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domingo, 16 de novembro de 2014

Conferência Teológica IBLM 2104 - Resumo



Ontem (15/11/14) fomos agraciados por Deus, na Igreja Batista Luz do Mundo em Passo Fundo - RS, com um dia de estudos da Palavra de Deus sobre as doutrinas da graça. Um tempo precioso que tivemos junto aos irmãos e dos pastores Antônio Neto e Felipe Prestes, ambos bacharel em Teologia pelo Seminário Batista do Cariri, Pr. Antônio Neto professor permanente do curso on-line da Escola Charles Spurgeon - CE e Pr. Felipe Preste leciona o curso de Grego nesta mesma instituição.

Selecionei algumas frases marcantes e os versículos bíblicos que foram expostos e estudados em cada palestra da conferência.


Palestra: Total Depravação - PR.Antonio Neto

"A compreensão desta doutrina determinará a correta compreensão das demais."
"Negar este primeiro conceito obrigará a pessoa a negar os demais pontos."

O que significa:
1) o pecado afetou toda a pessoa. Rm 3:10-18
- mente corrompida, comunicação corrompida e atitude corrompida.
2) a pessoa está totalmente incapaz de se submeter a Deus. Ef 2:1-3
- Três senhores: o mundo, o diabo e a carne.

"O homem é incapaz de honrar a Deus em seu coração."
"Isso torna o homem desesperadamente necessitado da graça do evangelho e da salvação."


Palestra: Eleição Incondicional - PR. Felipe Prestes

"Devemos começar olhando o homem da maneira correta, como totalmente incapaz, e a doutrina Calvinista faz exatamente isso, ao contrário da doutrina arminiana que eleva demais a posição do homem nessa equação."
"A eleição incondicional é o ato de Deus por meio do qual Ele escolheu, com base na sua própria vontade antes da fundação do mundo."

- O homem não tem capacidade de ter fé. Ef 2:1,3.
- Deus não encontra motivos no próprio homem para escolhê-lo.
Textos que comprovam a eleição incondicional: Rm 9:11-16; Rm 8:29-30; Ef 1:3-5,11; 1Pe 1:1-2, 2:9.

"Se você é um eleito você têm obrigação de ser irrepreensível."
"Eleição com base na fé = glória para o homem."
"Eleição com base na soberana vontade = glória para Deus."
"Nem mesmo num futuro visto por Deus o homem se a chegaria a Deus."
"A eleição incondicional é extremamente humilhante para o homem."


Palestra: Expiação Limitada - PR. Felipe Prestes

"Sem uma boa explicação da expiação é impossível determinarmos se ela é limitada ou ilimitada."
"O mundo caído em Adão é restaurado em Cristo."
"No corpo de Cristo não há distinção de raça, cultura, classe e sexo."
"Desconfie de igrejas que vem para salvar os jovens, os ricos, os pobres ou com grupos específicos. Igreja só faz sentido se for para todos."
"Expiação limitada não é uma definição de poder, mas de propósito. Assim, a morte de Cristo é suficiente para salvar a todos, mas eficiente somente para salvar os eleitos."
"A expiação arminiana limita a expiação no seu poder, a calvinista no seu propósito."

Sequência lógica: - Homem depravado - Eleição incondicional - Expiação limitada

"Se a expiação não for limitada, então, Cristo morreu por pessoas que estão no inferno."
Textos importantes: Jo 10:11, 15, 26; Mt 20:28; 1Tm 4:10
"A morte de Cristo foi substitutiva, morreu no nosso lugar."

O que Cristo fez na cruz?
- Redenção (Is 53:10-11)
- Propiciação (1 Jo 4:10)
- Reconciliação (RM 5:10)
- Substituição (RM 8:32)


Palestra: Graça Irresistível - PR. Antônio Neto

"O fundamento da graça irresistível é a ideia de que foi Deus, e apenas Deus, quem operou na salvação do homem."
"É a conclusão lógica da depravação total."
"Nós só somos salvos porque Deus nos salvou."
"Não significa dizer que o homem jamais resiste a oferta da salvação."
"Não significa dizer que Deus salva pessoas à força."

É a obra soberana de Deus em vencer a nossa rebelião do nosso coração e trazer-nos à fé em Cristo, para que sejamos salvos. Jo 6:44, Rm 8:30, Jo 3:3, Jo 3:6, Ef 2:4-5, At 18:27, At 16:14, 1Jo 5:1.

"O novo nascimento é uma obra soberana e sobrenatural do Espírito Santo."
"Deus, e unicamente Deus, nos deu vida, pela graça somos salvos."
"A fé é uma expressão do novo nascimento."
"Por que irresistível? Porque Deus coloca em nós o seu Espírito Santo, que abre os nossos olhos para a realidade dos nossos pecados e para a sublimidade de Deus e do Senhor Jesus Cristo."
"É ao recebermos o Espírito Santo que somos convencidos amorosamente por Deus do nosso estado pecaminoso e necessidade de salvação."


Palestra: Perseverança dos Santos - PR. Felipe Prestes

"Deus assegura a nossa salvação."
"Que Deus fraco permite o homem perder a salvação que Ele assegurou anteriormente?"
"Se Deus providenciou, Deus vai assegurar a nossa salvação."
"Se os eleitos não perseverassem... A escolha de Deus falharia."

Rm 8:35-39; Jo 6:37; Jo 10:27-29; Fp 1:6; 2Tm 1:12; Ef 1:13-14; Rm 8:28-30; Jo 6:47; Jo 5:24

"Uma questão de segurança e de perseverança."
Soli Deo Gloria

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Breve Teologia Bíblica do Decálogo



O Antigo Testamento é rico de muitos modos, em seus vários tipos de literatura (história, lei, poesia, profecia), em seu período histórico (da criação à restauração de Israel do exílio), em seus detalhes proféticos concernentes à Primeira e Segunda Vinda de Cristo, e em seu tema multifacetado. Todo aquele que lê o Antigo Testamento percebe nitidamente a gama de temas, entre eles, falando em termos gerais: Deus, o homem, o pecado, a relação ligada à redenção e aliança de Deus com o homem, e o futuro governo messiânico do Filho de Deus, o Messias. Como os vários segmentos da Bíblia se relacionam com estes temas, é a função da Teologia Bíblica mostrar o que a Bíblia ensina teologicamente.

