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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Por que devemos orar se Deus é soberano?... A Bíblia Responde #106

A paz de Deus, irmãos! Gostaria de deixar-lhe as seguintes questão: De acordo com Jó 14:5 e Sl 139:16, Deus sabe e tem os dias de cada ser humano contados. Então, sendo assim, qual é o sentido de orar para o Senhor nos livrar da morte se tudo já está predestinado e escrito por Ele? O Fôlego da vida se refere ao espírito ou à alma do ser humano?


Obrigado irmão pela sua pertinente pergunta, oro a Deus para que possa lhe dar um resposta que elucide sua dúvida.

Essa é uma dúvida que está presente no meio evangélico constantemente. Se Deus é soberano em todas as coisas, soberano inclusive na salvação das pessoas, conforme Ap 13:8 que diz que Deus escreveu o livro da vida antes da fundação do mundo, porque devemos orar para pessoas serem salvas se Deus já definiu isso há muito tempo atrás?

Basicamente sua dúvida é a mesma, porque devemos orar se tudo está debaixo da soberana vontade de Deus?

E a resposta é porque a Bíblia nos diz que devemos orar. É dever de todo cristão orar, colocar diante de Deus todas as coisas, relativas a sua própria vida e ainda interceder pelos outros.

Um caso semelhante é o do rei Ezequias, ele orou e Deus lhe concedeu mais 15 anos de vida. Como podemos compreender essas coisas? Na minha opinião não é algo que podemos entender mas aceitar. A Bíblia nos apresentam alguns paradoxos que não conseguimos explicar racionalmente.

Por exemplo: é possível explicar a santíssima trindade racionalmente? É possível conciliar racionalmente a soberania divina e a responsabilidade humana?

A resposta é não, mas são todas verdades contidas nas Escrituras Sagradas e devemos aceitá-las como algo que demostra a grandeza de Deus e que de certa forma nos humilha em nossa inferioridade em relação a Sua grandeza.

Quanto ao fôlego da vida que Deus soprou em nossas narinas está se referindo ao trazer a existência, que quem dá a vida é Deus, isso pode ser visto pelo fato de em Gênesis usar a mesma expressão para Deus trazendo a vida aos animais.

O ponto principal é que, apesar de haver outras posições sobre o assunto, pelo que vejo na Bíblia não existe a separação da alma e do espírito no homem, essa dicotomia que alguns ensinam é contrária ao que as Escrituras ensinam, como podemos observar em Hebreus 4:12 “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”

O autor de Hebreus está usando de ironia para mostrar o imenso poder da Palavra de Deus, sendo capaz de dividir algo que não é possível dividir. Não podemos separar a alma do espírito, sendo assim, o sopro de vida é o que nos traz a existência e não uma referência a alma ou ao espírito.

Em Cristo.

Leia mais sobre os assuntos tratados aqui:




segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Poder da Oração - Tiago 5.13-18


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Uma coisa peço ao Senhor - Francis Chan




quarta-feira, 23 de julho de 2014

Me torno morador do Reino quando sou salvo?... A Bíblia responde #42







Hoje em dia é muito comum algumas denominações religiosas adotarem um sistema de células ou visão celular, realizam um retiro chamado de encontro com Deus e ali realizam palestras mostrando o passado pecaminoso dos participantes, na maioria pessoas que já são convertidas, pergunto, quando a gente aceita Jesus como nosso salvador pessoal já é o suficiente para a salvação? Algumas denominações chegam a pregar que salvação e Reino de Deus são coisas diferentes, isso é verdade baseado pela Bíblia?

Sobre os movimentos que você cita, existem muitos tipos e fica difícil falar especificamente de cada um deles. A Escritura nos ensina que Ela é útil para instrução, para exortação, correção, ensino (2 T 3.16), e muitas vezes os pequenos grupos são bons caminhos para poder aprender mais especificamente sobre as Escrituras, principalmente porque muitas vezes nem todos podem fazer bons seminários de teologia.

 O ponto crucial de sabermos se um grupo desses é benéfico ou não, esta ligado intimamente com o compromisso de aprender a Bíblia, e pela Bíblia como devemos viver, todavia, muitos grupos pensam somente em aumentar seus "membros", mas que muitas vezes não tem cuidado em fazer verdadeiros discípulos de Jesus, comprometidos com seu Senhor (Mt 28). Um bom teste que você pode fazer tanto na igreja, quanto nos grupos, é ver se é Deus quem está sendo exaltado, ou o homem, se o ensino é Cristocêntrico  ou totalmente antropológico.  


Dentre estes ensinos é de vital  importância de compreendermos a influência do "pecado" na nossa vida e na das pessoas, somente quando realmente entendemos a "anatomia" do pecado, poderemos dar a devida importância ao Salvador, em outras palavras, reconhecer Jesus como seu Salvador, implica saber de onde e do que fomos libertos, outra forma ainda de entender: Saber que estávamos mortos em pecados e éramos inimigo de Deus, mas que em Jesus somos reconciliados com Deus, por causa dele recebemos perdão e passamos de criaturas adotados para a família e podendo ser chamados de filhos (essa é a boa notícia chamada Evangelho, existe um Salvador para nossa situação, e tudo isso pela Graça de Deus, não por nosso méritos).

Tendo dito isso, o ensino fundamental principalmente do Novo Testamento, é a salvação somente pela fé, em Jesus, e isso está intimamente ligado, mais uma vez, não com um simples reconhecimento de que Jesus existiu, mas de um depósito de confiança, necessidade na pessoa de Cristo, esta é a fé que a Bíblia fala. Quando falamos em crer em Jesus, conforme o Apóstolo Paulo fala, se alguém ensina outro evangelho diferente deste da graça de Deus, seja anátema (Gl 1.8). Todos aqueles que depositam sua confiança em Jesus, vivem para Ele como seu único Senhor e Salvador, passam automaticamente para  o  Reino, toda pessoa salva, já participa do Reino aqui e agora, Jesus declarou que Ele já trouxe Seu Reino, de maneira invisível dentro de cada crente, mas que virá um dia em sua plenitude, onde o Senhor reinará também de maneira visível para julgar.



 A ideia do ensino na Bíblia sobre o Reino é de que ele já chegou, porém, ainda não em sua plenitude, esta será em sua segunda vinda. Um estudo sobre o Reino pode lhe ajudar a entender melhor:


Em Cristo







domingo, 4 de maio de 2014

A Importância dos Salmos na Vida Cristã


A Importância dos Salmos na Vida Cristã

As Escrituras descrevem várias orações feitas por pessoas a Deus, e a importância que tem a oração na vida cristã, todavia, não poderíamos desconectar o estudo e leitura das Escrituras, fazendo uso da frase de A.W. Tozer, conta que certa vez viu um homem perguntando a outro qual seria mais importante: Orar ou ler a Bíblia? Ele respondeu: O que é mais importante a um pássaro, a asa direita ou a esquerda?

Entendemos então que a vida cristã saudável deve ser recheada de oração e labuta, fazendo uso dos reformadores, que ensinavam que a vida do cristão deve ter o ''binônimo orare et labutare: Orare, porque a Bíblia é divina, porque somos pecadores, porque Deus é muito diferente de nós. Pela oração buscamos a iluminação do Espírito. Labutare, porque a Bíblia , como literatura produzida por seres humanos num determinado contexto, numa outra cultura e numa outra época, é humana, e está distante de nós, o que provoca a necessidade de estudo.''[1]

Sendo assim, como podemos aprender a orar de maneira que o próprio Deus aprove?

O Senhor Jesus, ensinou para seus discípulos a oração conhecida do Pai Nosso (Mt 6. 9-14; Lc 11. 1-4), com intuito de dar uma direção de como se deve orar e não somente de repetição, porque o próprio Jesus, antes de ensinar a oração, condenou as vãs repetições (Mt 6.7), mas como podemos aprender mais sobre a oração?

Existe algum livro na Bíblia em que poderíamos nos debruçar de maneira mais profunda?

Sabemos que toda a Escritura é divinamente inspirada, útil para ensinos, exortação, correção, instrução na justiça (2 Tm 3.16), todavia, falando mais especificamente, onde podemos aprender de forma mais profunda sobre como deveríamos nos direcionar a Deus?

