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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Se os discípulos não compreendiam Jesus, como hoje eu poderei compreender?... A Bíblia Responde #116

Jesus tinha um discípulo predileto/amado e isto certamente acontecia, não só porque João era jovem e necessitava de mais atenção, mas também derivado da sua personalidade que o permitia aproximar com mais intensidade do Senhor e da sua Palavra. Seria portanto João, o discípulo que melhor compreendia o sentido e os ensinamentos de Jesus. Ora, isto deixa-me preocupado, pelo seguinte, se entre os discípulos (doze apóstolos), que diariamente conviviam com Jesus, João era o mais próximo e íntimo, como poderemos nós (eu) hoje ter esta intimidade? (será possível que eu hoje compreenda melhor Jesus que os apóstolos? ou este facto apenas é verdadeiro antes de pentecostes, tendo depois todos se tornado mais perfeitos/íntimos/compreendendo melhor Jesus, portanto "mais santos?


Existe sim uma diferença entre antes e depois de pentecostes, a diferença se dava por conta da habitação do Espírito Santo.

João 14:26: "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito." Jesus estava falando aos Seus discípulos no Cenáculo, dando-lhes as últimas instruções antes de Sua morte. Este grupo especial de homens seria responsável por espalhar as boas novas de Jesus Cristo para o mundo inteiro. Eles tinham passado três anos e meio com Ele, assistindo os Seus milagres e ouvindo os Seus ensinamentos. Ao repassar esses ensinamentos para o resto do mundo, eles precisariam da ajuda especial de Deus em lembrar-se com precisão. Jesus disse que o Espírito Santo os ensinaria e lembraria do que tinha sido dito para que pudessem corretamente transmitir a mensagem aos outros.

Essa habitação do Espírito Santo, que todo crente desfruta hoje, nos possibilita uma intimidade ainda maior com Jesus do que quando os discípulos desfrutavam da companhia corpórea de Cristo. Jesus sabia da importância de possuirmos os Espirito Santo habitando em nós, basta analisarmos suas palavras: “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” João 16:7.

Mas, existe ainda, uma grande diferença entre nós e os discípulos que é a revelação completa de Deus a nossa disposição. Estou falando da Bíblia completa e finalizada em seu cânon de 66 livros. Deus se revelou a nós de maneira progressiva. Os discípulos enquanto andavam com Cristo não possuíam plena revelação, ainda existiam mistérios que eles não compreendiam. Apenas após a morte e ressurreição os apóstolos e discípulos entenderam muitas coisas e através de Divina inspiração escreveram os livros do Novo Testamento.

Hoje temos o privilégio de ter em nossas mãos a revelação plena, completa e finalizada de Deus, a Bíblia, devemos estudá-la para que possamos compreendê-la. O quanto conhecemos da Bíblia determina o quanto somos próximos de Deus e de Jesus Cristo.

Que Deus te abençoe.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Se a Bíblia foi inspirada por Deus, por que alguns homens autores da Bíblia desejaram morrer?... A Bíblia Responde #115

Se a Bíblia foi inspirada por Deus, por que alguns homens autores da Bíblia desejaram morrer?

Não vejo na bíblia um único autor que desejasse morrer, podemos sim ver exemplos como o do apóstolo Paulo que conseguia ver algo muito melhor lhe aguardando após a morte, conforme ele diz em Filipenses 1:21 “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.

Para Paulo a vida se resumia em Jesus Cristo; Cristo era a sua razão de ser. A morte o aliviaria das cargas terrenas e permitiria a ele concentrar-se totalmente em glorificar a Deus.

Essa certeza da vida eterna deve estar presente em cada cristão, não é um desejo de morrer, mas uma certeza de que quando esse dia chegar algo infinitamente melhor os esperam. E não existe nenhuma contradição entre a inspiração das Escrituras e o pensamento do maior escritor do Novo Testamento, o apóstolo Paulo.

Se quiser saber mais sobre o que significa dizer que a Bíblia foi inspirada leia este texto: http://www.gotquestions.org/Portugues/Biblia-inspirada.html

Em Cristo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quem se assentará ao lado de Jesus na glória?... A Bíblia Responde #111


Minha pergunta é complicada então preste bastante atenção: Teve um evento na bíblia que os apóstolos, queriam saber quem iria ficar ao lado direito ou esquerdo de Jesus na sua glória, e Ele falou que isso não lhe pertencia dar, mas sim A Deus Pai que tinha reservado esses lugares para escolhidos, ponto. Daqui a diante podemos fazer várias observações. A- se esses lugares estão vagos agora, então antes da rebelião eles tinham donos. B- esses donos fazem parte da rebelião, ou seja seria por acaso o Diabo e mais um de seus anjos. Concluindo...se esse lugar pertencia ao Diabo e mais um personagem podemos dizer que o Diabo fazia parte da trindade, ou melhor não existe trindade pois são 4 personagens no topo da hierarquia sem contarmos com o Espirito Santo...e pra quem esta reservado esses lugares, já que nenhum apóstolo merece, quem teria essa honra maior que dos apóstolos, julgo eu ser os maiores servos de Deus os apóstolos.

É importante antes de analisarmos o texto explicar um pouco do contexto desse episódio. Os apóstolos naquele momento ainda esperavam um reino terreno, ainda carregavam a esperança juntamente com a falta de entendimento, de que Jesus traria o seu reino para a terra e governaria sobre todos os povos. Tiago e João esperavam tronos terrenos onde Jesus governaria e esperavam estar juntos em lugar de honra nesse reino.

Esse entendimento aos poucos foram desfeitos e Jesus deixou muito claro que seu reino não pertencia a esse mundo, que ele inauguraria seu reino em sua passagem pela terra mas não na sua plenitude, o que irá ocorrer apenas no futuro escatológico. E, da mesma forma que Jesus rejeitou a ideia do reino terreno ele confirmou que os apóstolos ocuparam posição de honra junto à Ele.

Vamos analisar o texto referente ao pedido de Tiago e João em Mateus 20:20-28:

Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos. E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado. E, quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Neste incidente, Tiago e João revelam a força e a fraqueza do seu discipulado. Por um lado, é claro que eles não captaram ainda a verdadeira natureza do reino de Deus, e que não se contentaram com a certeza já dada por Jesus de que todos os seus apóstolos participarão da sua vitória final. Querem extrair dele mais a promessa de que eles dois ocuparão assentos especiais de honra quando Ele finalmente reinar em glória.

Por outro lado, a sua lealdade ao Mestre é tão forte, que se sentem confiantes em que serão capazes de suportar sofrimento, vergonha e perseguição por amor dele. No fim viu-se que eles de fato estavam preparados para aquelas penosas provas, como Jesus profetizou que estariam. Tiago foi martirizado por Herodes Agripa I em Jerusalém (Atos 12:2), e João, embora poupado da morte de mártir, passou o restante de sua longa existência em devotado serviço ao seu Mestre. Mas no futuro imediato, às vésperas de sua agonia, quando foi chamado a beber do seu cálice de tristeza e dor, os dois O abandonaram juntamente com os outros.

