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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Filhos, Herança do Senhor - Salmo 127


sábado, 26 de dezembro de 2015

Como agradamos a Deus?











“Não é a força do cavalo que lhe dá satisfação, nem é agilidade do homem que lhe agrada”
Sl 147:10



      Nesta breve frase, vemos como que desfeitas como um castelo de areia, todo e qualquer anseio por alcançar favor de Deus por obras, o salmista deixa muito explícito de que os homens são incapazes de impressionar a Deus, tão pouco suas posses e poder, vemos tanto em nossos dias as pessoas cegamente depositando sua confiança no poder de seus carros, na fortaleza de suas riquezas, quando no entanto, em outras palavras o que salmista é claro ao dizer:

       Deus não se impressiona com você, pare de ser orgulhos quanto a suas posses, força, inteligência, acaso existe algo de bom em você que não venha de Deus (Tg 1:17)?

      Esta resposta deveria ser muito clara para todos nós com um sonoro “não”, esta é a posição da Bíblia. No entanto infelizmente, por causa do pecado que nos afastou de Deus, este mesmo pecado, tem cegado o entendimento das pessoas em relação a isso (2 Co 4:4).

      Então olhamos novamente para o Evangelho, aprendemos de que Deus proporcionou uma solução para esta orgulhosa ignorância, Cristo nos salva de nossos pecados e quando depositamos nossa fé nele, e somente nele, podemos novamente enxergar com os olhos desvendados da cegueira que o pecado nos aprisionava e agora podemos entender o que o salmista fala que agrada a Deus:

O Senhor se agrada dos que o temem, dos que colocam sua esperança no seu amor leal” 
Sl 147:11

Confiar em Deus e não em nós mesmos é o que agrada a Deus, reconhecer que tudo vem dele e não de nosso próprio esforço é o que agrada a Deus. Mesmo quando damos duro, batalhamos, usamos todos os meios que Deus nos proporciona como inteligência e determinação. Honramos a Deus quando reconhecemos que estes “talentos” vem dEle e devem ser usados por nós para glória dEle.

     Este é um tremendo ato de humilhação e para nós que somos pessoas orgulhosas por natureza, temos muita dificuldade em lidar com esta verdade.

      No entanto, confiar verdadeiramente em Deus se resume a colocar a esperança em seu amor, que foi principalmente demonstrado através da cruz de seu filho, Jesus. Esta é a mais fundamental e de onde partem todas as outras expressões de amor de Deus para conosco, pois não temos méritos diante de Deus e não fazemos nada mais para agradá-lo do que reconhecer que tudo que temos veio dEle, são para Ele e por Ele nos movemos e respiramos, somente a Ele toda honra, glória e louvor.

    Mesmo lutando contra esta maravilhosa verdade, posso descansar que para agradar a Deus, devo simplesmente me colocar como necessitado de sua graça, sem merecimentos, porque o que preciso vem de fora de mim, vem da justiça que recebo de Cristo e não da minha “força interior” e isto, apesar de me humilhar, me maravilha porque o que eu preciso para vida eterna com Deus, não vem de minhas forças, mas do meu Salvador, Jesus, que morreu por pecadores como eu, simplesmente por colocar minha esperança em seu amor leal e dessa forma agradar a Deus.

Em Cristo


Guinho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

"Buscando socorro em tempos difíceis"








“Ouve, Senhor, a minha oração, dá ouvidos a minha súplica; responde-me por tua fidelidade e por tua justiça.” Salmo 143: 1


Não é incomum nesta escola de oração, os Salmos, Davi expressando seus medos, angústias e tribulações diante das mais diversas circunstâncias, palavras como: medo, pânico, tristeza, dor, angústia não são particulares a nossa época e uma meditação neste Salmo pode nos trazer refrigério para alma, sabendo que as nossas dificuldades também foram vividas por homens santos descritas nas Escrituras. Na verdade, estes relatos bíblicos são muito mais comuns do que a maioria das pessoas pensam, José, Jó, Elias, Davi, Paulo, Pedro e até mesmo o Senhor da glória, Jesus Cristo.