O livro dos Salmos nos traz esta resposta, podemos nos juntar em oração a todos estes que expressaram nas Escrituras inspiradas, de maneira singular os seus sentimentos, necessidades, alegrias e desejos, segundo as palavras de João Calvino: “Tenho por costume denominar este livro- e creio não de forma incorreta- de: Uma Anatomia de Todas as Partes da Alma, pois não há sequer uma emoção da qual alguém por ventura não tenha participado que não esteja aí representada como num espelho.”[2]

Lutero: “Uma mini-bíblia e sumário do Velho Testamento” e ainda Melanchthon: “A mais elegante obra existente no mundo” [3]

Por isso, um entendimento um pouco mais denso  do Saltério é de extrema importância para a vida cristã e é o que demonstraremos como ajuda, mas sabendo que este tema traz muito mais profundas constatações:

1-Qual o estilo literário e composição dos Salmos?

No texto hebraico, a coleção completa dos Salmos chama-se “louvores”, A septuaginta, tradução grega do AT, chamou-a de Salmos, o verbo grego, de onde o substantivo Salmos deriva, indica basicamente, tocar ou ranger cordas, o que sugere uma associação com acompanhamento musical. O título em português deriva do grego. [4]

“O Livro dos Salmos, são uma coletânea de orações e hinos inspirados hebraicos, e são de grande beneficio para o crente que deseja ter ajuda da Bíblia para expressar alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, esperanças e pesares.”[5]

Os Salmos se encaixam no que chamamos de livros poéticos, sendo que a principal constituição da poesia hebraica era formada pelo paralelismo [6]. Também que o vocabulário da poesia era muito tratado de forma metafórica e símile, compreender isso será de grande valia para meditação e oração.

“Devemos lembrar que os Salmos tratam da mente através do coração, boa parte de sua linguagem é intencionalmente emotiva.”[7] Os Salmos tanto podem ser recebidos como o Livro de Cânticos para o povo de Deus como igualmente um manual de oração completo.

2- Quais são os tipos de Salmos?

Entre tantos Salmos eles podem ser classificados de diversas maneiras, mas primariamente são divididos em 5 livros [8] e dentre eles encontramos subdivididos em 7 tipos, sendo que louvor, lamentos e ações de graças são os mais comuns:

2.1-Salmos de Lamentação

As lamentações repassam pela maior parte dos Salmos, há mais de 60, incluindo lamentações individuais (3, 22, 31, 39, 42, 57, 71, 120, 139, 142) e coletivas (12, 44, 80, 94, 137). Estes levam a pessoa a expressar diante de Deus suas lutas, sofrimento e ou decepção. Fazendo isso de maneira individual ou para um grupo maior de pessoas, coletivamente. [9]O lamento é facilmente reconhecido pelo teor do Salmo. È um cântico de desorientação, abandono, angústia e sofrimento. Qual pessoa nunca passou por esta situação?

As dificuldades vêm de três fontes e podem ser classificados de acordo com base na origem da dificuldade, no entanto não é incomum todos os três estarem presentes no mesmo Salmo.

1.1- A dificuldade pode vir do inimigo, sendo este humano e procura prejudicar e muitas vezes até mesmo matar o salmista (Sl 57,4).
1.2- A dificuldade pode vir do próprio salmista, ele reage com fraqueza a dor que experimenta (Sl 22.14-15).
1.3- Mas, a pior de todas as dificuldades é a luta com o próprio Deus, onde o salmista se sente abandonado por Deus em meio a sua duvida, dor ou preocupação (Sl 102,9-10). [10]

Dentre as lamentações, encontramos as partes que chamamos de "Salmos imprecatórios", que contêm verbalizações diante de Deus da nossa ira, e o desejo pelo castigo. O contexto destes Salmos fica melhor compreendido, lembrando que muitas vezes nos Salmos a associação do Rei e com seu povo era inseparável, o que acontecia com o Rei acontecia com seu povo, em certos momentos, esta ligação é feita com o próprio Cristo, sendo assim, como mediador representante de Deus na terra, Davi orava da perspectiva que esses inimigos não ofendiam somente a ele, mas também ao povo de Deus e ao próprio Deus.
 Em outras palavras aprender a colocar diante de Deus todas as situações, porque Ele é justo juiz, capaz de julgar retamente, em vez de nós tornarmos a pagar o mal com o mal (Rom 12.19). Exemplos de Salmos Imprecatórios (7,35,40, 55,58-59,69,79,109)

Embora pareça contraditório com os ensinos de Jesus, sobre amar o inimigo, em nada se contradiz, porque erroneamente as pessoas tendem a igualar o “amor” com “ter um sentimento caloroso para com”. No entanto o ensino de Jesus diz respeito ao que você faz em prol daquela pessoa, não como você se sente em relação, isso é o que demonstra amor (Lc 10.25-37).

O Salmos conhecidos como "Penitenciais" também fazem parte do grupo dos Salmos de Lamentação, geralmente estão inseridos dentro da lamentação pelo pecado.

2.2-Salmos de Ações de Graças

Estes Salmos apresentam semelhanças aos de lamento em sua forma, porque se dividem em individuais (18, 30, 32, 34, 40, 66, 92, 116, 118,138) e 6 comunitários (65, 67, 75, 107, 124, 136), mas totalmente opostos nas circunstâncias, porque eles servem para expressar a alegria diante do Senhor por sua proteção, fidelidade e bondade.

“Ele é intimamente ligado ao Hino e em geral soa como um hino no inicio. A grande diferença pode ser vista no foco específico do louvor, onde o salmista louva o Senhor pelo livramento.”[11]

2.3-Salmos de Hinos de louvor

Estes Salmos se centralizam no louvor a Deus, por causa de quem Ele é, pela sua grandeza, sendo louvado como Criador do universo (8, 19, 104, 148) protetor e benfeitor de Israel (66, 100, 111, 114, 149) e ainda Senhor da história (33, 103, 113, 117, 145-147).

Deus merece todo louvor e embora o lamento seja mais frequente nos Salmos, o hino é quem domina o tom do Saltério. Uma constatação que podemos ver dizem respeito a que os hinos não aparecem muito no começo do Saltério, mas tem uma crescente principalmente nos cinco finais, conhecidos como a grande doxologia.(145-150)

É interessante notar como o salmista seguidamente justifica o louvor, como citado acima, por quem Deus é, fez e sustenta. O hino pode ser reconhecido pelo seu tom exuberante de louvor, convidando outros a se juntarem a ele nesta tarefa maravilhosa de louvar a Deus.

2.4-Salmos da História da Salvação

Também chamados de Salmos de recordação, estes relatam as preces atendidas por Deus no passado (78, 105, 106, 135, 136), principalmente o ato da libertação do povo no Egito e a Sua criação dele como povo. De certa forma, esta lembrança dos grandes atos feitos por Deus, são lembranças que constroem a confiança ainda maior em Deus.

“Existem muito Salmos de lamentação, hinos que chama atenção para os atos de libertação divina, então é de se esperar que alguns Salmos sejam agrupados em um gênero com base em seu interesse nos grandes atos redentores de Deus no passado.”[12]

2.5-Salmos de Celebração e Afirmação

Podemos incluir nesta categoria vários tipos de Salmos:

5.1- O de renovação da aliança, (50, 81) que tem objetivo de levar o povo de Deus para uma renovação da aliança que Ele fez no monte Sinai. O Salmo 89 e o 132são categorizados como sendo Salmos Davídicos de aliança, e sabendo que esta linhagem leva ao nascimento de nosso Senhor, esses Salmos oferecem o pano de fundo para Seu ministério messiânico.

5.2-Salmos Reais (2,18,20,21,45,72,101,110,144) onde um deles (18) é um Salmo de ação de graças reais e um (144) é uma lamentação real.

“Sem tentar delinear cada Salmo que emana da corte real, precisamos reconhecer dois tipos de Salmos da realeza no Saltério: 1- Os que exaltam Deus como Rei (Sl 98.1) e 2- Os que exaltam o governante de Israel como rei”(Sl 21.1-4).[13]

5.3-Salmos de entronização (24, 29, 47, 93, 95-99) é provável que estes celebrassem a entronização do rei no Israel antigo, que talvez fosse repetida anualmente, alguns tem argumentado que representa a própria entronização do Senhor.

5.4-Cânticos de Sião, ou de Jerusalém (46,48,76,84,87,122). De acordo com as predições de Deus através de Moisés para os Israelitas enquanto estivesse no deserto (Dt 12), Jerusalém veio a ser o centro de Israel, o lugar do templo edificado e do trono de Davi, também vista como cidade santa recebe atenção especial nestes cânticos, visto que o NT se utiliza muito do símbolo de uma Nova Jerusalém (o céu) estes Salmos são muito uteis na adoração e oração.[14]

2.6-Salmos de Sabedoria

Entre o Saltério, existem também Salmos classificados como literatura de sabedoria (1, 36,37, 49,73, 112, 119, 127, 128, 133), em sua essência ele traz as acentuadas antíteses entre o sábio e o tolo, o justo e o ímpio, o Salmo 1 funciona como a porta de entrada para a adoração de Deus, outro fato é a estreita relação entre a sabedoria e a lei. Estes Salmos podem ser relacionados como a instrução de Deus para uma vida reta diante dele.

