisa, não seria surpreendente ver este versículo como um dos mais conhecidos dos evangélicos, mais até, talvez, do que João 3:16. O motivo para isso reside no fato da cada vez mais crescente mania evangélica de considerar a Bíblia como um livro de autoajuda. Consequentemente, aqueles versículos que motivam, falam de triunfo, consolam e animam serão os prediletos nas pregações e nas conversas informais.
             No caso desse texto, não é incomum vê-lo sendo utilizado com propósitos motivacionais. Porém, para entendermos como ele é usado para motivar, imagine uma situação onde você é dono de uma empresa, e então descobre que ela vai à falência. Um amado irmão em Cristo, na expectativa de te animar, chega para você e diz “Querido, saiba que todas as coisas cooperam para o nosso bem. Deus há de te dar uma empresa melhor e maior. Você vai sair dessa!”.
Esta pessoa entende que tal versículo significa que todas as coisas que ocorrem na sua vida cooperam para circunstâncias ainda melhores. Ou seja, se um ladrão te furta algo, é porque Deus vai te dar algo melhor ainda. Se você termina um namoro, é porque Deus vai te dar um namoro ainda melhor. Se você não passa na prova do vestibular, é porque Deus vai te colocar em uma faculdade superior. Porém, será que é isso mesmo?
Não, não é isso! Não é isso que o texto ensina. Na verdade, o problema todo reside no que o apóstolo Paulo, o escritor desse texto, quer dizer com a palavrinha “bem”. E a resposta está um versículo depois, em Romanos 8:29:
Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
Note que este versículo começa com a conjunção “Porquanto”. Isto significa que este versículo explica algo do anterior. O verso 28 ensina que tudo coopera para o bem daqueles a quem Deus chamou segundo o seu propósito. A pergunta, então, é “Por que tudo coopera para o nosso bem?”.
A resposta é que Deus nos chamou para um propósito, descrito no verso 29, o de sermos conformes (da mesma forma) à imagem de Cristo. Ou seja, Deus nos chamou para sermos parecidos com Cristo; para que Cristo seja transparecido por meio de nossas vidas. Deus já nos destinou de antemão para isso, mas ele já está trabalhando em nós para este fim.
Outros textos da Bíblia mostram como Deus tanto deseja que sejamos cada vez mais parecidos com Cristo, quanto que isso ocorrerá plenamente no futuro. Veja alguns exemplos:
Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” Col 3:9,10
Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” 1 Jo 3:2
Note como o primeiro versículo mostra que já estamos sendo feitos à imagem de Cristo. Já o segundo versículo diz que, quando Cristo vier, seremos semelhantes a ele (você lembra da expressão “imagem e semelhança” lá de Gênesis? São palavras sinônimas, por isso o termo “semelhança” é usado em 1 João).
Agora sim podemos entender o que Paulo quis dizer com a palavrinha “bem” em Rm 8:28. Com esta palavra, o apóstolo tinha em mente o propósito de Deus de nos tornar mais semelhantes a Cristo. Ou seja, tudo o que acontece na vida dos crentes tem o propósito de torna-los mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo. Este é o nosso “bem”.
O real valor, portanto, desse trecho que analisamos é entender qual é, de fato, o maior bem de nossas vidas, aquilo pelo qual devemos desejar com mais vigor. Se tivermos como nosso maior desejo o ser mais parecidos com Cristo, então este versículo é extremamente apropriado para nos consolar e motivar nas dificuldades. A perda de um emprego, a perda de um ente querido, a descoberta de uma doença, o fracasso em uma prova importante, tudo isso tem o propósito de nos tornar mais semelhantes a Cristo. Nossas dificuldades servem como um martelo na mão do escultor, que vai retirando excessos e dando a forma apropriada à sua escultura.
Por isso, quando for utilizar este trecho para o seu próprio consolo, ou o consolo de alguém, simplesmente troque a palavrinha “bem” por “nos tornar mais parecidos com Cristo”. Desta forma, você usará este texto em seu contexto, e oferecerá um consolo apropriado para todas as circunstâncias.
In omnibus glorifectur Deus.

Pr. Antônio Neto

Fonte: Igreja Batista Luz do Mundo

terça-feira, 11 de março de 2014

O que a Bíblia diz sobre... casamento?



