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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os Hereges - 1João 2.18-19


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Deus já escolheu um povo eleito para a salvação?... A Bíblia Responde #99

Minha pergunta é baseada numa conversa que tive com um colega. É a seguinte: é verdade que Deus já escolheu o povo eleito para ser salvo? Ou seja, se a pessoa já estiver no livro da vida ele pode pecar como quiser e mesmo assim já está salvo e quem já está condenado mesmo fazendo tudo para agradar a Deus ainda assim ainda não é digno de salvação?

A resposta para as suas perguntas é sim e não.

Sim, Deus elege um povo para salvação e não, não funciona dessa forma, uma pessoa que possui uma vida na lama do pecado, que não possui arrependimento essa pessoa não é uma eleita de Deus.

A eleição é a causa de nossa salvação, a santificação é a evidência. A santificação é a marca na orelha da ovelha eleita de Cristo (2Ts 2.13).

Existem duas verdades ensinadas na Bíblia, que Deus escolhe e predestina livremente quem Ele quer para a salvação e que o homem é responsável pela sua condenação, o fato de Deus eleger não diminui a responsabilidade humana.

Pode parecer conflitante essas duas informações e devemos reconhecer nossas limitações humanas, pois somos seres limitados, finitos, falíveis e corruptíveis. Diferentemente de Deus, todo poderoso, infinito, ilimitado, criador de todas as coisas.

Não conseguimos conciliar com nossas mentes humanas essas duas realidades bíblicas, assim como não conseguimos explicar, ou compreender totalmente a doutrina da trindade, ou ainda, explicar como Jesus Cristo é totalmente homem e totalmente Deus ao mesmo tempo.

Vamos então falar um pouco sobre essas duas verdades separadamente.

Sobre a doutrina da eleição:

Simplificando, os "eleitos de Deus" são aqueles que Deus predestinou para a salvação. Eles são chamados de "eleitos" porque essa palavra denota o conceito de escolher. A cada quatro anos, nós "elegemos" um presidente - ou seja, escolhemos quem ocupará esse cargo. O mesmo vale para Deus e aqueles que serão salvos; Deus escolhe aqueles que serão salvos. Estes são os eleitos de Deus.

Vejamos Romanos 9, a passagem mais detalhada que lida com a soberania de Deus na eleição.

O contexto da passagem flui de Romanos 8, que termina com um grande clímax de louvor: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:38-39). Isto leva Paulo a considerar como um judeu poderia responder a essa afirmação. Embora Jesus tenha vindo aos filhos perdidos de Israel e embora a igreja primitiva tenha sido em grande parte judaica, o evangelho estava se espalhando entre os gentios muito mais rápido do que entre os judeus. Na verdade, a maioria dos judeus enxergava o evangelho como uma pedra de tropeço (1 Coríntios 1:23) e rejeitou Jesus. Isso levaria o judeu comum a se perguntar se o plano de Deus de eleição falhou, uma vez que a maioria dos judeus rejeita a mensagem do evangelho.

Ao longo de Romanos 9, Paulo sistematicamente mostra que a eleição soberana de Deus tem estado em vigor desde o início. Ele começa com uma declaração crucial: "Porque nem todos os que são de Israel são israelitas" (Romanos 9:6). Isso significa que nem todas as pessoas etnicamente de Israel (isto é, aqueles descendentes de Abraão, Isaque e Jacó) pertencem ao verdadeiro Israel (os eleitos de Deus). Revendo a história de Israel, Paulo mostra que Deus escolheu Isaque a Ismael e Jacó a Esaú. Caso alguém achasse que Deus estava escolhendo estes indivíduos com base em sua fé ou boas obras que fariam no futuro, ele acrescenta: "pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama" (Romanos 9:11).

Neste ponto, pode-se ser tentado a acusar Deus de agir injustamente. Paulo antecipa essa acusação no versículo 14, afirmando claramente que Deus não é injusto de qualquer forma. "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão" (Romanos 9:15). Deus é soberano sobre a Sua criação. Ele é livre para escolher aqueles a quem vai escolher e é livre para passar por quem quiser. A criatura não tem o direito de acusar o Criador de ser injusto. A própria ideia de que a criatura pode julgar o Criador é um absurdo para Paulo, e deve ser assim para todos os cristãos também. O equilíbrio de Romanos 9 substancia este ponto.

Há outras passagens que falam em menor medida sobre o tema dos eleitos de Deus (João 6:37-45 e Efésios 1:3-14, para citar algumas). O ponto é que Deus decidiu resgatar um resquício da humanidade para a salvação. Esses indivíduos eleitos foram escolhidos antes da criação do mundo, e a sua salvação está completa em Cristo. Como Paulo diz: "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Romanos 8:29-30).


Passamos agora para o assunto da responsabilidade humana, se Deus escolheu o homem não é responsável? Ou não precisa fazer nada para ser salvo, pois tudo está determinado?

A Bíblia ensina claramente que fomos eleitos para a santificação, e que sem santificação, ninguém verá ao Senhor (Hb 12.14). A santidade de vida – não estou falando de perfeição – é parte integrante da fé salvadora (Romanos 6). Santidade e fé salvadora são dois lados de uma mesma moeda. Tiago que o diga: “Fé sem obras é morta”. E no contexto, ele não estava falando de dar esmolas, mas de obedecer a Deus mesmo ao custo do que nos é mais precioso, como os exemplos de Abraão e Raabe demonstram (Tiago 2). Deixando de considerar a santificação como sinal da eleição para a vida eterna e adotando a fé como esse sinal, adotam uma base subjetiva para a segurança de salvação e correm o risco de se enganarem quanto à sua experiência religiosa, pois desta forma, podem se considerar salvos mesmo que não haja sinais visíveis da santificação entre eles.

"Nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2Pe 1.3). Ele nos chamou para a virtude, assim como para a glória. "Porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação" (lTs 4.7). Não temos um chamado para o pecado, podemos ser tentados, mas não há um chamado ao pecado. Não somos chamados para ser orgulhosos ou impuros, mas temos um chamado para a santidade.

O pacto da graça é nosso passaporte para o céu. O acordo do pacto é que Deus será nosso Deus. Mas, quem está interessado no pacto e pode exigir os benefícios dele? Somente as pessoas santificadas: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne" (Ez 36.26).

Portanto, não se vai ao céu sem a santificação:

"A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Porque Deus usou católicos para traduzir a Bíblia?... A Bíblia Responde#76









 Porque Deus usou católicos para traduzir e fazer a Bíblia?Não tinha cristão naquele tempo? Ou os católicos eram os cristãos? Ou Deus usou ímpios para isto?


Olá!

Obrigado pela pergunta, após a morte dos apóstolos, a Igreja passou por muita perseguição por parte principalmente do império romano, somente com o imperador Constantino a religião cristã passou a ter um período de paz, o que não necessariamente quer dizer que foi o melhor para Igreja, porque junto com isso entraram muitos problemas.

Para entendermos um pouco mais sobre o início da Igreja católica existe este excelente texto que irá lhe ajudar a entender melhor, por hora, basta você saber que "católica" quer dizer universal e neste sentido, não existe problema com o termo e sim quando o termo ganhou a palavra "romana", veja melhor:


Sobre a Bíblia, ela foi escrita por mais de 2000 mil anos, e os homens usados por Deus para escreve-la em sua maioria eram judeus, novamente, este excelente texto irá esclarecer bastante sobre o assunto para você:

http://www.gotquestions.org/Portugues/canon-da-Biblia.html

Agora, chegamos na parte final de sua pergunta, sobre a tradução, como no período logo após a morte dos apóstolos, no século 2 d.c, o termo católico fazia parte da idéia "universal", podemos sim entender que os católicos eram cristãos e foram usados para importantes eventos, como concílios e a formação do canôn bíblico:


No entanto, a partir do período da Idade média, aqueles que deveriam ser os defensores da fé cristã, se distanciaram em muito dos ensinos das Escrituras, no entanto, Deus sempre usou homens para manter a pureza da verdade, é importante destacar que estes homens sempre tentaram "reformar" a Igreja Católica, por virem em sua grande parte de dentro dela, mas como não era possível, eles precisaram então separar-se dela, o que sabemos que aconteceu em um evento chamado "Reforma Protestante" que acabou por se distanciar do catolicismo romano que tem sua autoridade máxima no Papa, enquanto que para os protestantes sua autoridade máxima é a Bíblia, com o termo usado na Reforma "Sola Scriptura". 

Dentre estes que foram os precursores da reforma:

John Wycliffe, que traduziu a Bíblia do Latim (da tradução que Jerônimo já havia feito no século 5 d.c) para o inglês, Martinho Lutero (que traduziu a Bíblia para o alemão), João Calvino, entre muitos outros que fizeram parte deste evento tão importante.
Um outro fato que é digno de nota, é que a tradução da Bíblia para a língua nativa do povo, não era permitida e nem vista com bons olhos pela Igreja Católica Romana, porque estes não queriam que os "leigos" pudessem entender e assim até mesmo contestar o ensinamento, por isso as missas eram feitas em latim, então Deus usou homens para este propósito de tradução, que em sua maioria sairam de dentro da Igreja Católica, porque até então era "uma" ou "universal" para fazerem este trabalho das traduções, porque estes homens usados por Deus, entendiam que a Palavra de Deus deveria ser lida por todos e não restrita a uma parcela que se achava mais "nobre" do que os outros.

 De modo objetivo, Deus usou católicos para traduzir a Bíblia, entre eles Deus sempre manteve um remanescente, mesmo em meio as trevas, como vemos em nossos dias no meio "evangélico" tão manchado e talvez até mais corrompido até mesmo que a própria Igreja Católica.

A verdade é que Deus sempre mantém seu povo.

Em Cristo




domingo, 16 de novembro de 2014

Conferência Teológica IBLM 2104 - Resumo



Ontem (15/11/14) fomos agraciados por Deus, na Igreja Batista Luz do Mundo em Passo Fundo - RS, com um dia de estudos da Palavra de Deus sobre as doutrinas da graça. Um tempo precioso que tivemos junto aos irmãos e dos pastores Antônio Neto e Felipe Prestes, ambos bacharel em Teologia pelo Seminário Batista do Cariri, Pr. Antônio Neto professor permanente do curso on-line da Escola Charles Spurgeon - CE e Pr. Felipe Preste leciona o curso de Grego nesta mesma instituição.

Selecionei algumas frases marcantes e os versículos bíblicos que foram expostos e estudados em cada palestra da conferência.


Palestra: Total Depravação - PR.Antonio Neto

"A compreensão desta doutrina determinará a correta compreensão das demais."
"Negar este primeiro conceito obrigará a pessoa a negar os demais pontos."

O que significa:
1) o pecado afetou toda a pessoa. Rm 3:10-18
- mente corrompida, comunicação corrompida e atitude corrompida.
2) a pessoa está totalmente incapaz de se submeter a Deus. Ef 2:1-3
- Três senhores: o mundo, o diabo e a carne.

"O homem é incapaz de honrar a Deus em seu coração."
"Isso torna o homem desesperadamente necessitado da graça do evangelho e da salvação."


Palestra: Eleição Incondicional - PR. Felipe Prestes

"Devemos começar olhando o homem da maneira correta, como totalmente incapaz, e a doutrina Calvinista faz exatamente isso, ao contrário da doutrina arminiana que eleva demais a posição do homem nessa equação."
"A eleição incondicional é o ato de Deus por meio do qual Ele escolheu, com base na sua própria vontade antes da fundação do mundo."

