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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A iniquidade concernente às coisas santas



A iniquidade concernente às coisas santas. Êxodo 28:38

Que véu é levantado por estas palavras e que revelação elas nos fazem! Parar um pouco e contemplar esta cena desagradável nos traria humildade e proveito – as iniquidades de nossa adoração coletiva, sua hipocrisia, formalidade, indiferença, irreverência, negligência e esquecimento de Deus – quanta abundância temos aqui! Nosso trabalho para o Senhor, a rivalidade, o egoísmo que caracteriza esse trabalho, a falta de cuidado, a descrença – que multidão de profanação!

Nossas devoções particulares, frieza, falta de zelo, indiferença, morosidade e vaidade – que montanha de lixo! Se observássemos com mais cuidado, essa “iniquidade concernente às coisas santas” pareceria muito maior do que quando a olhamos pela primeira vez.

O Dr.Payson, escrevendo ao seu irmão, disse: “Minha igreja, assim como o meu coração, parece o jardim do preguiçoso. E o que é pior, acho que muitos dos meus desejos referente à melhora de ambos, procede do orgulho, da vaidade ou da indolência. Procuro as ervas daninhas que arruínam meu jardim, exalando um desejo sincero de que elas sejam arrancadas. Mas, por que? O que causa este desejo? Talvez, a vontade de poder sair e dizer para mim mesmo: 'Em que excelente estado o meu jardim é mantido!' Isto é orgulho. Pode acontecer que os meus vizinhos olhem por cima do muro e digam: 'Ora, veja como seu jardim está florescendo!' Isto é vaidade! Ou talvez esteja desejando a destruição das ervas daninhas, porque estou cansado de arrancá-las. Isto é indolência!”

Até o nosso desejo por santidade pode estar contaminado por motivos errados. Sob o mais verde gramado, vermes escondem-se, não é preciso procurar muito para os encontrarmos. Quão reconfortante é o pensamento de que, quando o sumo sacerdote levava a iniquidade das coisas santas, ele tinha sobre a sua testa as palavras “Santidade ao Senhor” (Êxodo 28:36). Quando o Senhor Jesus leva nosso pecado, Ele apresenta ao seu Pai não a nossa falta de santidade, e sim a sua própria santidade. Ó, quanto precisamos de graça para ver, com olhos de fé, o nosso Grande Sacerdote!

Charles H. Spurgeon

Leituras Diárias Vol.II, 2006 Ed. Fiel.

domingo, 4 de novembro de 2012

O Sussurro de Cristo





"Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem."
1 Tessalonicenses 4.14

Não imaginemos que a alma dorme em insensibilidade. "Hoje estarás comigo no paraíso", é o sussurro de Cristo a todo santo moribundo. Eles "dormem em Jesus", mas sua alma está diante do trono de Deus, louvando-o dia e noite em seu templo, cantando aleluias Àquele que os lavou de seus pecados em seu sangue.

O corpo dorme em seu leito solitário da terra, embaixo de uma coberta de grama. Mas o que é este dormir? A idéia associada a dormir é "descansar", e este é o pensamento que o Espírito de Deus nos comunica. Dormir faz de cada noite um Sabbath para o dia. O sono fecha bem a porta da alma e convida todos os intrusos a esperar por algum tempo, para que a vida interior possa entrar em seu jardim do verão de bem-estar.

O crente exaurido dorme tranqüilamente, como faz o filho cansado quando dorme no seio de sua mãe. Oh! felizes aqueles que dormem no Senhor; eles descansam de seus labores, e suas obras os seguem. Seu calmo repouso nunca será interrompido até que Deus os levante para dar-lhes seu pleno galardão. Guardados por vigias angélicos, encobertos pelos mistérios eternos, dormem os herdeiros da glória, até que a plenitude do tempo traga a plenitude da redenção.

Que despertar será o deles! Foram colocados em seu último lugar de descanso, exaustos e desgastados, porém não se levantarão assim. Foram para o seu descanso com a testa enrugada e as feições estioladas, mas despertarão em beleza e glória. A semente murcha, tão destituída de forma e frescor, levanta-se do pó em forma de flor encantadora.

O inverno do túmulo dá lugar à primavera da redenção e ao verão da glória. Bendita é a morte, uma vez que, por meio do poder divino, despe-nos deste vestuário dos dias de trabalho para cobrir-nos das vestes nupciais da incorrupção. Bem-aventurados são aqueles que "dormem em Jesus".
 
Charles H. Spurgeon 

Fonte: http://www.charleshaddonspurgeon.com

domingo, 14 de outubro de 2012

Foi bom ter sido afligido





Foi bom ter sido eu afligido, para que aprendesse teus estatutos.
Salmos 119.71
Foi bom ter sido eu afligido. Mesmo quando a aflição provenha de pessoas ruins, ela conduzia a fins benéficos; ainda que fosse prejudicial quando provinda de tais pessoas, para Davi ela era boa. Ele sabia muito bem que ela o beneficiava de muitas maneiras.

Quaisquer que fossem os pensamentos que lhe sobreviessem enquanto enfrentava a provação, ele tinha consciência de que era melhor assim. Não era bom ver os soberbos prosperando, pois seus corações se tornavam ainda mais sensuais e insensíveis; mas a aflição tinha um caráter positivo para o salmista.

Nosso pior nos é melhor que o melhor para os pecadores. Para os pecadores, a alegria se torna nociva; e para os santos, a tristeza é benéfica. Infindos benefícios nos têm sobrevindo através de nossas dores e tristezas; e no mais, permanece isto: que assim temos sido instruídos na lei.