A Bíblia fala muito sobre o casamento. Livros e mais livros têm sido escritos analisando todo tipo de texto relacionado a este assunto, e todas as formas de aplicações práticas de tais passagens bíblicas. Aqui, quero me deter no coração da questão, que é o conceito bíblico do matrimônio. Assim, a pergunta mais precisa seria “O que a Bíblia diz sobre O QUE É casamento”. Para isso, não há melhor texto do que Gênesis 2:24, que diz:
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
Este texto faz parte do contexto maior da narrativa da criação de Deus. Os capítulos 1 e 2 descrevem todo o processo da obra da criação. À partir do capítulo 3, o assunto muda. E aqui está o primeiro e mais importante ensino bíblico sobre o casamento: ele é uma invenção de Deus. Não foi o homem quem inventou o casamento, foi Deus. Deus quem idealizou e concedeu aos homens e mulheres o privilégio desta instituição. Por isso, quem melhor poderia nos dizer o que é o casamento, senão o seu inventor?
Este pequeno trecho bíblico é exatamente isto, Deus nos dizendo o seu conceito de casamento. Note que o escritor de Gênesis para de contar uma história usando verbos no passado, e profere um ensino no tempo presente. Ele não diz “por isso deixou...”, mas “Por isso, deixa... se une”. Ele usa verbos no presente porque não quer mais contar uma história, mas transmitir um conceito. Que conceito? O conceito do casamento. Vamos analisa-lo, então.
Veja, em primeiríssimo lugar, que o casamento é uma união de um homem e uma mulher. Esta é a essência do matrimônio, a união de duas pessoas. Por isso, o casamento envolve também uma separação, a dos pais. O homem, e consequentemente a mulher, precisa se separar fisicamente e psicologicamente de seus pais, e unir-se também fisicamente e psicologicamente à sua esposa. Ou seja, eles, o homem e a mulher, deixarão de serem filhos em primeiro lugar, para serem marido e mulher.
O casamento é, assim, a criação de uma nova família. É a constituição de um novo lar, uma nova casa. Não é apenas quando o casal tem filhos que se inicia uma família. O casal já é uma família. É isso que se quer dizer com “deixar pai e mãe e unir-se”. Por isso, embora seja fundamental e indispensável o reconhecimento social do matrimônio, é no momento em que o casal une-se em uma nova casa, formando uma nova família, que o casamento acontece.
Em segundo lugar, o texto nos ensina que o casamento também é um “tornar-se uma só carne”. Embora a expressão “uma só carne” seja usada em outro lugar na Bíblia como uma referência à relação sexual (1 Co 6:16), aqui ela tem um sentido bem mais abrangente, que inclui a relação íntima. O sentido aqui é de uma união total e indissolúvel. Como sabemos disso? Pela interpretação de Jesus desse texto. Veja o que ele diz em Mateus 19:4-6:
Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
Note que a compreensão de Cristo desta expressão “tornar-se uma só carne” é de uma união feita diante de Deus e que é tão forte e sagrada que o homem não deve intencionar em desfazê-la. Portanto, tornar-se uma só carne com alguém é promover uma integração total com o cônjuge, de forma que os dois terão tudo em comum, como mesma casa, mesma renda, mesmos filhos, mesmos planos, mesmos prazeres sexuais.
Em resumo, o casamento pode ser definido como a união, diante de Deus, de um homem e uma mulher, para constituir uma nova família, por meio de uma integração total de suas vidas. É isso o que a Bíblia diz sobre o que é o casamento. Com base nisso, precisamos tirar algumas implicações.
1)    Deus proíbe a poligamia. Deus criou uma esposa para Adão, e disse que o homem deveria unir-se à sua mulher. Por isso, o casamento deve ser entre apenas um homem e uma mulher.
2)    Deus proíbe a homossexualidade. O relacionamento conjugal, incluindo o sexual, deve ser entre pessoas de sexos distintos. A homossexualidade é uma deturpação do plano original de Deus.
3)    O casamento é o ambiente estipulado por Deus para a união do homem com uma mulher. Uniões comuns hoje, como “morar juntos”, ou manter relações sexuais fora do casamento, também são deturpações do plano inicial de Deus. Apenas o casamento é o ambiente permitido por Deus para que um casal se una, e, além disso, é o único ambiente seguro para isso.
4)    Deus não deseja que o casamento termine. Muito embora o divórcio tenha sido permitido na Bíblia em pouquíssimas exceções, a união matrimonial precisa ser encarada como indissolúvel. Casais em crise devem sempre procurar resolver seus problemas e jamais considerar a separação como opção.
5)    A interferência de terceiros no casamento sempre é prejudicial e proibida por Deus. Se o casamento é a união de um homem e uma mulher, a matemática dita que seja a união de duas pessoas. Por isso, formas de inclusão de uma terceira pessoa na relação são proibidas por Deus. Uma destas formas é o adultério, onde uma terceira pessoa interfere na união íntima do casal. Outra forma é a interferência de familiares, ou de amigos do casal, ou até mesmo de irmãos da igreja, tornando-se parte integrante da relação conjugal, exercendo papeis que deveriam ser exercidos pelo marido ou pela esposa. É exatamente por isso que se recomendam coisas como não permitir, salvo raríssimas exceções, que familiares morem com o casal; ter amigos em comum; desenvolver lazeres e programas que envolvam o cônjuge. Tudo o que prejudica a união inviolável do casamento deve ser evitado. E tudo o que promova, deve ser aproveitado.
6)    Não são os filhos a essência da família, mas o casal. É comum vermos pais e mães que consideram os filhos as pessoas mais importantes de suas vidas. Não deve ser assim. Filhos vem, e devem ir. Filhos devem deixar seus pais para formar novas famílias, mas o marido e a esposa nunca devem deixar um ao outro. Por isso, o núcleo do casamento é o casal. E deixe-me dizer uma coisa: seus filhos vão gostar muito de ver que você ama mais ao seu papai ou a mamãe dele do que a ele mesmo. Não há nada melhor para um filho do que pais que se amam.
Este é o conceito bíblico do casamento. Meio antiquado para os nossos dias. Mas certamente é o único modelo que realmente funciona e, mais importante ainda, é o único modelo que glorifica a Deus.