BREVE TEOLOGIA BÍBLICA DO DECÁLOGO

Os Dez Mandamentos são dez leis na Bíblia que Deus deu à nação de Israel logo após o êxodo do Egito. Os Dez Mandamentos são essencialmente um resumo dos mais de 600 mandamentos contidos na Lei do Antigo Testamento. Os primeiros quatro mandamentos lidam com a nossa relação com Deus. Os outros seis mandamentos lidam com os nossos relacionamentos com os outros. Os Dez Mandamentos estão registrados na Bíblia em Êxodo 20:1-17 e Deuteronômio 5:6-21

O PRIMEIRO MANDAMENTO – “Não terás outros deuses diante de mim”. Este mandamento é contra a adoração de qualquer deus que não seja o único e verdadeiro Deus. Todos os outros são falsos deuses.

Este primeiro mandamento trata diretamente da relação pressuposta pelo tratado do soberano e servo. O Senhor em virtude de eleger e libertar salvadoramente o povo tirando-o de outro senhor (o Egito), ordena os israelitas a empreender e manter uma atitude de lealdade indivisa a Ele. “Não terás outros deuses diante de mim” (v.3) é uma afirmação categórica das reivindicações exclusivas do Senhor de domínio e adoração. Violar este mandamento é repudiar a totalidade da relação entre soberano e vassalo, pois se trata de alta traição.

Deus durante todo o Antigo Testamento e eras da revelação da Sua Promessa, enfatizou que Ele é o único Deus, e que o povo deveria prestar total reverência e viver de acordo com suas leis, pois fazendo isso eles seriam o seu povo.

O SEGUNDO MANDAMENTO – “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Este mandamento proíbe a representação do Senhor por qualquer tipo de ídolo ou semelhança, pois representá-Lo é limitar o Deus soberano e confundir o Criador com a criação. Os que praticam idolatria aborrecem o Senhor, ao passo que os que não a praticam são os que o amam. Os idólatras, pelo próprio ato da idolatria, rejeitam o verdadeiro Deus quando Ele escolhe revelar-se, e escolhem uma invenção da sua própria imaginação. Por outro lado, os que o amam lhe obedecem, tornam-se recebedores do seu amor recíproco. A lealdade ao Senhor por parte do povo-servo ocasionará a resposta de compromisso leal e infalível a eles.

Este mandamento é contra a fabricação de ídolos, representações visíveis de Deus. Não existe imagem que nós possamos criar que possa precisamente retratar a Deus. Fazer com que um ídolo represente Deus é adorar um falso deus. Calvino escreveu sabiamente: “O coração do homem é uma fábrica de ídolos”, por todo o Antigo Testamento vemos isso claramente, por inúmeras vezes o povo se voltava a todos os tipos de idolatria. Hoje em dia continuamos a ver o homem produzindo ídolos para si, até mesmo dentro das igrejas ditas como evangélicas, pessoas adorando um Deus criado a partir de suas próprias mentes e nem um pouco parecido com o Deus das Escrituras.

TERCEIRO MANDAMENTO – “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

Este mandamento conecta o nome do Senhor com o próprio Senhor. O abuso do nome divino é equivalente a sacrilégio, pois no antigo Oriente Próximo e em Israel os nomes não só descreviam os atributos, caráter e destino dos indivíduos nomeados, mas, às vezes, era sinônimo de pessoa. Abusar do nome divino ou usá-lo sem propósitos ou de maneira imprópria é tentar manipular Deus para fins e propósitos humanos. É um esforço arrogante do servo obter vantagem para si, prostituindo esse nome e Pessoa santos, desta forma invertendo o papel para o qual ele foi posto em comunhão.

Este é um mandamento contra o tomar o nome do Senhor em vão. Não devemos tratar o nome de Deus levianamente. Devemos demonstrar reverência a Deus mencionando-o apenas de formas respeitosas e honrosas. Deus preza pelo Seu Santo Nome, e esse cuidado é expressando nesse mandamento.

QUARTO MANDAMENTO – “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”.
Este mandamento tira o foco do reconhecimento apropriado e respeito à Pessoa do Senhor como Deus de Israel e coloca no regulamento do exercício do domínio humano sobre a terra. Ele tem de “lembrar-se do dia do sábado, para o santificar” (Ex 20:8). Essa lembrança é feita pela interrupção do trabalho comum, no sétimo dia da semana, pela família israelita, seus servos e até as bestas de carga. A significação teológica sugerem que as razões para separar o dia são:

1 – que o Senhor fez todas as coisas em seis dias e descansou no sétimo e

2 – que Ele celebrou essa cessação de trabalho criativo pondo de lado o dia de descanso para ser um memorial.

Deus é o Senhor sobre o espaço e tempo. O homem como vice-regente e imagem de Deus também tem de cessar o trabalho no antegozo de um “dia de descanso” de dimensões tanto históricas quanto escatológicas. Em termos de concerto sinaítico, o sábado era para lembrar Israel do seu papel como povo-servo e do cumprimento desse papel no dia de descanso.

QUINTO MANDAMENTO - “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Este é um mandamento para sempre tratar os seus pais com honra e respeito.

A referência ao trabalho no quarto mandamento agora é ligada à terra no quinto, pois a obediência com relação à avaliação apropriada dos pais resultará em vida longa na terra. É apropriado que os pais humanos sejam honrados como representantes do Senhor a quem devemos a mais alta deferência e honra. Honrar os pais é honrar o Senhor, e desonrá-los é nada mais que violação e infidelidade. O quinto mandamento pertence às dimensões verticais da relação humana.

O SEXTO MANDAMENTO - “Não matarás”. Este é um mandamento contra o assassinato premeditado de outro ser humano.

O homem não deve assassinar o membro da raça humana, pois tal assassinato é na realidade um ataque letal contra o próprio Deus. Porque a vida é, por via de regra, sagrada para Deus e para o homem principalmente. Por estas razões, a violação do homem ao ponto da morte é uma afronta à soberania de Deus, uma agressão no seu representante terreno.