2.7-Salmos de Cânticos de Confiança

Também classificado como Salmos de confiança, (11, 16, 23, 27, 62, 91, 121, 125, 131) seu próprio nome já sugere, são recordações que o adorador expressa em Deus como seu protetor, estas declarações também estão contidas nos hinos e lamentos, mas assume um papel predominante nestes Salmos, este gênero é notável pelo uso de metáforas de Deus como refugio. Mesmo em tempos de desespero, podemos confiar em Deus em dias bons ou maus.

4-Composição dos Salmos

Na perspectiva divina, o saltério aponta Deus como seu autor. Considerando a autoria a partir do lado humano, pode se identificar mais de 7 autores [15]. São atribuídos a Davi quase metade dos Salmos 73 ao todo, Moisés escreveu um (Sl 90) Salomão escreveu dois (72 e 127), os filhos de Asafe 12 vezes (Sl 50;73-83) e filhos de Coré também escreveram 10 vezes (42; 44-49; 84-85; 89) e Jedutum (4 vezes).

5-Período dos Salmos

O Livro do Salmos foi o livro do Antigo testamento mais usado no novo testamento, ele atravessa por praticamente todo o Antigo testamento e é de difícil definição precisa porque os Salmos individuais não podem ser datados especificamente, mas ele se estende de Moisés, 1410 a.c, até ao período pós-exílico do final do século 6 ou inicio do século 5, abrangendo 900 anos da história judaica. Apesar disso, historicamente falando, o Salmos abrange o período da origem da vida até a alegria pós-exílio dos judeus libertados da Babilônia. Poderiam ser divididos de duas formas:

1- Os atos de Deus na criação e história e 2- A história de Israel [16]. Ele foi citado no Novo Testamente, inclusive pelo próprio Jesus (Mt 27.46), por Paulo diversas vezes no livro de Romanos, diversas vezes pelo autor de Hebreus, também no livro de Atos e o evangelho de João, somando assim mais de 60 citações no Novo Testamento.

Sendo assim, podemos tirar lições valiosas para nós hoje, porque os Salmos nos ensinam a ter um relacionamento sincero com Deus em seus próprios termos, os Salmos nos dirigem em adoração não somente sincera mas com orientação e os Salmos nos remetem a meditar nas maravilhas, riquezas, misericórdias das coisas que Deus fez para nós, tornando assim um caderno de orações onde o próprio Deus nos ensina como podemos nos dirigir a Ele com sua própria palavra.

Também nos ajuda a entender que a vida do cristão nem sempre será fácil e sem tribulações, pelo contrário, nos leva a aprender que o sofrimento é uma coisa praticamente certa na vida de um cristão genuíno, mas nos conduz a um caminho de confiança, esperança e alegria em meio as dificuldades e sofrimento, pois aquele que começou a boa obra é fiel para cumpri-la em nos ate o dia do nosso Senhor Jesus. (Fp 1.6)

Em Cristo

Guinho

Notas


[1] - Retirado do texto Augustos Nicodemus, sobre interpretação histórica gramatical
http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/texto.cshtml?categoria=teologicas&id=113
[2] - Salmos Volume1- João Calvino- Editora Fiel pág. 27
[3] - Salmos Volume 1- João Calvino- Editora Fiel pág. 13
[4] - Biblia Estudo Macarthur pág, 678 SBB
[5] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág. 175
[6] - O paralelismo era a principal forma na poesia hebraica, método muito usado para ensino e ele era dividido entre outras formas como SINONIMICO, onde a segunda ou linha subsequente, repete ou reforça o sentido da primeira linha,(Sl 2.1) ANTITÈTICO, onde a segunda ou linha subsequente, contrasta o pensamento da primeira (Sl 1.6) e o CLIMATICO, onde a segunda linha ou subsequente acrescenta algo a primeira fornecendo mais informação (Sl 29.1-2) e QUIASTICO onde as unidades lógicas são desenvolvidas em um padrão A...B...B...A ex. Salmo 1.2.
[7] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág. 177
[8] - Divisão do Saltério: Livro 1-Salmos 1-41; Livro 2-Salmos 42-72; Livro 3-Salmos 73-89; Livro 4- Salmos 90-106 e o Livro 5-Salmos 107-150
[9] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.182
[10] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-209-210
[11] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-211
[12] - Entende o que lês? -Gordon D. Fee & Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.-183
[13] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-214
[14] - Entende o que lês? -Gordon D. Fee & Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.-184
[15] - Biblia Estudo Macarthur- pág 678 SBB
[16] - Biblia Estudo Macarthur- pág 678 SBB


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Podemos repreender Satanás e os demônios?

Por Leonardo Dâmaso


A prática de repreender Satanás em nome de Jesus, bem como os seus demônios que causam ou são os demônios da doença, da miséria, da prostituição, do adultério e dos vícios em geral [que são obras da carne, e não espíritos malignos Gl 5.19-21], determinando que eles vão embora da vida da pessoa vitimada por eles, é vista exclusivamente no meio evangélico pentecostal e neopentecostal. Muitas destas denominações religiosas, com algumas poucas exceções por parte dos pentecostais tradicionais da primeira fase do pentecostalismo que conservaram suas doutrinas iniciais, são aderentes do movimento de batalha espiritual, difundido mundialmente a partir da década de 1960.

Origem do conceito de repreender demônios

O movimento herético animista de batalha espiritual alcançou grande popularidade mediante dois romances escritos por um novelista – Frank Perretti, chamados Este Mundo Tenebroso (vols. 1 e 2), os quais relatam o renhido confronto espiritual de um grupo de cristãos contra espíritos malignos territoriais que tentavam estabelecer domínio em pequenas cidades nos Estados Unidos. Todavia, o conceito de batalha espiritual [especificamente o da quarta linha, caracterizada pela terceira fase do Espírito] envolvendo a luta com demônios, ministério de libertação, quebra de maldições e mapeamento espiritual ganhou destaque, tendo maior popularidade no Brasil, através do seu maior precursor, o teólogo Peter Wagner, que escreveu muitos artigos e livros sobre o tema. 
     
Não obstante, algumas das principais “doutrinas” do movimento de batalha espiritual já era praticada no início do século 20. “Nas três primeiras décadas, o missionário inglês James O. Fraser, trabalhando em meio ao povo Lisu, na China, um povo envolvido com magia negra, espiritismo e animismo, utilizou estratégias como dar ordens em voz alta a Satanás e seus demônios para quebrar o domínio desses espíritos sobre os Lisu. Partindo de sua experiência no campo missionário Fraser desenvolveu na base da “tentativa e erro”, alguns métodos para combater, pela oração, a influência dos espíritos malignos que atormentavam esse povo tribal. O que convenceu Fraser de que estava no caminho certo foi que esse método “funcionava”.¹ Apesar de existir 4 linhas dentro do movimento de batalha espiritual que diferem umas das outras [os carismáticos, dispensacionalistas, batalha espiritual moderada e batalha espiritual popular da terceira fase do Espírito], contudo, todas elas são unânimes nos pontos básicos de suas “doutrinas”.  

Jesus e as repreensões a demônios

Geralmente, o argumento popular utilizado pelos aderentes do movimento da batalha para repreender os demônios que causam os mais variados tipos de males na vida das pessoas que são atacadas por eles, é que o próprio Jesus, o Deus filho encarnado, repreendeu os demônios, pois ele veio a este mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Indubitavelmente, Jesus repreendeu os demônios algumas vezes em seu ministério terreno. Se estudarmos no Novo Testamento o verbo grego repreender (έπιπιμάω - epitimaõ), especificamente nos Evangelhos, iremos perceber que ele é aplicado no contexto das repreensões aos demônios somente a Jesus (no caso de repreensões aos discípulos, veja Mc 8.33; Lc 9.55; 19.39; para outros tipos de repreensões veja Mt 16.22; 19.13; 20.31; Mc 8.32; 10.13, 48; Lc 17.3; 18.15, 39; 23.40). Ele repreendeu um tipo de doença apenas uma vez, quando curou a sogra de Pedro de uma febre altíssima (Lc 4.39). Repreendeu a tempestade [o vento e o mar], que imediatamente cessou (Mt 8.26; Mc 4.39). Repreendeu os demônios para que não se revelasse aos outros quem ele era – o Filho de Deus (Mt 12.16; Mc 3.12) e, em outras circunstâncias, nos exorcismos para que ficassem calados e saíssem da vida de suas vítimas (Mt 17.18; Mc 1.25; 9.2). No livro de Atos, por sua vez, e nas cartas de Paulo, Pedro, João, Judas e Hebreus não encontramos qualquer um dos apóstolos usando o termo repreender ou ensinando a prática do mesmo. Embora vemos descrito no livro de Atos o ríspido confronto de Paulo com o falso profeta Barjesus ou Elimas, todavia, ainda assim, ele não disse: “Eu te repreendo” (At 13.4-12), conforme vemos muitos pastores e cristãos pentecostais e neopentecostais repreendendo nos cultos de libertação e no dia a dia quando se deparam com alguma situação que, no entendimento deles, seja de origem demoníaca.