Pr. Antônio Neto

Fonte: Igreja Batista Luz do Mundo

segunda-feira, 10 de março de 2014

O Perigo de ‘Tomar Posse da Bênção’



Mas logo se esqueceram do que ele tinha feito e não esperaram para saber o seu plano. Dominados pela gula no deserto, puseram Deus à prova nas regiões áridas. Deu-lhes o que pediram, mas mandou sobre eles uma doença terrível(Salmo 106.13-15).

O antigo pecado da reclamação a Deus ganhou nova roupagem: “Tomar posse da bênção”. E se o leitor é simpático a essa expressão tão difundida pelas pregações irreverentes e triunfalistas de várias igrejas, especialmente as pentecostais, tome cuidado — a começar pela leitura desta pastoral.

Antes que alguém me pergunte, esta pastoral não é sobre aquele litro de leite que você comprou e estava azedo. Para esse tipo de reclamação, que não é pecado, há o Código de Defesa do Consumidor e outras organizações que o ajudarão caso uma conversa rápida com o gerente da mercearia não lhe garanta um novo litro de leite fresco ou até mesmo dois litros como cortesia da casa!

Todavia, o pecado da reclamação contra Deus é real, frequente, perigoso e todos os cristãos devem estar cientes das causas e consequências dessa transgressão que sobe às narinas de Deus com odor pior que o de leite azedo. Logo, o objetivo desta pastoral é fornecer um breve guia prático para sermos um povo que apenas “clama” a Deus.

O texto base que se encontra no Salmo 106 mostra como os israelitas cometeram o pecado da reclamação contra Deus após terem sido libertos do Egito e ao enfrentar algumas dificuldades na peregrinação no deserto até Canaã. Como todos temos nossos “desertos” vez por outra, é exatamente nessa circunstância que somos mais tentados a cometer o pecado da reclamação contra Deus.

Em primeiro lugar, deve-se evitar a causa desse pecado que começa com sua primeira etapa: o esquecimento (v.13a) dos benefícios que Deus traz aos salvos, mesmo quando isso tem um alto preço. Afinal, “aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” (Rm 8.32). Deus permanece atento às nossas mais íntimas necessidades, mas ele administrará sua graça, soberanamente, de acordo com o seu propósito, não o nosso (Rm 8.28). Jamais podemos nos esquecer desses fatos, nem das provas que já recebemos disso.

Portanto, se o crente não tiver seu coração ancorado à rocha de Romanos 8.28-32, ele entrará rapidamente na segunda etapa: a impaciência (v.13b). Nessa etapa, seu coração vacilante inicia o processo de inquietação irreverente, dando amplo espaço para a ansiedade impulsionada pelos desejos do coração. Tão logo a segunda etapa é concluída, a terceira e última etapa se instala: ser dominado pelos desejos (v.14a) de seu coração. Durante essa etapa, frases piedosas como “seja feita a sua vontade e não a minha” costumam incomodar muito o crente e podem até ser úteis na identificação da etapa que antecede a “tomada da bênção”, ou melhor, o pecado da reclamação.

Cumpridas as três etapas, o crente é, então, lançado na rebelião contra Deus disfarçada de fé. E Satanás, astuto como é, consegue promover esse pecado até mesmo durante o tempo reservado à adoração a Deus: o culto. Não raro essa etapa ocorre durante cultos dominicais ou “cultos especiais” realizados em outros dias da semana por falsos mestres ou pregadores entorpecidos pela ignorância bíblica. Nesses cultos, as pessoas mostram uma rebeldia dissimulada, tomando posse das bênçãos ou as reivindicando, como se fossem senhores da graça divina.

Consumada a “tomada da bênção”, o crente volta para casa satisfeito com seus atos. Mas agora é tarde demais, infelizmente. A insurgência e rebelião disfarçada de piedade já chegou aos ouvidos de Deus que disciplinará o seu povo até que aprenda a nunca entrar na primeira etapa: o esquecimento dos benefícios que a graça sacrificial do Senhor trouxe aos salvos.

Durante a fase final — o juízo — há dois possíveis desfechos: o juízo direto ou a bênção seguida de juízo que pode ser interpretada como uma pseudobênção. Todavia, é na segunda hipótese — a da pseudobênção seguida de juízo — que os crentes que desconhecem a Palavra de Deus ficam mais perplexos: exigem de Deus a chuva para sua horta, Deus os atende enviando os primeiros pingos que caem molhando toda a terra e, após algum tempo, surge no horizonte o vendaval que destruirá não só sua horta, mas sua casa.

Antes de “tomar posse da bênção”, tome cuidado. Deus não deixará seus reclamantes irreverentes sem resposta.