A oração é o meio designado por Deus para que seus filhos peçam, clamem, chorem (Lc 11:1-13;Tg 4:2). Muitas vezes, por nossas circunstâncias, não conseguimos nos direcionar a Deus em oração tamanha angustia ou sofrimento, mas podemos saber que mesmo de maneira deficiente, porque somos assim, o Santo Espírito nos assiste em nossas orações (Rm 8:26). Então o fato é:

Não precisamos ensinar a Deus sobre Ele mesmo, com orações que mais parecem aulas teológicas do que uma oração, Deus não precisa de nossa teologia, nós precisamos dela para conhecê-lo, é bastante significativo, então o que Deus realmente valoriza e não despreza é:

“um coração contrito e quebrantado” (Sl 51:17; Sl 34:18).

Então Davi, passando por um dos momentos de angústia na alma, se volta de seus medos e aflições através das expressões:

“o meu espírito desanima; o meu coração está em pânico” (Sl 143: 4)

“apressa-te em responder-me, Senhor! O meu espírito se abate”(Sl 143:7)

Estes sentimentos e sensações lhe parecem familiares? Com certeza para mim eles são. No entanto, Davi também sabe que não pode guiar sua vida através do que ele sente ou até mesmo está passando, mas confiando na graça futura de Deus em lhe resgatar e salvar e por isso, desta mesma forma devemos nos juntar a ele, em nossas orações, trazendo em nossas mentes aquilo que sabemos sobre Deus, mesmo que esta seja uma hora de trevas em nossas vidas, este é o remédio santo, confiara na palavra de Deus, através de suas promessas.

Então em meio a cada sofrimento e angústia, Davi se alimenta daquilo que ninguém pode retirar dele porque esta fé, é sustentada pela fidelidade de Deus e não dele mesmo:

“preserva-me a vida por causa do TEU NOME; por TUA justiça tira-me desta angústia” (Sl 143:11)

Gostaria de destacar pelo menos quatro motivos que Davi colocava sua esperança na graça futura de Deus para sua vida:

1-Em sua dúvida quanto ao dia de amanhã, sobre o medo e aflição, seu desejo de ver o amor de Deus derramado em seu livramento ele diz:

“Pois em ti confio”. Aqui mesmo contra a realidade da situação, Davi coloca sua disposição mental a serviço de depositar sua segurança naquele que pode cuidá-lo.

2-Em sua dúvida quanto a que decisões tomar, que rumo seguir em meio de tanto tormento e dificuldade em continuar ele diz:

“Pois a ti elevo minha alma”. Aqui mesmo contra a incerteza e o medo, ele recorre ao único que pode realmente lhe dar livramento.

3-Em sua dúvida a respeito de sua vida, pelas perseguições que estava sofrendo, ele diz:

“Pois em ti me abrigo”, sabendo do poder de Deus para lhe manter seguro, apesar de todas as indicações contrárias, ele encontra descanso em meditar no cuidado soberano de Deus.

4-Em sua dúvida a respeito de tantas agitações, incertezas ele mantém seu desejo de fazer a vontade de Deus, mesmo que isso seja difícil, contrariando a natureza carnal de sucesso e conforto, ele diz:

“Pois tu és o meu Deus”. Não ele mesmo, não seu poder, não suas influências.

Amados, a nossa caminhada não é calma e mansa como em uma cadeira de balanço, para o crente viver aqui neste mundo é como estar em uma arena de leões diariamente, no entanto, aprendemos nestas orações que podemos depositar e confiar em um Deus que nos cuida em meio as provas e lutas e que com certa frequência usa delas para purificar a nossa fé (Tg 1:2; 1 Pe 1:7).

Simplesmente porque Jesus venceu o mundo, através de sua obra morrendo por nossos pecados e ressuscitando para que nós também possamos ressuscitar podemos confiar. Corramos esta corrida que nos está proposta sabendo que Deus é fiel, principalmente a Si mesmo, e tudo aqui que Ele prometeu, ele é fiel para cumprir.