O SÉTIMO MANDAMENTO - “Não adulterarás”. Este é um mandamento contra ter relações sexuais com qualquer pessoa que não seja o seu esposo ou esposa.

O adultério a nível humano é infidelidade, na verdade, é um análogo apropriado à infidelidade em nível mais alto, o nível divino-humano. A revelação bíblica é penetrante como frases como “não se prostituam após os seus deuses”, imagem que fala de Israel abandonar a Soberania redentora a favor de outro que não tem reivindicações ou legitimidade. Adultério é a mistura do verdadeiro e do falso, do santo e do profano, do puro e do corrupto. É a ultrapassagem da linha que circunscreve a relação de confiança entre parceiros que fizeram a promessa mútua de compromisso leal.

OITAVO MANDAMENTO - “Não furtarás”. Este é um mandamento contra tirar qualquer coisa que não nos pertence sem a permissão daquele a quem tal coisa pertence.

Roubar é cometer pelo menos três pecados contra Deus:

1 – Tirar de outro o que lhe foi dado e necessita para exercer mordomia;
2 – descumprir a própria tarefa com base no que Deus deu;
3 – arruinar os propósitos sábios de Deus que dá a cada um de acordo com a sua função e habilidade.

Todas as coisas, materiais e imateriais, pertencem a Deus e devem ser distribuídas segundo o seu desejo gracioso.

NONO MANDAMENTO - “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Este é um mandamento contra o testemunhar contra outra pessoa falsamente. É essencialmente um mandamento contra a mentira.

Na comunhão de compromisso comum, as negociações entre o israelita e seu companheiro devem ser tão honestas e confiáveis quanto entre um vassalo e seu senhor. Dizer falso testemunho é provocar discussão dentro da comunidade e interromper o funcionamento ordenado e harmonioso do reino.

DÉCIMO MANDAMENTO - “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. Este é um mandamento contra o desejar qualquer coisa que não lhe pertença. A cobiça pode levar a outras proibições listadas acima: assassinato, adultério e roubo. Se é errado fazer uma coisa, também é errado desejar fazer essa mesma coisa.

Os outros mandamentos inevitavelmente manifestam-se em expressão exterior até certo ponto ou outro, mas, teoricamente, a cobiça existe só na mente e no coração e nunca se evidencia em ato externo. No momento que se exterioriza não é mais cobiça. O desejo impróprio está no nível mais “espiritual” de roubo, adultério e seus semelhantes,e por isso é proibido.

Mesmo que a cobiça nunca se realize no comportamento público, é uma ruptura séria, porque o Senhor, que conhece o coração, se ofende com isso.A cobiça impugna a sabedoria e bondade de Deus, questionando a concessão divina das bênçãos da vida em acordo com o seu plano onisciente.


Finalmente, a função formal e teológica do Decálogo fica clara quando a vemos no contexto do ato redentor do êxodo e dos propósitos eletivos de Deus para Israel como povo vassalo, conduzindo na comunhão com Ele, a fim de servir como reino de sacerdotes. Particularmente os Dez Mandamentos, fornece as diretrizes segundo as quais este povo privilegiado tinha de ordenar-se para que realmente fosse uma nação santa capaz de exibir o reino de Deus e mediar os benefícios e promessas salvíficas para o mundo em geral da humanidade alienada.


Fontes:

Site Wikipedia
Site GotQuestions
Roy B. Zuck, Teologia do Antigo Testamento, Ed.CPAD, Rio de Janeiro, 2010.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Inteligência Humilhada



Esse conceito, chamado de Inteligência Humilhada nos ajuda a compreender de maneira correta como devemos nos portar em nossa vida diária, na vida da Igreja, na maneira que conduzirei os meus estudos teológicos entre tantos outros pontos fundamentais.

Primeiramente quero introduzir dois outros conceitos, o fideísmo e o racionalismo.

Fideísmo: do latim fides, fé Doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé.

A ideia central do fideísmo é que as questões religiosas não podem ser justificadas por meio de argumentos ou provas, mas apenas pela fé.

Já o racionalismoé a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio como uma operação mental, discursiva e lógica que usa uma ou mais proposições para extrair conclusões - se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável.

O racionalismo afirma que tudo o que existe tem uma causa inteligível, mesmo que essa causa não possa ser demonstrada empiricamente - tal como a causa da origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento.

Entre o fideísmo e o racionalismo encontramos o conceito da Inteligência Humilhada, ela nos direciona de maneira correta no entendimento de que nós de fato somos, a nossa natureza, a nossa incapacidade diante do Deus criador e da mesma maneira nos mostra a real natureza de Deus, como todo poderoso, soberano e supremo Senhor.

Podemos ter usar da fé e ao mesmo tempo defender nossa fé racionalmente em total harmonia e sem nenhuma contradição. É isso que nos ensina a Inteligência Humilhada.

Desta forma gostaria de trazer uma reflexão de como esse conceito é fundamental e indispensável na vida de um Cristão.

Pois nem minha mãe nem minha babá encheram seus próprios seios para mim; mas foste tu quem providenciaste, por meio delas, o alimento da minha infância, de acordo com tua ordenação, mediante a qual distribuíste tuas riquezas pelas fontes ocultas de todas as coisas. Tu também me deste meu não querer mais do que me davas; e às minhas babás a disposição de me dar o que tu lhes deste. Pois elas, com uma afeição inculcada pelo céu, dispuseram-se a me dar o que de ti receberam em abundância. Pois esse bem que eu delas recebia era uma bem para elas. Mas, de fato, ele não provinha delas, mas através delas; pois de ti, ó Deus, provêm todas as coisas boas, e de Deus provém minha saúde. Isto aprendi desde aquela época: tu, por meio de tuas dádivas, dentro e fora de mim, a mim te manifestas.” Agostinho

Devemos ter o pleno entendimento de nossa natureza, um conhecimento bíblico a cerca de nós mesmos. Somo radicalmente depravados, pecadores e estamos em total rebeldia contra Deus até o momento em que a misericordiosa graça de Deus nos alcança e nossos olhos se voltam ao nosso Criador.