Portanto, Jesus teve de beber sozinho o cálice; e se tivesse deixado de bebê-lo, não haveria trono para Ele compartilhar com os seus apóstolos. Mas, como exatamente se sentariam ao redor dela naquele trono, Jesus afirma que Ele mesmo o ignora. Somente o Pai onisciente sabia quem ia ficar mais perto do seu Filho quando reinasse em triunfo.

Toda essa preocupação ligada ao orgulho de posição do reino era evidência de profunda incompreensão da parte de Tiago e João do sentido em que o termo “grandeza” devia ser aplicado ao “glorioso colégio apostólico”. Por isso Jesus contrasta, para especial benefício deles, os dois modos pelos quais se pode exercer autoridade e manifestar poder. Nas sociedades compostas de homens e mulheres pecadores, quase invariavelmente a posse de poder corrompe, e os governantes facilmente se tornam tiranos e opressores; no entanto, todos os potentados desse tipo são intitulados “grandes”. No reino de Deus, dado que o próprio Rei é servo, o título “grande” se reserva para os que, inspirados por seu exemplo, gastam-se livre e alegremente a serviço dos outros. A marca desse reino de Cristo é a cruz do criminoso, em que Ele coroou um ministério de serviço amoroso submetendo a sua vida a uma morte penal, pagando com isto o elevado preço que tinha de ser pago, se é que se havia de redimir a humanidade da culpa e do poder do pecado.

Diz-nos Lucas que, na última noite da vida terrena de Jesus, no cenáculo de Jerusalém, os apóstolos “suscitaram também entre si um discussão sobre qual deles parecia ser o maior”, e que depois Jesus lhes disse palavras muito semelhantes às registradas nos versículos 25-27 da presente seção. As melhores lições da vida não se aprendem todas de uma vez; e o bom mestre tem de perseverar pacientemente no empenho de fazer que compreendam a lição. Repetindo deste modo o seu ensinamento, Jesus estava possibilitando a seus discípulos demonstrar-se eles mesmos devotados “servos de Cristo”, depois da sua ressurreição.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Jesus das Escrituras - 1João 1.1-4


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Objetivo do Ministério Apostólico - (Pregação em Áudio)



segunda-feira, 7 de abril de 2014

O que vocês acham do ministério do Silas Malafaia?... A Bíblia Responde#36

 
 
                  
 
 
O que vocês tem a dizer sobre Silas Malafaia e seu ministerio? obs:admiro as pregações dele.
  
 
O trabalho do Silas Malafaia, indiscutivelmente tem grande influência dentro de nosso país, principalmente dentro do circulo pentecostal, seu trabalho é amplamente conhecido, no entanto é importante sempre compararmos um ministério a luz do ensino das Escrituras, do que deve ser um ministério de acordo com a Bíblia, a fama, sucesso, ou resultado com números, não é a comprovação de que é bíblico, em outras palavras, números e fama não são sinônimo de que seja bíblico.

Precisamos fazer aqui uma distinção, de fato nunca podemos conhecer as intenções do coração, porque isso somente Deus pode, todavia, pelos ensinamentos e maneira de proceder, podemos julgar segundo o ensino das Escrituras, conforme o apóstolo Paulo nos fala, mesmo que fosse um anjo que viesse a ensinar um Evangelho diferente do pregado, que fosse maldito, (Gal 1.8), sendo assim, se devemos julgar segundo o apóstolo Paulo, ensinos, então nos é lícito confrontar os ensinamentos de acordo com as Escrituras, para isso precisamos manejar bem a palavra da verdade (2 Tim 2.15).

A função de um pastor é expor somente a Bíblia, e a sua mensagem, quer seja oportuno ou não, ( 2 Tm 4.2) Paulo fala que o presbítero deve ser preocupado com exemplo, Paulo diz a Timoteo que sua pregação e ensino deve estar baseada integralmente na Bíblia, e é isso que um pregador bíblico deve fazer, expor o texto bíblico dentro de seu contexto histórico e gramatical, explicá-lo e aplicá-lo, Timóteo não esta autorizado a inserir suas opiniões como fonte de ensino e sim o ensino da Bíblia, não é desta forma a pregação de Silas, seus sermões são baseados muito mais na exposição de suas próprias opiniões, com inserção de versículos bíblicos para "avalizar" suas ideias, mas não é assim que vemos Paulo dizendo:

Pregue a "PALAVRA" de DEUS, não a sua palavra (2 Tim 4.2), temos que ser fiéis ao texto, não dando ênfase no que queremos, mas no que a Bíblia diz, infelizmente é como a maioria das pregações do Silas Malafaia, são pregações preparadas mais com base na faculdade de psicologia dele do que na proclamação do Evangelho da Graça de Deus, ensinando sobre pecado e arrependimento. 

Paulo ensina a Timóteo em sua primeira carta as características que acompanham um Pastor ou Presbítero para a obra do ministério, no capítulo 3, Paulo vai descrever as especificações requeridas para o ministério, entre elas que ele seja "irrepreensível", (verso 2), um bom testemunho aos de fora (verso 7), entenda aos de fora, como se referindo aos incrédulos, e por fim não avarento (verso 3), este útlimo se refere a que os líderes devem ser motivado por amor a Deus, e ao seu povo, e não pelo dinheiro, um líder que que exerce o ministério por dinheiro, revela que tem o coração no mundo e não nas coisas de Deus (At 20.33; Mt 6.24; 1Jo 2.15).
 
Pedro diz em sua carta que os presbíteros devem pastorear o rebanho de Deus não por constrangimento nem ganância, mas de boa vontade e sendo exemplos do rebanho (1 Pe 5.2,3), o pastor Silas Malafaia é um dos maiores proponentes da Teologia chamada "Evangelho da Prosperidade", onde ele em seu programa de televisão já fez a campanha da "semente", onde a pessoa dava R$1000,00 que ela estaria plantando para semear por fé, juntamente com outro homem chamado Mike Murdock, que está sendo processado nos EUA, por vários tipos de fraude,  ele ainda fez várias críticas que aqueles pastores que não pregavam estas doutrinas eram "idiotas" e deveriam perder a credencial, em outra ocasião ele foi a público em uma rede de tv, entrevistado para dizer que não eram tantos "milhões" que ele tinha, será necessário um pastor ter jato particular? Segundo a ordem de Paulo a Timóteo de ser um bom exemplo para os incrédulos, será que ele se preocupou com isso?