Em Jesus, temos a certeza e a segurança da vida eterna, todavia, a promessa de Deus não inclui um translado de “limousine” para o céu mas a certeza de que chegaremos lá!

Corramos aos pés daquele que pode nos socorrer, como Davi fez, continuemos a olhar com convicção que Deus nos guarda e sustenta até o fim, afinal a fé é a certeza das coisas que se esperam, mas não se veem. Com confiança, porque Jesus sabe o que é sofrer e se compadece de nós, nos acheguemos confiantes a este trono de graça como aprendemos com Davi (Hb 4:16).


“Aquele que começou a boa obra em vós, é fiel para completá-la” (Fp 1:6)


Em Cristo

Guinho

sábado, 19 de setembro de 2015

Vivendo por fé








Tantas vezes tenho falado para minhas filhas, “confiem em mim porque sei o que é melhor pra vocês”, e elas relutam muitas vezes, mesmo querendo confiar acabam não conseguindo. Isso sempre me deixou descontente, pois pensava que deveria ser fácil para elas confiarem em mim...

Agora, me vejo na mesma situação em relação a Deus e mesmo querendo confiar nele, não consigo mesmo querendo, minha alma reluta em descansar nele. Esta pode ser a sua luta neste momento. Como disse o salmista, a minha alma se recusa ser consolada.

O Pai sabe o que é melhor para o filho, por isso ele diz: Confia em mim...Quantas vezes tenho sofrido por não conseguir descansar na confiança do Pai Eterno.

Suas promessas são tantas e mesmo assim, nosso pecado e nosso coração enganoso teimam por lutar contra elas!

Santo Espirito de Deus, me ajuda a descansar em ti! Como tantas vezes orou o salmista:
Refrigera a minha alma, da-me alento e vigor, atende o meu clamor, pois me vejo muito fraco, sinto muitas vezes como se minha alma estivesse encarcerada (Sl 142).

Deus me leva em seus braços onde ha conforto e proteção, que sua palavra esteja constantemente em minha mente, a lembrança de quem tu és, inunde o meu Ser. Sei que tudo podes Deus, teu poder e majestade são inigualáveis.

Retira minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome:

Aprendi pela tua palavra, que teus são os dias bons e também teus são os dias maus, nada escapa do teu controle, eu te louvo por isso! Somente te peço Pai bondoso, seja nossa torre forte nos dias maus. O teu povo é um povo que vive por fé, então ajuda-nos a não olhar as circunstâncias e sim olhar o Seu amor!

Por fim, tu nos diz Pai tantas vezes: Não temas, eu estou contigo, meu poder te sustenta (Is 41.13). Resolvi que se meu Pai diz que me cuida, e mesmo que as emoções nos levem a pensar o contrário, meu Pai é o Senhor do universo, digno de toda confiança e resolvi que irei descansar nele, porque Deus é quem controla a história e Ele sendo meu Pai, sabe o é melhor para mim!

Esta esperança segura de que vai acontecer, o cuidado do Pai, me faz dizer:

“Desde o começo do dia até o anoitecer seja louvado o teu nome” (Sl 113).

Em Cristo



domingo, 4 de maio de 2014

A Importância dos Salmos na Vida Cristã


A Importância dos Salmos na Vida Cristã

As Escrituras descrevem várias orações feitas por pessoas a Deus, e a importância que tem a oração na vida cristã, todavia, não poderíamos desconectar o estudo e leitura das Escrituras, fazendo uso da frase de A.W. Tozer, conta que certa vez viu um homem perguntando a outro qual seria mais importante: Orar ou ler a Bíblia? Ele respondeu: O que é mais importante a um pássaro, a asa direita ou a esquerda?