Quando compreendemos de fato e de verdade a doutrina da depravação total, nesse momento, começamos a entender o fato que dependemos de Deus para obtermos conhecimento Dele. Isso se reflete diretamente na maneira que conduzimos os nossos estudos teológicos.

A fonte de todo o conhecimento provém de Deus e não de nós nem dos nossos esforços, até mesmo o conhecimento que nos é repassado pelos nossos mestres e professores. Assim como Agostinho cita o alimento materno que recebia através de sua mãe e sua babá, ele reconhecia que a fonte desse alimento em primeira instância provém de Deus, sendo que a sua mãe e babá são meros instrumentos nas mãos do Senhor e da sua providência.

Desta mesma forma devemos entender que o conhecimento teológico que adquirimos provém totalmente da graça de Deus e não dos nossos próprios esforços e méritos. Devemos proceder de acordo com essa realidade, devemos gastar tempo em oração, para que Deus se revele a nós através de nossos estudos, através das aulas, que Deus use a escola de Teologia onde estudo como instrumento provedor de alimento para nós alunos.

Ter em mente sempre que nosso entendimento, nossa razão também sofrem as consequências da queda, do pecado, e que se Deus não agir através do Espírito Santo nos trazendo em humildade, humilhando nossa inteligência, nunca conseguiremos compreender as verdades necessárias para nossa salvação.

Essa é uma verdade tanto para a maneira que eu conduzo minha vida de estudos teológicos, buscando um aprimoramento para usar unicamente tendo o alvo a glória de Deus, que Deus seja mais glorificado em mim e no conhecimento que poderei repassar para a glória Dele. Como é uma verdade para a minha vida diária, pois é impossível separar os estudos do meu dia a dia.

Quem sou eu? O que sou eu? Que maldade existe que não tenha feito parte ou de meus atos, ou de minhas palavras, ou, se não de minhas palavras, de minha vontade? Mas tu, ó Senhor, és bom e misericordioso, e tua mão direita chegou até o fundo de minha morte e do fundo do meu coração esvaziaste aquele abismo de corrupção. E todo este teu presente consistiu em eu negar o que antes queria para querer o que tu querias.” Agostinho

Soli deo Gloria

Fernando Di Domenico


Fontes:



Agostinho de Hipona, Confissões, Ed. Mundo Cristão.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A fé e a razão podem coexistir?


A grande maioria das pessoas tem em suas mentes as perguntas:

De onde viemos, como tudo começou, para onde iremos, qual o sentido da vida?

Mesmo que em sua arrasadora maioria, vivam suas vidas sem se importar muito com isso, a fé cristã muitas vezes é atacada como sendo irracional, mitológica e até mesmo como faz de conta.

Existe uma área dentro do ramo da teologia, chamada apologética, que cuida quanto aos ataques externos e ataques internos, e como a fé cristã é detentora da verdade absoluta, proveniente do próprio Deus, isso não é coisa nova diga-se de passagem, porque desde o tempo dos Apóstolos até nossos dias, as questões levantadas sempre são as mesmas, o inimigo é o mesmo porém com roupa nova!

Os pontos a serem levantados em defesa da fé, dizem respeito a vários argumentos lógicos racionais, sobre a coerência da fé cristã, ela é uma fé racional, embora para isso, não estejamos negando as questões sobrenaturais, mas sim dizendo que a fé cristã é totalmente coerente e racional.

Dentre as coisas mais comuns em que a fé cristã recebe como ataque, estão:

1- A Bíblia recebeu muitos acréscimos ao longo dos tempos, então por isso não pode ser considerada verdadeira.

2- Como pode se dizer que o cristianismo é uma religião boa, se ao longo dos tempos houve tanto derramamento de sangue, por parte das cruzadas, e comprovadamente foram feitas muitas atrocidades em nome da fé?

No campo apologético, existem vários tipo de argumentos em relação aos ataques e argumentações por parte tanto de ateus, quanto de pessoas que não professam a Cristo como Senhor.

Mas primariamente poderíamos citar sem medo e firmado em provas racionais, que a grande maioria dos ataques não se sustentam logicamente, por suas diversas falhas de argumentação, a isso se dá o nome de falácias, nos dois casos citados acima, são exemplos clássicos disso:

1- Como posso fazer uma afirmação em cima de uma coisa que não é verdadeira, se não tenho recurso para dizer isso? Ou seja, para levantar uma caracterização sobre algo que seja falso, necessariamente é preciso ter acesso a comparação do verdadeiro, caso contrário, essa é uma afirmação ilógica, porque sua conclusão parte da premissa de sua opinião própria.

2- Este é outro caso típico de uma falácia “Ad hominem”, onde a conclusão é dependente da falsa premissa de que o cristianismo é ruim pelas ações de algumas pessoas, porém isso é totalmente tendencioso, da mesma maneira poderia ser dado muitos exemplos bons a respeito do cristianismo, então o que se segue é que o fato de algumas pessoas usarem de violência ou difamação ao longo dos tempos, não comprova que o cristianismo em si é ruim. 

A verdade de uma posição, independe de caráter daqueles que a sustentam.

Para a defesa da fé cristã a respeito dos ataques da existência de Deus, existem vários argumentos que podem ser usados, os mais conhecidos: Cosmológico, teleológico, ontológico e moral.

Cada um destes argumentos explica satisfatoriamente e racionalmente os pontos debatidos por todos os tipo de ateístas, por cada argumento ser bastante desenvolvido, explanarei de maneira simples, dando um pouco mais de enfase ao aspecto moral, que sem duvidas é um dos mais fortes.

Argumento cosmológico¹:

- Tudo que existe tem uma causa,
- O universo existe, logo, ele tem uma causa
- A causa do universo é Deus.

Basicamente o argumento levantado contrário a esse argumento é facilmente refutado.
1-Se tudo que existe tem uma causa, logo Deus existe e tem que ter tido uma causa.