Para que aprendesse teus estatutos. Nosso conhecimento e nossa observância destes estatutos nos vieram enquanto sentíamos os golpes da vara. Oramos ao Senhor para que nos instruísse (v. 66), e agora percebemos que ele já fez isso. Aliás, na verdade ele nos tem tratado bem, pois nos tem tratado de forma muito sábia. Temos sido guardados, através de nossas provações, da ignorância e de um coração seboso, e isso, se porventura não existisse nada mais, seria causa suficiente de constante gratidão. Ser engordado pela prosperidade não é saudável para a soberba; mas, em prol da verdade, ser instruído pela adversidade é saudável para a humildade. Mui pouco se tem a aprender sem aflição. Para sermos bons alunos, temos de ser bons sofredores. Como dizem os latinos: Experientia docet — a experiência ensina. Não há estrada regia para se aprenderem estatutos régios; os mandamentos de Deus são melhor lidos por olhos úmidos de lágrimas.

Charles H. Spuregon

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Salmos 23:1
Não há nenhum título inspirado para este salmo, e não é necessário, pois ele não registra nenhum evento especial, e não precisa de outra chave além daquela que todo cristão pode encontrar em seu próprio peito. É a Pastoral Celeste de Davi; uma obra poética excelente, que nenhuma das filhas da música pode superar. A clarinada da guerra aqui dá lugar ao cachimbo da paz, e aquele que tão recentemente chorou as mágoas do Pastor em melodia ensaia as alegrias do rebanho. Sentado sob uma árvore frondosa, com seu rebanho em volta, como o pastorzinho de Bunyan no Vale da Humilhação, visualizamos Davi cantando essa pastoral incomparável com um coração cheio de alegria; ou, se o salmo é o produto de seus anos avançados, temos certeza de que sua alma se voltou em contemplação para os solitários ribeiros de água que ondulavam sussurrantes entre os pastos do deserto, onde nos primeiros dias ela fazia sua morada. Esta é a pérola dos salmos, cujo esplendor suave e puro deleita os olhos; uma pérola da qual Helicon não precisa se envergonhar, embora o Jordão o reivindique. Desse canto delicioso pode-se afirmar que sua piedade e sua poesia são iguais, sua doçura e sua espiritualidade são incomparáveis.
A posição deste salmo é digna de nota. Segue o salmo 22, que é peculiarmente o Salmo da Cruz. Não há pastos verdes, não há águas tranqüilas do outro lado do salmo 22. Só depois que lemos “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” é que chegamos a “O Senhor é meu Pastor”. Precisamos conhecer por experiência o valor do derramamento de sangue, e vermos a espada acordada contra o Pastor, antes que possamos verdadeiramente conhecer a doçura do cuidado do bom pastor.
Já se disse que aquilo que o rouxinol é entre os pássaros, esta ode divina é entre os salmos; pois tem soado docemente nos ouvidos de muitos pranteadores em sua noite de choro, e o tem podido esperar por uma manhã de alegria. Eu me aventuro a compará-la também à cotovia, que canta enquanto sobe, e sobe enquanto canta, até que some de vista, e mesmo então não nos deixa sem ouvi-la. Observe as últimas palavras do salmo – “Habitarei na casa do Senhor para sempre” -; são notas celestiais, mais adequadas às mansões eternas do que a esses lugares de moradia abaixo das nuvens. Ó, que nós possamos entrar no espírito do salmo enquanto o lemos, e então viveremos a experiência dos dias do céu aqui na terra!
DICAS PARA MEDITAÇÃO!
VERS. 1. Trabalhe a comparação entre um pastor e suas ovelhas. Ele governa, guia, alimenta e as protege; e elas o seguem, o obedecem, o amam e confiam nele. Pesquise se somos ovelhas; mostre a sina dos cabritos que se alimentam ao lado das ovelhas.
VERS. 1 (segunda cláusula). O homem que está além do alcance da penúria para o tempo presente e a eternidade.
VERS. 2 (primeira cláusula). O descanso de crer.
1.     Vem de Deus – “Ele me faz”.
2.     É fundo e profundo – “deitar”, repousar.
3.     Tem sustento sólido – “em verdes pastagens”.
4.     É assunto para louvor constante.
VERS. 2. O elemento contemplativo e o elemento ativo são satisfeitos.
VERS. 2. A frescura e a riqueza das Sagradas Escrituras. VERS. 2 (segunda cláusula). Em frente. O Guia, o caminho, os confortos da estrada, e o viajante nela.
VERS. 3. Restauração graciosa, direção santa e motivos divinos.
VERS. 4 O silêncio macio do trabalho do Espírito.
VERS. 4. A presença de Deus é o único apoio seguro na morte.
VERS. 4. Vida na morte e luz nas trevas.
VERS. 4 (segunda cláusula). A calma e a quietude do fim do homem bom.
VERS. 4 (última cláusula). Os sinais do governo divino - a consolação dos obedientes.
VERS. 5. O guerreiro banqueteado, o sacerdote ungido, o hóspede satisfeito. VERS. 5 (última cláusula). Os meios e os usos do ungir do Espírito Santo contínuas vezes.
VERS. 5. Providenciais abundâncias, e qual o nosso dever a respeito disso.
VERS. 6 (primeira cláusula). A bem-aventurança do contentamento.
VERS. 6. Na estrada e em casa, ou atendentes celestiais e mansões celestiais.

Charles H. Spurgeon

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Bebida estimulante ao Cristão exausto





“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a Glória de Deus Pai”.

Filipenses -  2: 9 –11.