Entendemos então que a vida cristã saudável deve ser recheada de oração e labuta, fazendo uso dos reformadores, que ensinavam que a vida do cristão deve ter o ''binônimo orare et labutare: Orare, porque a Bíblia é divina, porque somos pecadores, porque Deus é muito diferente de nós. Pela oração buscamos a iluminação do Espírito. Labutare, porque a Bíblia , como literatura produzida por seres humanos num determinado contexto, numa outra cultura e numa outra época, é humana, e está distante de nós, o que provoca a necessidade de estudo.''[1]

Sendo assim, como podemos aprender a orar de maneira que o próprio Deus aprove?

O Senhor Jesus, ensinou para seus discípulos a oração conhecida do Pai Nosso (Mt 6. 9-14; Lc 11. 1-4), com intuito de dar uma direção de como se deve orar e não somente de repetição, porque o próprio Jesus, antes de ensinar a oração, condenou as vãs repetições (Mt 6.7), mas como podemos aprender mais sobre a oração?

Existe algum livro na Bíblia em que poderíamos nos debruçar de maneira mais profunda?

Sabemos que toda a Escritura é divinamente inspirada, útil para ensinos, exortação, correção, instrução na justiça (2 Tm 3.16), todavia, falando mais especificamente, onde podemos aprender de forma mais profunda sobre como deveríamos nos direcionar a Deus?

O livro dos Salmos nos traz esta resposta, podemos nos juntar em oração a todos estes que expressaram nas Escrituras inspiradas, de maneira singular os seus sentimentos, necessidades, alegrias e desejos, segundo as palavras de João Calvino: “Tenho por costume denominar este livro- e creio não de forma incorreta- de: Uma Anatomia de Todas as Partes da Alma, pois não há sequer uma emoção da qual alguém por ventura não tenha participado que não esteja aí representada como num espelho.”[2]

Lutero: “Uma mini-bíblia e sumário do Velho Testamento” e ainda Melanchthon: “A mais elegante obra existente no mundo” [3]

Por isso, um entendimento um pouco mais denso  do Saltério é de extrema importância para a vida cristã e é o que demonstraremos como ajuda, mas sabendo que este tema traz muito mais profundas constatações:

1-Qual o estilo literário e composição dos Salmos?

No texto hebraico, a coleção completa dos Salmos chama-se “louvores”, A septuaginta, tradução grega do AT, chamou-a de Salmos, o verbo grego, de onde o substantivo Salmos deriva, indica basicamente, tocar ou ranger cordas, o que sugere uma associação com acompanhamento musical. O título em português deriva do grego. [4]

“O Livro dos Salmos, são uma coletânea de orações e hinos inspirados hebraicos, e são de grande beneficio para o crente que deseja ter ajuda da Bíblia para expressar alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, esperanças e pesares.”[5]

Os Salmos se encaixam no que chamamos de livros poéticos, sendo que a principal constituição da poesia hebraica era formada pelo paralelismo [6]. Também que o vocabulário da poesia era muito tratado de forma metafórica e símile, compreender isso será de grande valia para meditação e oração.

“Devemos lembrar que os Salmos tratam da mente através do coração, boa parte de sua linguagem é intencionalmente emotiva.”[7] Os Salmos tanto podem ser recebidos como o Livro de Cânticos para o povo de Deus como igualmente um manual de oração completo.

2- Quais são os tipos de Salmos?

Entre tantos Salmos eles podem ser classificados de diversas maneiras, mas primariamente são divididos em 5 livros [8] e dentre eles encontramos subdivididos em 7 tipos, sendo que louvor, lamentos e ações de graças são os mais comuns:

2.1-Salmos de Lamentação

As lamentações repassam pela maior parte dos Salmos, há mais de 60, incluindo lamentações individuais (3, 22, 31, 39, 42, 57, 71, 120, 139, 142) e coletivas (12, 44, 80, 94, 137). Estes levam a pessoa a expressar diante de Deus suas lutas, sofrimento e ou decepção. Fazendo isso de maneira individual ou para um grupo maior de pessoas, coletivamente. [9]O lamento é facilmente reconhecido pelo teor do Salmo. È um cântico de desorientação, abandono, angústia e sofrimento. Qual pessoa nunca passou por esta situação?