 Para você entender o real problema com esta doutrina que é defendida por ele como sendo "bíblica" sugiro este excelente texto:

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/06/afinal-o-que-esta-errado-com-teologia.html

Por fim, vemos por toda Bíblia, que aqueles que professam fé em Cristo, mas que tem uma conduta e ensino diferente do ensino apostólico das Escrituras, com estes não devemos nos relacionar,conforme vemos na ordem de não ter jugo desigual com falsos mestres 2 Co 6.14, novamente vemos uma parceria entre Silas Malafaia e um homem chamado Rene Terra Nova, se você não conhece veja:

http://wilsonporte.blogspot.com.br/2011/04/apostolo-terra-nova-e-seus-12-decretos.html,

Comparando ao que Paulo fala para Timóteo, é bastante diferente não é? Estes posicionamentos de Silas em relação a estes assuntos, são contrários ao ensinamento da Bíblia e para o cristão a Bíblia é a palavra última, sendo assim ela deve ser nosso balizador, não sucesso ou fama, agora você pode a luz das Escrituras comparar se o ministério dele tem ou não prezado pelo ensino bíblico.

Em Cristo

   

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Você Pergunta... A Bíblia Responde #22



Liturgicamente no Batismo nas águas o que deve ser pronunciado "EXATAMENTE" ? Colossenses 3:17..... "E quando fizeres por palavras ou por obras, fazei "T U D O" em nome de Jesus... -Sabemos que se iniciamos um culto a Deus, abrimos "EM NOME DE JESUS" -Se abrimos o Sacramento da Santa Ceia é "EM NOME DE JESUS" -Se abrirmos o Sacramento da Unção é "EM NOME DE JESUS" -Se expulsamos demônios é "EM NOME DE JESUS" Não teríamos que pronunciar antes da "FÓRMULA BATISMAL" de Mateus 28:19 o mandamento que está em Colossenses 3:17 ? Em Atos 22:16 manda "INVOCAR" expressamente o nome do Senhor.... Atos 22:16 E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados "INVOCANDO" o nome do Senhor. "Em nome do Senhor Jesus te batizo (Mandamento)... ....em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém (Fórmula sacramental)" A pergunta crucial é.... Para legitimar o batismo em sua fórmula de Mateus 28:19, não teríamos que selarmos com atos 22:16 ?


A sua dúvida irmão, já foi debatida em outras ocasiões através da história da Igreja Cristã. Em Atos vemos algumas expressões diferentes usadas em relação ao batismo, alguns sugerem inclusive que os Apóstolos não usavam a fórmula batismal de Mateus 28:19.

A fórmula do batismo está prescrita de maneira autoritativa em Mateus 28:19. Cristo deu um mandamento perenemente obrigatório à sua Igreja de batizar “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

Segundo essa fórmula, o que recebe o batismo como rito cristão por isso professa estar naquela relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo que mantêm aqueles que professam receber a Deus Pai como seu Pai; a Deus Filho como seu Salvador; e a Deus Espírito Santo como seu mestre e santificador. E isso envolve o compromisso de receber a Palavra, da qual o Espírito é o Autor, como regra de sua fé e de sua prática.

Em Atos lemos reiteradamente que os Apóstolos batizaram seus conversos em “o nome de Cristo” (At 2:38 por exemplo). Não se deve inferir, com base nessa fato, que eles se afastaram da forma prescrita em Mateus 28:19, e administraram a ordenança usando as palavras “eu te batizo no nome de Cristo”, ou “eu te batizo para Cristo”. É desnecessário pressupor tal coisa, porquanto o batizo administrado da maneira prescrita em Mateus 28:19 é um batismo tanto em nome, ou pela autoridade de Cristo, quanto para ou em referência a ele. E assim como essa inferência é desnecessária, é igualmente improvável. É bastante improvável que os Apóstolos se afastassem da forma tão solenemente prescrita por seu Divino Senhor; e ainda é improvável que haja ocorrido um desvio desse tipo, com base no fato de que a forma prescrita em Mateus tem sido empregada em todas as épocas e partes da Igreja.

Para legitimar um batismo devemos obrigatoriamente batizar “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, e por parte do novo membro da Igreja invisível de cristo devemos exigir um ato inteligente, voluntário, que por sua natureza envolve uma profissão de fé em Cristo e uma promessa de adesão a ele. Fazendo isso, estaremos invocando o nome e a autoridade do Senhor, e certamente estaremos operando legitimamente o sacramento do batismo sem a necessidade de acrescentar nenhuma vírgula a fórmula de Mateus 28:19.

Em Cristo.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Você Pergunta... A Bíblia Responde #7



Minha dúvida é: em Atos 2 acontece o pentecoste e os apóstolos agora tem a autoridade do espirito para realizar de maneira efetiva o que jesus falou em Mt 10;7,8,9. Em Atos 3 os apóstolos realizam o primeiro milagre depois da decida do Espírito Santo a pergunta é: quando Pedro pediu que o coxo fixasse os olhos neles o Espírito Santo revelou a eles a necessidade real daquele homem e testemunho vivo que ele poderia ser, assim como revelou a ele (Pedro) a tentativa de engano de Ananias em Atos 5. Em Atos 5 Pedro revela que Ananias mentiu ao Espírito Santo, em Atos 3 ao olhar fixamente para aquele homem o Espírito Santo o revela o que deveria ser feito? É correto meu entendimento? Se não porque esse pedido do apóstolo ao coxo?


Devemos, primeiramente, entender o que são “revelações”.

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,” Hebreus 1:1.

Seria impossível o homem conhecer a Deus, se Ele não se revelasse a nós. Então, Deus se revelou de muitas maneiras, sendo através de Jesus a mais importante de todas. Depois de Cristo ressuscitar, Deus inspirou divinamente homens que escreveram diversos livros que revelaram por completo toda a santavontade de Deus. Se quisermos saber qualquer assunto, ele está revelado para nós na Bíblia.

Revelação é tudo o que temos na Palavra de Deus. Em nossos dias existe muita distorção em torno da palavra “revelação”, temos toda a revelação necessária na Bíblia, diferentemente dos apóstolos que ainda não possuíam toda a Escritura pronta. Por esse motivo, quero que isso esteja bem esclarecido.

Sem dúvidas os apóstolos e os discípulos andavam cheios de alegria e do Espírito Santo (At 13:52), assim como nós também, como discípulos de Cristo, devemos buscar andar.

Creio, portanto, que sim, Pedro estava atento a direção do Espírito Santo, portanto ele fez aquilo que o coxo realmente necessitava, a cura do seu problema de nascença, bastou andar em obediência a Palavra de Deus.

Isso não significa dizer que iremos receber revelações especiais do Espírito Santo, e sim que teremos uma conduta de vida em obediência a Palavra de Deus, que mostra que realmente somos seguidores de Jesus Cristo.

1 João 3:24 “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.”

Por exemplo, se encontro uma pessoa mendigando na porta da Igreja onde congrego, e percebo que essa pessoa possui um grave ferimento que precisa ser tratado. Será que eu precisaria de uma revelação especial do Espírito Santo para saber que a maior necessidade dela é o auxílio médico do que apenas o meu dinheiro?