Análise teológica do termo repreender

O motivo pelo qual não podemos estender o ato de repreender aos cristãos para cercear a ação dos demônios é em virtude da falta de evidências explícitas nas Escrituras para esta prática e porque repreender os demônios é uma prerrogativa exclusiva de Cristo, apenas, pois foi Jesus quem venceu Satanás e os demônios e os expôs publicamente a derrota triunfando sobre eles na cruz pela sua morte e ressurreição (Cl 2.15). Jesus é Deus e Senhor sobre toda sua criação. Se os cristãos usam Jesus como modelo e quem lhes deu autoridade para repreender demônios e doenças, via de regra eles deveriam também repreender tempestades, furacões e tsunamis, uma vez que possuem autoridade e que Jesus, conforme vimos anteriormente, também repreendeu a fúria destes elementos naturais. Contudo, pelo o que sei ninguém até hoje na história foi capaz de fazer isso, nem mesmo os apóstolos; somente Jesus.

Por outro lado, muitos cristãos podem tentar refutar esta posição recorrendo ao Evangelho de Marcus 16. 17, onde o próprio Jesus diz, segundo os cristãos pentecostais e neopentecostais:

E estes sinais acompanharão os que creem: em meu nome [no nome de Jesus] expulsarão demônios” [ou seja, é o famoso chavão: “Em nome de Jesus, eu te repreendo demônio”, nota do autor]. (Almeida Século 21)

Embora possa ser interpretado como uma referência aos apóstolos, é importante destacar que, tendo em vista os problemas textuais que levantam dúvidas quanto a sua autenticidade, os versículos 9-20 do capítulo 16 do Evangelho de Marcus não constam em alguns manuscritos antigos. Existem também finais diferentes para este trecho do Evangelho de Marcus em outros manuscritos. Portanto, devemos ser cautelosos antes de lançar mão desta passagem como prova irrefutável de que os cristãos podem repreender os demônios, uma vez que foram os apóstolos que receberam autoridade do próprio Jesus para tal prédica.

O exemplo de Miguel com o Diabo

Em Judas 9 é relatado que o arcanjo Miguel, discutindo e disputando com o diabo sobre o corpo de Moisés, não foi ousado em pronunciar contra ele injúrias, e nem disse Eu te repreendo em nome de Jesus ou, tampouco, eu te repreendo, apenas. Pelo contrário, Miguel disse: “O Senhor te repreenda”!

O arcanjo Miguel é o mais poderoso dos anjos de Deus. Ele é o chefe do exército dos anjos de Deus. Ele é um ser sem pecado e mais poderoso que os seres humanos e está na presença de Deus. Na ocasião em que se deparou em um confronto com o diabo acerca do corpo de Moisés [é bem provável que Satanás queria roubar o corpo de Moisés para incitar Israel a idolatria], o arcanjo Miguel não se atreveu a proferir palavras infames contra ele como muitos cristãos fazem hoje por falta de conhecimento, tais como: “Você não vale nada, seu desgraçado”! Você é um leão sem dentes! Você é um cabeça rachada [chavão popular no meio pentecostal e neopentecostal] etc. Antes, Miguel entendia que somente Cristo Jesus e Deus Pai podem repreender Satanás, e se limitou apenas em dizer: O Senhor te repreenda (veja outro exemplo em Zc 3.1-2)!  
        
Conclusão

Portanto, de acordo com as Escrituras, entendemos que:

(1) Não foi dada autoridade aos cristãos para repreender Satanás e os demônios.

(2) O ato de repreender os demônios e suas atuações é uma obra exclusiva de Jesus que ocorreu no passado, em seu ministério, morte e ressurreição.

(3) Ao invés de orarmos equivocadamente assim: “Eu te repreendo, Satanás; ou, em nome de Jesus, eu te repreendo Satanás”, podemos orar corretamente assim: O Senhor Jesus te repreenda, Satanás.

Quando se viram ameaçados pelos lideres religiosos em Jerusalém, os cristãos da igreja primitiva em Atos não repreenderam algum demônio que poderia estar por trás da oposição que estavam enfrentando, [o que pode ter acontecido, uma vez que o diabo se opõe aos que evangelizam e ensinam o verdadeiro e puro evangelho de Cristo Jesus], simplesmente eles se voltaram para Deus em oração para que ele olhasse para as ameaças que receberam para não mais anunciar o evangelho (At 4.29-31).

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Nota:
1 Augustus Nicodemus Lopes. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual, pág 29.   

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Fonte: Bereianos

domingo, 15 de setembro de 2013

Você Pergunta...A Bíblia Responde #14






Eu gostaria de saber se Deus/Jesus Cristo ainda castiga pessoas atualmente e se ele fecha os caminhos da vida de alguém, porque eu percebi que de um tempo pra cá nada dar certo em minha vida, estou num beco sem saída, não encontro um bom emprego no qual eu não fique apenas alguns dias trabalhando e depois seja colocado pra fora ou um amor que não parece em minha vida, vivendo muito sozinho, ou meu 
relacionamento com minha família que não anda bem, o que anda acontecendo comigo? Posso chamar isso de provações divinas para comigo ? Ou eu estou errado ? 

Antes de responder, me sinto inclinado a dizer-lhe que cada situação é muito especifica, podendo ter várias outras razões, como seu caso, então descreverei o que a Bíblia fala sobre estes assuntos: 

Vou o destacar o que a Bíblia fala sobre o tratamento de Deus para com seus filhos. De fato Deus tem um cuidado especial com seus filhos (Rm8.14 ;1 Jo5.2) e se tratando de seus filhos, a palavra disciplina, certamente é apropriada. 

Assim como um pai amoroso quer ensinar a seus filhos o caminho certo, assim Deus também faz com nós,(Hb 12,7-8), então olhando desta maneira a disciplina é motivo de alegria, porque comprova que somos filhos de fato. 

Lembro-lhe o fato de Davi, levantado para ser rei por Deus, foi duramente perseguido por Saul e até mesmo por seu próprio filho Absalão, e mesmo inocente em muitos casos, ele continuava passando por duras provas, e aonde ele derramava suas suplicas, petições, angústias? Aos pés de Deus, o único capaz de fazer diferença, e ele tinha plena confiança nisso, por uma boa parte do livro de Salmos ele faz isso (o qual sugiro a leitura). 

Deus muitas vezes usou de provações para com ele, para edificar o seu caráter e de que sua confiança fosse somente em Deus. 

Então se tratando dos filhos de Deus, os crentes em Cristo, as provações não são muitas vezes castigos como podemos pensar, mas sim edificações do caráter, ou seja , Deus prova, nos refinando a cada dia mais (1 Pe 4.12), nos moldando para semelhança do caráter de seu filho, Jesus, então as provas de Deus são sempre visando o bem para seus filhos, para moldar o caráter. 

Para nós, crentes no Senhor Jesus, devemos nos lembrar: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito".Romanos 8:28 

A meta em nossas  vidas deve ser nos tornarmos mais parecidos com Cristo, pensando assim, no livro de Tiago, no NT, ele incentiva a pedirmos por sabedoria, que Deus está disposto a dar (Tg 1.5), para que possamos passar por tribulações de maneira que o glorifique, e o grande diferenciador do crente é o seguinte: Se orarmos pedindo, não para nossos prazeres (Tg 4.3), em oração, humildes, dependentes, desejosos de uma real comunhão com Deus através de Cristo, Deus dá Graça muito maior do que os problemas que passamos (Tg 4.6). 

Nunca de fato saberemos o preço pago por Cristo por nós naquela cruz, isso deve ser motivo de tremenda alegria, com a esperança de uma herança incorruptível (1 Pe1.4). 