NO PRÓPRIO FATO DA EXALTAÇÃO DE CRISTO EXISTE PARA O VERDADEIRO CRISTÃO UM GRAU MUITO GRANDE DE CONFORTO. Muitos de vocês que não têm parte nem sorte nas coisas espirituais, não tendo amor por Cristo, nem qualquer desejo pela sua glória, não farão outra coisa que não rir quando eu disser que isto é uma verdadeira garrafa de bebida estimulante ao lábio do cristão exausto: que Cristo, apesar de tudo, seja glorificado. Para vocês isso não é consolação, porque lhes falta aquela condição do coração que torna esse texto doce para a alma.

Para vocês nada existe nele de alegre; ele não mexe com o seu coração; não dá doçura alguma à sua vida; precisamente por este motivo, por vocês não estarem ligados à causa de Cristo, nem devotadamente buscarem honrá-lo. Mas o coração do verdadeiro cristão pula de alegria, mesmo quando deprimido por tentações e tristezas diversas, com a lembrança de que Cristo está exaltado, pois que nisso ele encontra o bastante para alegrar o seu próprio coração. Notem aqui, amados, que o cristão tem certos atributos em seu caráter que tornam a exaltação de Cristo um objeto de grande regozijo para ele. Primeiro, ele tem, em sua própria opinião — e não em sua opinião somente, mas em realidade —, um relacionamento com Cristo e, portanto, sente interesse pelo sucesso dos de sua família. Vocês têm observado a alegria do pai quando, passo a passo, o seu menino ascende à opulência ou à fama; têm notado como os olhos da mãe faiscaram de deleite quando sua filha se tornou uma mulher adulta e irrompeu em toda a magnitude da beleza. 



Vocês perguntam porque aqueles sentem tal interesse; e se lhes contam que é porque o menino era dele, ou a menina era dela. Eles se alegraram com o progresso dos seus pequeninos por causa do relacionamento que possuem com esses. Caso não houvesse relacionamento nenhum, eles poderiam ter se tornado reis, imperadores ou rainhas que aqueles sentiriam apenas um pequeno contentamento. Porém, devido ao parentesco, cada passo era envolvido por um profundo e excitante interesse. Ora, assim é com esse cristão. Ele sente que Jesus Cristo, o glorificado “Príncipe dos reis da terra”, é seu irmão. Embora o reverencie como Deus, ele o admira como homem-Cristo, ossos de seus ossos e carne de sua carne, deleitando-se, em seus plácidos e calmos momentos de comunhão com Jesus, em lhe dizer: “Ó Senhor, tu és meu irmão!” Seu canto é “Meu amado é meu, e eu sou do meu amado”. É seu gozo cantar:


Um no sangue com os pecadores, 


Cristo Jesus o é; porque ele é um homem, exatamente como nós: e não é nem menos nem mais homem do que o somos, salvo apenas o pecado. Certamente, quando sentimos que estamos ligados a Cristo, sua exaltação é a fonte da maior alegria para os nossos espíritos; nós nos regozijamos nisso, visto ser um de nossa família que é exaltado. É o Irmão Mais Velho da grande e única família de Deus nos céus e na terra; é o Irmão a quem todos nós estamos ligados.


Existe também no cristão não apenas o mero sentimento de relacionamento, mas também um de unidade na causa. Ele sente que, quando Cristo é exaltado, ele próprio é exaltado em alguma medida, visto que tem empatia com o desejo daquele de promover a grande causa e glória de Deus no mundo. Eu não tenho dúvida de que cada soldado ordinário que permaneceu ao lado do Duque de Wellington se sentiu honrado quando o comandante foi aplaudido pela vitória; pois diz: “Eu o ajudei, eu o assisti; não foi de pouca importância a parte que desempenhei; tão somente mantive meu posto; tão somente suportei o fogo inimigo; contudo, agora a vitória está conquistada. Sinto honra nisso porque ajudei, em certa medida, a ganhá-la”. Desse modo, o cristão, quando vê seu Senhor exaltado, diz: “É o Capitão que está exaltado, e de sua exaltação todos os soldados compartilham. Eu não fiquei do lado dele? Pequena foi a obra que fiz, e pouca a força que eu possuía para o servir; mesmo assim, ajudei no trabalho”; e o mais ordinário dos soldados nas fileiras espirituais sente que ele próprio está em algu¬ma medida exaltado quando lê isto: “Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo o nome” – um renome acima de qualquer nome — “para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho”.


Além disso, o cristão não apenas sabe que existe essa unidade em propósito, mas também uma união real entre Cristo e o seu povo todo. É uma doutrina da revelação em que raramente se discorre, mas nunca é demais pensar nela – a doutrina de que Cristo e seus membros são todos um. Não sabem vocês, amados, que cada membro da igreja de Cristo é um membro do próprio Cristo? Nós so¬mos “sua carne e seus ossos”, partes do seu grande corpo místico; e quando lemos que a nossa cabeça é coroada, ó jubilem, membros dele, pés ou mãos, mesmo que a coroa não esteja em vocês, ainda que esteja na sua Cabeça, vocês partilham da glória por serem um com ele. 


Vejam Cristo ao longe, sentado à destra de seu Pai! Crente! Ele é o penhor da sua glorificação; ele lhe é a certeza da aceitação; mais ainda, ele é o representante de você. O trono que Cristo possui no céu, ele não o tem apenas por direito, como pessoa da Divindade, mas também como o representante da igreja inteira, porque ele foi o precursor dela, assentando-se em glória como o representante de cada uma delas. Regozije-se, ó crente, quando vir o seu Mestre exaltado da tumba, quando o contemplar exaltado nos céus. Então, quando o vir galgar os degraus de luz e assentar-se em seu sublime trono, onde a vista dos anjos dificilmente pode chegar – quando você ouvir a aclamação de milhares de serafins; quando você notar o alto clangor do coral em sinfonia de milhões de redimidos; pense – quando o vir coroado de luz – que você também está exaltado com ele, vendo que é uma parte dele. 



Feliz é você se souber disso, não somente em doutrina, mas em doce experiência também. Ligados a Cristo, casados com ele, crescidos nele, partes e porções dele próprio, nós pulsamos com o coração do corpo; quando a cabeça é glorificada nós compartilhamos do louvor; sentimos que sua glorificação concede uma glória sobre nós. Ah! Amados, vocês já sentiram essa unidade com Cristo? Já sentiram uma unidade de desejos com ele? Se já, descobriram ser isso rico em conforto; mas, caso contrário – se vocês não conhecem Cristo – será uma fonte de tristeza em vez de prazer estar ele exaltado, porque terão que refletir que ele está exaltado para os esmagar, exaltado para os julgar e os condenar, exaltado para varrer dessa terra todos os pecados e cortar a maldição pela raiz, e você com ela, a menos que se arrependa e torne-se para Deus com total intenção no coração.
Charles H. Spurgeon

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Precisamos de um Avivamento genuíno!



Regozijo-me com quaisquer evidências de vida espiritual. Contudo, tenho bastante receio de que muitos dos chamados avivamentos, em última análise, causaram mais danos do que benefícios.
Uma espécie de loteria religiosa tem fascinado muitos homens, trazendo-lhes repúdio pelo bom senso da verdadeira piedade. Não desejo menosprezar o ouro genuíno, ao desmascarar as falsificações. Longe disso. Acima de tudo, desejamos que o Senhor envie-nos um verdadeiro e duradouro avivamento espiritual. Precisamos de uma obra sobrenatural da parte do Espírito Santo, trazendo poder à pregação da Palavra, motivando com vigor celestial todos os crentes, afetando solenemente os corações dos indolentes, para que se convertam a Deus e vivam. Se este avivamento acontecesse, não seríamos embriagados pelo vinho do entusiasmo carnal, mas cheios do Espírito. Contemplaríamos o fogo dos céus manifestando-se em resposta às fervorosas orações de homens piedosos. Não podemos rogar que o Senhor, nosso Deus, revele seu poderoso braço aos olhos de todos os homens nestes dias de declínio e vaidade?
ANTIGAS DOUTRINAS
Queremos um avivamento das antigas doutrinas. Não conhecemos uma doutrina bíblica que, no presente, não tenha sido cuidadosamente prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la. Há muitas doutrinas preciosas às nossas almas que têm sido negadas por aqueles cujo ofício é proclamá-las. Para mim é evidente que necessitamos de um avivamento da antiga pregação do evangelho. As Escrituras têm de se tornar o infalível alicerce de todo o ensino da igreja; a queda, a redenção e a regeneração dos homens precisam ser apresentadas em termos inconfundíveis.
DEVOÇÃO PESSOAL
Necessitamos urgentemente de um avivamento da devoção pessoal. Este é, sem dúvida, o segredo do progresso da igreja. Se os crentes perdem a sua firmeza, a igreja é arremessada de um lado para o outro. Quando eles permanecem firmes na fé, a igreja continua fiel ao seu Senhor. O futuro da igreja, nas mãos de Deus, depende de pessoas que na realidade são espirituais e piedosas. Oh! que o Senhor levante mais homens genuinamente piedosos, vivificados pelo Espírito Santo, consagrados ao Senhor e santificados pela verdade! Irmãos, cada um de nós precisa viver, para que a igreja continue viva. Temos de viver para Deus, se desejamos ver a vontade do Senhor prosperar em nossas mãos. Homens consagrados tornam-se o sal da sociedade e os salvadores da raça humana.
ESPIRITUALIDADE NO LAR
Necessitamos profundamente do avivamento da espiritualidade no lar. A família cristã era o baluarte da piedade na época dos puritanos; mas, nesses dias maus, centenas de famílias chamadas cristãs não realizam adoração no lar, não estabelecem restrições, nem ministram qualquer disciplina e ensino aos seus filhos. Como podemos esperar que o reino de Deus prospere, quando os discípulos de Cristo não ensinam o evangelho a seus próprios filhos? Ó homens e mulheres crentes, sejam cuidadosos naquilo que fazem, sabem e ensinam! Suas famílias devem ser treinadas no temor do Senhor, e sejam vocês mesmos “santos ao Senhor”. Deste modo, permanecerão firmes como uma rocha no meio das ondas de terror que surgirão e da impiedade que nos assedia.
INTENSO E CONSAGRADO PODER
Desejamos um avivamento de intenso e consagrado poder. Tenho suplicado por verdadeira piedade; agora imploro por um de seus mais nobres resultados. Precisamos de santos. Precisamos de mentes graciosas, experimentadas em uma elevada qualidade de vida espiritual resultante de freqüente comunhão com Deus, na quietude. Os santos adquirem nobreza por meio de sua constante permanência no lugar onde se encontram com o Senhor. É aí que adquirem o poder na oração que tanto necessitamos. Oh! que o Senhor levante na igreja mais homens como John Knox, cujas orações causavam à rainha Maria mais terror do que 10.000 soldados! Oh! que tenhamos mais homens como Elias, que através de sua fé abriu e fechou as janelas dos céus! Esse poder não surge por meio de um esforço repentino; resulta de uma vida devotada ao Deus de Israel. Se toda a nossa vida for pública, teremos uma existência insignificante, transitória e ineficaz. Entretanto, se mantivermos intensa comunhão com Deus, em secreto, seremos poderosos em fazer o bem. Aquele que é um príncipe com Deus ocupará uma posição nobre entre os homens, de acordo com a verdadeira avaliação de nobreza. Estejamos atentos para não sermos pessoas dependentes de outras; nos esforcemos para descansar em nossa verdadeira confiança no Senhor Jesus. Que nenhum de nós caia numa situação de infeliz e medíocre dependência dos homens! Desejamos ter entre nós crentes firmes e resistentes, assim como as grandes mansões que permanecem, de geração em geração, como pontos de referência de nosso país; não almejamos crentes semelhantes a casas de saibro, e sim a edifícios bem construídos, capazes de suportar todas as intempéries e desafiar o próprio tempo. Se na igreja tivermos um exército de homens inabaláveis, firmes, constantes e sempre abundantes na obra do Senhor, a glória da graça de Deus será claramente manifestada, não somente neles mesmos, mas também naqueles que vivem ao seu redor. Que o Senhor nos envie um avivamento de poder consagrado e celestial! Pregue por intermédio de suas mãos, se você não pode pregar por meio de seus lábios. Quando os membros de nossas igrejas demonstrarem o fruto de verdadeira piedade, imediatamente encontraremos pessoas perguntando qual a árvore que produz esse fruto. A oração coletiva dos crentes é a primeira parte de um Pentecostes; a conversão dos pecadores, a outra.
Começa somente com “uma reunião de oração”, mas termina com um grande batismo de milhares de convertidos. Oh! que as orações dos crentes se tornem como ímãs para os pecadores! E que o reunir-se de homens piedosos seja uma isca para atrair os homens a Cristo! Venham muitas pessoas a Jesus, porque vêem outros correrem em direção a Ele. “Senhor, afastamos nosso olhar desses pobres e tolos procrastinadores e buscamos a Ti, rogando-Te que os abençoes com o teu onisciente e gracioso Espírito. Senhor, converte-os, e eles serão convertidos! Através de sua conversão, rogamos que um avivamento comece hoje mesmo. Que este avivamento se espalhe por todas as nossas casas e, depois, pela igreja, até que todos os crentes sejam inflamados pelo fogo que desce dos céus!”
 
Charles H. Spurgeon

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Martinho Lutero decapitou o acusador!




O arrependimento não faz com que a pessoa veja a Cristo, mas ver Cristo provoca o arrependimento. Você jamais verá a Cristo a partir do seu arrependimento, antes, deve buscar arrependimento nele. O Espírito Santo, fazendo-nos olhar para Cristo, faz-nos deixar o pecado. Olhe adiante, então, para a causa e o efeito do pecado, a partir da perspectiva do arrependimento em relação a Cristo e ao pecado, o qual foi erguido no madeiro para dar arrependimento.
Ouvi alguém dizer: Estou atormentado por pensamentos horríveis. Onde quer que vá, blasfêmias surgem em minha mente. Frequentemente, no trabalho, forças ameaçadoramente sugestivas se impõem sobre mim. Até mesmo em minha cama sou roubado do sono por murmúrios do maligno. Não posso fugir a tais horríveis tentações. Amigo, sei o que é, sentir tais coisas, pois eu mesmo sou assombrado por sombras e por feras. Tentar dominar os próprios pensamentos, quando eles são controlados pelo diabo, é o mesmo que lutar contra um enxame de moscas, usando uma espada.
A pobre alma tentada, assaltada por sugestões demoníacas, é como um vianjante de quem se tem notícia, sobre o qual sobreveio um enxame de abelhas. Ele não podia mantê-las afastadas nem fugir delas. Picaram-no na cabeça e nos braços, deixando-o semimorto. Não é de admirar que você se sinta sem forças para fazer parar tais abomináveis e ignominiosos pensamentos que o poder de Satanás coloca em sua alma. Contudo, quero lembrar-lhe as palavras da Escritura: "Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios" [Romanos 5.6]. Jesus sabia onde estávamos e onde deveríamos estar; ele viu que não poderíamos vencer o príncipe das potestades do ar; ele sabia que seríamos atacados por tais forças; e quando nos viu em tais condições, Cristo morreu pelos ímpios.
Lance a âncora de sua fé sobre tal fato: "Cristo morreu pelos ímpios". O próprio diabo não pode lhe dizer que você não seja ímpio; creia, então, que Jesus morreu, até mesmo, por pessoas como eu e você. Lembre-se da maneira como Martinho Lutero se propôs cortar a cabeça do diabo com a própria espada de sua acusação. "Você é um pecador", afirmou-lhe o diabo. "Sim", respondeu-lhe Lutero, "Cristo morreu para salvar os pecadores". Assim, o arrependido Martinho decapitou o acusador com sua própria espada.
Corra para este refúgio e permaneça nele: "Cristo morreu para salvar os pecadores". Se você permanecer nessa verdade, seus pensamentos blasfemos, os quais você não tem poder para afastar ou para fugir, ir-se-ão por si mesmos, pois o diabo verá que opera sem propósito, quando os sugere à sua alma. Tais pensamento, se você os odeia, não serão mais que investidas do diabo, pelas quais ele é o responsável, não você. Se você lutar contra eles, não serão mais do que falsidades e imprecações de arruaceiros. É por meio de tais pensamentos que o diabo quer levá-lo ao desespero ou, pelo menos, afastá-lo da confiança em Jesus.
A mulher pobre e doente não podia chegar até Jesus por causa da multidão que se comprimia ao seu redor, e você se encontra na mesma condição por causa da pressão de tais terríveis pensamentos. Entretanto, a mulher tocou com os dedos a orla da veste do Senhor, e foi curada. Faça o mesmo. Jesus morreu por pessoas culpadas de "pecado e blasfêmia", e, portanto, estou certo de que ele não recusará aqueles que estão presos de maus pensamentos. Lance-se sobre ele, pensamentos e tudo mais, e veja se ele não é poderoso para salvar. Ele pode silenciar os terríveis murmúrios demoníacos ou expô-los à sua luz para que você não mais os tema.

Charles H. Spurgeon

domingo, 9 de setembro de 2012

Cheiro de vida ou Cheiro de morte! A norma bíblica para o sucesso!





“Ó Senhores! Nós podemos pregar para as pedras ou para os homens e será a mesma coisa, a menos que o Espírito Santo use a Palavra para regenerar suas almas”. – Charles H. Spurgeon
A verdade tem bordas duras que não podem ser suavizadas. Mas há uma grande tentação de suavizá-las dependendo da força motivadora dentro de nós. Como medimos o sucesso? Que padrão temos usado na proclamação do evangelho? Que tipo de ministério é eficaz? Avaliamos economicamente? Contamos cabeças...?
É engraçado, mas muitas pessoas em nossos dias que dizem crer na soberania de Deus sobre todas as coisas, quando falam em sucesso, usam os mesmos meios de aferição. Muitos quando falam de Charles H. Spurgeon, começam a mencionar cabeças... Mas isso não é de fato relevante, mas o que Spurgeon ensinou. Multidão Charles Finney também conseguiu. A. W. Pink não experimentou em vida nada do que Spurgeon experimentou em sua vida ministerial, mas quão fiel a Verdade ele foi.

Onde está o ponto? Quando você faz um balanço de sua vida você usa os critérios do Ibope? Todos nós somos tentados a medir-nos comparando o que temos produzido com o que outros produziram... nós investimos demais  na opinião dos corretores do poder em nossa sociedade, seja espiritual ou secular.

É impossível exagerar os efeitos devastadores que estão inexoravelmente consumindo a vida da igreja quando essa perspectiva é abraçada. A Verdade fatalmente é comprometida, cortando os cantos duros do evangelho, suavizando bordas que irão afastar o homem natural, a vontade de esconder a borda afiada da moralidade bíblica numa sociedade amoral, o desejo de ser relevante para um mundo que acha Deus irrelevante em suas reivindicações... Porque queremos um aumento de apoio, um aumento de número, um aumento de doadores, um aumento...

Preste atenção nas palavras de Paulo: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida...” - 2 Coríntios 2:15-16
Eis a norma bíblica para o sucesso!! Um “cheiro!” – A verdade articulada aqui pelo apóstolo Paulo é um poderoso remédio para a tentação de encontrar fórmulas que fatalmente irão comprometer a Verdade por desejar definir que “cheiro” seremos na vida das pessoas que ouvirem a verdade do evangelho.

Você deseja ser um cheiro de Deus para o mundo? Seja fiel na proclamação da Verdade. Seja fiel em todos os seus termos, pregue a loucura da cruz, não suavize a sua ofensa, proclame as promessas do evangelho, declare as consequências eternas...  Jamais pense em como mostrar o evangelho de uma maneira que ele pareça mais favorável a depravação do coração natural do homem. Eis o padrão de Paulo: "Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. "Gálatas 1:10


Eis o ponto nevrálgico de qualquer estratégia voltada para ser atraente ao homem natural, independente da estratégia, a própria motivação de ser agradável ao homem já é um desvio - só a intenção mostra um desvio do propósito - "... Se eu estivesse ainda agradando aos homens eu não seria servo de Cristo" - Você não pode ser ambos.

Você não pode agradar a homens e ser o escravo de Jesus Cristo. Você não pode ser um soldado comprometido para agradar o seu comandante e ser um prazer para o homem natural que está em inimizade para com Deus: "...a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo." - Romanos 8:7 - Só há uma direção: "...como homens aprovados por Deus, a ponto de nos ter sido confiado por ele o evangelho, não falamos para agradar a pessoas, mas a Deus, que prova os nossos corações."  - 1 Tessalonicenses 2:4

Só há duas respostas possíveis ao verdadeiro evangelho de Cristo – nós não procuramos induzir essa resposta. Quando a mensagem é dada a conhecer ao mundo, fatalmente haverá uma resposta. A neutralidade é impossível, não existe tal coisa em relação a Verdade de Deus. A indiferença ou apatia é um mito. Ignorar é negar a verdade... O homem está entre os que estão sendo salvos ou está entre os que estão perecendo – a mesma Verdade tem dois cheiros distintos. A palavra da cruz é “loucura” – absoluta loucura, ou é “o poder de Deus “ para a salvação – “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” - 1 Coríntios 1:18

A mensagem de Cristo proclamada por Paulo ( e não o mensageiro, ou a linguagem, ou o método...) é por si só responsável por dividir os ouvintes dessa maneira.
Sempre que a Palavra de Deus é proclamada uma fragrância é liberada. Para alguns é um aroma de vida, de esperança, de perdão, de regeneração, de justificação... Essas coisas não são manipuláveis – o mensageiro deve entregar o que recebeu para pregar. Esse aroma de vida é incomparável – nada pode ser comparado ao cheiro de vida exalado pelo Filho de Deus. O Espírito pela Palavra regenera o coração, desperta a vida, ressuscita alguém que estava “morto em delitos em pecados”... é maravilhoso!!!  - “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados -  Efésios2:1

Mas para outros, a Verdade do evangelho é um sufocante fedor venenoso. Cheiro de morte e não de vida. Charles Spurgeon nos lembra:

“O evangelho é pregado aos ouvidos de todos, mas ele só vem com poder para alguns. O poder que está no evangelho não está no mensageiro, sua eloquência, argumentos... caso contrário, os homens e seus métodos seriam conversores de almas. Também não está na técnica do pregador... caso contrário, consistiria na salvação pela sabedoria dos homens. Podemos pregar até nossas línguas apodrecerem, até o ar de nossos pulmões se esgotarem e morrermos, mas nunca uma alma será convertida a menos que haja o misterioso e soberano poder do Espírito Santo operando como quer naqueles que Ele quer operar. O Espírito Santo muda a vontade do homem. Ó Senhores! Nós podemos pregar para as pedras ou para os homens e será a mesma coisa, a menos que o Espírito Santo use a Palavra para regenerar suas almas”.

Mas veja, Paulo é uma fragrância de Deus independente da resposta da mensagem! ““Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte.”
Quando Paulo pregou e sofreu de cidade em cidade, apanhou, foi ridicularizado, difamado... e o nome de Jesus foi blasfemado. Paulo estava sendo uma fragrância de Deus (Um cheiro de morte). Quando no meio do sofrimento ele proclamou fielmente o evangelho e a Verdade foi abraçada, homens regenerados... ele foi uma fragrância de Deus ( Um cheiro de vida ).

Ao pregarmos a Verdade sem aparar as arestas duras para o homem natural, sem esconder parte da Verdade, sem tentar desenvolver técnicas para que o homem natural sinta um bom cheiro de um evangelho corrompido segundo suas paixões... Somos uma fragrância de Deus, mesmo quando a mensagem é completamente rejeitada.

A fragrância começa imediatamente a ser corrompida no momento em que nosso padrão de sucesso é o mesmo que o do Ibope. O que Paulo está dizendo é que mesmo se nossa “multidão” for pequena e insignificante para o Ibope, o sucesso é medido pela fidelidade – não determinamos sobre cada pessoa, ou “público alvo”, ou cultura... que tipo de fragrância seremos – “cheiro de vida ou  cheiro de morte” – Se nosso esforços, nossa proclamação da verdade levarem a “vida” ou a “morte”, continuamos sendo o aroma de Cristo para Deus“Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo...” - 2 Coríntios 2:15. E somos o bom perfume de Cristo para Deus apenas quando pregamos Jesus verdadeiramente e biblicamente. Não tentamos definir se seremos “Cheiro de vida ou de morte”.

Isso é uma pílula muito difícil de engolir se o propósito é o sucesso e não a glória de Deus. É difícil de engolir se o nosso temor dos homens é maior que o nosso temor a Deus – se nós desejamos o louvor e a aprovação dos homens em detrimento do que vem de Deus. Quem acha duro demais tomar essa pílula, tenta negar, mas está servindo ao Pragmatismo e não a Deus.


Devemos ser um cheiro bom para Deus em Cristo, mesmo que ele seja um cheiro podre e de morte para o mundo que se perde, ou um cheiro agradável de vida para os que são regenerados pelo Espírito Santo.

Josemar Bessa

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"Conselho" de Spurgeon aos usuários do Facebook



“Evita discussões insensatas” - (Tt. 3:9)
Nossos dias são poucos e podem ser melhor empregados fazendo coisas boas do que discutindo assuntos que, na melhor das hipóteses, são de menor importância. Os antigos estudiosos causaram muito prejuízo com a incessante discussão de assuntos sem nenhuma importância prática; e nossas igrejas travam pequenas batalhas sobre pontos abstratos e questões sem importância. Depois de dizer tudo o que pode ser dito, nenhum dos lados fica mais sábio e assim, a discussão não acrescenta mais conhecimento do que o amor, e é loucura semear num campo tão estéril.

Questões sobre pontos onde há silêncio nas Escrituras; sobre mistérios que só pertencem a Deus; sobre profecias de interpretação duvidosa; e sobre o modo de observar cerimoniais humanos são loucura, e os sábios as evitam. Nosso problema não é nem fazer, nem responder a tais questões, mas evitá-las todas; e se observarmos os preceitos dos apóstolos (Tito 3:8), sendo diligentes em fazer coisas boas, ficaremos ocupados demais para ter qualquer interesse em discussões inúteis, contenciosas e desnecessárias.

No entanto, há algumas questões que são o oposto da loucura, as quais não devemos evitar, mas conhecer honesta e verdadeiramente, tais como: Creio no Senhor Jesus Cristo? Minha mente é renovada? Ando segundo a carne ou segundo o Espírito? Estou crescendo na graça? Minhas conversas embelezam o ensino de Deus, meu Salvador? Estou aguardando a vinda do Senhor, e vigiando como deveria um servo que espera por seu mestre? Que mais posso fazer por Jesus?

Tais questões exigem nossa atenção imediata; e se somos dados a contestações, voltemos nossa habilidade crítica para algo muito mais proveitoso. Sejamos pacificadores e tentemos induzir outros, tanto por nossos preceitos quanto por nosso exemplo, a “evitar questões insensatas”.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Deixe o resultado com o Espírito Santo




Nenhum homem dentre nós realmente acha que poderia regenerar uma alma. Não somos tão tolos a ponto de reivindicar poder para mudar um coração de pedra. Talvez não ousemos presumir algo tão grandioso, contudo, podemos achar que, pela nossa experiência, podemos ajudar as pessoas a passar por suas dificuldades espirituais. Será que podemos? Podemos ter esperança que nosso entusiasmo mova a igreja viva diante de nós e empurre o mundo morto para trás de nós. Isso pode acontecer? Quem sabe, imaginamos que se pudéssemos apenas conseguir um avivamento, poderíamos facilmente assegurar um grande acréscimo à igreja? Vale à pena conseguir um avivamento? Os verdadeiros avivamentos não são presenteados?