Se eu andar no Espírito Santo, em obediência a Deus, certamente irei ajudar essa pessoa com muito mais do que apenas a minha esmola.

Quando alguém menciona certas coisas que acontece entre cristãos, dizendo que estão recebendo uma mensagem do Espírito Santo, confesso que é algo que me cheira a espiritismo. Tudo o que o Espírito Santo nos quis revelar está na Sua Palavra e é dela que devemos falar. Se alguém estiver em pecado, o Espírito Santo me dará discernimento para falar àquela pessoa, mostrando na Palavra de Deus, a Bíblia, onde ela está errando, por quê está errando, como deve proceder, etc.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Teologia Bíblia do Novo Testamento e Seus Autores

A teologia bíblica estuda a Bíblia e organiza as conclusões em várias divisões e áreas de estudos, com a finalidade de estudar e conhecer a progressão da Revelação de Deus à humanidade desde a criação, queda, redenção e consumação, passando pelo Antigo Testamento e Novo Testamento.

A teologia bíblica parte da pesquisa exegética, ou seja, do específico para o geral. Em outras palavras, a teologia bíblica parte da exegese dos textos bíblicos como afirmação primeira, elaborando a partir dessa exegese afirmações decorrentes.

Através de um breve estudo da Teologia do Novo Testamento é possível observar a diversidade de vocabulários, diversidade de temas e também, claramente, apesar de toda essa diversidade a grande unidade entre todos os autores e textos do Novo Testamento, uma prova clara e garantida da inspiração divina das Escrituras Sagradas.

No Novo Testamento há a teologia de Mateus, de Marcos, de Lucas (Lc e At), de João (Jo, 1Jo, 2Jo, 3Jo e Ap), de Paulo (Cartas Paulinas), teologia de Hebreus, de Tiago, Pedro e Judas.

1. TEOLOGIA DE MATEUS

Os evangelhos de maneira distinta da maioria das biografias modernas, são relativamente breves. No Evangelho de Mateus fica claro que o escritor bíblico está apresentando um resumo do ensinamento de Jesus. A comparação de passagens semelhantes dos evangelhos sugere que cada escritor exerceu liberdade na apresentação e disposição do material. Essa liberdade permitiu que cada autor, sob inspiração do Espírito Santo, salientasse aspectos distintos das palavras e obras de Cristo.

Embora Jesus seja o foco central dos evangelhos, o relato de sua vida e de seus ensinamentos não é a única preocupação deles. Os evangelhos também ajudam a entender alguns dos fatores que levaram à formação da Igreja.

Ao mesmo tempo em que a vida e o ministério de Jesus são o foco do Evangelho de Mateus, ele também deixa claro que o que Jesus disse e fez, como também os eventos que conspiraram para levá-lo à cruz, faz parte do plano e propósito de Deus.

Todos os escritores dos evangelhos retratam a vida e o ministério de Jesus como o cumprimento da profecia e da expectativa do Antigo Testamento. Mas Mateus é bastante característico em relação a isso. Seus evangelho caracteriza-se por uma série de citações do Antigo Testamento introduzidas com o uso do verbo “cumprir”. A primeira ocorrência no evangelho de Mateus ilustra a natureza dessas introduções: “Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta” (Mt 1:22).

2. TEOLOGIA DE MARCOS

Entre os evangelhos sinóticos, certamente, Marcos é o menos considerado em comparação aos seus companheiros mais longos. Marcos possui apenas 10% do relato do Evangelho que contêm informações que não se encontram em Mateus e Lucas. É possível que isso tenha contribuído para o julgamento do Evangelho de Marcos o fato de ele, em essência, ser um resumo, ou condensação, dos evangelhos mais longos, em especial, o de Mateus. Inclusive Agostinho se referia a Marcos como o “abreviador” de Mateus.

Apesar dessa avaliação ter sido aceita como correta por mais de 1.800 anos, a partir do século XIX emergiu o consenso de que Marcos não é o “seguidor” de Mateus, como pensava Agostinho, mas foi o primeiro escritor de um Evangelho.

Vários aspectos do Evangelho de Marcos sugerem que essa ideia de Marcos como o primeiro seja a forma mais correta de apresentar os fatos. Pois se Marcos abreviou Mateus em vários pontos, fez um trabalho muito precário. Inclusive, a narrativa de Marcos da vida de Jesus, em mais de uma ocasião, é mais longa e detalhada que a de Mateus. Antes, Mateus, por comparação, parece ter resumido e condensado a narrativa.

Outro fator em favor dessa opinião está o fato do estilo utilizado em grego, o estilo de Marcos é com frequência mais deselegante em comparação com o de Mateus. Entretanto o fato dos escritos de Marcos conter algumas passagens em grego deselegante não deve nos surpreender nem nos desanimar, ao contrário, deve ser fonte de encorajamento. Esse fato fornece como ilustração, que Deus, com frequência, usa pessoas comuns para executar obras extraordinárias.

Embora muito do que Marcos escreveu em seu Evangelho seja ecoado nos evangelhos de Mateus e Lucas, seria errado pensar que ele não tem nada distinto a dizer. Marcos retrata a humanidade e a humilhação de Jesus de maneira única. Mostrou com grande efeito o que Jesus pretendia quando disse que “o Filhos do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (10:45). De modo igualmente empolgante o leitor consegue a compreensão de que seguir Jesus é um empreendimento com implicações profundas: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (8:34).

Marcos, também, teve uma intenção única se comparado a Mateus e Lucas na maneira de não transmitir uma impressão positiva dos discípulos. Isso se deve em parte pelo fato de eles serem retratados exatamente da forma como eram, um grupo de pessoas bastante comum. Marcos também ressalta a fragilidade e a falibilidade dos discípulos de forma mais clara que os outros escritores dos Evangelhos.

A intenção de Marcos era que seus leitores se identificassem totalmente com os discípulos, eram homens e mulheres comuns que fracassavam. Mas a certeza e a confiança deles não repousavam em si mesmos, mas em Deus.

3. TEOLOGIA DE LUCAS-ATOS

O Evangelho de Lucas e o livro de Atos dos apóstolos juntos totalizam 27,1% do Novo Testamento, além disso, apenas Lucas-Atos contam a história de Jesus Cristo, desde seu nascimento até o início da Igreja e do ministério de Paulo. Essa ligação é importante, pois fornece uma visão panorâmica dessa sequência de eventos.

Lucas-Atos possui muita atenção voltada para Jesus e aos discípulos, com isso, podemos pensar que o principal tema de Lucas é a história de Jesus e da Igreja. Todavia, a principal responsabilidade de Lucas é muito mais profunda. Ele retrata que o plano de Deus foi executado em cumprimento à promessa divina. A inauguração desse cumprimento vem por intermédio de Jesus e da Igreja, composta de judeus e de gentios. A conclusão desse cumprimento se dará quando Jesus retornar (At 3:18-26).