Somente assim teremos convicção do porque passamos por provações, e aonde deve estar nossos olhos nesse momento, somente em Cristo, isso fará toda a diferença. São nos momentos de maior dificuldade que podemos confiar e demonstrar que somos crentes de verdade, depositando nossa confiança em Cristo e vivendo para que Deus seja glorificado através de nossas atitudes e vida (1 Co:10.31). 

Em Cristo 




domingo, 30 de junho de 2013

Você Pergunta... A Bíblia Responde #2





Minha dúvida é sobre como devo posicionar minha oração. Na igreja quando precisamos pedir por algo o pastor sempre fala com Deus da seguinte forma "Deus em nome de Jesus não aceito que tal pessoa esteja no hospital entre a vida e morte...". Devo orar assim? Ou seja, dizer que não aceito algo? Como posso ter a certeza da cura de uma pessoa se eu não sei qual o plano de Deus para ela. Por exemplo: Estou agora com minha perna doendo muito (acho que deve ser por causa do frio), como posso orar pedindo pra Deus curar e ter a certeza que seria curada se eu não sei qual o plano Dele pra mim? Sei lá, talvez eu tenha alguma doença que Deus quer que eu tenha, ou talvez seja somente uma dorzinha mesmo, mas como vou ter certeza? Vi um crente que tinha câncer e sempre orava com a família e com a igreja pela cura, mas ele morreu. Todos tinham certeza da cura, mas ele morreu. Mesmo sem saber do plano de Deus, devo orar com certeza da cura ou de algo? Sempre com certeza do milagre? 

Duas coisas devem ser levadas em consideração para podermos entender melhor: 

Primeira: Nada, absolutamente nada, acontece sem a permissão de Deus. Nem um fio de cabelo cai sem a permissão do Pai. (Isso já é motivo de grande alegria saber que Deus está no controle, nada é muito grande ou muito insignificante que Ele não leve em conta). 

Segunda: Deus não precisa de nós, nós que precisamos dele, então como dar ordens ou oferecer algo para alguém que não precisa de nada? (Isso deve nos trazer tremenda humildade diante disso). 

Coloquei estas duas coisas porque elas ajudam a entender a posição da oração diante de Deus. 

Devemos ser homens e mulheres de oração, de muita oração, mas de fato existem grandes distorções sobre o ensino da oração. Sua oração sempre deve estar posicionada no que as Escrituras nos ensinam, pedir algo em nome de Jesus não deve ser entendido como um mantra. Você pode ver sobre isso em:
http://www.gotquestions.org/Portugues/orar-nome-Jesus.html

Na medida que nos aprofundamos mais na palavra de Deus, aprendemos o que realmente importa, ou seja começamos a orar mais biblicamente. Quando oramos, devemos buscar relacionamento e intimidade com Deus. Nossa oração nunca deve ser entendida com se Deus fosse um gênio da lâmpada e que nós determinamos, mandamos, demandamos, é exatamente sobre isso que Tiago fala em sua carta no capitulo 4, sobre as orações "mundanas". Deus não concede, porque muitas vezes as orações são direcionadas para longe de sua vontade descrita nas escrituras. 

Devemos colocar nossas angústias, sofrimentos, medos e tudo que nos aflige aos pés do único que pode fazer a diferença, Deus, mas a diferença é de quando oramos pensando em fazer nossas vontades, como se Deus fosse obrigado por nós, de quando oramos pensando em fazer a vontade de Deus em nossas vidas,(este é um grande abismo de entendimento). Lembra-se da oração do Pai nosso, que Jesus deixou como exemplo? Seja feita a tua (Deus) vontade, então devemos sempre levar em consideração a motivação de nossas orações, nossa oração é para glorificarmos a Deus? Ou para nós mesmos? 

A oração pela cura não é errada, mas sim a maneira como oramos. Orar segundo a vontade de Deus e aprender qual é a vontade de Deus para nossas vidas é aprender pelas Escrituras a vontade revelada de Deus, ou seja, é esta que esta ao nosso alcance. Somente através da Bíblia podemos aprender isso. Uma vida de santidade e temor ao Senhor são bons exemplos disso, destacado na Bíblia. 

Já vi alguns casos como você relatou sobre doenças, com crentes, mas creio que o posicionamento certo, deve ser o de orar sim, mas confiar que Deus faz o que Ele acha melhor, tenho um bom exemplo sobre isso, especificamente em relação a doenças e curas. Segue o link para esse testemunho: 

O resumo do testemunho dele creio que resume bem a questão sobre Deus curar ou não curar, a frase dele: Oro a Deus para me curar porque Deus é bom, e se Deus não me curar ele continua sendo Deus e continua sendo bom! (Nota a diferença?) 

Sempre que buscamos aprender sobre Deus, através das Escrituras, o Espírito Santo nos molda a desejarmos o que realmente importa, ou seja buscar as coisas do alto, onde nosso Senhor Jesus está! 
Nossas orações começam a ser cada vez mais moldadas na Bíblia, e aprendemos cada vez mais qual é a vontade de Deus para nós. Minha sugestão é você meditar no livro de Salmos, pois é um verdadeiro manual de oração ao longo de toda história da Igreja! 

Em Cristo.


Para mais perguntas sobre a Bíblia acesse: http://www.gotquestions.org/Portugues/

segunda-feira, 11 de março de 2013

Comentário de Calvino sobre 1 Timóteo 2:1-4



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Por João Calvino
"Portanto, exorto, antes de tudo, que se usem súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se encontram em posição de destaque, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável aos olhos de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade."

1. Portanto, exorto, antes de tudo. Os exercícios religiosos que o apóstolo aqui ordena mantêm e fortalecem em nós o culto sincero e o temor de Deus, bem como nutrem a consciência íntegra de que falamos anteriormente. O termo, portanto, é então perfeitamente apropriado, visto que essas exortações se deduzem naturalmente do encargo que ele pusera sobre Timóteo.

Primeiramente, ele trata da oração pública e de sua regulamentação, a saber: que ela deve ser feita não só em favor dos crentes, mas em favor de todo o gênero humano. É possível que alguém argumente: “Por que devemos preocupar-nos com o bem-estar dos incrédulos, já que não mantêm nenhuma relação conosco? Não é suficiente que nós, que somos irmãos, oremos uns pelos outros e encomendemos a Deus toda a Igreja? Os estranhos não significam nada para nós”. Paulo se põe contra essa perversa perspectiva, e diz aos efésios que incluíssem em suas orações todos os homens, e não as restringissem somente ao corpo da Igreja.

Admito que não entendo plenamente a diferença entre os três ou quatro tipos de oração de que Paulo faz menção. É pueril a opinião expressa por Agostinho, a qual torce as palavras de Paulo para adequarem-se ao uso cerimonial de sua própria época. O ponto de vista mais simples é preferível, a saber: que súplicas são solicitações para sermos libertados do mal; orações são solicitações por algo que nos seja proveitoso; e intercessões são nossos lamentos postos diante de Deus em razão das injúrias que temos suportado. Eu mesmo, contudo, não entro em distinções sutis desse gênero; ao contrário, deduzo um tipo diferente de distinção. [Proseuche] é o termo grego geral para todo e qualquer tipo de oração; [deeseis] denota essas formas de oração nas quais se faz alguma solicitação específica. Portanto, essas duas palavras se relacionam como o gênero e a espécie. [Enteuxeois] é o termo usual de Paulo para as orações que oferecemos em favor uns dos outros, e o termo usado em latim é intercessiones, intercessões. Platão, contudo, em seu segundo diálogo intitulado, Albibíades, usa a palavra de forma diferenciada para denotar uma petição definida, expressa por uma pessoa em seu próprio favor. Em cada inscrição do livro, bem como em muitas passagens, ele mostra claramente que [proseuche] é, como eu já disse, um termo geral.

Todavia, para não nos determos desproporcionalmente por mais tempo numa questão que não é de grande relevância, Paulo, em minha opinião, está simplesmente dizendo que sempre que as orações públicas foram oferecidas, as petições e súplicas devem ser formuladas em favor de todos os homens, mesmo daqueles que presentemente não mantêm nenhum relacionamento conosco. O amontoado de termos não é supérfluo; pois ao meu ver Paulo, intencionalmente, junta esses três termos com o mesmo propósito, ou seja, com o fim de recomendar, com o maior empenho possível, e pedir com a máxima veemência, que se façam orações intensas e constantes.