Ev. Leandro Boer

sexta-feira, 7 de março de 2014

A Mulher Virtuosa de Provérbios



Como ser uma dama cristã? Uma mulher de Deus? Uma mulher virtuosa? Provérbios nos ajuda com alguns conselhos:
A importância da mulher virtuosa
Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. (Provérbios 31:10)
Aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do SENHOR. (Provérbios 18:22)
A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos. (Provérbios 12:4)
Teme ao Senhor
Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada. (Provérbios 31:30)
Não é briguenta e amargurada e reclamona
É melhor morar num canto de telhado do que ter como companheira em casa ampla uma mulher briguenta. (Provérbios 21:9)
É melhor morar numa terra deserta do que com a mulher rixosa e irritadiça. (Provérbios 21:19)
O gotejar contínuo em dia de grande chuva, e a mulher contenciosa, uma e outra são semelhantes; (Provérbios 27:15)
Melhor é morar só num canto de telhado do que com a mulher briguenta numa casa ampla. (Provérbios 25:24)
É construtiva e não destrutiva
Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos. (Provérbios 14:1)
Guarda sua honra
A mulher graciosa guarda a honra como os violentos guardam as riquezas. (Provérbios 11:16)
É discreta
Como jóia de ouro no focinho de uma porca, assim é a mulher formosa que não tem discrição. (Provérbios 11:22)
Não é exibida, sedutora (para os de fora) e ignorante
A mulher louca é alvoroçadora; é simples e nada sabe. (Provérbios 9:13)
Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada. (Provérbios 31:30)
É prudente
A casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente. (Provérbios 19:14)
É fiel
O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal! (Provérbios 30:20)
Assim, o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma. (Provérbios 6:32)
Satisfaz seu marido
Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. (Provérbios 5:18)
Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. (Provérbios 5:19)
[Via]

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Texto fora de contexto... Mateus 18:20

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio delesMateus 18:20

Lembro como se fosse hoje! Eu, ainda criança, chego com meus pais na igreja para o culto. Notamos, então, que apenas a nossa família e mais outra estão presentes, e mais a família do pastor. Parece uma situação triste, pouca gente no culto. O que o pastor falaria, então, para consolar e animar aos presentes? Ele escolheu citar Mateus 18:20 para sabermos que Cristo estava entre nós! Mas, espera aí: Acho que não é bem assim...

Poucos textos são tão utilizados de maneira errônea quanto Mateus 18:20. Eu mesmo já ouvi este trecho sendo usado para oração em grupo, e até como base para dizer que não é preciso ir para o culto, pois a família com filhos já soma no mínimo 3! Porém, é da maneira como foi usado nesta minha experiência que ele mais é utilizado, para motivar a um grupo pequeno no culto, afirmando que, embora poucos, Cristo está presente.

Em primeiro lugar, não é errado motivar aos irmãos lembrando-lhes da presença de Cristo no culto. Porém, outros textos poderiam ser usados, pois o de Mateus 18:20 definitivamente não trata disso. De que trata, então?

Regrinha básica em ação: analise o texto no seu contexto. Fazendo isso, você notará que o contexto trata de disciplina na igreja. Jesus está ensinando aos seus discípulos sobre como lidar com um irmão que peca. Primeiro passo, falar com ele. Segundo passo, levar mais uma ou duas testemunhas (decore estes números). Terceiro passo, falar para a igreja. Se, depois de tudo isso, a pessoa recusa-se a abandonar o seu pecado, ela deve ser excluída da igreja.

Assim, os versos 18 e 19 mostram que este processo é autorizado por Deus. Preste bem atenção e você verá Jesus falando de “terra” e “céu” algumas vezes nestes versículos. O que ele quer dizer é que, embora o tratamento do pecado lide com problemas “aqui da terra”, Deus, que está “no céu”, também está relacionado.

Desta forma, veja que o versículo 20 começa com um “Porque”. Se começa assim, então ele está completando uma ideia anterior e, por isso, para entendê-lo, é preciso entender o dito anteriormente. Mas nós já sabemos que o contexto fala de Deus autorizando “no céu” o tratamento do pecado “na terra”. Portanto, o versículo 20 fala exatamente sobre isso também, sobre tratamento de pecado, e sobre autorização divina!

O ensino deste verso, então, é que quando dois ou três se reunirem para lidar com o pecado de um irmão, isto terá a autoridade da presença espiritual do próprio Cristo! O próprio Senhor Jesus estará presente quando o segundo passo começar a ser praticado, dando peso àquela situação de exortação.

Por isso, não use Mateus 18:20 para motivar os poucos crentes presente no culto. Mas você pode usar muito bem para motivar aos presentes em uma assembleia onde se discutirá um pecado a ser tratado de alguém, pois é sobre isso que este texto fala.

Pr.Antônio Neto

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Que a Bíblia Diz Sobre... Pular Carnaval?