As dificuldades vêm de três fontes e podem ser classificados de acordo com base na origem da dificuldade, no entanto não é incomum todos os três estarem presentes no mesmo Salmo.

1.1- A dificuldade pode vir do inimigo, sendo este humano e procura prejudicar e muitas vezes até mesmo matar o salmista (Sl 57,4).
1.2- A dificuldade pode vir do próprio salmista, ele reage com fraqueza a dor que experimenta (Sl 22.14-15).
1.3- Mas, a pior de todas as dificuldades é a luta com o próprio Deus, onde o salmista se sente abandonado por Deus em meio a sua duvida, dor ou preocupação (Sl 102,9-10). [10]

Dentre as lamentações, encontramos as partes que chamamos de "Salmos imprecatórios", que contêm verbalizações diante de Deus da nossa ira, e o desejo pelo castigo. O contexto destes Salmos fica melhor compreendido, lembrando que muitas vezes nos Salmos a associação do Rei e com seu povo era inseparável, o que acontecia com o Rei acontecia com seu povo, em certos momentos, esta ligação é feita com o próprio Cristo, sendo assim, como mediador representante de Deus na terra, Davi orava da perspectiva que esses inimigos não ofendiam somente a ele, mas também ao povo de Deus e ao próprio Deus.
 Em outras palavras aprender a colocar diante de Deus todas as situações, porque Ele é justo juiz, capaz de julgar retamente, em vez de nós tornarmos a pagar o mal com o mal (Rom 12.19). Exemplos de Salmos Imprecatórios (7,35,40, 55,58-59,69,79,109)

Embora pareça contraditório com os ensinos de Jesus, sobre amar o inimigo, em nada se contradiz, porque erroneamente as pessoas tendem a igualar o “amor” com “ter um sentimento caloroso para com”. No entanto o ensino de Jesus diz respeito ao que você faz em prol daquela pessoa, não como você se sente em relação, isso é o que demonstra amor (Lc 10.25-37).

O Salmos conhecidos como "Penitenciais" também fazem parte do grupo dos Salmos de Lamentação, geralmente estão inseridos dentro da lamentação pelo pecado.

2.2-Salmos de Ações de Graças

Estes Salmos apresentam semelhanças aos de lamento em sua forma, porque se dividem em individuais (18, 30, 32, 34, 40, 66, 92, 116, 118,138) e 6 comunitários (65, 67, 75, 107, 124, 136), mas totalmente opostos nas circunstâncias, porque eles servem para expressar a alegria diante do Senhor por sua proteção, fidelidade e bondade.

“Ele é intimamente ligado ao Hino e em geral soa como um hino no inicio. A grande diferença pode ser vista no foco específico do louvor, onde o salmista louva o Senhor pelo livramento.”[11]

2.3-Salmos de Hinos de louvor

Estes Salmos se centralizam no louvor a Deus, por causa de quem Ele é, pela sua grandeza, sendo louvado como Criador do universo (8, 19, 104, 148) protetor e benfeitor de Israel (66, 100, 111, 114, 149) e ainda Senhor da história (33, 103, 113, 117, 145-147).

Deus merece todo louvor e embora o lamento seja mais frequente nos Salmos, o hino é quem domina o tom do Saltério. Uma constatação que podemos ver dizem respeito a que os hinos não aparecem muito no começo do Saltério, mas tem uma crescente principalmente nos cinco finais, conhecidos como a grande doxologia.(145-150)

É interessante notar como o salmista seguidamente justifica o louvor, como citado acima, por quem Deus é, fez e sustenta. O hino pode ser reconhecido pelo seu tom exuberante de louvor, convidando outros a se juntarem a ele nesta tarefa maravilhosa de louvar a Deus.