Sobre o significado de ações de graças não há nada de obscuro, pois ele não só nos incita a orar a Deus pela salvação dos incrédulos, mas também a render graças por sua prosperidade e bem-estar. A portentosa benevolência que Deus nos demonstra dia a dia, ao fazer “seu sol nascer sobre bons e maus”, é digna de todo o nosso louvor; e o amor devido ao nosso próximo deve estender-se aos que dele são indignos.

2. Em favor dos reis. Ele faz expressa menção dos reis e de outros magistrados porque os cristãos têm muito mais razão de odiá-los do que todos os demais. Todos os magistrados daquele tempo eram ajuramentados inimigos de Cristo, de modo que se poderia concluir que eles não deviam orar em favor de pessoas que viviam devotando toda a sua energia e riquezas em oposição ao reino de Cristo, enquanto que, para os cristãos, a extensão desse reino, e de todas as coisas, é a mais desejável. O apóstolo resolve essa dificuldade e expressamente ordena que orações sejam oferecidas em favor deles. A depravação humana não é razão para não se ter em alto apreço as instituições divinas no mundo. Portanto, visto que Deus designou magistrados e príncipes para a preservação do gênero humano, e por mais que fracassem na execução da designação divina, não devemos, por tal motivo, cessar de ter prazer naquilo que pertence a Deus e desejar que seja preservado. Eis a razão por que os crentes, em qualquer país em que vivam, devem não só obedecer às leis e ao comando dos magistrados, mas também, em suas orações, devem defender seu bem-estar diante de Deus. Disse Jeremias aos israelitas: “Orai pela paz de Babilônia, porque, em sua paz, tereis paz” (Jeremias 29:7). Eis o ensino universal da Escritura: que aspiremos o estado contínuo e pacífico das autoridades deste mundo, pois elas foram ordenadas por Deus.

Para que vivamos vida tranquila e mansa. Ele acrescenta mais uma persuasão, ao mostrar como isso será proveitoso a nós próprios e ao enumerar as vantagens geradas por um governo bem regulamentado. A primeira é uma vida tranquila, porquanto os magistrados se encontram bem armados com espada para a manutenção da paz. A menos que restrinjam o atrevimento dos homens perversos, o mundo inteiro se encherá de ladrões e assassinos. Portanto, a forma correta de conservar a paz consiste em que a cada pessoa seja dado o que é propriamente seu, e que a violência dos poderosos seja refreada. A segunda vantagem consiste na preservação da piedade, ou seja, quando os magistrados se diligenciam em promover a religião, em manter o culto divino e requerer reverência pelas coisas sacras. A terceira vantagem consiste na preocupação pela seriedade pública: pois o benefício advindo dos magistrados consiste em que impeçam os homens de se entregarem a impurezas bestiais ou a vergonha devassidão, bem como a preservar a modéstia e a moderação. Se esses três requisitos foram suprimidos, que gênero de vida será deixado à sociedade humana? Portanto, se porventura nos preocupamos com a tranqüilidade pública, com a piedade ou com a decência, lembremo-nos de que o nosso dever é diligenciarmo-nos em favor daqueles por cuja instrumentalidade obtemos tão relevantes benefícios.

Disso concluímos que os fanáticos que lutam pela supressão dos magistrados são privados de toda humanidade e promovem unicamente o barbarismo impiedoso. Que grande diferença há entre Paulo que declara que, por amor à preservação da justiça e da decência, bem como da promoção da religião, devemos orar em favor dos reis, e aqueles que dizem que não só o poder real, mas também todo e qualquer governo, são contrários à religião. O que Paulo afirma tem o Espírito Santo como Autor; conseqüentemente, o conceito dos fanáticos não tem outro autor senão o diabo.

Se porventura suscitar-se a pergunta se devemos ou não orar em favor dos reis de cujo governo não recebemos tais benefícios, minha resposta é que devemos orar por eles, sim, para que, sob as diretrizes do Espírito Santo, comecem a conceder-nos essas bênçãos, com as quais até agora não foram capazes de prover-nos. Portanto, devemos não só orar por aqueles que já são dignos, mas também pedir a Deus que converta os maus em bons governantes. Devemos manter sempre este princípio: que os magistrados são designados por Deus para a proteção da religião, da paz e da decência públicas, precisamente como a terra foi ordenada para produzir o alimento. Por conseguinte, quando oramos pelo pão de cada dia, pedimos a Deus que faça a terra fértil, ministrando-lhe sua bênção, assim devemos considerar os magistrados como meios ordinários que Deus, em Sua providência, ordenou para conceder-nos as demais bênçãos. A isso deve-se acrescentar que, se somos privados daquelas bênçãos que Paulo atribui como dever dos magistrados no-las fornecer, a culpa é nossa. É a ira de Deus que faz com que os magistrados sejam inúteis, da mesma forma que faz com que a terra seja estéril. Portanto, devemos orar pela remoção dos castigos que nos sobrevêm em virtude de nossos pecados.

Em contrapartida, os magistrados e todos quantos desempenham algum ofício na magistratura são aqui lembrados de seu dever. Não basta que restrinjam a injustiça, dando a cada um o que é devidamente seu, e mantenham a paz, se não são igualmente zelosos em promover a religião e em regulamentar os costumes pelo uso de uma disciplina construtiva. A exortação de Davi, para que [os magistrados] “beijem o Filho” [Salmo 2:12, e a profecia de Isaías, para que sejam pais da Igreja, é de grande relevância. Portanto, não terão motivo para se congratularem, caso negligenciem sua assistência na manutenção do culto divino.

3. Isso é bom e aceitável. Havendo demonstrado que o mandamento que ele promulgara é excelente, agora apela para um argumento mais enérgico, a saber: que é agradável a Deus. Pois quando sabemos que essa é a vontade, cumpri-la é a melhor que todas as demais razões. Pelo termo, “bom”, ele tem em mente o que é certo e lícito; e, visto que a vontade de Deus é a regra pela qual devemos regulamentar todos os nossos deveres, ele prova que ela é justa, porque é aceitável a Deus.

Esta passagem merece detida atenção, pois dela podemos extrair o princípio geral de que a única norma genuína para agir bem e com propriedade é acatar a e esperar na vontade de Deus, e não empreender nada senão aquilo que ele aprova. E essa é também a regra da oração piedosa, a saber: que tomemos a Deus por nosso Líder, de modo que todas as nossas orações sejam regulamentadas por Sua vontade e comando. Se essa regra não houvera sido suprimida, as orações dos papistas, hoje, não seriam tão saturadas de corrupções. Pois, como poderão provar que detêm a autoridade divina para se dedicarem à intercessão dos santos falecidos, ou eles mesmos praticarem a intercessão em favor dos mortos? Em suma, em toda a sua forma de orar, o que poderão apresentar que seja do agrado de Deus?

4. Daqui se deduz uma confirmação do segundo argumento, o fato de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Pois, que seria mais razoável do que todas as nossas orações se conformarem a este decreto divino? Concluindo, ele demonstra que Deus tem no coração a salvação de todos os homens, porquanto Ele chama a todos os homens para o conhecimento de Sua verdade. Este é um argumento que parte de um efeito observado em direção à sua causa. Pois se “o evangelho é o poder de Deus par a salvação de todo aquele que crê [Romanos 1:16], então é justo que todos aqueles a quem o evangelho é proclamado sejam convidados a nutrir a esperança da vida eterna. Em suma, visto que a vocação [do evangelho] é uma prova concreta da eleição secreta, então Deus admite à posse da salvação aqueles a quem Ele concedeu a bênção de participarem de Seu evangelho, já que o evangelho nos revela a justiça de Deus que garante o ingresso na vida.

À luz desse fato, fica em evidência a pueril ilusão daqueles que creem que esta passagem contradiz a predestinação. Argumentam: “Se Deus quer que todos os homens, sem distinção alguma, sejam salvos, então não pode ser verdade que, mediante Seu eterno conselho, alguns hajam sido predestinados para a salvação e outros, para a perdição”. Poderia haver alguma base para tal argumento, se nesta passagem Paulo estivesse preocupado com indivíduos; e mesmo que assim fosse, ainda teríamos uma boa resposta. Porque, ainda que a vontade de Deus não deva ser julgada à luz de Seus decretos secretos, quando Ele no-los revela por meio de sinais externos, contudo não significa que ele não haja determinado secretamente, em Seu íntimo, o que se propõe fazer com cada pessoa individualmente.