Sem entrarmos no mérito da origem do carnaval, ou da definição etimológica do termo “carnaval”, todos sabemos que esta festa está estritamente relacionada a práticas imorais. Não é à toa que o governo realiza campanhas em favor do uso de preservativos neste período. Também, é neste período que mulheres desfilam praticamente nuas em uma avenida. Enfim, não seria nada difícil provar que o período carnavalesco é um período onde as pessoas dão vazão à imoralidade sem os devidos constrangimentos típicos da sociedade.
Por conta disso, não seria difícil também concluir que um crente no Senhor Jesus não deve querer participar desta festa, visto ordens bíblicas como “Fugi da impureza” (1 Coríntios 6:18) e “vos abstenham da prostituição” (1 Tessalonicenses 4:3). Porém, alguém pode ainda pensar em assistir aos “belos” desfiles das escolas de samba na TV, ou mesmo que mal haveria em ir a uma “confraternização” de carnaval da empresa. Por mais absurdo que pareça, não custa nada pensarmos: o crente pode pular carnaval?
Em primeiro lugar, é importante que se diga que a Bíblia não fala da festa do carnaval. Esta festividade é bem mais recente do que a Bíblia. Porém, a Bíblia fala com clareza sobre o que se fazno carnaval. O texto que me vem à mente é o de Efésios 5:3-11.
Neste trecho desta carta de Paulo, ele está falando sobre a santidade requerida daqueles que foram unidos a Cristo e unidos aos demais irmãos no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Esta dupla união deve nos levar a “não mais andar como andam os gentios” (4:17). Como o próprio apóstolo enfatiza em 5:8 “outrora, ereis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”.
Com isso em mente, chegamos ao versículo que, entendo eu, aplica-se perfeitamente à questão do carnaval. Veja o que o texto bíblico diz nos versículo 11.
“E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém reprovai-as”.
A palavra “cúmplice” possui a ideia de uma participação com alguém. É como ser cúmplice de um crime. É qualquer forma de participação intencional. E a exortação bíblica é que não devemos participar intencionalmente das obras infrutíferas das trevas. O pr John Macarthur, na sua Bíblia comentada, nos explica bem este trecho. Ele diz “os cristãos [..] não devem se envolver, de modo algum, com os caminhos maus e com as obras de Satanás e do mundo” (pg 1608). Portanto, ser cúmplice das obras infrutíferas das trevas é associar-se intencionalmente com qualquer prática que se origina de uma fonte contrária a Deus, como o mundo e o diabo.
O carnaval, claramente, é uma festa originada “nas trevas”. É uma festividade que em absolutamente nada glorifica a Deus, mas exalta o pecado, especialmente a imoralidade, a lascívia, a impureza. Desta maneira, podemos dizer que não deve haver nenhuma cumplicidade, ou nenhuma associação intencional entre o crente e o carnaval. Associações do tipo assistir aos desfiles na TV ou na cidade, ir a alguma festividade em praias, clubes ou praças, não seriam, portanto, recomendadas. Pelo contrário, o dever do crente é “reprovar”, rejeitar, acusar como ruim todas estas coisas.
Geralmente, as igrejas promovem retiros neste período para que os jovens, ou mesmo as famílias das igrejas tenham um tempo de reclusão deste período tão marcado pelo pecado. Esta é uma boa estratégia. Porém, se você não vai participar de um retiro assim no carnaval, retire-se a si mesmo e à sua família. Desligue a sua TV neste período. Evite praias, clubes, ou qualquer ambiente onde você sabe que está havendo festejos. Se possível, combine com sua igreja momentos de comunhão. Aproveite os feriados para ficar com sua família e com seus irmãos em Cristo.
Portanto, o que a Bíblia diz sobre pular carnaval? Ela diz que isso é associar-se com aquilo que não agrada a Deus e, por isso, não é recomendável àqueles que desejam andar na luz. Que este seja, enfim, o desejo e a postura de todos que queremos honrar ao Deus Santo.
Pr.Antônio Neto

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

07 características de um pregador fraco e despreparado

Por Renato Vargens

 Ouvir determinados pregadores exige uma dose extra paciência.
Lamentavelmente, do Oiapoque ao Chuí o que mais vemos são pregadores despreparados assumindo os púlpitos de suas igrejas. Na verdade, ouso afirmar que encontrar um bom pregador cuja teologia seja saudável é quase uma missão hercúlea.
Confesso que estou cansado de ouvir pregações vazias, superficiais, materialistas, humanistas e triunfalistas, de gente que contraria totalmente o ensino bíblico.

Isto posto, sirvo-me deste post para elencar as 07 principais características de um pregador fraco e despreparado teologicamente:
  1. Um pregador fraco e despreparado costuma interromper sua mensagem várias vezes mandando o público repetir frases descabidas, sem nexo, bem como desprovidas de inteligência.   
  2.  Um pregador fraco e despreparado repete alucinadamente o jargão "fale para o irmão que está ao seu lado..."
  3.  Um pregador fraco e despreparado interrompe o sermão continuamente mandando o povo profetizar bênçãos e vitórias.
  4. Um pregador fraco e despreparado não prega a palavra, antes pelo contrário, promove entretenimento, levando o povo ao êxtase mediante piadas, casos e contos.
  5. Um pregador fraco e despreparado só fala em dinheiro, em bênçãos financeiras e riquezas oriundas da confissão positiva.
  6. Um pregador fraco e despreparado prefere Marx, Freud, às Escrituras Sagradas.
  7. Um pregador fraco e despreparado é autoritário e  maldizente, fazendo do púlpito plataforma de condenação, escravidão e opressão.
Caro leitor, se o seu pastor se encaixa nesse perfil, converse com ele, incentive-o a mudar, a pregar as Escrituras deixando de lado essa baboseira gospel. Agora, se ele, é daqueles que prefere o engano, deixe-o sozinho e procure uma Igreja que pregue as Escrituras e que faça da Palavra de Deus sua única e exclusiva regra de fé!
Pense nisso!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Podemos repreender Satanás e os demônios?