Lucas escreve para Teófilo a fim de assegurá-lo sobre as coisas que ele aprendeu (Lc 1:4). Todavia, dois aspectos desse proclamado cumprimento seriam problemáticos: um salvador morto, e uma comunidade de Deus, que incluía gentios, perseguida, quando Israel se agarrava à esperança da promessa.

Lucas-Atos garantem a Teófilo que a perseguição da Igreja não é um sinal de julgamento. Lucas nos mostra que a perseguição fora predita e é o meio pelo qual a mensagem poderia alcançar mais pessoas em todo o mundo. Também nos mostra que a morte do Messias fazia parte do plano de Deus, e de forma mais relevante, a sua ressurreição e ascensão à direita de Deus, de onde oferece, como Senhor, benefício da salvação para todo aquele que se entregar a Ele. Assim, Deus e sua atividade são o centro de Lucas-Atos dos Apóstolos.

4. TEOLOGIA DE JOÃO

A teologia joanina é cristológica. A pessoa de Jesus Cristo está no centro de tudo que o apóstolo João escreve. Quer no Evangelho de João, com sua ênfase única na Palavra que se fez carne, quer nas epístolas joaninas, como o foco na Palavra de vida em meio à controvérsia das opiniões errôneas da Igreja, quer em Apocalipse, com suas visões de Cristo exaltado e de seu triunfo final, o principal objetivo do apóstolo é explicar a seus leitores quem Jesus é.

Entretanto, isso não significa dizer que João não tratou de outros assuntos importantes em seus escritos. Isso apenas quer dizer que tudo o que João diz, independente do assunto que está sendo tratado, ele está quase sempre relacionando à sua ênfase cristológica.

Claramente o tema teológico fundamental é a cristologia, João também trata sobre a glorificação de Jesus, consistindo não só da exaltação pelo Pai, mas também de sua morte, ressurreição e ascensão. Seguindo a isso existe uma ênfase de João no Espírito Santo, o substituto de Jesus após a sua partida; a doutrina da salvação que é provavelmente o segundo tema mais importante dos escritos joaninos; a teologia de João em relação à cruz, incluindo nesse assunto a ênfase na morte de Jesus como parte do plano de Deus, a natureza voluntária da morte de Jesus e seus aspectos sacrificiais; regeneração; fé; vida eterna, essa retratada como uma experiência presente que está disponível aos crentes.

Por fim, a escatologia joanina, inclui a tensão existente no Evangelho de João e em apocalipse entre a escatologia “futura” e a escatologia “cumprida”.

João, como parte característica de seus escritos, faz o uso por repetida vezes de antíteses, como luz e trevas, fé e descrença, céu e terra, e carne e espírito. Esses pares de opostos são incrivelmente importantes para a compreensão da teologia joanina. Não somente pelo impacto que têm nos leitores, mas também por que eles ressaltam a apresentação de Jesus, por parte de João, como o Messias e o Filho de Deus em escolhas antitéticas. Em outras palavras, o leitor do Evangelho de João tem que escolher ficar a favor de Jesus ou contra Ele, e essa escolha determina seu destino eterno.

5. TEOLOGIA DE PAULO

5.1 TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS MISSIONÁRIAS DE PAULO

O perseguidor da igreja transformou-se em um missionário de destaque e deixou um legado escrito para as igrejas que fundou e onde logo passou a ser reconhecido por ter relevância e autoridade permanentes.

As seis primeiras epístolas de Paulo foram escritas, em um período de cerca de dez anos (48-58 d.C.), no curso de três viagens missionárias. Fazem parte das epístolas missionárias de Paulo: Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, 1 Tessalonicenses e 2 Tessalonicenses.

Paulo escreveu essas epístolas por ser o pastor fundador e estar preocupado com o bem-estar das igrejas plantadas por meio do seu ministério. Em geral, havia assuntos específicos com os quais ele se sentia compelido a lidar.

Com frequência, Paulo atacava as falsas doutrinas ou as condutas impróprias que ameaçavam a estabilidade da comunidade cristã. As epístolas por tratarem de questões específicas, não apresentam, uma teologia abrangente ou sistemática. O escrito que mais se aproxima de uma apresentação teológica sistemática é a epístola aos Romanos, a única epístola, entre as seis, escrita para uma igreja que Paulo não fundou.

5.2. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PAULINAS ESCRITAS NA PRISÃO

As epístolas de Paulo são teologias aplicadas, e o objetivo dele é que seus leitores vejam o mundo e a forma como eles vivem diante de Deus, e isso é apresentado em termos de categorias e assuntos específicos e concretos. Não há melhor exemplo da natureza pastoral dos ensinamentos de Paulo do que suas epístolas escritas na prisão.

Incerto do próprio destino quando escreveu essas quatro epístolas, Paulo transmite fé na soberania de Deus e a certeza do triunfo, independentemente do que possa acontecer a ele nesta vida. Paulo regozija-se, sabendo que nada poderia destruir o que Deus fizera em Jesus Cristo, tanto para a nova comunidade na qual Deus criara na igreja como também para os indivíduos que são membros dessa comunidade (Efésios). Paulo também sabe que Cristo compartilha essa soberania divina e que Ele, nosso Mediador, é quem capacita o crente, de forma que tudo que a pessoa precisa para honrar a Deus nesta vida esteja disponível agora (Colossenses). Na verdade, Jesus transforma os relacionamentos em todas as esferas sociais à medida que a vida é vivida à luz do perdão e da reconciliação, a essência da comunhão (Filemom). Assim, Paulo pode se regozijar e chamar todos os crentes a reconhecer que sua cidadania é celestial, transcendendo quaisquer circunstâncias e sofrimentos que possam enfrentar nesta vida (Filipenses).

Fazem parte das epístolas paulinas escritas na prisão:
Colossenses: A primazia de Jesus Cristo, apenas Ele é nosso Libertador e nossa esperança, aquEle que capacita os Cristãos.
Filemom: Comunhão plena em Cristo relacionamentos transformados pelo perdão e a reconciliação.
Efésios: Em direção à congregação de todas as coisas em Cristo – O poder de Deus na nova aliança de judeus e gentios.
Filipenses: Conhecer a Cristo e viver como cidadãos celestiais em um mundo caído.

As epístolas escritas na prisão refletem o casamento da profunda teologia de Paulo com as preocupações pastorais. Deus triunfa na cruz e na ressurreição de Jesus. Assim, o Pai estende sua libertação àqueles que vão a Ele pela fé. Isso quer dizer que os crentes fazem parte do que Deus usa para refletir a redenção de toda a criação. Essa esperança suprema quer dizer que a vida neste mundo também é transformada.