2.4-Salmos da História da Salvação

Também chamados de Salmos de recordação, estes relatam as preces atendidas por Deus no passado (78, 105, 106, 135, 136), principalmente o ato da libertação do povo no Egito e a Sua criação dele como povo. De certa forma, esta lembrança dos grandes atos feitos por Deus, são lembranças que constroem a confiança ainda maior em Deus.

“Existem muito Salmos de lamentação, hinos que chama atenção para os atos de libertação divina, então é de se esperar que alguns Salmos sejam agrupados em um gênero com base em seu interesse nos grandes atos redentores de Deus no passado.”[12]

2.5-Salmos de Celebração e Afirmação

Podemos incluir nesta categoria vários tipos de Salmos:

5.1- O de renovação da aliança, (50, 81) que tem objetivo de levar o povo de Deus para uma renovação da aliança que Ele fez no monte Sinai. O Salmo 89 e o 132são categorizados como sendo Salmos Davídicos de aliança, e sabendo que esta linhagem leva ao nascimento de nosso Senhor, esses Salmos oferecem o pano de fundo para Seu ministério messiânico.

5.2-Salmos Reais (2,18,20,21,45,72,101,110,144) onde um deles (18) é um Salmo de ação de graças reais e um (144) é uma lamentação real.

“Sem tentar delinear cada Salmo que emana da corte real, precisamos reconhecer dois tipos de Salmos da realeza no Saltério: 1- Os que exaltam Deus como Rei (Sl 98.1) e 2- Os que exaltam o governante de Israel como rei”(Sl 21.1-4).[13]

5.3-Salmos de entronização (24, 29, 47, 93, 95-99) é provável que estes celebrassem a entronização do rei no Israel antigo, que talvez fosse repetida anualmente, alguns tem argumentado que representa a própria entronização do Senhor.

5.4-Cânticos de Sião, ou de Jerusalém (46,48,76,84,87,122). De acordo com as predições de Deus através de Moisés para os Israelitas enquanto estivesse no deserto (Dt 12), Jerusalém veio a ser o centro de Israel, o lugar do templo edificado e do trono de Davi, também vista como cidade santa recebe atenção especial nestes cânticos, visto que o NT se utiliza muito do símbolo de uma Nova Jerusalém (o céu) estes Salmos são muito uteis na adoração e oração.[14]

2.6-Salmos de Sabedoria

Entre o Saltério, existem também Salmos classificados como literatura de sabedoria (1, 36,37, 49,73, 112, 119, 127, 128, 133), em sua essência ele traz as acentuadas antíteses entre o sábio e o tolo, o justo e o ímpio, o Salmo 1 funciona como a porta de entrada para a adoração de Deus, outro fato é a estreita relação entre a sabedoria e a lei. Estes Salmos podem ser relacionados como a instrução de Deus para uma vida reta diante dele.

2.7-Salmos de Cânticos de Confiança

Também classificado como Salmos de confiança, (11, 16, 23, 27, 62, 91, 121, 125, 131) seu próprio nome já sugere, são recordações que o adorador expressa em Deus como seu protetor, estas declarações também estão contidas nos hinos e lamentos, mas assume um papel predominante nestes Salmos, este gênero é notável pelo uso de metáforas de Deus como refugio. Mesmo em tempos de desespero, podemos confiar em Deus em dias bons ou maus.

4-Composição dos Salmos

Na perspectiva divina, o saltério aponta Deus como seu autor. Considerando a autoria a partir do lado humano, pode se identificar mais de 7 autores [15]. São atribuídos a Davi quase metade dos Salmos 73 ao todo, Moisés escreveu um (Sl 90) Salomão escreveu dois (72 e 127), os filhos de Asafe 12 vezes (Sl 50;73-83) e filhos de Coré também escreveram 10 vezes (42; 44-49; 84-85; 89) e Jedutum (4 vezes).