Por Leonardo Dâmaso


A prática de repreender Satanás em nome de Jesus, bem como os seus demônios que causam ou são os demônios da doença, da miséria, da prostituição, do adultério e dos vícios em geral [que são obras da carne, e não espíritos malignos Gl 5.19-21], determinando que eles vão embora da vida da pessoa vitimada por eles, é vista exclusivamente no meio evangélico pentecostal e neopentecostal. Muitas destas denominações religiosas, com algumas poucas exceções por parte dos pentecostais tradicionais da primeira fase do pentecostalismo que conservaram suas doutrinas iniciais, são aderentes do movimento de batalha espiritual, difundido mundialmente a partir da década de 1960.

Origem do conceito de repreender demônios

O movimento herético animista de batalha espiritual alcançou grande popularidade mediante dois romances escritos por um novelista – Frank Perretti, chamados Este Mundo Tenebroso (vols. 1 e 2), os quais relatam o renhido confronto espiritual de um grupo de cristãos contra espíritos malignos territoriais que tentavam estabelecer domínio em pequenas cidades nos Estados Unidos. Todavia, o conceito de batalha espiritual [especificamente o da quarta linha, caracterizada pela terceira fase do Espírito] envolvendo a luta com demônios, ministério de libertação, quebra de maldições e mapeamento espiritual ganhou destaque, tendo maior popularidade no Brasil, através do seu maior precursor, o teólogo Peter Wagner, que escreveu muitos artigos e livros sobre o tema. 
     
Não obstante, algumas das principais “doutrinas” do movimento de batalha espiritual já era praticada no início do século 20. “Nas três primeiras décadas, o missionário inglês James O. Fraser, trabalhando em meio ao povo Lisu, na China, um povo envolvido com magia negra, espiritismo e animismo, utilizou estratégias como dar ordens em voz alta a Satanás e seus demônios para quebrar o domínio desses espíritos sobre os Lisu. Partindo de sua experiência no campo missionário Fraser desenvolveu na base da “tentativa e erro”, alguns métodos para combater, pela oração, a influência dos espíritos malignos que atormentavam esse povo tribal. O que convenceu Fraser de que estava no caminho certo foi que esse método “funcionava”.¹ Apesar de existir 4 linhas dentro do movimento de batalha espiritual que diferem umas das outras [os carismáticos, dispensacionalistas, batalha espiritual moderada e batalha espiritual popular da terceira fase do Espírito], contudo, todas elas são unânimes nos pontos básicos de suas “doutrinas”.  

Jesus e as repreensões a demônios

Geralmente, o argumento popular utilizado pelos aderentes do movimento da batalha para repreender os demônios que causam os mais variados tipos de males na vida das pessoas que são atacadas por eles, é que o próprio Jesus, o Deus filho encarnado, repreendeu os demônios, pois ele veio a este mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Indubitavelmente, Jesus repreendeu os demônios algumas vezes em seu ministério terreno. Se estudarmos no Novo Testamento o verbo grego repreender (έπιπιμάω - epitimaõ), especificamente nos Evangelhos, iremos perceber que ele é aplicado no contexto das repreensões aos demônios somente a Jesus (no caso de repreensões aos discípulos, veja Mc 8.33; Lc 9.55; 19.39; para outros tipos de repreensões veja Mt 16.22; 19.13; 20.31; Mc 8.32; 10.13, 48; Lc 17.3; 18.15, 39; 23.40). Ele repreendeu um tipo de doença apenas uma vez, quando curou a sogra de Pedro de uma febre altíssima (Lc 4.39). Repreendeu a tempestade [o vento e o mar], que imediatamente cessou (Mt 8.26; Mc 4.39). Repreendeu os demônios para que não se revelasse aos outros quem ele era – o Filho de Deus (Mt 12.16; Mc 3.12) e, em outras circunstâncias, nos exorcismos para que ficassem calados e saíssem da vida de suas vítimas (Mt 17.18; Mc 1.25; 9.2). No livro de Atos, por sua vez, e nas cartas de Paulo, Pedro, João, Judas e Hebreus não encontramos qualquer um dos apóstolos usando o termo repreender ou ensinando a prática do mesmo. Embora vemos descrito no livro de Atos o ríspido confronto de Paulo com o falso profeta Barjesus ou Elimas, todavia, ainda assim, ele não disse: “Eu te repreendo” (At 13.4-12), conforme vemos muitos pastores e cristãos pentecostais e neopentecostais repreendendo nos cultos de libertação e no dia a dia quando se deparam com alguma situação que, no entendimento deles, seja de origem demoníaca.