5.3. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS DE PAULO

As epístolas de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são conhecidas como epístolas pastorais. Embora nenhuma dessas epístolas use o termo “pastor”, elas tratam de questões importantes enfrentadas pelos que são chamados a posição de liderança na igreja. Os livros afirmam que foram escritos por Paulo para seus companheiros, Timóteo e Tito, a fim de encorajá-los a permanecer firmes no evangelho em face de desafios heréticos. Embora endereçadas especificamente a Timóteo e Tito, essas epístolas devem ser lidas por toda a igreja, não apenas por seus líderes.

O núcleo teológico das epístolas pastorais é a necessidade de defender a fé contra os encorajadores de erros prejudiciais. Nessas cartas, o termo “a fé” é o verdadeiro objetivo do evangelho da graça de Deus que Ele viabilizou por intermédio da obra salvadora de Cristo, efetivada pelo ministério do Espírito Santo.

Para compreender a exata teologia dessas epístolas de forma apropriada é necessário estar familiarizado com a ameaça histórica dos falsos mestres em Éfeso e Creta. Esse histórico serve para esclarecer a ênfase teológica na obra da Trindade, a explicação da mensagem da salvação e as instruções concernentes à liderança e ao estilo de vida da igreja. Por conseguinte, examinar o erro que Paulo combate nos ajuda a avaliar a verdade que ele transmite para estabelecer uma igreja saudável.

6. TEOLOGIA DE HEBREUS

A epístola aos Hebreus, não é tanto uma epístola, mas um sermão na forma escrita. Esse sermão é dirigido a cristãos que estavam sob grande pressão por causa de sua ligação com Cristo.

A visão central de Cristo apresentada pelo autor de Hebreus é fundamentada no Antigo Testamento e em um conhecimento apurado da vida terrena, morte e ressurreição de Jesus. Ela é profundamente inspirada por uma reflexão teológica e por um significado dessas coisas em relação a fé e a vida cristãs.

A visão do escritor em relação a Cristo é a do Filho de Deus e Sumo Sacerdote exaltado que agora ocupa posição de honra suprema na presença de Deus. Assim é possível identificar quem Cristo realmente é e observar tudo que cumpriu no propósito eterno de Deus ao seguir o caminho da obediência.

Com essa concepção do Filho exaltado, os leitores podem enxergar sob uma nova perspectiva em relação a suas próprias circunstâncias difíceis e seguir com esperança renovada ao longo da trilha que Ele proclama para eles.

Essa visão de Cristo é o ponto central para o qual todos os principais temas teológicos de Hebreus se direciona, Cristo e sua missão; Do antigo para o novo: A história da salvação; e a vida cristã. Em cada um desses temas, o retrato de Cristo como o Filho exaltado e Sumo Sacerdote aparece de forma bastante incisiva.

7. TEOLOGIA DE TIAGO

A epístola de Tiago é conhecida por suas grandes exortações a respeito da vida prática cristã, um chamado para o exemplo de conduta cristã. Tiago não coloca nenhuma enfoque em temas teológicos como outros escritores bíblicos.

Ele não escreve com a finalidade de corrigir problemas doutrinários, mas para incentivar os cristãos a agir de acordo com o que acreditam, a ser “cumpridores da palavra e não somente ouvintes” (1:22). Embora Tiago enfatize a vida prática cristã, ele revela seus fundamentos teológicos e contribui com percepções distintivas para a teologia cristã.

Assuntos abordados por Tiago: Tentação, pecado, natureza humana, fé e obras, lei, oração, confissão e cura. Um bom resumo da mensagem seria, atos de amor e de bondade, não meras palavras, é a forma de os cristãos viverem sua fé e tornarem-se praticantes da Palavra.

8. TEOLOGIA DE PEDRO E JUDAS

A teologia de Judas é tratada junto com a teologia de Pedro pois os temas e composição literária de Judas são semelhantes aos temas de 2 Pedro, com foco nos falsos mestres, enquanto o tema principal de 1 Pedro é o sofrimento em meio a perseguição.

As três epístolas (1 Pedro, 2 Pedro e Judas), fornecem um grande ensino a respeito de quem é Jesus Cristo e muitos importantes tópicos teológicos, em especial 1 Pedro, relacionados intimamente com o que é dito sobre Cristo.

Uma das contribuições mais importantes dessas epístolas é o ensinamento sobre a Salvação que Cristo promoveu. É de extrema importância que Pedro enfatize a necessidade de o Messias sofrer e morrer em cumprimento da vontade de Deus (1Pe 1:11).

A obra de que Deus por meio da morte e ressurreição de Jesus Cristo proveu libertação espiritual da humanidade é outro tópico importante das epístolas de Pedro e de Judas.

Outros temas abordados nessas epístolas são: submissão e boas obras nas relações sociais; verdade cristã, ortodoxia e heresia; a autoria da Escritura; escatologia e julgamento.


FONTES:

5 – ROY B. ZUCK, Teologia do Novo Testamento, CPAD, 5.Ed 2012.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cessacionismo X Continuísmo

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Dentro da Pneumatologia (doutrina do Espírito Santo) o assunto mais polêmico e de maior debate é acerca dos dons espirituais. Os dons miraculosos ou dons sobrenaturais cessaram, ou continuam em nosso dias?

Dentro desse assuntos temos duas grandes teorias, que posteriormente possuem mais alguns grupos internos que divergem entre si, mas todos derivam desses dois grandes grupos. De um lado o cessacionismo do outro o continuísmo.

Cessacionismo:é a visão cristã de teólogos reformados e batistas fundamentalistas, geralmente de origem puritana. Formulam que alguns dons do Espírito Santo foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. 1

Entendem os cessacionistas que tais e restritos dons serviram a um propósito, a fundação da Igreja Primitiva, em momento que os Apóstolos teriam que cumprir o ide sem possuir qualificação de doutores e mestres. O encerramento do livro (Bíblia) teria fechado toda a profecia fora da palavra.

Continuísmo:é a crença de que os dons do Espírito Santo são ainda distribuídos hoje, ainda estão em uso, e ainda são necessários na igreja. O mesmo Espírito Santo que habitava o apóstolo Paulo e presenteou-o com habilidades sobrenaturais e que estava presente durante os tempos do Antigo Testamento e também dotado tais habilidades aqueles a quem Deus escolheu especificamente para realizar as suas obras em tempos do Novo Testamento. O continuísmo acredita que este mesmo Espírito ainda se move e trabalha na igreja contemporânea.