- O homem não tem capacidade de ter fé. Ef 2:1,3.
- Deus não encontra motivos no próprio homem para escolhê-lo.
Textos que comprovam a eleição incondicional: Rm 9:11-16; Rm 8:29-30; Ef 1:3-5,11; 1Pe 1:1-2, 2:9.

"Se você é um eleito você têm obrigação de ser irrepreensível."
"Eleição com base na fé = glória para o homem."
"Eleição com base na soberana vontade = glória para Deus."
"Nem mesmo num futuro visto por Deus o homem se a chegaria a Deus."
"A eleição incondicional é extremamente humilhante para o homem."


Palestra: Expiação Limitada - PR. Felipe Prestes

"Sem uma boa explicação da expiação é impossível determinarmos se ela é limitada ou ilimitada."
"O mundo caído em Adão é restaurado em Cristo."
"No corpo de Cristo não há distinção de raça, cultura, classe e sexo."
"Desconfie de igrejas que vem para salvar os jovens, os ricos, os pobres ou com grupos específicos. Igreja só faz sentido se for para todos."
"Expiação limitada não é uma definição de poder, mas de propósito. Assim, a morte de Cristo é suficiente para salvar a todos, mas eficiente somente para salvar os eleitos."
"A expiação arminiana limita a expiação no seu poder, a calvinista no seu propósito."

Sequência lógica: - Homem depravado - Eleição incondicional - Expiação limitada

"Se a expiação não for limitada, então, Cristo morreu por pessoas que estão no inferno."
Textos importantes: Jo 10:11, 15, 26; Mt 20:28; 1Tm 4:10
"A morte de Cristo foi substitutiva, morreu no nosso lugar."

O que Cristo fez na cruz?
- Redenção (Is 53:10-11)
- Propiciação (1 Jo 4:10)
- Reconciliação (RM 5:10)
- Substituição (RM 8:32)


Palestra: Graça Irresistível - PR. Antônio Neto

"O fundamento da graça irresistível é a ideia de que foi Deus, e apenas Deus, quem operou na salvação do homem."
"É a conclusão lógica da depravação total."
"Nós só somos salvos porque Deus nos salvou."
"Não significa dizer que o homem jamais resiste a oferta da salvação."
"Não significa dizer que Deus salva pessoas à força."

É a obra soberana de Deus em vencer a nossa rebelião do nosso coração e trazer-nos à fé em Cristo, para que sejamos salvos. Jo 6:44, Rm 8:30, Jo 3:3, Jo 3:6, Ef 2:4-5, At 18:27, At 16:14, 1Jo 5:1.

"O novo nascimento é uma obra soberana e sobrenatural do Espírito Santo."
"Deus, e unicamente Deus, nos deu vida, pela graça somos salvos."
"A fé é uma expressão do novo nascimento."
"Por que irresistível? Porque Deus coloca em nós o seu Espírito Santo, que abre os nossos olhos para a realidade dos nossos pecados e para a sublimidade de Deus e do Senhor Jesus Cristo."
"É ao recebermos o Espírito Santo que somos convencidos amorosamente por Deus do nosso estado pecaminoso e necessidade de salvação."


Palestra: Perseverança dos Santos - PR. Felipe Prestes

"Deus assegura a nossa salvação."
"Que Deus fraco permite o homem perder a salvação que Ele assegurou anteriormente?"
"Se Deus providenciou, Deus vai assegurar a nossa salvação."
"Se os eleitos não perseverassem... A escolha de Deus falharia."

Rm 8:35-39; Jo 6:37; Jo 10:27-29; Fp 1:6; 2Tm 1:12; Ef 1:13-14; Rm 8:28-30; Jo 6:47; Jo 5:24

"Uma questão de segurança e de perseverança."
Soli Deo Gloria

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Conferência Teológica 2014 - IBLM

http://iblmpf.blogspot.com.br/

sexta-feira, 6 de junho de 2014

As Doutrinas da Graça




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal e Calvinismo

Por Jonathan Master


O que poderia ser mais evangelical e abrangente que o Natal? É uma época quando todos aqueles que celebram o Natal concordam sobre o significado da festividade, e mesmo muitos não cristãos fingem acreditar – ou pelo menos afirmar que algo bom aconteceu na noite em que Cristo nasceu. O Natal dificilmente parece ser a época apropriada para discutir as doutrinas da graça. Afinal de contas, somos levados a crer que o Natal é gloriosamente abrangente e o Calvinismo é desafortunadamente restrito.

Então por que inserir tais severas doutrinas na abrangente e bela alegria que compartilhamos no Natal? Bem, em primeiro lugar, essas doutrinas não são severas de forma alguma, ou restritas. Elas são atraentes e gloriosas, e o entendimento delas leva imediatamente ao tipo de alegria abundante que associamos ao Natal.
Mas há mais do que isso. A razão pela qual devemos associar o Natal e o Calvinismo é que o próprio Jesus o faz. Em João 6, Jesus dá uma razão muito clara para a encarnação. E a encarnação é o que celebramos quando celebramos o Natal corretamente. Ele diz isso: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). Essa afirmação abrangente de Jesus toma uma forma mais definida nos versos que se seguem: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (6.39-40). Mais à frente nessa mesma discussão, Jesus fala mais sobre a vontade do Pai, a qual ele veio à terra para cumprir: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer;” (6.44). E, novamente, “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” (6.63). Por fim, ao responder algumas questões dos discípulos sobre aqueles que não creem, Jesus diz “Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (6.65).