Análise teológica do termo repreender

O motivo pelo qual não podemos estender o ato de repreender aos cristãos para cercear a ação dos demônios é em virtude da falta de evidências explícitas nas Escrituras para esta prática e porque repreender os demônios é uma prerrogativa exclusiva de Cristo, apenas, pois foi Jesus quem venceu Satanás e os demônios e os expôs publicamente a derrota triunfando sobre eles na cruz pela sua morte e ressurreição (Cl 2.15). Jesus é Deus e Senhor sobre toda sua criação. Se os cristãos usam Jesus como modelo e quem lhes deu autoridade para repreender demônios e doenças, via de regra eles deveriam também repreender tempestades, furacões e tsunamis, uma vez que possuem autoridade e que Jesus, conforme vimos anteriormente, também repreendeu a fúria destes elementos naturais. Contudo, pelo o que sei ninguém até hoje na história foi capaz de fazer isso, nem mesmo os apóstolos; somente Jesus.

Por outro lado, muitos cristãos podem tentar refutar esta posição recorrendo ao Evangelho de Marcus 16. 17, onde o próprio Jesus diz, segundo os cristãos pentecostais e neopentecostais:

E estes sinais acompanharão os que creem: em meu nome [no nome de Jesus] expulsarão demônios” [ou seja, é o famoso chavão: “Em nome de Jesus, eu te repreendo demônio”, nota do autor]. (Almeida Século 21)

Embora possa ser interpretado como uma referência aos apóstolos, é importante destacar que, tendo em vista os problemas textuais que levantam dúvidas quanto a sua autenticidade, os versículos 9-20 do capítulo 16 do Evangelho de Marcus não constam em alguns manuscritos antigos. Existem também finais diferentes para este trecho do Evangelho de Marcus em outros manuscritos. Portanto, devemos ser cautelosos antes de lançar mão desta passagem como prova irrefutável de que os cristãos podem repreender os demônios, uma vez que foram os apóstolos que receberam autoridade do próprio Jesus para tal prédica.

O exemplo de Miguel com o Diabo

Em Judas 9 é relatado que o arcanjo Miguel, discutindo e disputando com o diabo sobre o corpo de Moisés, não foi ousado em pronunciar contra ele injúrias, e nem disse Eu te repreendo em nome de Jesus ou, tampouco, eu te repreendo, apenas. Pelo contrário, Miguel disse: “O Senhor te repreenda”!

O arcanjo Miguel é o mais poderoso dos anjos de Deus. Ele é o chefe do exército dos anjos de Deus. Ele é um ser sem pecado e mais poderoso que os seres humanos e está na presença de Deus. Na ocasião em que se deparou em um confronto com o diabo acerca do corpo de Moisés [é bem provável que Satanás queria roubar o corpo de Moisés para incitar Israel a idolatria], o arcanjo Miguel não se atreveu a proferir palavras infames contra ele como muitos cristãos fazem hoje por falta de conhecimento, tais como: “Você não vale nada, seu desgraçado”! Você é um leão sem dentes! Você é um cabeça rachada [chavão popular no meio pentecostal e neopentecostal] etc. Antes, Miguel entendia que somente Cristo Jesus e Deus Pai podem repreender Satanás, e se limitou apenas em dizer: O Senhor te repreenda (veja outro exemplo em Zc 3.1-2)!  
        
Conclusão

Portanto, de acordo com as Escrituras, entendemos que:

(1) Não foi dada autoridade aos cristãos para repreender Satanás e os demônios.

(2) O ato de repreender os demônios e suas atuações é uma obra exclusiva de Jesus que ocorreu no passado, em seu ministério, morte e ressurreição.

(3) Ao invés de orarmos equivocadamente assim: “Eu te repreendo, Satanás; ou, em nome de Jesus, eu te repreendo Satanás”, podemos orar corretamente assim: O Senhor Jesus te repreenda, Satanás.

Quando se viram ameaçados pelos lideres religiosos em Jerusalém, os cristãos da igreja primitiva em Atos não repreenderam algum demônio que poderia estar por trás da oposição que estavam enfrentando, [o que pode ter acontecido, uma vez que o diabo se opõe aos que evangelizam e ensinam o verdadeiro e puro evangelho de Cristo Jesus], simplesmente eles se voltaram para Deus em oração para que ele olhasse para as ameaças que receberam para não mais anunciar o evangelho (At 4.29-31).

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Nota:
1 Augustus Nicodemus Lopes. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual, pág 29.   

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Fonte: Bereianos

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A iniquidade concernente às coisas santas



A iniquidade concernente às coisas santas. Êxodo 28:38

Que véu é levantado por estas palavras e que revelação elas nos fazem! Parar um pouco e contemplar esta cena desagradável nos traria humildade e proveito – as iniquidades de nossa adoração coletiva, sua hipocrisia, formalidade, indiferença, irreverência, negligência e esquecimento de Deus – quanta abundância temos aqui! Nosso trabalho para o Senhor, a rivalidade, o egoísmo que caracteriza esse trabalho, a falta de cuidado, a descrença – que multidão de profanação!