Mas não acrescentarei a este tema nada mais, visto o assunto não ser relevante ao presente contexto, pois a intenção do apóstolo, aqui, é simplesmente dizer que nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o evangelho a todos sem exceção. Visto que a pregação do evangelho traz vida, o apóstolo corretamente conclui que Deus considera a todos os homens como sendo igualmente dignos de participar da salvação. Ele, porém, está falando de classes, e não de indivíduos; e sua única preocupação é incluir em seu número príncipes e nações estrangeiros. Que a vontade de Deus é que eles também participem do ensinamento do evangelho é por demais óbvio à luz das passagens já citadas e de outras afins. Não é sem razão que se disse: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão” [Salmo 2:8]. A intenção de Paulo era mostrar que devemos ter em consideração, não que tipo de homens são os príncipes, mas, antes, o que Deus queria o que fossem. Há um dever de amor que se preocupa com a salvação de todos aqueles a quem Deus estende Seu chamamento e testifica acerca desse amor através de orações piedosas.

É nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte obtemos a salvação senão da imerecida munificência divina? O mesmo Deus que já nos conduziu à Sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça também a eles. Aquele que já nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas.

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Fonte: CALVINO, João. Pastorais. Trad. Valter Graciano Martins. 1ed. São Paulo: PARACLETOS Ed., 1998. 379p.; pp. 54-61.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Você desonra a Deus por ser dependente de si mesmo




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Por que eu devo orar se Deus sabe de todas as coisas?



quarta-feira, 20 de junho de 2012

A Centralidade de Cristo

Você já experimentou uma percepção do amor de Cristo quase maior do que você consegue conter?

Texto base: Efésios 3:14-19

Portanto, peço-lhes que não se desanimem por causa das minhas tribulações em seu favor, pois elas são uma glória para vocês. Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.

Você já experimentou uma percepção do amor de Cristo quase maior do que você consegue conter?
Na carta de Efésios, Paulo estava orando para que os cristãos daquela cidade pudessem “compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:18,19). Os cristãos de Éfeso tinham problemas como os nossos e a oração de Paulo não era só “que Deus ajude eles”, mas que para que eles entendessem profundamente o amor de Deus. Saiba: o que nos faz superar todas as dificuldades da vida cristã é entender o amor de Cristo por nós! Entender profundamente o amor de Cristo transforma a nossa vida e nos santifica. Quem está cheio do conhecimento do amor de Cristo não sai e vai pecar, pois este amor nos constrange! Davi caiu não enquanto louvava diante da arca.
Paulo diz que nós precisamos de um poder especial para compreendermos profundamente o amor de Cristo. Então, como conseguimos este poder? Sugiro três formas:
  • Ore. Ore por si mesmo, por seu irmão, por seu pastor, por missionários, etc.. Não ore de forma rasa, mas como Paulo orou. Ore para que Deus derrame deste poder para despertar sua sensibilidade espiritual para compreender o amor de Deus. Aprenda a orar. Um dos sinais de imaturidade na vida cristã são orações só para si mesmo.
  • Pense sobre o amor de Cristo. Você nunca irá crescer em entendimento se não pensar sobre Ele.

  1. Pense sobre a largura do amor de Cristo que alcança o solitário e não amados. Cristo demonstrou compaixão para com os  desprezados. O amor de Cristo alcança o pior dos pecadores.
  2. Pense sobre o comprimento do amor de Cristo que procede desde a eternidade ao eleger em amor. O amor de Cristo é eterno!
  3. Pense sobre a altura deste amor. Você pode gastar sua vida inteira (e você precisa fazê-lo) pensando neste amor. Jesus diz em João 15 que Ele nos ama assim como o Pai O amou. Não há como ir mais alto que isso!
  4. Pense na profundidade deste amor. Veja a descrição de quão fundo foi o amor de Cristo em Filipenses 2:6-11. O eterno Filho de Deus deixou a glória que tinha com o Pai e desceu até as profundezas de um homem de dores. O Rei se tornou um servo e suportou na cruz a ira de Deus. Nós gastaremos uma eternidade para compreender este amor!
  • Seja sensível. Precisamos responder aos atos de amor de Cristo. Em Cantares 5 a noiva, diante do chamado do seu amado, em vez de responder rapidamente, ela retarda e prefere o conforto; e depois, quando ela se arrepende e vai abrir a porta, o noivo foi embora. Será que não temos feito o mesmo com Cristo? Será que pensamos “o Senhor estará sempre lá, depois vou encontra-lo”? Ele pode não estar. As coisas mais preciosas na vida cristã não é saber defender a doutrina da predestinação, mas ser íntimo do amor de Cristo.
Não dê suas afeições para a TV ou esportes, mas para Cristo. Quanto mais você provar do amor de Cristo, mais doce será a vida.
Por Tim Conway na 10ª Conferência Fiel para Jovens © Editora Fiel
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

domingo, 17 de junho de 2012

A oração começa com Deus

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Você já orou de verdade?




Há uma idéia popular de que a oração é uma coisa muito fácil, uma espécie de atividade comum que pode ser feita de qualquer forma, sem nenhum cuidado ou esforço. Alguns pensam que somente é necessário pegar um livro, utilizar certo número de palavras atraen­tes, e assim terá orado, podendo então guardá-lo novamente. Outros supõem que usar um livro é coisa supersticiosa, e aquilo que se deveria fazer é repetir uma série de frases improvisadas, frases essas que viriam à mente de súbito como uma manada de porcos ou uma matilha de cães, e uma vez tendo-as pronunciado com certa atenção, pronto, a oração foi feita.


Ora, nenhum desses modos de orar foi adotado pelos santos do passado. Parece que eles pensaram muito mais seriamente sobre oração do que muitos pensam em nossos dias. Parece ter sido algo impor­tantíssimo para eles - um exercício constantemente praticado, no qual alguns deles atingiram grande eminência e foram, dessa forma, singularmente abençoados. Ceifaram grandes colheitas no campo da oração e descobriram que o propiciatório é uma mina de tesouros inimagináveis.


Os santos do passado tiveram o costume de colocarem em ordem, como Jó, sua causa diante de Deus. Assim como um peticionário não vai a uma corte impulsivamente, sem antes pensar no que vai dizer, mas entra na sala de audiências com seu processo bem preparado, tendo também aprendido como deve se comportar diante da grande autoridade a quem vai apelar, da mesma forma é bom que nos aproximemos do trono do Rei dos reis, tanto quanto possível, com premeditação e preparação, sabendo o que fazemos, qual a nossa posição e o que desejamos obter. Em tempos de perigo e aflição podemos correr para Deus da forma como estamos, assim como a pomba voa para uma fenda na rocha, mesmo que suas penas estejam arrepiadas; mas em tempos normais não deveríamos nos aproximar dEle com espírito despreparado, assim como uma criança não se aproxima do seu pai pela manhã sem antes ter lavado o rosto.


Veja ali o sacerdote; ele tem um sacrifício para oferecer, porém não se apressa para o pátio dos sacerdotes a fim de picar o novilho com o primeiro machado em que puder pôr a mão. Pelo contrário quando se levanta lava seus pés na bacia de bronze, coloca suas vestimentas e se enfeita com seus trajes sacerdotais. Então ele se achega ao altar com sua vítima adequadamente dividida de acordo com a lei. Sendo cuidadoso em fazer de conformidade com o manda­mento, mesmo em coisas simples tais como onde colocar a gordura, o fígado e os rins. Ele põe o sangue numa bacia, derrama-o num lugar apropriado aos pés do altar, não o jogando de forma que mais lhe agrade, e acende o fogo, não com chama comum, e sim com o fogo sagrado retirado do altar. Atualmente todo este ritual foi superado, mas a verdade que ele ensinava permanece a mesma; nossos sacrifícios espirituais devem ser ofe­recidos com santo cuidado. Deus nos livre de que nossa oração seja somente saltar da cama, ajoelhar-nos e dizer qualquer coisa que venha à mente. Pelo contrário, que possamos esperar no Senhor com santo temor e reverência.


Veja como Davi orou quando Deus o abençoou - ele entrou na presença do Senhor. Compreenda isso. Ele não ficou de fora a uma certa distância, porém entrou na presença do Senhor e sentou-se (pois sentar-se não é posição errada para orar, ainda que critiquem contra isso) e uma vez sentado, calma e tranqüilamente diante do Senhor, começou a orar. Todavia, ele não fez isso sem antes pensar na bondade divina. Dessa maneira chegou ao espírito de oração. Daí, pela assistência do Espírito Santo, abriu sua boca. Oxalá buscássemos mais freqüentemente o Senhor desse modo!
 