Refutação:
A diferença é que Deus existe necessariamente, ou seja, Ele existe por si só, ele é auto-existente. Para ser o causador de alguma coisa, sem ser causado, esse Ser não poderia ser matéria e nem se prender ao tempo.

Esse Deus é imaterial, atemporal e a criação vem dele, mas Ele não é dependente da criação.

Argumento teleológico:

Todas as coisas que podemos observar no universo indicam que elas tem um propósito, ou seja, quando estamos passeando na rua e encontramos um relógio no chão, não pensamos que este relógio surgiu aleatoriamente, pelo contrário, que ele teve um propósito, um designer, sendo assim, o mesmo se aplica ao universo. Todas as características que se percebem nos animais, no cérebro humano, entre tantas outras, claramente indicam a existência de um design que minunciosamente projetou todas as coisas, um projetista.

Claramente, toda forma de vida na história da Terra tem sido altamente complexa. Um único fio de DNA equivale a um volume da Enciclopédia Britânica. O cérebro humano tem cerca de 10 bilhões de gigabytes de capacidade. Além das coisas viventes aqui na Terra, todo o universo parece ter sido projetado para a vida. Literalmente centenas de condições são necessárias para a vida na Terra. Tudo, da densidade de massa do universo à atividade sísmica, deve ser ajustado para que a vida possa existir².

A chance de todas estas coisas aleatoriamente acontecendo é literalmente impossível. A probabilidade contra isso acontecer é muitas ordens de magnitude maior do que o número de partículas atômicas em todo o universo! Com um projeto tão impressionante, é difícil acreditar que somos simplesmente um acidente. Na verdade, a recente conversão do famoso ateu e filósofo Antony Flew ao teísmo foi baseada em grande parte neste argumento. Além de demonstrar a existência de Deus, o argumento teleológico expõe falhas na teoria da evolução. Porque é necessária transmissão de código genético para seus semelhantes, mais uma vez este fato não acontece aleatoriamente.

Argumento ontológico:

O argumento ontológico, não é baseado na observação do mundo (como o cosmológico e o teleológico), mas na razão. Ele começa com a definição de Deus como “do que este não pode ser concebido alguém maior”. Argumenta-se então que existir é maior do que não existir, logo o maior ser que pode ser concebido tem que existir. Se Deus não existisse então Deus não seria o maior ser que pode ser concebido – mas isso iria contradizer a própria definição de Deus.

Argumento moral:

O argumento moral é sem dúvidas, o calcanhar de aquiles de todas as cosmovisões, é necessário que Deus exista para que existam leis morais.

Isso é diferente de acreditar em Deus, estamos falando na necessidade da existência de Deus. Sem Deus tudo é válido e permissível, mas ninguém vive desta forma. Se existem valores, é obrigatório que Deus exista, mesmo que se fale que não há regras, ninguém consegue viver desta maneira, porque como podemos definir o valor moral (bom, mau), dever moral (certo e errado)?

Deus é a expressão máxima do valor moral, sua natureza é a expressão da própria bondade, todas as pessoas tem características morais impregnadas em suas vidas,  todos as culturas ao longo da história tem mostrado alguma forma de lei, todos sabem o quanto errado é matar, roubar, agir de forma imoral, é necessário existir um Deus Santo com um padrão de moral absoluto de onde derivam estas leis.

Geralmente as propostas em defesa contrária ao padrão absoluto de moralidade, é de que a verdade sobre a moralidade é relativa,  porque são  padrões morais  recebidos ao longo do tempo pelas mudanças da sociedade. 

Novamente é usada uma “falácia genética”, a ideia de que a crença da moralidade tem sua origem ao longo dos costumes da sociedade, todavia não é porque uma sociedade aprova algo, que isso seja de fato certo, em casos onde a prática de estupro poderia ser considerada como correta perante tal sociedade, certamente que a vítima não tem a mesma opinião.

O tipo de argumento sobre a verdade da moralidade ser relativa é um tipo de argumento auto destrutivo, porque se a verdade sobre a moralidade é relativa, então esta opinião sobre isso também não pode ser tida como absoluta.

È necessário que Deus exista para que os padrões morais absolutos existam, sabendo que a definição de que Deus existe, que Ele é o criador, como saber qual é o verdadeiro dentre tantas religiões?

Sabemos que a Bíblia nos demonstra que Deus se revelou através da sua criação,  e a revelação especial de Deus, mas neste caso poderíamos dizer o seguinte, a criação tem algumas características, e podemos ver qual Deus se encaixa dentro das perspectivas da criação, assim como um artista deixa rastros em sua obra, Deus também deixa na criação, de todos os “ditos” deuses, qual se encaixa melhor na característica da criação?

1-Marcas na criação:

A grande parte das coisas que relacionamos na criação são dividas em 3 x 1: Tempo(P-P-F), Espaço (A-L-P), Matéria (P-N-E), Estados materiais (S-L-G), Célula (Dna-Rna-Proteínas), etc...Essas características trazem a realidade de que o criador deve ter esses requisitos, que são destacados em sua obra, e somente a Bíblia descreve esse Deus 3 x 1, então é fato que o Deus da Bíblia é o criador.

Percebemos claramente que fomos criados com intenção, não meramente ao acaso, possuímos várias características definidas e que mostram a intenção de uma mente superior (Deus), ou seja, alguns argumentos filosóficos trazem a luz, a necessidade de um padrão supremo para que possamos ter bases como as que temos para:

1- Argumento teleológico (coisas completas e perfeitas).
2- Argumento estético (Beleza e verdade).
3- Argumento volitivo (escolha e vontade).
4- Argumento moral (Certo e errado).
5- Argumento cosmológico (causa e efeito).

Podemos nos basear em duas afirmações fundamentais:


1- O mundo foi criado (O universo e a vida não surgiram espontâneamente).

2- Deus criou o mundo (Deus da Bíblia é o verdadeiro criador).

Os cristãos, devem estar preparados para falar o motivo de sua fé, sabendo que o cristianismo é totalmente defensável racionalmente, mas ainda assim, saber que a Bíblia é a palavra de Deus, e que o homem, apesar de todos os argumentos lógicos e filosóficos, permanece morto em seus delitos e pecados e cego para a verdade, a não ser que o Espírito Santo desvende seus olhos, todavia, devemos estar prontos para demonstrar que a fé  cristã, não é desprovida de racionalidade, ou seja, crer também é pensar.

Em Cristo

Guinho






fontes:
1- Em guarda- Wilian Lane Craig
2- www.gotquestions.org,br  

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Teologia Bíblia do Novo Testamento e Seus Autores

A teologia bíblica estuda a Bíblia e organiza as conclusões em várias divisões e áreas de estudos, com a finalidade de estudar e conhecer a progressão da Revelação de Deus à humanidade desde a criação, queda, redenção e consumação, passando pelo Antigo Testamento e Novo Testamento.

A teologia bíblica parte da pesquisa exegética, ou seja, do específico para o geral. Em outras palavras, a teologia bíblica parte da exegese dos textos bíblicos como afirmação primeira, elaborando a partir dessa exegese afirmações decorrentes.

Através de um breve estudo da Teologia do Novo Testamento é possível observar a diversidade de vocabulários, diversidade de temas e também, claramente, apesar de toda essa diversidade a grande unidade entre todos os autores e textos do Novo Testamento, uma prova clara e garantida da inspiração divina das Escrituras Sagradas.

No Novo Testamento há a teologia de Mateus, de Marcos, de Lucas (Lc e At), de João (Jo, 1Jo, 2Jo, 3Jo e Ap), de Paulo (Cartas Paulinas), teologia de Hebreus, de Tiago, Pedro e Judas.

1. TEOLOGIA DE MATEUS

Os evangelhos de maneira distinta da maioria das biografias modernas, são relativamente breves. No Evangelho de Mateus fica claro que o escritor bíblico está apresentando um resumo do ensinamento de Jesus. A comparação de passagens semelhantes dos evangelhos sugere que cada escritor exerceu liberdade na apresentação e disposição do material. Essa liberdade permitiu que cada autor, sob inspiração do Espírito Santo, salientasse aspectos distintos das palavras e obras de Cristo.

Embora Jesus seja o foco central dos evangelhos, o relato de sua vida e de seus ensinamentos não é a única preocupação deles. Os evangelhos também ajudam a entender alguns dos fatores que levaram à formação da Igreja.

Ao mesmo tempo em que a vida e o ministério de Jesus são o foco do Evangelho de Mateus, ele também deixa claro que o que Jesus disse e fez, como também os eventos que conspiraram para levá-lo à cruz, faz parte do plano e propósito de Deus.

Todos os escritores dos evangelhos retratam a vida e o ministério de Jesus como o cumprimento da profecia e da expectativa do Antigo Testamento. Mas Mateus é bastante característico em relação a isso. Seus evangelho caracteriza-se por uma série de citações do Antigo Testamento introduzidas com o uso do verbo “cumprir”. A primeira ocorrência no evangelho de Mateus ilustra a natureza dessas introduções: “Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta” (Mt 1:22).

2. TEOLOGIA DE MARCOS

Entre os evangelhos sinóticos, certamente, Marcos é o menos considerado em comparação aos seus companheiros mais longos. Marcos possui apenas 10% do relato do Evangelho que contêm informações que não se encontram em Mateus e Lucas. É possível que isso tenha contribuído para o julgamento do Evangelho de Marcos o fato de ele, em essência, ser um resumo, ou condensação, dos evangelhos mais longos, em especial, o de Mateus. Inclusive Agostinho se referia a Marcos como o “abreviador” de Mateus.

Apesar dessa avaliação ter sido aceita como correta por mais de 1.800 anos, a partir do século XIX emergiu o consenso de que Marcos não é o “seguidor” de Mateus, como pensava Agostinho, mas foi o primeiro escritor de um Evangelho.

Vários aspectos do Evangelho de Marcos sugerem que essa ideia de Marcos como o primeiro seja a forma mais correta de apresentar os fatos. Pois se Marcos abreviou Mateus em vários pontos, fez um trabalho muito precário. Inclusive, a narrativa de Marcos da vida de Jesus, em mais de uma ocasião, é mais longa e detalhada que a de Mateus. Antes, Mateus, por comparação, parece ter resumido e condensado a narrativa.

Outro fator em favor dessa opinião está o fato do estilo utilizado em grego, o estilo de Marcos é com frequência mais deselegante em comparação com o de Mateus. Entretanto o fato dos escritos de Marcos conter algumas passagens em grego deselegante não deve nos surpreender nem nos desanimar, ao contrário, deve ser fonte de encorajamento. Esse fato fornece como ilustração, que Deus, com frequência, usa pessoas comuns para executar obras extraordinárias.

Embora muito do que Marcos escreveu em seu Evangelho seja ecoado nos evangelhos de Mateus e Lucas, seria errado pensar que ele não tem nada distinto a dizer. Marcos retrata a humanidade e a humilhação de Jesus de maneira única. Mostrou com grande efeito o que Jesus pretendia quando disse que “o Filhos do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (10:45). De modo igualmente empolgante o leitor consegue a compreensão de que seguir Jesus é um empreendimento com implicações profundas: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (8:34).

Marcos, também, teve uma intenção única se comparado a Mateus e Lucas na maneira de não transmitir uma impressão positiva dos discípulos. Isso se deve em parte pelo fato de eles serem retratados exatamente da forma como eram, um grupo de pessoas bastante comum. Marcos também ressalta a fragilidade e a falibilidade dos discípulos de forma mais clara que os outros escritores dos Evangelhos.

A intenção de Marcos era que seus leitores se identificassem totalmente com os discípulos, eram homens e mulheres comuns que fracassavam. Mas a certeza e a confiança deles não repousavam em si mesmos, mas em Deus.

3. TEOLOGIA DE LUCAS-ATOS

O Evangelho de Lucas e o livro de Atos dos apóstolos juntos totalizam 27,1% do Novo Testamento, além disso, apenas Lucas-Atos contam a história de Jesus Cristo, desde seu nascimento até o início da Igreja e do ministério de Paulo. Essa ligação é importante, pois fornece uma visão panorâmica dessa sequência de eventos.