Motivos pelo qual creio no Cessacionismo:

1) O cessacionismo é a posição que mais glorifica a Deus. No cessacionismo não há espaço para o homem. No pentecostalismo e todas as suas derivações, a atenção é voltada para o homem. O homem possui os dons espirituais; o homem possui o poder da cura; o homem tem o dom da fé; o homem tem o dom de línguas e etc. Não somente os dons são reconhecidos, mas revestidos de uma importância exagerada, tal que os fiéis são continuamente instados a buscá-los; por sua vez, aqueles que alegadamente recebem tais dons ocupam uma posição de destaque, reconhecimento e até mesmo de veneração. Assim toda a atenção está centrada no homem! Sim, existe “fé”, mas trata-se de uma “fé” cega e antropocêntrica. 2

2) Sola Scriptura – O encerramento do cânon bíblico torna-se desnecessário portadores de revelações novas, tendo em vista que toda a revelação pertinente ao nosso salvador Jesus Cristo e sobre a salvação foram totalmente reveladas. Tudo o que uma pessoa precisa saber para ser salva encontra-se escrito na Bíblia. A Bíblia é assim, totalmente infalível como plenamente suficiente não necessitando de ajustes ou de novas revelações.

Os dons sobrenaturais atuaram como selo de autenticação para os primeiros séculos da igreja, como forma de comprovar que aqueles homem encarregados em proclamar o Evangelho das boas novas eram de fato enviados de Deus.

3) Evidências Históricas – A história da igreja nos aponta para a descontinuidade dos dons sobrenaturais. Por maior que sejam os relatos miraculosos que possuímos em nossos dias, eles têm sido normalmente associados com cultos místicos e com ênfase no emocional e centrados no homem.

Até mesmo na própria Escritura Sagrada podemos observar uma descontinuidade pelos relatos dos milagres feitos pelos apóstolos, se buscarmos esses relatos veremos apenas em Atos os devidos registros. Sobre o livro de Atos ele não é um livro normativo para a Igreja, e sim de transição. Abaixo os registros:
Coxo curado por Pedro
At 3.6-9
Morte de Ananias e Safira
At 5.1-10
Restauração da vista de Saulo
At 9.17,18
Cura de Elimas
At 9.33-35
Ressurreição de Dorcas
At 9.36-41
Cegueira de Elimas
At 13.8-11
Cura de um coxo
At 14.8-10
Expulsão de demônio de uma jovem
At 16.16-18
Ressurreição de Êutico
At 20.9,10
Picada de cobra torna-se inócua
At 28.3-5
Cura do pai de Públio
At 28.7-9

4) O caráter temporário de alguns dons.

Conforme observamos em 1 Co capítulos 12, 13 e 14, fica claro que alguns dons passarão (1Co 13:8). O dom de apóstolo, a grande maioria das congregações admitem que esse dom cessou. Portanto, fica claro o caráter temporário de certos dons do Espírito Santo.

5) O exercícios de “dons” fora do propósito Bíblico.

Sem dúvidas o dom sobrenatural mais debatido em nossos dias é o dom de línguas, pegarei como base este para mostrar que os dons não são exercidos em nossos dias de acordo com os propósitos bíblicos para eles. Portanto não podem ser validados como dons legítimos.

"De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis" (1 Co 14.22).

O dom de línguas era para alcançar os incrédulos.

"E se alguém falar em língua estranha, faça-se isso por dois, ou quando muito três" (1 Co 14.27a).

Falam um de cada vez ou todos juntos? "...e por sua vez" (1 Co 14.27b).

"...e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja" (1 Co 14.27c).

Deve existir interpretação simultânea.

"As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar" (1 Co 14.34).

As mulheres não devem exercer esse dom em culto público.

O que temos visto nas igrejas? Elas observam essas regulamentações que Paulo orienta?

Paulo realmente considera a Igreja de Corinto como irmãos em Cristo, mas existe a evidência de que eram dons legítimos, pois Paulo nos assegura isto. Mas hoje em dia não creio que podemos considerar que os dons exercidos possam ser afirmados como legítimos, pois as orientações de Paulo estão todas registradas de maneira muito clara neste texto de 1 Coríntios capítulo 14, texto este que todos temos o livre acesso.

Tendo em vista que a grande característica de alguém cheio do Espírito Santo é a obediência a Palavra de Deus, sou compelido a não crer que o Cristo transmitido nessas congregações é o mesmo Jesus Cristo das Escrituras Sagradas. Pois elas simplesmente desprezam as orientações específicas de Paulo sobre um único dom.

Obviamente não quero ser injusto em afirmar que todas as igrejas que praticam línguas estão enquadradas nessa afirmação, mas tendo em vista as que possuo conhecimento, percebo um culto centrado totalmente no homem, onde é criado uma atmosfera emocional e atrativa para “manifestações” de todos os tipo, onde sequer posso considerar como línguas estranhas ou estrangeiras, e sim, não passa de mera glossolalia.


Creio existir muita confusão sobre dons e milagres, eu creio que milagres acontecem todos os dias. Tendo em vista o estado depravado do homem, toda a vez que alguém reconhece sua condição de pecador e se agarra em Cristo para a salvação, para mim é um grande milagre.

Creio também que Deus realiza milagres de curas através da oração, desde que seja a vontade de Deus que isso aconteça. Creio nos profetas que todos os domingos transmitem e expõem a Palavra de Deus simples e pura pelos púlpitos ao redor do mundo.

Mas não creio ser necessária nenhuma outra manifestação miraculosa além da maior de todas, o milagre da Bíblia, o milagre de Deus ter se revelado a nós e toda essa revelação estar disponível para que aprendamos sobre Ele, para que conheçamos a Ele e através Dele obtermos salvação.

Em Cristo

Fernando.


1Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, Pág. 174 e 177
2Felipe Sabino de Araújo Neto; www.monergismo.com, Cessacionismo e a Glória de Deus

domingo, 26 de agosto de 2012

Pode-se Confiar Num Cânon Criado Pela Igreja Primitiva?

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Se eu tiver fé, poderei fazer mais milagres do que Jesus?



Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai (João 14.12).

Jesus fez esta promessa aos seus discípulos na noite em que foi traído, antes de ir com eles para o Getsêmani, durante o jantar em que instituiu a Ceia. O Senhor falou que iria para o Pai preparar lugar para os discípulos (Jo 14.1-4), e em seguida explicou como eles chegariam lá (14.5-6). Respondendo ao pedido de Filipe para que lhes mostrasse o Pai, Jesus explica que Ele está de tal forma unido ao Pai, que vê-lo é ver o Pai (14.7-9). E como prova de que Ele está no Pai e o Pai está nEle, Jesus aponta para as obras que realizou (14.10-11). E em seguida, faz esta promessa, “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).

Este dito de Jesus é difícil porque parece prometer que seus discípulos seriam capazes de realizar os milagres que Ele realizou, e até mesmo maiores, se somente cressem nEle – e pelo que lemos no livro de Atos e na história da Igreja, esta promessa não parece ter-se cumprido. Compreender o real sentido desta passagem tem se tornado ainda mais crucial pois ela tem sido usada, após o surgimento do movimento pentecostal e seus desdobramentos, para defender modernas manifestações miraculosas, iguais e maiores dos que as efetuadas pelo próprio Jesus Cristo.