Davi se expressa da seguinte forma: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apre­sentarei a ti, e vigiarei" (Salmo 5:3). Sempre lhes tenho explicado isso como significando pôr em ordem de batalha seus pensamentos tais quais homens de guerra, ou apontar suas orações como se fossem flechas. Davi não apanhava uma flecha para colocá-la na corda do arco e atirá-la em qualquer direção, mas tendo apanhado a flecha escolhida e a colocado na corda, ele se fixava no alvo. Olhava - olhava bem - para o círculo branco do alvo; mantinha seu olho fixo no mesmo, dirigia sua oração, então puxava o arco com toda sua força e deixava a flecha voar. Uma vez em pleno vôo, tendo ela deixado suas mãos, o que diz ele? "Olharei para cima." Olhava para cima a fim de ver aonde a flecha foi e saber que efeito havia causado, pois esperava resposta as suas orações e não era como muitos que raramente pensam em suas orações depois de as haverem profe­rido. Davi sabia que tinha diante de si uma obrigação que requeria toda a sua capacidade mental; ele punha em ordem de batalha suas faculdades e partia para a obra de maneira esmerada, como alguém que cria na mesma e desejava obter sucesso. Deveríamos tanto arar cuida­dosamente como orar cuidadosamente. Quanto melhoro trabalho mais atenção ele merece. Ser diligente na sua loja e negligente no lugar de oração, é nada menos do que blasfêmia, pois é uma insinuação de que qualquer coisa servirá para Deus, enquanto que o mundo deve ter o melhor de nós.


Se alguém me perguntar qual a ordem a ser observada em oração, eu não darei um esquema como muitos têm feito, no qual a adoração, confissão, petição, intercessão e louvor estão arranjados numa sucessão. Não estou convencido de que uma ordem desse tipo tenha autoridade divina. Não é à ordem mecânica que estou me referindo, pois nossas orações serão igual­mente aceitáveis, e talvez igualmente apropriadas, em quaisquer formas, posto que existem, exemplos de orações, de todos os tipos, tanto no Velho como no Novo Testamento.


A verdadeira ordem espiritual da oração parece-me consistir em algo mais do que um mero arranjo. É muito apropriado para nós sentirmos que agora estamos fazendo algo real; sentirmos que estamos nos dirigindo a Deus, a Quem não podemos ver, porém que está realmente presente; a Quem não podemos tocar ou ouvir, nem por meio de nossos sentidos perceber, a Quem, entretanto, está conosco tão realmente como se estivéssemos falando com um amigo de carne e osso. Sentindo a realidade da presença de Deus, nossa mente será conduzida pela graça divina a um estado de humildade; sentir-nos-emos como Abraão quando disse: "Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza". Assim sendo, não faremos nossas orações como garotos que repetem suas lições de forma roti­neira, muito menos falaremos como se fôssemos rabinos instruindo nossos alunos, ou como alguns fazem, com a aspereza de um assaltante parando alguém na estrada e obrigando-o a entregar-lhe sua bolsa; mas seremos humildes suplicantes, embora ousados, humildemente importunando a misericórdia mediante o sangue do Salvador. Não teremos a reserva de um escravo, mas a cândida reverência de uma criança, contudo não uma criança impudente, impertinente, e sim uma criança obediente e dócil, honrando seu Pai, e portanto rogando sinceramente, com respeitosa submissão à vontade de seu Pai. Quando sinto que estou na presença de Deus e tomo o meu devido lugar ali, a próxima coisa que faço é reconhecer que não tenho direito algum àquilo que estou buscando e não posso recebê-lo, exceto como um dom da graça. Devo reconhecer também que Deus limita o canal através do qual me concede misericórdia - Ele o fará por meio do Seu amado Filho. Portanto, quero me colocar sob a proteção do grande Redentor. Quero sentir que agora não sou mais eu que falo, mas Cristo fala comigo e que, enquanto suplico, faço-o através de Suas chagas, Sua vida, Sua morte, Seu sangue e Seu ser. É dessa maneira que realmente alcançamos uma ordem na oração.
 
O que devo pedir? É muito apropriado que, na oração, objetivemos uma grande clareza nas súplicas. Há muitos motivos para deplorar sobre certas orações feitas em público, pois aqueles que as fazem realmente não pedem nada a Deus. Preciso admitir que eu mesmo tenho orado assim, e certamente tenho escutado muitas orações desse tipo, nas quais tive a impressão que nada foi pedido a Deus. Muito de excelentes assuntos dou­trinários e experimentais foi enunciado, mas bem poucas súplicas e esse pouco de um modo nebuloso, caótico e disforme. Todavia, parece-me que a oração deve ser clara, o pedir por alguma coisa definida e claramente, pois a mente percebe sua necessidade premente de tal coisa, e portanto deve suplicar por ela. Não é bom usar de rodeios na oração, mas ir direto ao assunto. Eu gosto daquela oração de Abraão: "Oxalá viva Ismael diante de ti!" Ele menciona o nome e a pessoa pela qual está orando e a bênção desejada, tudo isso em poucas palavras - "Ismael viva diante de ti!" Muitas pessoas teriam usado uma expressão cheia de rodeios, tal como esta: "Oh que nossa prole possa ser agraciada com o favor que Tu dispensas para aqueles que..." etc. Diga "Ismael", se você quiser dizer "Ismael"; coloque isso em palavras simples diante do Senhor. Algumas pessoas não podem sequer orar pelo pastor sem usar certos adjetivos de tal forma que pensaríamos ser o bedel da paróquia ou alguém que não poderia ser mencionado tão particularmente.


Porque não sermos claros e dizermos o que pen­samos, e pensarmos o que queremos dizer? Ordenar nossa causa nos levaria a uma maior clareza de pensamento. Quando em particular, não é necessário pedir todos os bens possíveis e imagináveis; não é necessário recitar o catálogo de todos os desejos que você tem, teve, pode ter ou terá. Peça o que precisa no momento e, como regra, atenha-se à tua necessidade da hora; peça pelo pão de cada dia - o que deseja no momento - peça isso. Peça-o sem rodeios, diante de Deus, que não repara em tuas expressões rebuscadas, para Quem tua eloqüência e oratória não serão mais do que puro vaidade. Você está diante do Senhor; sejam poucas as tuas palavras, mas seja cheio de fervor teu coração.


Você ainda não terá posto as coisas em ordem quando ti ver pedido o que deseja através de Jesus Cristo. É preciso examinar a bênção que deseja para saber se ela é algo apropriado a ser pedido, pois algumas orações jamais seriam feitas se os homens apenas refletissem. Uma pequena reflexão nos faria ver que seria melhor se certas coisas que desejamos fossem postas de lado. Além disso, podemos terem nosso íntimo um motivo que não vem de Cristo - motivo egoísta - que esquece da glória de Deus e só se preocupa com nosso próprio alívio e conforto. Ora, embora possamos pedir coisas que sejam para nosso proveito, não devemos permitir que nosso proveito interfira, de maneira alguma, com a glória de Deus. Deve haver junto com a oração aceitável o santo sal da submissão à vontade divina. Gosto destas palavras de Lutero: "Senhor, terei aquilo que quero de Ti". "Como você gosta de uma expressão como essa"? -você me pergunta. Gosto por causa do que se segue: "Terei o que desejo, pois sei que a minha vontade é a Tua vontade". Lutero se expressou muito bem, mas sem as últimas palavras teria sido uma ímpia presunção. Quando estamos certos de que aquilo que pedimos é para a glória de Deus, então, se tivermos poder na oração, podemos dizer: "Não te deixarei ir se não me abençoares". É possível chegar a um tal relacionamento íntimo com Deus, e como Jacó com o anjo, podemos lutar e tentar vencer o anjo para não sermos mandados embora vazios, sem recebermos a bênção desejada. Mas antes de chegarmos a essa intimidade, devemos ter a certeza de que aquilo que estamos buscando é realmente para a honra do Mestre.


Ponha estas três coisas juntas: 1) profunda espi­ritualidade que reconhece a oração como sendo conversa real com o Deus invisível - clareza que evidencia realidade na oração, pedindo por aquilo que sabemos necessitar; 2) muito fervor, crendo que é realmente necessário aquilo que desejamos, estando dispostos a obtê-lo pela oração, desde que seja possível tê-lo por meio da mesma; 3) acima de tudo isso, completa submissão, deixando-o ainda com a vontade do Mestre. Tudo isso deve ser amalgamado e então terá uma idéia clara do que é ordenar sua causa diante de Deus.


Ainda mais, a oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode orar, é que realmente está fazendo as melhores orações. As vezes quando você não sente nenhum tipo de conforto em suas súplicas e seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.

Charles H. Spurgeon