Lucas-Atos possui muita atenção voltada para Jesus e aos discípulos, com isso, podemos pensar que o principal tema de Lucas é a história de Jesus e da Igreja. Todavia, a principal responsabilidade de Lucas é muito mais profunda. Ele retrata que o plano de Deus foi executado em cumprimento à promessa divina. A inauguração desse cumprimento vem por intermédio de Jesus e da Igreja, composta de judeus e de gentios. A conclusão desse cumprimento se dará quando Jesus retornar (At 3:18-26).

Lucas escreve para Teófilo a fim de assegurá-lo sobre as coisas que ele aprendeu (Lc 1:4). Todavia, dois aspectos desse proclamado cumprimento seriam problemáticos: um salvador morto, e uma comunidade de Deus, que incluía gentios, perseguida, quando Israel se agarrava à esperança da promessa.

Lucas-Atos garantem a Teófilo que a perseguição da Igreja não é um sinal de julgamento. Lucas nos mostra que a perseguição fora predita e é o meio pelo qual a mensagem poderia alcançar mais pessoas em todo o mundo. Também nos mostra que a morte do Messias fazia parte do plano de Deus, e de forma mais relevante, a sua ressurreição e ascensão à direita de Deus, de onde oferece, como Senhor, benefício da salvação para todo aquele que se entregar a Ele. Assim, Deus e sua atividade são o centro de Lucas-Atos dos Apóstolos.

4. TEOLOGIA DE JOÃO

A teologia joanina é cristológica. A pessoa de Jesus Cristo está no centro de tudo que o apóstolo João escreve. Quer no Evangelho de João, com sua ênfase única na Palavra que se fez carne, quer nas epístolas joaninas, como o foco na Palavra de vida em meio à controvérsia das opiniões errôneas da Igreja, quer em Apocalipse, com suas visões de Cristo exaltado e de seu triunfo final, o principal objetivo do apóstolo é explicar a seus leitores quem Jesus é.

Entretanto, isso não significa dizer que João não tratou de outros assuntos importantes em seus escritos. Isso apenas quer dizer que tudo o que João diz, independente do assunto que está sendo tratado, ele está quase sempre relacionando à sua ênfase cristológica.

Claramente o tema teológico fundamental é a cristologia, João também trata sobre a glorificação de Jesus, consistindo não só da exaltação pelo Pai, mas também de sua morte, ressurreição e ascensão. Seguindo a isso existe uma ênfase de João no Espírito Santo, o substituto de Jesus após a sua partida; a doutrina da salvação que é provavelmente o segundo tema mais importante dos escritos joaninos; a teologia de João em relação à cruz, incluindo nesse assunto a ênfase na morte de Jesus como parte do plano de Deus, a natureza voluntária da morte de Jesus e seus aspectos sacrificiais; regeneração; fé; vida eterna, essa retratada como uma experiência presente que está disponível aos crentes.

Por fim, a escatologia joanina, inclui a tensão existente no Evangelho de João e em apocalipse entre a escatologia “futura” e a escatologia “cumprida”.

João, como parte característica de seus escritos, faz o uso por repetida vezes de antíteses, como luz e trevas, fé e descrença, céu e terra, e carne e espírito. Esses pares de opostos são incrivelmente importantes para a compreensão da teologia joanina. Não somente pelo impacto que têm nos leitores, mas também por que eles ressaltam a apresentação de Jesus, por parte de João, como o Messias e o Filho de Deus em escolhas antitéticas. Em outras palavras, o leitor do Evangelho de João tem que escolher ficar a favor de Jesus ou contra Ele, e essa escolha determina seu destino eterno.

5. TEOLOGIA DE PAULO

5.1 TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS MISSIONÁRIAS DE PAULO

O perseguidor da igreja transformou-se em um missionário de destaque e deixou um legado escrito para as igrejas que fundou e onde logo passou a ser reconhecido por ter relevância e autoridade permanentes.

As seis primeiras epístolas de Paulo foram escritas, em um período de cerca de dez anos (48-58 d.C.), no curso de três viagens missionárias. Fazem parte das epístolas missionárias de Paulo: Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, 1 Tessalonicenses e 2 Tessalonicenses.

Paulo escreveu essas epístolas por ser o pastor fundador e estar preocupado com o bem-estar das igrejas plantadas por meio do seu ministério. Em geral, havia assuntos específicos com os quais ele se sentia compelido a lidar.

Com frequência, Paulo atacava as falsas doutrinas ou as condutas impróprias que ameaçavam a estabilidade da comunidade cristã. As epístolas por tratarem de questões específicas, não apresentam, uma teologia abrangente ou sistemática. O escrito que mais se aproxima de uma apresentação teológica sistemática é a epístola aos Romanos, a única epístola, entre as seis, escrita para uma igreja que Paulo não fundou.

5.2. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PAULINAS ESCRITAS NA PRISÃO

As epístolas de Paulo são teologias aplicadas, e o objetivo dele é que seus leitores vejam o mundo e a forma como eles vivem diante de Deus, e isso é apresentado em termos de categorias e assuntos específicos e concretos. Não há melhor exemplo da natureza pastoral dos ensinamentos de Paulo do que suas epístolas escritas na prisão.

Incerto do próprio destino quando escreveu essas quatro epístolas, Paulo transmite fé na soberania de Deus e a certeza do triunfo, independentemente do que possa acontecer a ele nesta vida. Paulo regozija-se, sabendo que nada poderia destruir o que Deus fizera em Jesus Cristo, tanto para a nova comunidade na qual Deus criara na igreja como também para os indivíduos que são membros dessa comunidade (Efésios). Paulo também sabe que Cristo compartilha essa soberania divina e que Ele, nosso Mediador, é quem capacita o crente, de forma que tudo que a pessoa precisa para honrar a Deus nesta vida esteja disponível agora (Colossenses). Na verdade, Jesus transforma os relacionamentos em todas as esferas sociais à medida que a vida é vivida à luz do perdão e da reconciliação, a essência da comunhão (Filemom). Assim, Paulo pode se regozijar e chamar todos os crentes a reconhecer que sua cidadania é celestial, transcendendo quaisquer circunstâncias e sofrimentos que possam enfrentar nesta vida (Filipenses).