Nossas devoções particulares, frieza, falta de zelo, indiferença, morosidade e vaidade – que montanha de lixo! Se observássemos com mais cuidado, essa “iniquidade concernente às coisas santas” pareceria muito maior do que quando a olhamos pela primeira vez.

O Dr.Payson, escrevendo ao seu irmão, disse: “Minha igreja, assim como o meu coração, parece o jardim do preguiçoso. E o que é pior, acho que muitos dos meus desejos referente à melhora de ambos, procede do orgulho, da vaidade ou da indolência. Procuro as ervas daninhas que arruínam meu jardim, exalando um desejo sincero de que elas sejam arrancadas. Mas, por que? O que causa este desejo? Talvez, a vontade de poder sair e dizer para mim mesmo: 'Em que excelente estado o meu jardim é mantido!' Isto é orgulho. Pode acontecer que os meus vizinhos olhem por cima do muro e digam: 'Ora, veja como seu jardim está florescendo!' Isto é vaidade! Ou talvez esteja desejando a destruição das ervas daninhas, porque estou cansado de arrancá-las. Isto é indolência!”

Até o nosso desejo por santidade pode estar contaminado por motivos errados. Sob o mais verde gramado, vermes escondem-se, não é preciso procurar muito para os encontrarmos. Quão reconfortante é o pensamento de que, quando o sumo sacerdote levava a iniquidade das coisas santas, ele tinha sobre a sua testa as palavras “Santidade ao Senhor” (Êxodo 28:36). Quando o Senhor Jesus leva nosso pecado, Ele apresenta ao seu Pai não a nossa falta de santidade, e sim a sua própria santidade. Ó, quanto precisamos de graça para ver, com olhos de fé, o nosso Grande Sacerdote!

Charles H. Spurgeon

Leituras Diárias Vol.II, 2006 Ed. Fiel.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal e Calvinismo

Por Jonathan Master


O que poderia ser mais evangelical e abrangente que o Natal? É uma época quando todos aqueles que celebram o Natal concordam sobre o significado da festividade, e mesmo muitos não cristãos fingem acreditar – ou pelo menos afirmar que algo bom aconteceu na noite em que Cristo nasceu. O Natal dificilmente parece ser a época apropriada para discutir as doutrinas da graça. Afinal de contas, somos levados a crer que o Natal é gloriosamente abrangente e o Calvinismo é desafortunadamente restrito.

Então por que inserir tais severas doutrinas na abrangente e bela alegria que compartilhamos no Natal? Bem, em primeiro lugar, essas doutrinas não são severas de forma alguma, ou restritas. Elas são atraentes e gloriosas, e o entendimento delas leva imediatamente ao tipo de alegria abundante que associamos ao Natal.
Mas há mais do que isso. A razão pela qual devemos associar o Natal e o Calvinismo é que o próprio Jesus o faz. Em João 6, Jesus dá uma razão muito clara para a encarnação. E a encarnação é o que celebramos quando celebramos o Natal corretamente. Ele diz isso: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). Essa afirmação abrangente de Jesus toma uma forma mais definida nos versos que se seguem: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (6.39-40). Mais à frente nessa mesma discussão, Jesus fala mais sobre a vontade do Pai, a qual ele veio à terra para cumprir: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer;” (6.44). E, novamente, “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” (6.63). Por fim, ao responder algumas questões dos discípulos sobre aqueles que não creem, Jesus diz “Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (6.65).

Como a razão apontada por Jesus para a encarnação é fazer a vontade do Pai, vale a pena olhar para esses ensinamentos de uma forma sistemática. Primeiro, aprendemos que ninguém pode vir a Jesus, a não ser que o Pai o atraia ou lhe permita isso (João 6.44, 65). Isso é assim porque somente o Espírito Santo vivifica, e o homem em seu estado natural não é capaz de encontrar vida; na carne, seres humanos não possuem qualquer coisa aproveitável para alcançar a salvação (João 6.63). Aprendemos que o Filho veio para salvar aqueles que foram entregues a ele (João 6.39). Nos é dito que aqueles que foram atraídos, entregues e trazidos à vida pelo Pai de fato vêm: ninguém pode resistir à Sua graça transformadora (João 6.37). E então, talvez o mais notável, aprendemos que Cristo garante que todos os que vêm a ele em fé, aqueles que lhe foram dados pelo Pai e transformados pelo Espírito, certamente serão ressuscitados no último dia (João 6.40).

Em outras palavras, quando Jesus reflete sobre sua vinda à terra, ele explica nos termos da vontade do Pai na salvação, uma vontade que é demonstrada em no contexto da depravação total do homem, a eleição incondicional de Deus, a obra definitiva de Cristo na salvação, a graça irresistível de Deus em atrair e entregar os homens a Cristo, e a promessa gloriosa de que Cristo um dia irá ressuscitar aqueles que olham para ele em fé genuína. É disso que falamos quando falamos sobre Calvinismo. E, como vimos, também é o que Jesus ensina quando fala sobre o Natal.

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Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui