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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Determinismo É Bíblico?... A Bíblia Responde #100

Todas as coisas, materiais e espirituais, seja a natureza, atos, vontade, pensamentos, etc, subordinados ao eterno decreto de Deus. Em linhas gerais, toda a criação está sujeita à vontade decretiva e providente de Deus. De tal forma, que se uma folha cair, é porque Deus determinou que caísse. Se não, é porque Deus determinou que não caísse. De tal forma, que se escolher um sorvete de laranja ao invés de um sorvete de coco, é porque Deus determinou até mesmo essa escolha. Seja nos eventos complexos ou nos mais insignificantes, eles somente acontecem pela vontade divina. Correto? O Determinismo bíblico é verdadeira e clara?

A Bíblia nos mostra que Jesus Cristo fez questão de deixar claro que Deus está no controle de todas as coisas desde as mais simples quanto as mais complexas, conforme podemos ver em Mateus 10:29-30 “Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês.
Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados.”

Entretanto, quando falamos que Deus determina se você escolheu sorvete de laranja ao invés de coco, podemos correr um risco de entrar em uma contradição Bíblica, tirando a responsabilidade do homem por suas escolhas. Se aceitarmos esse conceito então se uma pessoa escolhe dar veneno ao invés de leite para seu filho tomar, então Deus determinou que essa escolha fosse feito, e em última análise Deus é o responsável por isso e não o homem, afinal foi determinado por Deus essa escolha. Tornaremos então Deus o autor do mal.

A Bíblia é clara quanto a soberania de Deus em todas as coisas, mas é também igualmente clara quanto a responsabilidade humana, dizendo que o homem é o único responsável por seus atos e pelos seus pecados.

É impossível que compreendamos totalmente a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Somente Deus sabe totalmente como estas duas coisas trabalham juntas em Seu plano de salvação. Provavelmente mais do que com qualquer outra doutrina, é crucialmente importante que, no que diz respeito a esse assunto, admitamos a nossa incapacidade de compreender totalmente a natureza de Deus e o nosso relacionamento com Ele. Ir longe demais para qualquer lado resulta em uma compreensão distorcida da salvação.

A Bíblia deixa claro que Deus sabe quem será salvo (Romanos 8:29; 1 Pedro 1:2). Efésios 1:4 nos diz que Deus nos escolheu “antes da fundação do mundo”. A Bíblia descreve várias vezes os crentes como os “escolhidos” (Romanos 8:33; 11:5; Efésios 1:11; Colossenses 3:12; 1 Tessalonicenses 1:4; 1 Pedro 1:2; 2:9) e “eleitos” (Mateus 24:22,31; Marcos 13:20, 27; Romanos 11:7; 1 Timóteo 5:21; 2 Timóteo 2:10; Tito 1:1; 1 Pedro 1:1). O fato dos crentes serem predestinados (Romanos 8:29-30; Efésios 1:5, 11) e eleitos (Romanos 9:11; 11:28; 2 Pedro 1:10) para a salvação é totalmente claro.

A Bíblia também diz que somos responsáveis por receber a Cristo como Salvador - tudo o que temos que fazer é acreditar em Jesus Cristo e seremos salvos (João 3:16, Romanos 10:9-10). Deus sabe quem será salvo, Deus escolhe quem será salvo e nós temos que escolher a Cristo para sermos salvos. É impossível que uma mente limitada compreenda como estas três coisas trabalham juntas (Romanos 11:33-36). Nossa responsabilidade é levar o Evangelho a todo o mundo (Mateus 28:18-20; Atos 1:8). Devemos deixar a parte que diz respeito à presciência, eleição e predestinação nas mãos de Deus, simplesmente sendo obedientes em compartilhar o Evangelho.

Em Cristo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Deus já escolheu um povo eleito para a salvação?... A Bíblia Responde #99

Minha pergunta é baseada numa conversa que tive com um colega. É a seguinte: é verdade que Deus já escolheu o povo eleito para ser salvo? Ou seja, se a pessoa já estiver no livro da vida ele pode pecar como quiser e mesmo assim já está salvo e quem já está condenado mesmo fazendo tudo para agradar a Deus ainda assim ainda não é digno de salvação?

A resposta para as suas perguntas é sim e não.

Sim, Deus elege um povo para salvação e não, não funciona dessa forma, uma pessoa que possui uma vida na lama do pecado, que não possui arrependimento essa pessoa não é uma eleita de Deus.

A eleição é a causa de nossa salvação, a santificação é a evidência. A santificação é a marca na orelha da ovelha eleita de Cristo (2Ts 2.13).

Existem duas verdades ensinadas na Bíblia, que Deus escolhe e predestina livremente quem Ele quer para a salvação e que o homem é responsável pela sua condenação, o fato de Deus eleger não diminui a responsabilidade humana.

Pode parecer conflitante essas duas informações e devemos reconhecer nossas limitações humanas, pois somos seres limitados, finitos, falíveis e corruptíveis. Diferentemente de Deus, todo poderoso, infinito, ilimitado, criador de todas as coisas.

Não conseguimos conciliar com nossas mentes humanas essas duas realidades bíblicas, assim como não conseguimos explicar, ou compreender totalmente a doutrina da trindade, ou ainda, explicar como Jesus Cristo é totalmente homem e totalmente Deus ao mesmo tempo.

Vamos então falar um pouco sobre essas duas verdades separadamente.

Sobre a doutrina da eleição:

Simplificando, os "eleitos de Deus" são aqueles que Deus predestinou para a salvação. Eles são chamados de "eleitos" porque essa palavra denota o conceito de escolher. A cada quatro anos, nós "elegemos" um presidente - ou seja, escolhemos quem ocupará esse cargo. O mesmo vale para Deus e aqueles que serão salvos; Deus escolhe aqueles que serão salvos. Estes são os eleitos de Deus.

Vejamos Romanos 9, a passagem mais detalhada que lida com a soberania de Deus na eleição.

O contexto da passagem flui de Romanos 8, que termina com um grande clímax de louvor: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:38-39). Isto leva Paulo a considerar como um judeu poderia responder a essa afirmação. Embora Jesus tenha vindo aos filhos perdidos de Israel e embora a igreja primitiva tenha sido em grande parte judaica, o evangelho estava se espalhando entre os gentios muito mais rápido do que entre os judeus. Na verdade, a maioria dos judeus enxergava o evangelho como uma pedra de tropeço (1 Coríntios 1:23) e rejeitou Jesus. Isso levaria o judeu comum a se perguntar se o plano de Deus de eleição falhou, uma vez que a maioria dos judeus rejeita a mensagem do evangelho.

Ao longo de Romanos 9, Paulo sistematicamente mostra que a eleição soberana de Deus tem estado em vigor desde o início. Ele começa com uma declaração crucial: "Porque nem todos os que são de Israel são israelitas" (Romanos 9:6). Isso significa que nem todas as pessoas etnicamente de Israel (isto é, aqueles descendentes de Abraão, Isaque e Jacó) pertencem ao verdadeiro Israel (os eleitos de Deus). Revendo a história de Israel, Paulo mostra que Deus escolheu Isaque a Ismael e Jacó a Esaú. Caso alguém achasse que Deus estava escolhendo estes indivíduos com base em sua fé ou boas obras que fariam no futuro, ele acrescenta: "pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama" (Romanos 9:11).

Neste ponto, pode-se ser tentado a acusar Deus de agir injustamente. Paulo antecipa essa acusação no versículo 14, afirmando claramente que Deus não é injusto de qualquer forma. "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão" (Romanos 9:15). Deus é soberano sobre a Sua criação. Ele é livre para escolher aqueles a quem vai escolher e é livre para passar por quem quiser. A criatura não tem o direito de acusar o Criador de ser injusto. A própria ideia de que a criatura pode julgar o Criador é um absurdo para Paulo, e deve ser assim para todos os cristãos também. O equilíbrio de Romanos 9 substancia este ponto.

Há outras passagens que falam em menor medida sobre o tema dos eleitos de Deus (João 6:37-45 e Efésios 1:3-14, para citar algumas). O ponto é que Deus decidiu resgatar um resquício da humanidade para a salvação. Esses indivíduos eleitos foram escolhidos antes da criação do mundo, e a sua salvação está completa em Cristo. Como Paulo diz: "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Romanos 8:29-30).


Passamos agora para o assunto da responsabilidade humana, se Deus escolheu o homem não é responsável? Ou não precisa fazer nada para ser salvo, pois tudo está determinado?

A Bíblia ensina claramente que fomos eleitos para a santificação, e que sem santificação, ninguém verá ao Senhor (Hb 12.14). A santidade de vida – não estou falando de perfeição – é parte integrante da fé salvadora (Romanos 6). Santidade e fé salvadora são dois lados de uma mesma moeda. Tiago que o diga: “Fé sem obras é morta”. E no contexto, ele não estava falando de dar esmolas, mas de obedecer a Deus mesmo ao custo do que nos é mais precioso, como os exemplos de Abraão e Raabe demonstram (Tiago 2). Deixando de considerar a santificação como sinal da eleição para a vida eterna e adotando a fé como esse sinal, adotam uma base subjetiva para a segurança de salvação e correm o risco de se enganarem quanto à sua experiência religiosa, pois desta forma, podem se considerar salvos mesmo que não haja sinais visíveis da santificação entre eles.

"Nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2Pe 1.3). Ele nos chamou para a virtude, assim como para a glória. "Porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação" (lTs 4.7). Não temos um chamado para o pecado, podemos ser tentados, mas não há um chamado ao pecado. Não somos chamados para ser orgulhosos ou impuros, mas temos um chamado para a santidade.

O pacto da graça é nosso passaporte para o céu. O acordo do pacto é que Deus será nosso Deus. Mas, quem está interessado no pacto e pode exigir os benefícios dele? Somente as pessoas santificadas: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne" (Ez 36.26).

Portanto, não se vai ao céu sem a santificação:

"A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Exposição da Epístola de Tiago 1:16-18 (#4)


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Deus é Soberano e o Homem é Responsável




segunda-feira, 11 de março de 2013

Comentário de Calvino sobre 1 Timóteo 2:1-4



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Por João Calvino
"Portanto, exorto, antes de tudo, que se usem súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se encontram em posição de destaque, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isso é bom e aceitável aos olhos de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade."

1. Portanto, exorto, antes de tudo. Os exercícios religiosos que o apóstolo aqui ordena mantêm e fortalecem em nós o culto sincero e o temor de Deus, bem como nutrem a consciência íntegra de que falamos anteriormente. O termo, portanto, é então perfeitamente apropriado, visto que essas exortações se deduzem naturalmente do encargo que ele pusera sobre Timóteo.

Primeiramente, ele trata da oração pública e de sua regulamentação, a saber: que ela deve ser feita não só em favor dos crentes, mas em favor de todo o gênero humano. É possível que alguém argumente: “Por que devemos preocupar-nos com o bem-estar dos incrédulos, já que não mantêm nenhuma relação conosco? Não é suficiente que nós, que somos irmãos, oremos uns pelos outros e encomendemos a Deus toda a Igreja? Os estranhos não significam nada para nós”. Paulo se põe contra essa perversa perspectiva, e diz aos efésios que incluíssem em suas orações todos os homens, e não as restringissem somente ao corpo da Igreja.

Admito que não entendo plenamente a diferença entre os três ou quatro tipos de oração de que Paulo faz menção. É pueril a opinião expressa por Agostinho, a qual torce as palavras de Paulo para adequarem-se ao uso cerimonial de sua própria época. O ponto de vista mais simples é preferível, a saber: que súplicas são solicitações para sermos libertados do mal; orações são solicitações por algo que nos seja proveitoso; e intercessões são nossos lamentos postos diante de Deus em razão das injúrias que temos suportado. Eu mesmo, contudo, não entro em distinções sutis desse gênero; ao contrário, deduzo um tipo diferente de distinção. [Proseuche] é o termo grego geral para todo e qualquer tipo de oração; [deeseis] denota essas formas de oração nas quais se faz alguma solicitação específica. Portanto, essas duas palavras se relacionam como o gênero e a espécie. [Enteuxeois] é o termo usual de Paulo para as orações que oferecemos em favor uns dos outros, e o termo usado em latim é intercessiones, intercessões. Platão, contudo, em seu segundo diálogo intitulado, Albibíades, usa a palavra de forma diferenciada para denotar uma petição definida, expressa por uma pessoa em seu próprio favor. Em cada inscrição do livro, bem como em muitas passagens, ele mostra claramente que [proseuche] é, como eu já disse, um termo geral.

Todavia, para não nos determos desproporcionalmente por mais tempo numa questão que não é de grande relevância, Paulo, em minha opinião, está simplesmente dizendo que sempre que as orações públicas foram oferecidas, as petições e súplicas devem ser formuladas em favor de todos os homens, mesmo daqueles que presentemente não mantêm nenhum relacionamento conosco. O amontoado de termos não é supérfluo; pois ao meu ver Paulo, intencionalmente, junta esses três termos com o mesmo propósito, ou seja, com o fim de recomendar, com o maior empenho possível, e pedir com a máxima veemência, que se façam orações intensas e constantes.

Sobre o significado de ações de graças não há nada de obscuro, pois ele não só nos incita a orar a Deus pela salvação dos incrédulos, mas também a render graças por sua prosperidade e bem-estar. A portentosa benevolência que Deus nos demonstra dia a dia, ao fazer “seu sol nascer sobre bons e maus”, é digna de todo o nosso louvor; e o amor devido ao nosso próximo deve estender-se aos que dele são indignos.

2. Em favor dos reis. Ele faz expressa menção dos reis e de outros magistrados porque os cristãos têm muito mais razão de odiá-los do que todos os demais. Todos os magistrados daquele tempo eram ajuramentados inimigos de Cristo, de modo que se poderia concluir que eles não deviam orar em favor de pessoas que viviam devotando toda a sua energia e riquezas em oposição ao reino de Cristo, enquanto que, para os cristãos, a extensão desse reino, e de todas as coisas, é a mais desejável. O apóstolo resolve essa dificuldade e expressamente ordena que orações sejam oferecidas em favor deles. A depravação humana não é razão para não se ter em alto apreço as instituições divinas no mundo. Portanto, visto que Deus designou magistrados e príncipes para a preservação do gênero humano, e por mais que fracassem na execução da designação divina, não devemos, por tal motivo, cessar de ter prazer naquilo que pertence a Deus e desejar que seja preservado. Eis a razão por que os crentes, em qualquer país em que vivam, devem não só obedecer às leis e ao comando dos magistrados, mas também, em suas orações, devem defender seu bem-estar diante de Deus. Disse Jeremias aos israelitas: “Orai pela paz de Babilônia, porque, em sua paz, tereis paz” (Jeremias 29:7). Eis o ensino universal da Escritura: que aspiremos o estado contínuo e pacífico das autoridades deste mundo, pois elas foram ordenadas por Deus.

Para que vivamos vida tranquila e mansa. Ele acrescenta mais uma persuasão, ao mostrar como isso será proveitoso a nós próprios e ao enumerar as vantagens geradas por um governo bem regulamentado. A primeira é uma vida tranquila, porquanto os magistrados se encontram bem armados com espada para a manutenção da paz. A menos que restrinjam o atrevimento dos homens perversos, o mundo inteiro se encherá de ladrões e assassinos. Portanto, a forma correta de conservar a paz consiste em que a cada pessoa seja dado o que é propriamente seu, e que a violência dos poderosos seja refreada. A segunda vantagem consiste na preservação da piedade, ou seja, quando os magistrados se diligenciam em promover a religião, em manter o culto divino e requerer reverência pelas coisas sacras. A terceira vantagem consiste na preocupação pela seriedade pública: pois o benefício advindo dos magistrados consiste em que impeçam os homens de se entregarem a impurezas bestiais ou a vergonha devassidão, bem como a preservar a modéstia e a moderação. Se esses três requisitos foram suprimidos, que gênero de vida será deixado à sociedade humana? Portanto, se porventura nos preocupamos com a tranqüilidade pública, com a piedade ou com a decência, lembremo-nos de que o nosso dever é diligenciarmo-nos em favor daqueles por cuja instrumentalidade obtemos tão relevantes benefícios.

Disso concluímos que os fanáticos que lutam pela supressão dos magistrados são privados de toda humanidade e promovem unicamente o barbarismo impiedoso. Que grande diferença há entre Paulo que declara que, por amor à preservação da justiça e da decência, bem como da promoção da religião, devemos orar em favor dos reis, e aqueles que dizem que não só o poder real, mas também todo e qualquer governo, são contrários à religião. O que Paulo afirma tem o Espírito Santo como Autor; conseqüentemente, o conceito dos fanáticos não tem outro autor senão o diabo.

Se porventura suscitar-se a pergunta se devemos ou não orar em favor dos reis de cujo governo não recebemos tais benefícios, minha resposta é que devemos orar por eles, sim, para que, sob as diretrizes do Espírito Santo, comecem a conceder-nos essas bênçãos, com as quais até agora não foram capazes de prover-nos. Portanto, devemos não só orar por aqueles que já são dignos, mas também pedir a Deus que converta os maus em bons governantes. Devemos manter sempre este princípio: que os magistrados são designados por Deus para a proteção da religião, da paz e da decência públicas, precisamente como a terra foi ordenada para produzir o alimento. Por conseguinte, quando oramos pelo pão de cada dia, pedimos a Deus que faça a terra fértil, ministrando-lhe sua bênção, assim devemos considerar os magistrados como meios ordinários que Deus, em Sua providência, ordenou para conceder-nos as demais bênçãos. A isso deve-se acrescentar que, se somos privados daquelas bênçãos que Paulo atribui como dever dos magistrados no-las fornecer, a culpa é nossa. É a ira de Deus que faz com que os magistrados sejam inúteis, da mesma forma que faz com que a terra seja estéril. Portanto, devemos orar pela remoção dos castigos que nos sobrevêm em virtude de nossos pecados.

Em contrapartida, os magistrados e todos quantos desempenham algum ofício na magistratura são aqui lembrados de seu dever. Não basta que restrinjam a injustiça, dando a cada um o que é devidamente seu, e mantenham a paz, se não são igualmente zelosos em promover a religião e em regulamentar os costumes pelo uso de uma disciplina construtiva. A exortação de Davi, para que [os magistrados] “beijem o Filho” [Salmo 2:12, e a profecia de Isaías, para que sejam pais da Igreja, é de grande relevância. Portanto, não terão motivo para se congratularem, caso negligenciem sua assistência na manutenção do culto divino.

3. Isso é bom e aceitável. Havendo demonstrado que o mandamento que ele promulgara é excelente, agora apela para um argumento mais enérgico, a saber: que é agradável a Deus. Pois quando sabemos que essa é a vontade, cumpri-la é a melhor que todas as demais razões. Pelo termo, “bom”, ele tem em mente o que é certo e lícito; e, visto que a vontade de Deus é a regra pela qual devemos regulamentar todos os nossos deveres, ele prova que ela é justa, porque é aceitável a Deus.

Esta passagem merece detida atenção, pois dela podemos extrair o princípio geral de que a única norma genuína para agir bem e com propriedade é acatar a e esperar na vontade de Deus, e não empreender nada senão aquilo que ele aprova. E essa é também a regra da oração piedosa, a saber: que tomemos a Deus por nosso Líder, de modo que todas as nossas orações sejam regulamentadas por Sua vontade e comando. Se essa regra não houvera sido suprimida, as orações dos papistas, hoje, não seriam tão saturadas de corrupções. Pois, como poderão provar que detêm a autoridade divina para se dedicarem à intercessão dos santos falecidos, ou eles mesmos praticarem a intercessão em favor dos mortos? Em suma, em toda a sua forma de orar, o que poderão apresentar que seja do agrado de Deus?

4. Daqui se deduz uma confirmação do segundo argumento, o fato de que Deus deseja que todos os homens sejam salvos. Pois, que seria mais razoável do que todas as nossas orações se conformarem a este decreto divino? Concluindo, ele demonstra que Deus tem no coração a salvação de todos os homens, porquanto Ele chama a todos os homens para o conhecimento de Sua verdade. Este é um argumento que parte de um efeito observado em direção à sua causa. Pois se “o evangelho é o poder de Deus par a salvação de todo aquele que crê [Romanos 1:16], então é justo que todos aqueles a quem o evangelho é proclamado sejam convidados a nutrir a esperança da vida eterna. Em suma, visto que a vocação [do evangelho] é uma prova concreta da eleição secreta, então Deus admite à posse da salvação aqueles a quem Ele concedeu a bênção de participarem de Seu evangelho, já que o evangelho nos revela a justiça de Deus que garante o ingresso na vida.

À luz desse fato, fica em evidência a pueril ilusão daqueles que creem que esta passagem contradiz a predestinação. Argumentam: “Se Deus quer que todos os homens, sem distinção alguma, sejam salvos, então não pode ser verdade que, mediante Seu eterno conselho, alguns hajam sido predestinados para a salvação e outros, para a perdição”. Poderia haver alguma base para tal argumento, se nesta passagem Paulo estivesse preocupado com indivíduos; e mesmo que assim fosse, ainda teríamos uma boa resposta. Porque, ainda que a vontade de Deus não deva ser julgada à luz de Seus decretos secretos, quando Ele no-los revela por meio de sinais externos, contudo não significa que ele não haja determinado secretamente, em Seu íntimo, o que se propõe fazer com cada pessoa individualmente.

Mas não acrescentarei a este tema nada mais, visto o assunto não ser relevante ao presente contexto, pois a intenção do apóstolo, aqui, é simplesmente dizer que nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o evangelho a todos sem exceção. Visto que a pregação do evangelho traz vida, o apóstolo corretamente conclui que Deus considera a todos os homens como sendo igualmente dignos de participar da salvação. Ele, porém, está falando de classes, e não de indivíduos; e sua única preocupação é incluir em seu número príncipes e nações estrangeiros. Que a vontade de Deus é que eles também participem do ensinamento do evangelho é por demais óbvio à luz das passagens já citadas e de outras afins. Não é sem razão que se disse: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão” [Salmo 2:8]. A intenção de Paulo era mostrar que devemos ter em consideração, não que tipo de homens são os príncipes, mas, antes, o que Deus queria o que fossem. Há um dever de amor que se preocupa com a salvação de todos aqueles a quem Deus estende Seu chamamento e testifica acerca desse amor através de orações piedosas.

É nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte obtemos a salvação senão da imerecida munificência divina? O mesmo Deus que já nos conduziu à Sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça também a eles. Aquele que já nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas.

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Fonte: CALVINO, João. Pastorais. Trad. Valter Graciano Martins. 1ed. São Paulo: PARACLETOS Ed., 1998. 379p.; pp. 54-61.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Eleição - John Piper



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Porque devemos evangelizar se Deus já tem seus escolhidos?

http://www.situado.net/fotos/2009/04/como-evangelizar-uma-pessoa-com-sabedoria.jpg


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Só pela Graça o homem é salvo - Sola Gratia - Pr. Antônio Neto



sábado, 17 de novembro de 2012

2° Dia Conferência Respirando Deus e Escola Charles Spurgeon de Teologia


Pregação: Só Cristo providencia a salvação - 1Co 15:1-4

Frases do Pr. Antônio Neto no segundo dia de conferência

 * "Além da má compreensão das Escrituras, a Igreja sofre hoje de uma má compreensão do Evangelho e da graça de Deus."

* "O evangelho da prosperidade mata as pessoas."

* "No evangelho da prosperidade o crente tem que lidar com a doença e com a culpa. Segundo esse evangelho o crente não pode sequer ficar doente e se por acaso ele não for curado foi por pura falta de fé."

* "Os maiores venenos que a igreja brasileira tem tomado são o evangelho da prosperidade e o evangelho das boas obras."

* "Precisamos anunciar o verdadeiro Evangelho, e a forma bíblica de fazermos isso é através da pregação pura e simples."

* "O Evangelho deve ser recebido de maneira definitiva."

* "Não tem como receber o Evangelho e não andar no Evangelho, isso é uma impossibilidade, quem recebe o Evangelho vive o Evangelho."

* "O Evangelho é o único meio de salvação, não existe salvação por nenhum outro meio."

* "Só existe uma coisa que liberta o homem do pecado: O Evangelho."

* "Ter qualidade de vida só é possível com o Evangelho, sem ele não é possível viver uma vida com qualidade."

* "Somente o Evangelho bíblico salva, qualquer outro evangelho não serve para nada."

* "Qualquer outro evangelho, que não o das Escrituras, é uma ofensa contra a cruz de Cristo."

* "O verdadeiro Evangelho é tudo o que precisamos: Cristo morreu pelos meus pecados e ressuscitou."

* "A nossa grande necessidade é Deus; e quem nos leva até Deus é o Evangelho."

* "Uma igreja saudável precisa manter o verdadeiro Evangelho."


Pregação: Só pela Graça o homem é salvo - Ef 2:1-7

* "Uma igreja saudável precisa entender muito bem o que é a Graça de Deus."

* "Você só vai entender a salvação se você entender o que existe dentro do seu próprio coração."

* "Todos nós nascemos alienados de Deus."

* "O homem que vive em delitos e pecados está morto para com Deus."

* "Todos os setores da sociedade estão infectados pelo mundanismo, pelo prazer em ofender à Deus."

* "Ou você é servo de Deus ou servo de satanás, quer você saiba disso, quer não."

* "Fazer a vontade da carne é andar como o mundo anda."

* "O inferno é o que todo homem natural deseja, ficar distante de Deus."

* "O problema do homem é ele mesmo em rebelião contra Deus." 

* "A Graça de Deus é uma decisão apenas de Deus."

* "A Graça de Deus é nos unir com Jesus Cristo."

* "O efeito da Graça de Deus nas nossas vidas é o que chamamos de novo nascimento."

* "O homem alcançado pela Graça de Deus é um homem que vive em novidade de vida."

* "O crente alcançado pela Graça de Deus não pode ser mundano."

* "O que as pessoas enxergam mais nas nossas vidas? A Cristo ou o mundo?"

* "Se uma igreja é preenchida apenas por crentes convencidos ela nunca será saudável."


Foi mais uma noite de glorificação à Deus, duas mensagens que realmente nos instruiram e nos impactaram. Precisamos realmente de homens de Deus que preguem o verdadeiro Evangelho e que falem de maneira bíblica sobre a Graça de Deus.

Glórias a Deus pela oportunidade de ouvir da Sua Palavra de maneira viva e eficaz. Obrigado novamente ao Pr. Antônio Neto.

Fernando.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A soberania de Deus na salvação



.Por Rev. Hernandes Dias Lopes 

Como pode um homem sendo pecador ser salvo? Como pode um injusto ser declarado justo aos olhos do Deus santo? Como pode o homem tão vulnerável ter garantia de salvação? Paulo responde a essas questões quando escreve sua carta aos romanos. Vamos, tratar aqui de cinco afirmações categóricas que nos afirmam a soberania de Deus na salvação.  
Em primeiro lugar, Deus nos conheceu desde a eternidade (Rm 8.29). Deus nos conheceu de antemão. Ele nos amou desde toda a eternidade. Amou-nos não porque viu algo em nós que despertasse seu amor, mas amou-nos incondicionalmente. Antes do sol brilhar no horizonte, Deus já havia colocado em nós seu coração. Antes dos mundos estalares virem à existência, nós já estávamos no coração de Deus. Seu amor por nós é eterno, incomensurável e incondicional.
Em segundo lugar, Deus nos predestinou para a salvação (Rm 8.30). Deus nos predestinou em Cristo, para a salvação, antes da fundação do mundo, desde o princípio, pela santificação do Espírito e fé na verdade, a fim de sermos santos e irrepreensíveis perante ele. Deus não nos escolheu porque previu que iríamos crer em Cristo; cremos em Cristo porque ele nos escolheu. A escolha divina é a causa da fé e não sua consequência. Deus não nos escolheu porque viu em nós santidade; fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis e não porque éramos santos e irrepreensíveis. A santidade não é a causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque viu em nós boas obras; somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, e não porque praticávamos boas obras. As boas obras são fruto da escolha divina e não sua raiz.
Em terceiro lugar, Deus nos chamou eficazmente (Rm 8.30). Todos aqueles que são escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu no calvário, são chamados à salvação, e chamados eficazmente. O homem pode até resistir temporariamente a esse chamado, mas não finalmente. Jesus disse que ninguém pode vir a ele se o Pai não o trouxer. Disse, também, que suas ovelhas ouvem sua voz e o seguem. Os que Deus predestina, Deus chama. Há dois tipos de chamados: um externo e outro interno; um dirigido aos ouvidos e outro ao coração. Aqueles que são predestinados, ao ouvirem a voz do bom pastor, atendem-na e o seguem.
Em quarto lugar, Deus nos justificou por sua graça (Rm 8.30). Aqueles que são amados, escolhidos e chamados são também justificados. A justificação é uma obra de Deus por nós e não em nós; é um ato e não um processo. É uma declaração forense feita diante do tribunal de Deus e não uma infusão da graça. É completa e irrepetível. Por isso, não possui graus. O menor crente está tão justificado quanto o indivíduo mais piedoso. Pela obra substitutiva e vicária de Cristo na cruz somos declarados quites com as demandas da lei de Deus. Não pesa sobre nós mais nenhuma condenação. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram julgados na pessoa de Cristo, nosso substituto e fiador. Nossos pecados foram colocados na conta de Cristo e a justiça de Cristo foi colocada em nossa conta. Estamos quites com todas as demandas da justiça divina.
Em quinto lugar, Deus nos glorificou pelo seu poder (Rm 8.30). Embora a glorificação seja um fato futuro, que se dará na segunda vinda de Cristo, na mente e nos decretos de Deus já é um fato consumado. Mesmo que o caminho seja estreito e juncado de espinhos. Mesmo que os inimigos nos espreitem e toda a fúria de Satanás seja despejada contra nós, nada nem ninguém, neste mundo ou mesmo no porvir poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Nossa salvação foi planejada, executada, aplicada e assegurada por Deus. A Deus, portanto, a glória, agora e sempre por tão grande salvação!
Divulgação: Púlpito Cristão

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os Cânones de DORT

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Podemos entender os Cânones de DORT, como uma reunião na Holanda, com intuito de defender a fé reformada, contra algumas acusações  em torno da teologia Arminiana, nas quais foram refutadas e declaradas antibiblicas e também em virtude de que ela contrariava as confissões Belgas e o catecismo de Heildelberg, de maneira que eles sugeriam mudanças na forma de suas confissões de maneira a ficar em conformidade com seu protesto conhecido como Remonstrance, que acolhia cinco pontos de fé, dentro de sua defesa de fé.

Embora essa tenha sido a principal causa, também existiram como sempre causas políticas, sociais, sendo que a Holanda era a principal fronteira para o rei James, perante o grandioso império Espanhol, radicalmente católico, e a não conformidade do entendimento das doutrinas calvinistas, possivelmente enfraqueceriam e poderiam dar entrada em uma inclusão Espanhola, dentro do Reino Unido, então além do tratamento de choque contra essa doutrina distorcida biblicamente, o perigo iminente de uma invasão no reino unido, fez com que o rei Tiago tomasse providencias para agilizar esse Sínodo.

Os pontos definidos pelo arminianismo 

Podemos resumir:

O homem consegue por não ser totalmente depravado no pecado, crer no evangelho quando lhe for apresentado.

1-O homem não está sujeito a Deus de tal modo que não consiga rejeitá-lo

2-A eleição divina esta baseada no fato de que Deus saberia quem creria e assim elegeu.

3-A morte de Cristo, não foi substitutiva e vicária e ela não garante a salvação, ela simplesmente criou a possibilidade de salvação para os que creem, 

4-Os crentes têm por sua própria e livre escolha manter-se em um estado de graça, e conservar a sua fé, aqueles que não conseguem mante-la se perdem e desviam-se.

5-A perseverança não é resultado de dom de Deus obtido pela morte de Cristo e nem da eleição, é uma condição que o homem de vê buscar pela sua livre vontade.

Fica então definido, que a salvação depende principalmente da vontade humana, pois a fé salvadora é tida desde seu começo até o final como obra do homem e não de DEUS.

Através da reunião do sínodo de DORT reunido em 1618, na Holanda a fim de examinar os pontos de vista de Arminio a luz de toda base bíblica, após um exame minucioso e detalhado feito pelos maiores teólogos da época, o Sínodo concluiu sob a luz das escrituras, que este tipo de ensino tinha que ser rejeitados como não bíblicos, foi tido por unanimidade, além desta rejeição, foram elaboradas as defesas bíblicas, com base em cinco capítulos de defesa, que ficaram então conhecidos como os cinco pontos do calvinismo e futuramente como TULIP.

Ficam registrados como refutação dos erros:

1-depravação total, Todos os homens são concebidos em pecado e nasce como filhos da ira, inclinados para o mal, escravos do pecado, a incapacidade do homem vir por si só a Cristo, em vista de que com o pecado, sua vontade é totalmente presa ao pecado e assim, ele é incapaz de vir sozinho, porque ele não deseja  e não pode vir a Cristo ,é necessário que tenha uma ação do Espírito Santo nele, para que ele possa ser liberto e assim seja trazido a Cristo.( Gn 2:17; Gn 6:5; Gn 8:21 / 1Rs 8:46 / Jo 14:4 / Sl 51:5 / Sl 58:3 / Ec 7:20 Is 64:6 / Jr 4:22; Jr 9:5-6; Jr 13:23; Jr 17:9 / Jo 3:3; Jo 3:19; Jo 3:36;Jo 5:42; Jo 8:43,44 / Rm 3:10-11; Rm 5:12; Rm 7:18, 23; Rm 8:7 /1Co 2:14 / 2Co 4:4 / Ef 2:3 / Ef 4:18 / 2Tm 2:25-26 / 2Tm 3:2-4 / Tt 1:15)

2-Eleição incondicional- Toda humanidade é condenável diante de DEUS, por isso não seria injusto se ele resolvesse deixar toda raça humana no seu próprio pecado e decidido condena-la por causa do pecado, e ela não é baseada em uma fé prevista, boa qualidade ou disposição, a eleição é a fonte de todos os bens da salvação, e é baseada no bom propósito de DEUS somente(Dt 4:37; Dt 7:7-8 / Pv 16:4 / Mt 11:25; Mt 20:15-16; Mt 22:14 / Mc 4:11-12 Jo 6:37; Jo 6:65; Jo 12:39-40; Jo 15:16 / At 5:31; At 13:48; At 22:14-15 /Rm 2:4; Rm 8:29-30; Rm 9:11-12; Rm 9:22-23; Rm 11:5; Rm 11:8-10 /Ef 1:4-5; Ef 2:9-10 / 1Ts 1:4; 1Ts 5:9 / 2Ts 2:11-12; 2Ts 3:2/ 2Tm 2:10,19/1 Pe 2:8 / 2 Pe 2:12 / Tt 1:1 / 1Jo 4:19 / Jd 1:3-4 / Ap 13:8; Ap 17:17)

3-Expiação limitada-A justiça de Deus exige punição, Deus é misericordioso e justo, sua justiça exige que nossos pecados, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma, nós somos incapazes de satisfazer essa justiça, por nós mesmos não podemos nos livrar da ira de DEUS, então Ele em sua misericórdia deu seu único filho como fiador, em nosso lugar, ele foi feito pecado e maldição na cruz, essa foi a vontade soberana de DEUS, que a morte de seu filho fosse estendida a todos eleitos, (1Sm 3:14 / Is 53:11-12 / Mt 1:21; Mt 20:28; Mt 26:28 / Jo 10:14-15 /Jo 11:50-53; Jo 15:13; Jo 17:6,9,10 / At 20:28 / Rm 5:15 / Ef 5:25 / Tt 3:5 /Hb 9:28 / Ap 5:9)

4-Graça irresistível, Tendo o homem incapacidade de responder ao chamado, por sua incapacidade vinda do pecado, o Espírito Santo retira as escamas espirituais, lhe dá um novo coração e uma nova natureza, no qual esse processo se chama novo nascimento, de forma que sua vontade é renovada e o pecador vem livremente a Cristo por sua própria e livre escolha, a graça pode ser resistida até que Deus venha com seu Espírito Santo e através dessa chamada especial interna o eleito venha entender e crer na verdade espiritual. ( r 24:7 / Ez 11:19-20; Ez 36:26-27 / Mt 16:17 / Jo 1:12-13; Jo 5:21; Jo 6:37; Jo 6:44-45 / At 16:14; At 18:27 / 1Co 4:7 / 2Co 5:17 / Gl 1:15 / Rm 8:30 / Ef 1:19-20 / Cl 2:13 / 2Tm 1:9 / 1Pe 2:9; 1Pe 5:10 / Hb 9:15)

5-Perseverança dos Santos-O regenerado não está livre de seu pecado, mas aqueles a quem o senhor chama a comunhão do seu filho e regenera, certamente o livra do domínio e escravidão do pecado, pecados diários de fraqueza surgem e até as melhores obras dos santos são imperfeitas, e a sua perseverança está intimamente ligada a santificação, a luta do crente contra o pecado dura a vida toda, porém Deus os renova efetivamente para o arrependimento, assim não é pelos seus próprios méritos ou forças, mas pela imerecida misericórdia de DEUS, pelo seu decreto imutável, e pelas suas promessas bíblicas, para nossa consolação, no entanto essa certeza não leva a acomodação, e muito menos que os eleitos se orgulhem ou se acomodem, ela é a verdadeira raiz de humildade, piedade, paciência oração fervorosas ,  não produz descuido e nem negligência em sua piedade, antes produz maior cuidado , diligência para guardar os caminhos do Senhor (Is 54:10 / Jr 32:40 / Mt 18:14 / Jo 6:39; Jo 6:51; Jo 10:27-29 / Rm 5:8-10; Rm 8:28-32, Rm 8:34-39; Rm 11:29 / Gl 2:20 / Ef 4:30 / Fp 1:6 / Cl 2:14 /2Ts 3:3 / 2Tm 2:13,19 / Hb 7:25; Hb 10:14 / 1Pe 1:5 / 1Jo 5:18 / Ap 17:14).

Fica então definido, que no processo da salvação, Deus pela sua livre graça é soberano, e que o homem não pode alcançar a salvação por sua própria vontade, porque ela é incapaz de se aproximar de DEUS, sem a ação do Espírito Santo, e logo se a graça não é livre, ela não é graça, se a salvação dependeria da fé dos eleitos, logo não precisaria de eleição, essa teologia calvinista, é totalmente submissa à autoridade soberana de DEUS, sem deixar as responsabilidades humanas de lado, mas sabendo que é somente pela graça que somos salvos, e isso não depende de nós, é dom de DEUS. (Ef2.8)

O sínodo de DORT refutou e provou por meio das sagradas escrituras os ensinamentos não bíblicos da teologia arminiana, e A grande diferença entre as duas, é de que em uma o homem é o personagem principal e ativo da historia (arminianismo), na outro Deus é a fonte de toda soberania e desejo (Calvinismo).

È importante de fato colocar que o calvinismo não se resume aos pontos destacados no acróstico TULIP, tão pouco, é uma teologia que remeta, a orgulho, prepotência, soberba e arrogância, pelo contrário, ela é extremamente humilhante, porque mostra ao crente, que ele por si mesmo é incapaz de se achegar a Cristo, remete aos cristãos serem os pioneiros e primeiros em evangelização, remete pela graça concedida de DEUS, serem extremamente agradecidos, e ansiarem por compartilhar do evangelho com as pessoas, diferentemente do que pode ser pensado ou presumido pelos que não conhecem a teologia e o formato das doutrinas, o Sínodo de DORT expõe de forma clara e evidente em que se resume.

Guinho

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A vontade do homem não é livre


O povo de Deus é um povo voluntário. A Bíblia nos diz que por natureza os homens não são voluntários: "... não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5:40). O Senhor Jesus também disse: "Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer" (João 6:40). Estas passagens do Novo Testamento concordam com nossa passagem do Velho Testamento. Todas elas dizem que o povo de Deus será voluntário no dia do poder de Deus. Pelo fato de nenhum homem ser voluntário por natureza, tem que haver uma obra da graça de Deus no coração de um homem. Somente quando houver esta obra da graça os homens serão voluntários no dia do poder de Deus. O povo de Deus deve ser um povo voluntário. Podemos dizer quem são os filhos de Deus pelo fato de serem voluntários. Prego a muitas pessoas diversas vezes. Falo a elas sobre o inferno. Aviso-as para fugirem dele. Falo a elas sobre Cristo, imploro-lhes que olhem para Cristo para serem salvas. Mas às pessoas não estão dispostas a olhar para Cristo. Ou o dia do poder de Deus ainda não veio ou elas não são o povo de Deus. Seu povo será voluntário no dia do Seu poder. Naquele dia, as pessoas confiarão suas vidas à graça de Deus; confiarão em Cristo que morreu na cruz para salvá-las.

O que tornou essas pessoas voluntárias? A única resposta é que a graça de Deus transformou sua relutância em voluntariedade. Se a vontade do homem é livre para agir certo ou errado, por que as pessoas não se voltam para Deus? A razão é que a vontade do homem não é livre. A graça de Deus deve vir e agir no coração, Somente então um homem será voluntário no dia do poder de Deus.

O povo de Deus deseja ser salvo. Assim, as pessoas desejam trabalhar para Deus. Elas vão voluntariamente à casa de Deus para adorá-lO. Elas dão generosamente quando há necessidade de dinheiro na igreja. Elas servem a Deus de várias formas, com alegria e espontaneidade, no dia do poder de Deus.

Devemos notar o caráter desse povo. Ele "se apresentará voluntariamente no dia do teu poder". Ele "se apresentará voluntariamente... com santos ornamentos". Este povo voluntário estará vestido com santidade. Estará vestido com a justiça, a santidade de Cristo. A graça de Cristo lhe é concedida. O povo de Cristo não tem santidade em si próprio. A santidade que tem lhe é dada por Deus. Deus transforma pecadores em santos. Somente o povo cristão tem verdadeira santidade. O povo de Cristo é um povo voluntário e santo.

As próximas palavras são difíceis de se entender: "...como vindo do próprio seio da alva...". O que elas significam? Algumas pessoas dizem que estas palavras significam que o povo de Deus será voluntário desde o início da vida. A passagem não significa isso. De onde virá o povo de Deus? Como deve ser trazido? Você já viu gotas de orvalho de manhã bem cedo? Há muitas. São belíssimas. De onde vieram? A resposta da natureza é que vieram "do próprio seio da alva". O povo de Deus virá dessa mesma forma. Virá de maneira muito rápida e misteriosa, como se viesse "do próprio seio da alva", como as gostas de orvalho. As gotas de orvalho são algo misterioso. Ninguém realmente sabe como vêm. O povo de Deus também vem misteriosamente. Um pregador pode não ser eloqüente ou poderoso. Então, como foram as pessoas convertidas quando este homem pregou? Elas vieram " do próprio seio da alva", misteriosamente. Quem fez as gotas de orvalho? Deus fez a gotas de orvalho. Ele não precisa do homem para ajudá-lO. O povo de Deus é salvo da mesma forma. As pessoas são chamadas por Deus e são trazidas por Deus. Elas são abençoadas por Deus. O povo de Deus vem "do próprio seio da alva".

Vocês já notaram quantas gotas de orvalho há na manhã? Há uma grande quantidade ao mesmo tempo. Todavia tudo é feito silenciosamente. Assim também os filhos de Deus virão "do próprio seio da alva". Nenhuma palavra pode realmente explicar o que isto significa. Vocês podem ficar ao ar livre de manhã cedo, quando o sol está começando a raiar. Os campos estarão brilhando com gotas de orvalho. Vocês perguntarão: "De onde vieram todas essas gotas de orvalho?" A resposta é que vieram "do próprio seio da alva"! Quando muitas pessoas são salvas, quando vocês as vêem vindo de maneira misteriosa e silenciosa, podem compará-las ao orvalho da alva. Vocês perguntam: "De onde vieram essas pessoas remidas?" A resposta é que vieram "do próprio seio da alva."

Charles H. Spurgeon

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Santificação é efeito e não causa da salvação

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Por Charles. H. Spurgeon
Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.

(I)  Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consumado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.

(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.
(III).  Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecadores pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar.

Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.
"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (II Tim. 1:9).
Fonte: [ C.H.Spurgeon ]

quinta-feira, 22 de março de 2012

Deus Governa os Corações dos Maus para a Ação em Favor dos Bons

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Agostinho de Hipona

O esmerado estudo da Escritura mostra que Deus não somente dirige para as boas ações e para a vida as boas vontades dos homens, que ele torna boas, embora sejam más, como também mantém sob o seu poder todas as vontades em geral. Ele as inclina como quer e quando quer, seja para prestar favores a uns, seja para infligir castigos a outros, de acordo com Sua vontade, obedecendo a desígnios que são certamente ocultos, mas sempre justos.

Deparamos, por exemplo, com alguns pecados que são castigados de outros pecados, como os vasos de ira, prontos para a perdição, como diz Paulo (Romanos 9.22). Assim foi o endurecimento do Faraó, cuja razão foi a necessidade de o Senhor manifestar-lhe seu poder (Êxodo 7.3; 10.1). Assim foi a fuga dos israelitas na presença de seus inimigos da cidade de Ai; foram tomados pelo medo e fugiram. Isto lhes aconteceu como vingança do pecado com as circunstâncias com que merecia ser vingado. Refletem o fato as palavras do Senhor a Josué: Israel não poderá ter-se diante de seus inimigos (Josué 7.4-12). O que significa: não poderá ter-se? Por que não puderam resistir pela força do livre-arbítrio e, com a vontade enfraquecida, fugiram tomados de medo? Não seria porque Deus domina até as vontades humanas e deixa serem invadidos pelo temor aqueles que Ele assim quer quando cheio de ira? Os inimigos de Israel não lutaram por vontade própria contra o povo de Deus conduzi-do por Josué? No entanto, diz a Escritura: Porque tinha sido desígnio do Senhor que os seus corações se endurecessem e combatessem contra Israel, e que fossem derrotados (Josué 11.28).

Aquele malvado filho de Benjamim não maldizia o rei Davi por sua própria vontade? Contudo, o que disse Davi, cheio de verdadeira, sublime e piedosa sabedoria? Que importa a mim e a vós, filhos de Zeruia? Deixai que amaldiçoe, porque o Senhor lhe permitiu que amaldiçoasse Davi, e quem se atreverá a dizer: Por que ele fez assim? Em seguida, a Escritura, elogiando o sentimento do rei e como que repetindo desde o princípio, diz: E o rei disse a Abisai e a todos os seus servos: eis que meu filho, que eu gerei das minhas entranhas, procura tirar-me a vida; quanto mais agora um filho de Benjamin! Deixai-o maldizer, conforme a permissão do Senhor; talvez o Senhor olhe para a minha aflição, e me dê bens pelas maldições deste dia (2 Samuel 16.5-12).

Qual a pessoa inteligente que chegue a entender como o Senhor disse a esse homem que amaldiçoasse Davi? Não o disse mandando, caso em que deveríamos louvar-lhe a obediência. Mas porque Deus, por um desígnio oculto e justo inclinou Sua vontade já dotada de maldade, está escrito: O Senhor lhe permitiu. Se Deus tivesse mandado e ele tivesse obedecido, mereceria louvor e não castigo, o qual, conforme sabemos, sobreveio-lhe posteriormente. E sabemos também a causa de o Senhor ordenar que amaldiçoasse a Davi, isto é, a causa de tê-lo feito cair nesse pecado: Talvez o Senhor olhe para a minha aflição e me dê bens pelas maldições desse dia.

O episódio revela que Deus se serve dos corações dos maus para louvor e ajuda aos bons. Assim procedeu ao servir-se de Judas para trair a Cristo, e dos judeus, para a sua crucificação. Quantos bens proporcionou desse modo aos povos fiéis! E se utiliza também do próprio demônio, mas para o bem, a fim de exercitar e provar a fé e a piedade dos bons. Esse proceder em nada favorece o Senhor, que tudo conhece de antemão, mas a nós necessitados de que essas coisas aconteçam.

Absalão não escolheu livremente o conselho que não o favoreceu? Mas ele o fez porque o Senhor ouvira a oração de seu pai, que assim suplicara. Por isso diz a Escritura: Por disposição do Senhor foi abandonado o útil conselho de Aquitofel, para que o Senhor fizesse cair o mal sobre Absalão (2 Samuel 17.14). Disse conselho útil, porque no momento favorecia a causa, ou seja, a luta contra o pai, contra o qual se rebelara. Seguindo o conselho de Aquitofel, conseguiria exterminar o pai, se Deus não o tivesse inutilizado, atuando no coração de Absalão para rejeitar tal conselho e preferisse outro que não o favorecia.