Como a razão apontada por Jesus para a encarnação é fazer a vontade do Pai, vale a pena olhar para esses ensinamentos de uma forma sistemática. Primeiro, aprendemos que ninguém pode vir a Jesus, a não ser que o Pai o atraia ou lhe permita isso (João 6.44, 65). Isso é assim porque somente o Espírito Santo vivifica, e o homem em seu estado natural não é capaz de encontrar vida; na carne, seres humanos não possuem qualquer coisa aproveitável para alcançar a salvação (João 6.63). Aprendemos que o Filho veio para salvar aqueles que foram entregues a ele (João 6.39). Nos é dito que aqueles que foram atraídos, entregues e trazidos à vida pelo Pai de fato vêm: ninguém pode resistir à Sua graça transformadora (João 6.37). E então, talvez o mais notável, aprendemos que Cristo garante que todos os que vêm a ele em fé, aqueles que lhe foram dados pelo Pai e transformados pelo Espírito, certamente serão ressuscitados no último dia (João 6.40).

Em outras palavras, quando Jesus reflete sobre sua vinda à terra, ele explica nos termos da vontade do Pai na salvação, uma vontade que é demonstrada em no contexto da depravação total do homem, a eleição incondicional de Deus, a obra definitiva de Cristo na salvação, a graça irresistível de Deus em atrair e entregar os homens a Cristo, e a promessa gloriosa de que Cristo um dia irá ressuscitar aqueles que olham para ele em fé genuína. É disso que falamos quando falamos sobre Calvinismo. E, como vimos, também é o que Jesus ensina quando fala sobre o Natal.

***
Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Calvinista - Um Poema por John Piper




sábado, 2 de novembro de 2013

O que é um "REFORMADO"?



Ainda aproveitando o aniversário da Reforma...

O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas, especialmente oriundas de denominações pentecostais.

Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do Calvinismo,” resumidos no acrônimo TULIP (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final).

A Reforma produziu movimentos associados aos seus grandes líderes, os quais concordariam substancialmente entre si quanto aos “solas” e o TULIP, mas que divergiram em outros pontos. Refiro-me a luteranos, zuinglianos e calvinistas. Com o passar do tempo, o nome “reformado” foi se associando mais e mais aos calvinistas, de maneira que, de maneira genérica, os termos “reformado” e “calvinista” são usados hoje como similares.

Existe, todavia, um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não creem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam seus postulados. Por outro lado, da África, Coréia, China, Indonésia, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

Isso não quer dizer que os reformados são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.

A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul, Mark Driscoll, J. C. Mahaney, Paul Washer , Tim Keller, Kevin DeYoung e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos.

O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter mais aceitação. Poucos, na história da Igreja, foram tão mal entendidos, distorcidos, vilipendiados, odiados e amaldiçoados quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de críticos.

Somente espero que, à medida que o movimento cresce no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira. 
 
Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2013/11/o-que-e-um-reformado.html

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

10 Marcas Distintivas da Pregação de João Calvino



No livro João Calvino: amor à devoção, doutrina e glória de Deus (Editora Fiel), editado por Burk Parsons, há um capítulo intitulado O Pregador da Palavra de Deus, escrito por Steven Lawson. Aqui está um resumo desse capítulo, delineando o que Steven Lawson sugere ser as dez marcas distintivas da pregação de Calvino. 

1. A pregação de Calvino era bíblica em seu conteúdo.
“O reformador se manteve firme no principal fundamento da Reforma — sola Scriptura (somente a Escritura)… Calvino acreditava que o pregador não tinha nada a dizer além das Escrituras.” (pp. 96-97)

2. A pregação de Calvino seguia um padrão sequencial.
“Durante o ministério de Calvino, o seu procedimento era pregar sistematicamente sobre livros inteiros da Bíblia… Na manhã dos domingos, Calvino pregava o Novo Testamento; à tarde, o Novo Testamento e os Salmos; e, em semanas alternadas, pregava o Antigo Testamento todas as manhãs da semana. Servindo-se desse método consecutivo, Calvino pregou quase todos os livros da Bíblia.” (pp. 97-98)

3. A pregação de Calvino era direta em sua mensagem.
“Quando expunha as Escrituras, Calvino era notoriamente direto e centrado no ensino principal. Ele não iniciava sua mensagem com uma história cativante, uma citação estimulante ou uma anedota pessoal. Em vez disso, Calvino introduzia de imediato os seus ouvintes no texto bíblico. O foco da mensagem era sempre as Escrituras, e Calvino falava o que precisava ser dito com economia de palavras. Não havia frases desperdiçadas.” (p. 98)

4. A pregação de Calvino era extemporânea em seu apresentação.
“Quando subia ao púlpito, ele não levava consigo um rascunho escrito ou esboço do sermão. O reformador fez uma escolha consciente de pregar extempore, ou seja, espontaneamente. Ele queria que seus sermões tivessem uma desenvoltura natural e cheia de paixão, enérgica e envolvente; acreditava que a pregação espontânea era mais conveniente para cumprir esses objetivos.” (p. 99)

5. A pregação de Calvino era exegética em sua abordagem.
“Calvino insistia que as palavras da Escritura têm de ser interpretadas conforme o ambiente histórico específico, as línguas originais, as estruturas gramaticais e o contexto bíblico… Calvino insistiu no sensus literalis, o sentido literal do texto bíblico.” (p. 100)

6. A pregação de Calvino era acessível em sua simplicidade.
“Como pregador, o principal objetivo de Calvino não era comunicar-se com outros teólogos, e sim alcançar as pessoas comuns, assentadas no banco… Ocasionalmente, Calvino explicaria mais cuidadosamente o significado de uma palavra, sem citar o grego ou o hebraico original. Todavia, Calvino não hesitava em usar a linguagem da Bíblia.” (p. 101-102)