5-Período dos Salmos

O Livro do Salmos foi o livro do Antigo testamento mais usado no novo testamento, ele atravessa por praticamente todo o Antigo testamento e é de difícil definição precisa porque os Salmos individuais não podem ser datados especificamente, mas ele se estende de Moisés, 1410 a.c, até ao período pós-exílico do final do século 6 ou inicio do século 5, abrangendo 900 anos da história judaica. Apesar disso, historicamente falando, o Salmos abrange o período da origem da vida até a alegria pós-exílio dos judeus libertados da Babilônia. Poderiam ser divididos de duas formas:

1- Os atos de Deus na criação e história e 2- A história de Israel [16]. Ele foi citado no Novo Testamente, inclusive pelo próprio Jesus (Mt 27.46), por Paulo diversas vezes no livro de Romanos, diversas vezes pelo autor de Hebreus, também no livro de Atos e o evangelho de João, somando assim mais de 60 citações no Novo Testamento.

Sendo assim, podemos tirar lições valiosas para nós hoje, porque os Salmos nos ensinam a ter um relacionamento sincero com Deus em seus próprios termos, os Salmos nos dirigem em adoração não somente sincera mas com orientação e os Salmos nos remetem a meditar nas maravilhas, riquezas, misericórdias das coisas que Deus fez para nós, tornando assim um caderno de orações onde o próprio Deus nos ensina como podemos nos dirigir a Ele com sua própria palavra.

Também nos ajuda a entender que a vida do cristão nem sempre será fácil e sem tribulações, pelo contrário, nos leva a aprender que o sofrimento é uma coisa praticamente certa na vida de um cristão genuíno, mas nos conduz a um caminho de confiança, esperança e alegria em meio as dificuldades e sofrimento, pois aquele que começou a boa obra é fiel para cumpri-la em nos ate o dia do nosso Senhor Jesus. (Fp 1.6)

Em Cristo

Guinho

Notas


[1] - Retirado do texto Augustos Nicodemus, sobre interpretação histórica gramatical
http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/texto.cshtml?categoria=teologicas&id=113
[2] - Salmos Volume1- João Calvino- Editora Fiel pág. 27
[3] - Salmos Volume 1- João Calvino- Editora Fiel pág. 13
[4] - Biblia Estudo Macarthur pág, 678 SBB
[5] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág. 175
[6] - O paralelismo era a principal forma na poesia hebraica, método muito usado para ensino e ele era dividido entre outras formas como SINONIMICO, onde a segunda ou linha subsequente, repete ou reforça o sentido da primeira linha,(Sl 2.1) ANTITÈTICO, onde a segunda ou linha subsequente, contrasta o pensamento da primeira (Sl 1.6) e o CLIMATICO, onde a segunda linha ou subsequente acrescenta algo a primeira fornecendo mais informação (Sl 29.1-2) e QUIASTICO onde as unidades lógicas são desenvolvidas em um padrão A...B...B...A ex. Salmo 1.2.
[7] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág. 177
[8] - Divisão do Saltério: Livro 1-Salmos 1-41; Livro 2-Salmos 42-72; Livro 3-Salmos 73-89; Livro 4- Salmos 90-106 e o Livro 5-Salmos 107-150
[9] - Entendes o que lês?- Gordon D. Fee &Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.182
[10] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-209-210
[11] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-211
[12] - Entende o que lês? -Gordon D. Fee & Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.-183
[13] - Introdução ao AT-Raymond b. Dillard & Tremper Longman III-Vida Nova pág-214
[14] - Entende o que lês? -Gordon D. Fee & Douglas Stuart- Edições Vida Nova pág.-184
[15] - Biblia Estudo Macarthur- pág 678 SBB
[16] - Biblia Estudo Macarthur- pág 678 SBB