         Podemos nos persuadir que tambores e trompetes e gritos farão muito. No entanto, meus irmãos, "o SENHOR não estava no vento" (1Rs 19.11). Resultados que valem à pena vêm daquele silencioso, mas onipotente Obreiro, cujo nome é o Espírito de Deus: nele, e somente nele, precisamos confiar para a conversão de uma única criança da escola dominical e para todo avivamento genuíno. Devemos olhar para ele para conservar nosso povo junto e edificá-los em um templo santo. O Espírito poderia dizer, assim como disse nosso Senhor: "Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma" (Jo 15.5).

         O que é a igreja de Deus sem o Espírito Santo? O que seria o Hermom sem o orvalho ou o Egito sem o Nilo? Veja a terra de Canaã, quando a maldição de Elias caiu sobre ela, por três anos não sentiu orvalho nem chuva: assim seria o cristianismo sem o Espírito. O que os vales seriam sem seus córregos, ou as cidades sem seus poços, o que os campos de milho seriam sem o sol, ou a safra de vinho sem o verão--assim seriam nossas igrejas sem o Espírito. Como não podemos pensar no dia sem luz, na vida sem respiração, no céu sem Deus, também não podemos pensar no culto cristão sem o Espírito Santo.

Charles H. Spurgeon

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tudo que não é feito por fé é pecado


Estas palavras do apóstolo Paulo: “tudo o que não é feito com fé, é pecado” (Rm 14:23) - são verdadeiras em mais de um sentido. Deus não se agrada quando não dou valor à moralidade ! Deus se agrada quando eu me refiro à probidade, à temperança ou qualquer outra virtude humana, com elogio e respeito. Mas depois de ter dado a essas coisas seu legítimo valor, sabem o quê eu acrescentarei ? Isto: todas as virtudes puramente humanas, são parecidas com aquelas pequenas conchas que servem de moeda em certas partes da Índia. Eles servem para comprar na Índia, mas na Europa não têm valor algum.

Analogamente, as virtudes humanas podem servir como moeda corrente aqui embaixo, mas no alto não servem para nada. Se você não tem algo melhor que sua própria excelência, você não entrará jamais no céu. Sem dúvida, se devesse passar minha vida no meio do povo indiano, eu teria que ter muitas conchas; mas se devo viver num país civilizado, uma outra moeda me é necessária. Assim, a probidade, a temperança e outras coisas semelhantes, são muito boas para a terra, e quanto mais vocês as possuírem, mais lhes valerá. Todas as coisas que são justas, puras, amáveis e de boa reputação, eu lhes exorto, meus irmãos, à procurar e praticar; mas ao mesmo tempo lhes declaro, lhes é necessário mais para entrar no céu. Sem a fé, todas essas coisas reunidas não têm nenhum valor diante de Deus.

As virtudes, sem a fé, são pecados caiados por fora e nada mais. A obediência sem a fé  (admitindo que isso fosse possível)  não seria mais que desobediência disfarçada. A incredulidade anula tudo. É a mosca que deteriora o perfume (Ec 10:1); é a erva venenosa que envenena o jarro (2 Reis 4:38-41). Se possuíssemos todos nós a pureza mais amável, a filantropia mais generosa, a simpatia mais desinteressada, o gênio mais nobre, o patriotismo mais devotado, a integridade mais conscienciosa, mas não tivéssemos a fé, não temos nada. Sem a fé, diz o Apóstolo, é impossível agradar a Deus.
 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vou poupar esse traidor!!





Há pessoas que acham que o pecador dá o primeiro passo rumo à salvação. Isso não é verdade. Deus sempre dá o primeiro passo. As pessoas nunca clamarão a Deus para salvá-las até que a obra da salvação já tenha sido começado em seus corações. Elas não querem a misericórdia de Deus. Elas fogem da graça que lhes é oferecida. Elas rejeitam o evangelho quando é pregado. Não virão a Cristo para que possam ter vida. Voltam suas costas para Deus de maneira obstinada e perversa. As pessoas só são salvas quando Deus, com Sua mão forte, leva-as até Cristo.

Não há nenhuma razão pela qual Deus deveria salvar os pecadores. Deus sabe que todas as pessoas são culpadas, como criminosos no tribunal de justiça. Ele sabe que Sua misericórdia pareceria ter sido jogada fora em homens assim.

Agora quero mostrar-lhes a graça soberana de Deus. Deus diz: "Vou poupar esse traidor; ele merece morrer, mas vou poupá-lo. Vou provar que sou rei e o Deus da misericórdia." Por que então Deus poupar alguns dos pecadores? Há apenas uma resposta para essa pergunta: "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (Rom 9:15-16).

Não façam perguntas. Deus não explica às pessoas o que Ele faz ou porque Ele faz isso. Se vocês questionarem Sua realeza. Sua resposta será: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?" (Rom. 9:20). Peçam a Deus Sua misericórdia. No entanto, lembrem-se de que vocês não têm direito à Sua misericórdia. Peçam a Deus misericórdia, sabendo que Ele tem o direito de dá-la ou de recusá-la como Lhe aprouver. Se Deus quiser, Ele pode salvá-los; ou se desejar, Ele pode destruí-los. Vocês têm a obrigação de curvar suas cabeças e dizer: "Deus tenha misericórdia de nós, pecadores, salve-nos para Sua glória, para que Sua misericórdia e soberania possam ser claramente vistas."

Charles H. Spurgeon