7. A pregação de Calvino possuía um tom pastoral.
“O reformador de Genebra nunca perdia de vista o fato de que ele era um pastor. Assim, ele aplicava calorosamente as Escrituras, com exortação amável a fim de pastorear o seu rebanho. Ele pregava com a intenção de estimular e encorajar suas ovelhas a seguirem a Palavra.” (p. 102)

8. A pregação de Calvino era polêmica em sua defesa da verdade.
“Para Calvino, a pregação necessitava de uma defesa apologética da verdade. Ele acreditava que os pregadores tinham de resguardar a verdade; por isso, a exposição sistemática exigia a confrontação das mentiras do Diabo em todas as suas formas enganosas.” (p. 103)

9. A pregação de Calvino era cheia de paixão em seu alcance.
“Em nossos dias, há uma noção errônea de que, por acreditar na predestinação, Calvino não era evangelístico. O mito persistente é que ele não tinha paixão por alcançar almas perdidas para trazê-las a Cristo. Nada pode estar mais distante da verdade. Calvino possuía uma grande paixão por alcançar as almas perdidas. Por essa razão, ele pregava o evangelho com uma persuasão que afetava o coração e com amor, apelava aos pecadores desgarrados a se renderem à misericórdia de Deus.” (p. 104)

10. A pregação de Calvino era doxológica em sua conclusão.
“Todos os sermões de Calvino eram completamente teocêntricos, mas seus apelos conclusivos eram sinceros e amorosos. Ele não podia descer do púlpito sem exaltar o Senhor e instar seus ouvintes a se rederem à absolutamente supremacia dEle. Os ouvintes tinham de se humilhar sob a poderosa mão de Deus. Quando concluía, Calvino exortava regularmente sua congregação: ‘Prostremo-nos todos ante a majestade do nosso grande Deus’. Não importando o texto bíblico sobre o qual ele pregava, essas palavras demandavam uma submissão incondicional de seus ouvintes.” (p. 105)
Tradução: Felipe Sabino (agosto/2013)



Sobre o Autor

Steven Lawson
Steven Lawson
Steven Lawson é o pastor da Christ Fellowship Baptist Church em Mobile, Alabama, e atuou como pastor nos estados do Arkansas e Alabama por vinte e oito anos. Obteve seu Bacharelado em Administração de Empresas na Universidade Tecnológica do Texas, Mestrado em Teologia no Seminário Teológico de Dallas e Doutorado em Ministério no Seminário Teológico Reformado. Escreveu catorze livros, incluindo A Arte Expositiva de João Calvino, As Firmes Resoluções de Jonathan Edwards, Fundamentos da Graça (prelo Editora Fiel). Dr. Lawson e sua esposa, Anne, têm três filhos, Andrew, James e John, e uma filha, Grace Anne.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O evangelho do mundo pós-moderno



Eu passei muito tempo de minha conversão, sem nunca imaginar de que se trataria coisas relacionadas a essas, como calvinismo ou então arminianismo, e muito menos exemplos históricos de homens cristãos ao longo de toda historia da igreja, tão pouco procurei entendê-los, estudar teologia para minha compreensão era algo que soava como perda de tempo e desnecessário, que: “a letra mata” e o importante realmente era a comunhão sem distinção, não importando como o ensino fosse redigido, sempre achei que o homem fosse a causa última de tudo, sempre tive como intenção seguir a Bíblia como regra de fé e prática, mas na integra pouco conhecia verdadeiramente dela, e tão pouco a tinha como fonte de instrução e reverência.

Bem, continuo com esta última regra, porque sei que realmente dela é o que deve permear a vida de um cristão, porém com grandes mudanças, vejo como quanto mais conheço da Palavra, mais dependente me torno, o tempo que dedicamos é como mostramos o que realmente temos de regozijo nela, não simplesmente transportá-la de um canto para outro. Tantos cristãos que amariam poder lê-la livremente, mas não podem em países perseguidos, coisas que a maioria dos crentes não imaginam, que cristãos morrem ainda nos dias atuais por causa dela.

Vejo agora como é importante aprender a história da igreja, porque os mesmos problemas, erros doutrinários e heresias que enfrentamos, são os mesmos que existiam na igreja primitiva, também aprendi que toda aquela teologia que achava desnecessária, é extremamente vital, porque em última instância todos que se debruçam a ler a Bíblia são teólogos em alguma medida, percebo que nunca realmente dei valor a reforma protestante, de que tudo isso que chegou até nós, veio de uma luta árdua em defesa da fé bíblica, e que apesar da comunhão ser importante, a verdade sempre foi colocada por primazia, e que as bandeiras da reforma dificilmente são conhecidas pelo evangélicos de hoje!

Os reformadores tinham este lema “Sola Scriptura”, com isso aprendi o que era essa palavra “Calvinismo”, tão mal interpretada por aqueles que não a conhecem, não, não sou discípulo de Calvino, e sim de Cristo, mas essa forma de estudo das doutrinas da graça, também vieram como forma de defesa em relação as distorções das Sagradas Escrituras, no Sínodo de Dort.¹

Então podemos chamar com o nome que acharmos mais conveniente ou apropriado, mas o calvinismo nada mais é, que dar o devido lugar a Deus, o lugar de soberano, sem dúvidas que existem muitos que usam o título como se fosse motivo de superioridade, mas faço coro com o Apóstolo Paulo em 1 Co.4, exaltar o lugar de Deus como sendo o todo poderoso, de modo algum exclui nossas responsabilidades, acredito que Deus preordenou todas as coisas porque a Bíblia me ensina isso, mas não acho que sejamos fantoches ou robôs, novamente como Apóstolo Paulo, trabalho, me esforço, evangelizo com todo afinco, mas sabendo que no fim, é Deus quem sustenta e convence (Fp 2:13).