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Salmos 23:1
Não há nenhum título inspirado para este salmo, e não é necessário, pois ele não registra nenhum evento especial, e não precisa de outra chave além daquela que todo cristão pode encontrar em seu próprio peito. É a Pastoral Celeste de Davi; uma obra poética excelente, que nenhuma das filhas da música pode superar. A clarinada da guerra aqui dá lugar ao cachimbo da paz, e aquele que tão recentemente chorou as mágoas do Pastor em melodia ensaia as alegrias do rebanho. Sentado sob uma árvore frondosa, com seu rebanho em volta, como o pastorzinho de Bunyan no Vale da Humilhação, visualizamos Davi cantando essa pastoral incomparável com um coração cheio de alegria; ou, se o salmo é o produto de seus anos avançados, temos certeza de que sua alma se voltou em contemplação para os solitários ribeiros de água que ondulavam sussurrantes entre os pastos do deserto, onde nos primeiros dias ela fazia sua morada. Esta é a pérola dos salmos, cujo esplendor suave e puro deleita os olhos; uma pérola da qual Helicon não precisa se envergonhar, embora o Jordão o reivindique. Desse canto delicioso pode-se afirmar que sua piedade e sua poesia são iguais, sua doçura e sua espiritualidade são incomparáveis.
A posição deste salmo é digna de nota. Segue o salmo 22, que é peculiarmente o Salmo da Cruz. Não há pastos verdes, não há águas tranqüilas do outro lado do salmo 22. Só depois que lemos “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” é que chegamos a “O Senhor é meu Pastor”. Precisamos conhecer por experiência o valor do derramamento de sangue, e vermos a espada acordada contra o Pastor, antes que possamos verdadeiramente conhecer a doçura do cuidado do bom pastor.
Já se disse que aquilo que o rouxinol é entre os pássaros, esta ode divina é entre os salmos; pois tem soado docemente nos ouvidos de muitos pranteadores em sua noite de choro, e o tem podido esperar por uma manhã de alegria. Eu me aventuro a compará-la também à cotovia, que canta enquanto sobe, e sobe enquanto canta, até que some de vista, e mesmo então não nos deixa sem ouvi-la. Observe as últimas palavras do salmo – “Habitarei na casa do Senhor para sempre” -; são notas celestiais, mais adequadas às mansões eternas do que a esses lugares de moradia abaixo das nuvens. Ó, que nós possamos entrar no espírito do salmo enquanto o lemos, e então viveremos a experiência dos dias do céu aqui na terra!
DICAS PARA MEDITAÇÃO!
VERS. 1. Trabalhe a comparação entre um pastor e suas ovelhas. Ele governa, guia, alimenta e as protege; e elas o seguem, o obedecem, o amam e confiam nele. Pesquise se somos ovelhas; mostre a sina dos cabritos que se alimentam ao lado das ovelhas.
VERS. 1 (segunda cláusula). O homem que está além do alcance da penúria para o tempo presente e a eternidade.
VERS. 2 (primeira cláusula). O descanso de crer.
1.     Vem de Deus – “Ele me faz”.
2.     É fundo e profundo – “deitar”, repousar.
3.     Tem sustento sólido – “em verdes pastagens”.
4.     É assunto para louvor constante.
VERS. 2. O elemento contemplativo e o elemento ativo são satisfeitos.
VERS. 2. A frescura e a riqueza das Sagradas Escrituras. VERS. 2 (segunda cláusula). Em frente. O Guia, o caminho, os confortos da estrada, e o viajante nela.
VERS. 3. Restauração graciosa, direção santa e motivos divinos.
VERS. 4 O silêncio macio do trabalho do Espírito.
VERS. 4. A presença de Deus é o único apoio seguro na morte.
VERS. 4. Vida na morte e luz nas trevas.
VERS. 4 (segunda cláusula). A calma e a quietude do fim do homem bom.
VERS. 4 (última cláusula). Os sinais do governo divino - a consolação dos obedientes.
VERS. 5. O guerreiro banqueteado, o sacerdote ungido, o hóspede satisfeito. VERS. 5 (última cláusula). Os meios e os usos do ungir do Espírito Santo contínuas vezes.
VERS. 5. Providenciais abundâncias, e qual o nosso dever a respeito disso.
VERS. 6 (primeira cláusula). A bem-aventurança do contentamento.
VERS. 6. Na estrada e em casa, ou atendentes celestiais e mansões celestiais.

Charles H. Spurgeon