Fazem parte das epístolas paulinas escritas na prisão:
Colossenses: A primazia de Jesus Cristo, apenas Ele é nosso Libertador e nossa esperança, aquEle que capacita os Cristãos.
Filemom: Comunhão plena em Cristo relacionamentos transformados pelo perdão e a reconciliação.
Efésios: Em direção à congregação de todas as coisas em Cristo – O poder de Deus na nova aliança de judeus e gentios.
Filipenses: Conhecer a Cristo e viver como cidadãos celestiais em um mundo caído.

As epístolas escritas na prisão refletem o casamento da profunda teologia de Paulo com as preocupações pastorais. Deus triunfa na cruz e na ressurreição de Jesus. Assim, o Pai estende sua libertação àqueles que vão a Ele pela fé. Isso quer dizer que os crentes fazem parte do que Deus usa para refletir a redenção de toda a criação. Essa esperança suprema quer dizer que a vida neste mundo também é transformada.

5.3. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS DE PAULO

As epístolas de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são conhecidas como epístolas pastorais. Embora nenhuma dessas epístolas use o termo “pastor”, elas tratam de questões importantes enfrentadas pelos que são chamados a posição de liderança na igreja. Os livros afirmam que foram escritos por Paulo para seus companheiros, Timóteo e Tito, a fim de encorajá-los a permanecer firmes no evangelho em face de desafios heréticos. Embora endereçadas especificamente a Timóteo e Tito, essas epístolas devem ser lidas por toda a igreja, não apenas por seus líderes.

O núcleo teológico das epístolas pastorais é a necessidade de defender a fé contra os encorajadores de erros prejudiciais. Nessas cartas, o termo “a fé” é o verdadeiro objetivo do evangelho da graça de Deus que Ele viabilizou por intermédio da obra salvadora de Cristo, efetivada pelo ministério do Espírito Santo.

Para compreender a exata teologia dessas epístolas de forma apropriada é necessário estar familiarizado com a ameaça histórica dos falsos mestres em Éfeso e Creta. Esse histórico serve para esclarecer a ênfase teológica na obra da Trindade, a explicação da mensagem da salvação e as instruções concernentes à liderança e ao estilo de vida da igreja. Por conseguinte, examinar o erro que Paulo combate nos ajuda a avaliar a verdade que ele transmite para estabelecer uma igreja saudável.

6. TEOLOGIA DE HEBREUS

A epístola aos Hebreus, não é tanto uma epístola, mas um sermão na forma escrita. Esse sermão é dirigido a cristãos que estavam sob grande pressão por causa de sua ligação com Cristo.

A visão central de Cristo apresentada pelo autor de Hebreus é fundamentada no Antigo Testamento e em um conhecimento apurado da vida terrena, morte e ressurreição de Jesus. Ela é profundamente inspirada por uma reflexão teológica e por um significado dessas coisas em relação a fé e a vida cristãs.

A visão do escritor em relação a Cristo é a do Filho de Deus e Sumo Sacerdote exaltado que agora ocupa posição de honra suprema na presença de Deus. Assim é possível identificar quem Cristo realmente é e observar tudo que cumpriu no propósito eterno de Deus ao seguir o caminho da obediência.

Com essa concepção do Filho exaltado, os leitores podem enxergar sob uma nova perspectiva em relação a suas próprias circunstâncias difíceis e seguir com esperança renovada ao longo da trilha que Ele proclama para eles.

Essa visão de Cristo é o ponto central para o qual todos os principais temas teológicos de Hebreus se direciona, Cristo e sua missão; Do antigo para o novo: A história da salvação; e a vida cristã. Em cada um desses temas, o retrato de Cristo como o Filho exaltado e Sumo Sacerdote aparece de forma bastante incisiva.

7. TEOLOGIA DE TIAGO

A epístola de Tiago é conhecida por suas grandes exortações a respeito da vida prática cristã, um chamado para o exemplo de conduta cristã. Tiago não coloca nenhuma enfoque em temas teológicos como outros escritores bíblicos.

Ele não escreve com a finalidade de corrigir problemas doutrinários, mas para incentivar os cristãos a agir de acordo com o que acreditam, a ser “cumpridores da palavra e não somente ouvintes” (1:22). Embora Tiago enfatize a vida prática cristã, ele revela seus fundamentos teológicos e contribui com percepções distintivas para a teologia cristã.

Assuntos abordados por Tiago: Tentação, pecado, natureza humana, fé e obras, lei, oração, confissão e cura. Um bom resumo da mensagem seria, atos de amor e de bondade, não meras palavras, é a forma de os cristãos viverem sua fé e tornarem-se praticantes da Palavra.

8. TEOLOGIA DE PEDRO E JUDAS

A teologia de Judas é tratada junto com a teologia de Pedro pois os temas e composição literária de Judas são semelhantes aos temas de 2 Pedro, com foco nos falsos mestres, enquanto o tema principal de 1 Pedro é o sofrimento em meio a perseguição.

As três epístolas (1 Pedro, 2 Pedro e Judas), fornecem um grande ensino a respeito de quem é Jesus Cristo e muitos importantes tópicos teológicos, em especial 1 Pedro, relacionados intimamente com o que é dito sobre Cristo.

Uma das contribuições mais importantes dessas epístolas é o ensinamento sobre a Salvação que Cristo promoveu. É de extrema importância que Pedro enfatize a necessidade de o Messias sofrer e morrer em cumprimento da vontade de Deus (1Pe 1:11).

A obra de que Deus por meio da morte e ressurreição de Jesus Cristo proveu libertação espiritual da humanidade é outro tópico importante das epístolas de Pedro e de Judas.

Outros temas abordados nessas epístolas são: submissão e boas obras nas relações sociais; verdade cristã, ortodoxia e heresia; a autoria da Escritura; escatologia e julgamento.


FONTES:

5 – ROY B. ZUCK, Teologia do Novo Testamento, CPAD, 5.Ed 2012.