Passei tanto tempo e nunca sequer havia escutado sobre todos atributos de Deus², valorizando mais a faceta do “amor” de Deus, mas esquecendo dos outros atributos, sim Deus ama, mas também é Santo, Justo e não pode conceber o pecado, entender qual é o significado da propiciação, que o homem está totalmente inclinado e morto para com o verdadeiro Deus, porque não quer e tão pouco pode amar a Deus, sem uma ação do Deus Espírito em nós.

Que Deus elege pecadores e os guarda. Onde está o problema nisso? O problema nisso está em reconhecermos que realmente não somos merecedores de nada, que não merecíamos mais que sua justa ira, por nossos pecados, que se todos fossemos condenados, ainda assim de maneira nenhuma seria uma injustiça, desta maneira conseguimos enxergar a bondade de Deus, em eleger pessoas para salvá-las, então por isso a eleição é perfeita.

O verdadeiro cristão não se acomoda, pelo contrário ele anseia a cada dia ser mais parecido com seu Salvador, sabendo que sem santidade³ não é possível ver ao Senhor, (Hb 12.14). Essas são verdades que todo cristão deve se deleitar.

Então tudo se resume a isso , um Deus livre, escolheu um povo pra Sua glória, Ele é soberano em tudo,mas o homem não deixa de ser responsável, e é essa questão que embora não se entenda, se aceita , como várias outras questões, Trindade, duas naturezas de Cristo, embora eu não compreenda, aceito porque vemos isso por toda Escritura.

Soli Deo Gloria

Guinho

Notas

1-Os Cânones de Dort-Ed Cultura Cristã
2-Os Atributos de Deus A.W.Pink, Pes Publicações
3-Santidade J.c Ryle Editora Fiel
4-Deus Soberano A.W.Pink-Ed.Fiel

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Graça Irresistível



T.U.L.I.P – (I.rresistible Grace) Graça Irresistível;

A partir do momento que admitimos que o homem é radicalmente depravado, que o homem está no estado de total rebeldia contra Deus, então também admitimos que o homem por si só não consegue se reconciliar com O criador e consequentemente não encontra a salvação, conforme Jesus mesmo afirma “... Aos homens isso é impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mt 10:26) .

Por conta disso a graça irresistível se faz necessária e indispensável para a salvação do homem. Segundo John Piper em uma das suas pregações “a graça é resistível até que Deus queira que ela seja resistível.”i

Graça Irresistível -O calvinismo entende que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (= alienados de Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (= regenerados) são guiados irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a seus escolhidos o Espírito de Vida. No momento que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e orientados para Deus. ii

Quanto cada eleito de Deus se volta para Cristo de maneira salvífica, isso está diretamente ligado com a obra regeneradora do Espírito Santo que nos é concedido através da Graça de Deus. E se é somente através dessa graça que o homem é regenerado, pois pela sua própria vontade não seria possível, tendo em vista que o homem não possui mais livre-arbítrio e sim escravo-arbítrio, então só podemos considerar essa Graça como Irresistível.

O exemplo de Paulo: Atos 9:1-20.

Saulo, ainda respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor...”At 9:1. Assim encontramos o estado do apóstolo Paulo momentos antes de ser totalmente regenerado pelo encontro com Jesus Cristo na estrada para Damasco.

O exemplo de Paulo reflete a realidade do estado humano em total rebeldia contra Deus, e somente através de um ato miraculoso de ação do Espírito Santo é possível a conversão do homem.

O exemplo de Lídia: Atos 16:14-15.

Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso.”

Lídia era temente a Deus, mas o que nos chama a atenção no texto é o ato de Deus em abrir o seu coração para que ela atendesse às coisas que Paulo dizia, e, a partir desse ato divino é que houve o entendimento do Evangelho e com isso ela foi batizada juntamente com toda a sua casa.

O endurecimento do povo Judeu: Atos 28:24-28.

Houve alguns que ficaram persuadidos pelo que ele dizia; outros, porém, continuaram incrédulos. E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse:Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados. Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão.”

Muitos usam esse texto para afirmar que a Graça é resistível. Deus realmente não esmaga a vontade do homem, apesar de que se Ele assim desejasse Deus poderia fazer, como vemos no exemplo do apóstolo Paulo. Apesar de Deus não passar por cima da vontade humana Ele usa essa vontade para fins maiores, como no exemplo acima, onde usando o próprio endurecimento do coração do povo Judeu alcançou com isso o povo gentio.

A Graça é irresistível devido o estado da natureza humana em rebeldia contra Deus, pois, caso a salvação dependesse unicamente do homem seria impossível que um único fosse salvo. Portanto, temos que transferir essa responsabilidade para Deus, caso contrário não teríamos esperanças.

O homem está morto em seus delitos e transgressões e é impossível um morto gerar vida nele mesmo, precisamos da interferência de Deus para que seja possível um novo nascimento. O homem precisa nascer de Deus, precisa da Graça Irresistível.

Glórias a Deus.

Fernando Di Domenico


iFonte: http://youtu.be/T2A0nzyn9ZA
iiFonte: http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/joao_calvino_5pontos_silverio.htm

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Perseverança dos Santos


Esta é uma das doutrinas que está intimamente ligada ao campo da soteriologia calvinista, definida pelo acróstico T.U.L.I.P, pela letra P (Perseverança dosSantos)¹, é importante destacar duas situações que podem ser mal compreendidas na descrição do titulo:

1-Esta doutrina também é chamada muitas vezes como “Segurança dos Santos”, pela confusão que pode ser feita em referência de que a perseverança é proveniente da vontade humana e não de Deus,
outra confusão feita é sobre o termo também usado “Eterna Segurança” , como se a segurança fosse mecânica que será garantida independente da vida da pessoa, no entanto com o correto entendimento, estas nomenclaturas, estão de total acordo com o ensino bíblico, a bíblia nos ensina é Deus quem nos guarda mas que o homem deve perseverar até o final².
2-Em segundo lugar , o possível erro de que é uma doutrina que pode dar falsa segurança ou vida impiedosa, todavia, como o próprio nome sugere, ela é uma perseverança dos santos, ou seja, daqueles são predestinados,chamados , separados pela vontade de Deus Pai.(Rom8.30), e de modo nenhum ela sugere uma vida desleixada pela certeza da perseverança, pelo contrário, ela sugere uma vida piedosa e de santidade por parte do crente,(1 Jo3.2-3) entre os outros artigos pertinentes a esta doutrina, cito o artigo 3, do capitulo 5 dos Cânones de Dort ³:

Por causa dos seus pecados remanescentes e também por causa das tentações do mundo e de Satanás, aqueles que tem sido convertidos não poderiam perseverar nesta graça se deixando ao cuidado de suas próprias forças. Mas Deus é fiel:misericordiosamente os confirma na Graça, uma vez conferida a eles, e poderosamente os preserva [na Sua Graça] até o fim.”

Onde esta doutrina se encaixa na Soteriologia:

Dentre os aspectos da Soteriologia, a perseverança dos santos, pode ser destacada como parte dos aspectos finais da salvação e podemos entender o seguinte desta doutrina:

O cristão é guardado pela graça de Deus e será vitorioso contra o pecado e permanecerá fiel ao Senhor, a segurança concedida a nós no momento da conversão é o que nos guarda, e a perseverança é o resultado disso.

Qual o meio usado por Deus e o resultado:

A fé é o meio que Deus usa para guardar seu povo, mas como a fé também é um dom, logo é Deus que a sustenta, assim sendo, não é pelos méritos ou força, mas pela imerecida misericórdia de Deus que não caem totalmente da fé e da graça,nem permanecem caídos ou se perdem definitivamente, porque se fosse pelo homem isso facilmente aconteceria, mas quanto a Deus, isso não pode acontecer de modo nenhum, pois Seu decreto não pode ser mudado,nem o mérito, intercessão ou preservação de Cristo podem ser invalidados e a selagem do Espírito tampouco pode ser frustrada ou destruída.

Entre as duas correntes mais destacadas sobre esta doutrina descreveremos o que cada uma ensina sobre ela, com a enfase na seguinte colocação. Um regenerado pode vir a perder a salvação?

Penso ser importante rapidamente destacar o que podemos entender sobre regenerado e convertido, para podermos falar com mais propriedade sobre as duas posições.

Podemos entender por regeneração ,o ato soberano de Deus, em conceder vida espiritual ao homem, sem a qual é impossível o homem se voltar para Deus,no qual ele chamao homem a conversão , através da proclamação do evangelho e este voluntariamente responde ao chamado com arrependimento e fé, que resulta em uma mudança de vida, então agora fica mais fácil entender as duas posições:

1-Arminianismo:

O convertido pode vir a cair da graça de Deus, de maneira a perder a salvação, e um dos textos mais utilizados é o de Hb 6-4.6, entre outros, que sugere que neste texto é o homem quem deve seguir em perseverança, a fim de não perder a salvação e como no arminianismo o homem é o causador da perseverança, ele pode sim cair da graça e vir a perder a salvação, “a perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. È uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade, antes da assim chamada eleição decisiva e justificação,”“crentes verdadeiramente regenerados não só podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a Graça e a salvação, mas de fato as perdem frequentemente e assim se perdem eternamente.”¹º

2-Calvinismo

Como toda obra da salvação , é uma obra monergista, é Deus quem predestina, elege, regenera, justifica e une o homem a Cristo através da fé, lembrando que até que Deus o alcance , por si mesmo o homem é incapaz de professar uma fé salvífica por causa de seu estado atual¹¹ , sendo assim o homem é incapaz de cair da graça , porque é o próprio Deus que o guarda, os textos de advertência tidos pelos arminianos como possíveis evidências para queda da graça, nada mais são do que meios de graça para perseverança e não um indicativo de que os verdadeiros regenerados, poderão cair da graça. Portanto os homens regenerados, são nascidos de semente incorruptível, (1 Pe 1.23) e a confiança que Cristo concede ao crente através de sua obra , a vida eterna. (1 Jo 5.13).
A base desta doutrina , ou a base da segurança do crente, é a obra de Cristo, ou seja é uma obra da Trindade que nos assegura na mão de Cristo, não nós, mas Deus (Jo10.27-30), a nossa união com Cristo é 'indissolúvel”, portanto seus benéficos não podem ser retirados do crente. Alguns textos que evidenciam esta colocação:

Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Romanos 8:33

Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.
Romanos 8:38-39

Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; Filipenses 1:6

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. João 10:28

Um ponto que tem amplo debate entre as posições:

Um dos grandes pontos de discordância é de que mesmo o regenerado, nascido de novo, pode vir a apostatar da fé, porém isso é contrário ao ensino das escrituras,(1 Jo5.18),

Quais possíveis atitudes podem ou não ser consideradas para esta discordância:

Comunhão ou convivência com o corpo ,e ou até mesmo sinais, não podem ser classificados como sinais de regeneração, então outra forma de se referir as passagens como possibilidade de cair da graça é de que nenhum dos textos se referem a pessoas de fato regeneradas pelo Espírito Santo, embora possam participar de igrejas, experiências, não indicam evidências de regeneração,esta evidencia vem com a permanência na fé, crescimento na vida cristã, não basta apenas conhecimento intelectual ou bençãos temporárias.

Um dos textos mais usados para esta definição do regenerado, cair da graça, é o texto de Hebreus capítulo 6.4-6.

Detalhamento das palavras usadas em Hebreus 6.4-6.