Há duas principais tentativas de interpretar este dito de Jesus:

1. As “obras” são os milagres físicos realizados por Jesus

A interpretação popular e mais comum, aceita pela maioria dos evangélicos no Brasil (esta maioria, por sua vez, é composta na maior parte por pentecostais e neopentecostais), é que Jesus realmente prometeu que seus discípulos seriam capazes de realizar os mesmos milagres que Ele realizou, e mesmo maiores. É importante notar que muitos membros de igrejas históricas, como presbiterianos, batistas, congregacionais e episcopais, entre outros, também foram influenciados por este ponto de vista. Nesta interpretação, a palavra “obras” é entendida exclusivamente como se referindo aos milagres físicos que Jesus realizou, como curas, exorcismos e ressurreição de mortos. Os adeptos desta interpretação entendem que existem hoje pastores, obreiros e crentes com capacidade para realizar os mesmos milagres de Jesus – e até maiores. Defendem que curas, visões, revelações e de outras atividades miraculosas estão acontecendo no seio de determinadas igrejas nos dias de hoje, exatamente como aconteceram nos dias de Jesus e dos apóstolos. E desta perspectiva, se uma igreja evangélica não realiza estes sinais e prodígios, significa que ela é fria, morta, sem fé viva em Jesus.

Apesar desta interpretação parecer piedosa e cheia de fé (e é por isto que muitos a aceitam), tem algumas dificuldades óbvias. Primeira, apesar dos milagres que realizaram, nem os apóstolos, que foram os cristãos mais próximos desta promessa, parecem ter suplantado aqueles de Jesus, em número e em natureza. Jesus andou sobre as águas, transformou água em vinho, acalmou tempestades e suas curas, segundo os Evangelhos, atingiram multidões. Não nos parece que os apóstolos, conforme temos no livro de Atos, suplantaram o Mestre neste ponto. Segundo, a História da Igreja não registra, após o período apostólico, a existência de homens que tivessem os mesmos dons miraculosos dos apóstolos e que tenham realizado milagres ao menos parecidos com os de Jesus. Na verdade, os grandes homens de Deus na História da Igreja nunca realizaram feitos miraculosos desta monta, como Agostinho, Lutero, Wycliffe, Calvino, Bunyan, Spurgeon, Moody, Lloyd-Jones, e muitos outros. Os pregadores pentecostais que afirmam ser capazes de realizar milagres semelhantes, e ainda maiores, não têm um ministério de cura e milagres consistente e ao menos semelhantes aos de Jesus. O famoso John Wimber, um dos maiores defensores das curas modernas, morreu de câncer na garganta. Antes de morrer, confessou que nunca conseguiu curar uma criança com problemas mentais, e nem conhecia ninguém que o tivesse feito.  Os cultos de cura de determinadas igrejas neopentecostais alegam milagres que são de difícil comprovação. Terceiro, esta interpretação deixa sem explicação o resto da frase de Jesus: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12). E por último, esta interpretação implica que os cristãos que não fizeram os mesmos milagres que Jesus fez não tiveram fé suficiente, e assim, coloca na categoria de crentes “frios” os grandes vultos da História da Igreja e milhões de cristãos que nunca ressuscitaram um morto ou curaram uma doença.

Esclareço que não estou dizendo que Deus não faz milagres hoje. Creio que Ele faz, sim. Creio que Ele é poderoso para agir de forma sobrenatural neste mundo e que Ele faz isto constantemente. O que estou questionando é a interpretação desta passagem que afirma que se tivermos fé faremos milagres maiores do que aqueles realizados por Jesus.

2. As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo

A outra interpretação entende que Jesus se referia obra de salvação de pecadores, na qual, obviamente, milagres poderiam ocorrer. Os principais argumentos em favor desta interpretação são estes:

a. A expressão “quem crê em mim” é usada consistentemente no Evangelho de João para se referir ao crente em geral, em contraste com o mundo que não crê. Examine as passagens abaixo:

  • Jo 6:35  Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
  • Jo 6:47  Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
  • Jo 11:25-26  Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?
  • Jo 12:46  Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

Fica claro pelas passagens acima que aqueles que crêem em Jesus são os crentes em geral, e que a fé em questão é a fé salvadora. Por analogia, a expressão “quem crê em mim” em João 14.12 também se refere a todo crente, e não àqueles que teriam uma fé tão forte que seriam capazes de exercer o mesmo poder de Jesus em realizar milagres – e até suplantá-lo!

b. O termo “obras” referindo-se às atividades de Jesus, é usado no Evangelho de João para se referir a tudo aquilo que Ele fez, conforme determinado pelo Pai, para mostrar Sua divindade, para salvar pecadores e para glorificar ao Pai. Veja estas passagens: Jo 4:34; 5:20,36;  6:28,29; 7:3; 9:3,4; 10:25,32,33,37,38; 14:10,11; 14:12; 15:24; 17:4. O termo “obras” não se refere exclusivamente aos milagres de Jesus, muito embora em algumas ocorrências os inclua. No contexto da passagem que estamos examinando, Jesus usa o termo “obras” para se referir às palavras que Ele tem falado: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10). É evidente, portanto, que não se pode entender o termo “obras” em Jo 14.12 como se referindo exclusivamente aos milagres físicos realizados por Jesus. O termo é muito mais abrangente e se refere à sua toda atividade terrena realizada com o fim de salvar pecadores: palavras, atitudes e, sem dúvida, milagres.

c. A frase “porque eu vou para junto do Pai” fornece a chave para entender este dito difícil. Enquanto Jesus estava neste mundo, sua ação salvadora era limitada pela sua presença física. Seu retorno à presença do Pai significava a expansão ilimitada do Reino pelo mundo através do trabalho dos discípulos, começando em Jerusalém e até os confins da terra. Como vimos, as “obras” que Ele realizou não se limitavam apenas aos milagres físicos, mas incluíam a influência dos mesmos nas pessoas e a pregação do Reino efetuada por Jesus. Estas obras, porém, estavam limitadas pela Sua presença física em apenas um único lugar ao mesmo tempo. As “obras maiores” a ser realizadas pelos que crêem devem ser entendidas deste ponto de vista: os discípulos, através da pregação da Palavra no mundo todo, suplantaram em muito a área de atuação e influência do Senhor Jesus, quando encarnado.

Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja.

O dito de Jesus, portanto, não está prometendo que qualquer crente que tenha fé suficiente será capaz de realizar os mesmos milagres que Jesus realizou e ainda maiores – a Escritura, a História e a realidade cotidiana estão aí para contestar esta interpretação – e sim que a Igreja seria capaz de avançar o Reino de Deus de uma forma que em muito suplantaria o que Jesus fez em seu ministério terreno. Os milagres certamente estariam e estão presentes, não como algo que sempre deve acontecer, dependendo da fé de alguns, e não por mãos de pretensos apóstolos e obreiros super-poderosos, mas como resposta do Cristo exaltado e glorificado às orações de seu povo.



Fonte: O Tempora, O Mores