Iluminação: A palavra mais comumente usada para defesa desta posição arminiana , é esta palavra “ILUMINAÇÂO”, porém o uso desta palavra no capítulo 6.4 de Hebreus¹², está se referindo a ter conhecido, mas não necessariamente ser convertido, a um aprendizado geral ,não aprendizado para salvação, então este iluminados se refere a conhecer intelectualmente o evangelho , e isso não pode ser tido como conversão,

Provar :Outra palavra dentro desse mesmo texto é “PROVAR”,¹³ mas novamente não indica que tiveram uma experiencia de regeneração, então o provar o dom celestial, não remete necessariamente a pessoas regeneradas. Uma vez provar, não significa adotar, no caso em questão, a fé genuína salvífica, então uma experiência verdadeira com o Espirito Santo,ou ser participantes¹dele, não demonstra que de fato nasceram de novo, podemos ver o caso do povo que andou por 40 anos no deserto com Moises, (Hb3.15), Judas Iscariotes, Balaão e outros (Mt7.22, 2Pe2.20-22), é evidente que participaram ou presenciaram verdadeiras obras do Espírito.

Por fim neste capitulo 6 de Hebreus, o autor termina por diferenciar a ação da chuva , fazendo uma analogia de agricultura para vida do crente regenerado e do não regerado, versos 7e 8, que nos levam a entender que as virtudes do Fruto do Espirito¹, serão o fator diferencial da vida do crente regenerado, uma vida de obediência aos mandamentos de Deus, e por fim aqueles que não perseveram e apostatam de fato provam que nunca foram de fato regenerados (1 Jo 2:19).

Apesar das diferenças entre as posições, podemos fazer uma análise final entre os dois diante de uma pessoa afastada da fé cristã:

O calvinista dirá que esta pessoa nunca de fato foi convertida, e falará para que se arrependa verdadeiramente e creia,

O arminiano dirá que esta pessoa que está desviada, para novamente ser incorporada ao corpo, que ela se arrependa e creia.

Esta doutrina corretamente entendida é de grande conforto para o crente, pois ele sabe que é guardado pelo poder de Deus, por intermédio da sua fé(1Pe1.5), “que mesmo em meio as nossas emoções solúveis, e nossa guerra interrupta nesta vida podemos acordar crentes todos os dias, crendo que os justificados vencerão, e lutarão esta guerra até o final, combatendo o bom combate e guardando a fé” ¹, caminhando em santidade sem a qual ninguém verá o senhor(Hb12.14)



Notas


1-Apresentada através do Sínodo de Dort, em 1618, com o intuito de refutar a posição arminiana mostrando que ela não é sustentável a luz das Escritura, realizado na cidade de Dordrecht na Holanda, a palavra Sínodo significa, na estrutura da igreja Reformada, uma assembleia de pastores e presbíteros, a importância dos cinco artigos de fé , do Sínodo de Dort, está na sua fidelidade as Escrituras, em especial a doutrina da graça de Deus, T.U.L.I.P, é o nome dado ao acróstico em inglês para os 5 pontos do artigo de fé, T:Depravação total, U:Eleição incondicional, L:Expiação limitada,I:Graça irresistível, P:Perseverança dos Santos.

2-De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.
Filipenses 2:12-13

3-Capitulo 5 Da doutrina perseverança dos santos, pág 47.Cânones de Dort, Editora Cultura Cristã

4-Capitulo 5 Da doutrina perseverança dos santos, pág 49.Cânones de Dort Editora Cultura Cristã

5-Regeneração é um ato secreto de Deus pelo qual ele nos concede nova vida espiritual.Isso ás vezes é chamado “nascer de novo” (Jo3.3-8) Teologia Sistemática -Wayne Grudem pag 584. Edições Vida Nova.

6-A esse chamado eficaz, se refere a letra I, referente a graça irresistível , do acróstico T.U.L.I.P.

7-Conversão é a nossa resposta espontânea ao chamado do evangelho, pelo qual sinceramente nos arrependemos de nossos pecados e colocamos a confiança em Cristo para receber a salvação. Teologia Sistemática Wayne Gruden pag.592-Editora Vida Nova

8-Que o homem deve perseverar na caminhada cristã , isso é fato , mas se dependesse somente dele, sem dúvidas apostataria da fé, e a Sagrada escritura testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo:(Rom11.7) pag 51 refutação ao erro 1, Cânones de Dort ,Editora Cultura Cristã

9-Rejeição de erros por parte do Sínodo, erro 1-Da doutrina da perseverança dos santos, pág 51.Cânones de Dort, Editora Cultura Cristã

10-Rejeição de erros por parte do Sínodo, erro 3-Da doutrina da perseverança dos santos, pág53.Cânones de Dort,Editora Cultura Cristã

11-Essa incapacidade se refere a letra T, referente a depravação total, do acróstico T.U.L.I.P,

12-A palavra iluminado traduz o termo grego phōtizō, que se refere ao aprendizado em geral e não necessariamente no aprendizado que resulta na salvação, ela é usada em Jo1.9(a luz que “ilumina” todo homem que vem ao mundo) Teologia Sistemática Wayne Gruden, pag 676 , Edições Vida nova.

13-A palavra provar vem da palavra grega geoumai, se referindo a provar algo que não necessariamente é de sua propriedade, experimentaram de forma direta mas não significa que a adotaram, assim como de fato Jesus provou verdadeiramente da morte ,mas não a adotou(Hb2.9), Teologia Sistemática Wayne Gruden,pág 676,Edições Vida Nova.

14-Esta palavra participar em grego, metochos, pode significar apenas uma associação (exemplo de Lc5:7, onde Pedro chamou os companheiros, participantes, do outro barco), ela está relacionada à influência e não a mudança de vida, regeneração.)Teologia Sistemática Wayne Gruden,pag 676, Edições Vida Nova.

15-Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Gálatas 5:22

16-Os pilares da fé,sessão 14 disco 3, Editora Fiel.