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sábado, 14 de novembro de 2015

Cessacionismo x Continuísmo - Debate (Parte 2)


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cessacionismo x Continuísmo - Debate (Parte1)


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A cessação dos dons apostólicos




Por Jonathan Edwards
A opinião de dez líderes da história da Igreja:

1. João Crisóstomo (344–407)

A passagem inteira (falando sobre 1 Coríntios 12) é muito obscura, mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, fatos que ocorriam, mas agora não tem mais lugar.

(Fonte: João Crisóstomo, Homilias em I Coríntios, 36.7 Crisóstomo está comentando 1 Co. 12:1-2 como introdução ao capítulo inteiro. Citado de 1-2 Coríntios in: Ancient Christian Commentary Series, 146.)

2. Agostinho (354-430)

Nos tempos antigos o Espírito Santo veio sobre os crentes e eles falaram em línguas, que não haviam aprendido, conforme o Espírito concediam que falassem. Estes foram sinais adaptados ao tempo. Pois aquilo foi o sinal do Espírito Santo em todas as línguas [idiomas] para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser espalhado a todas as línguas sobre a terra. Isto foi feito por um sinal, e o sinal findou.

(Fonte: Agostinho. Homilias sobre a Primeira Epístola de João, 6.10. Cf. Schaff, NPNF, First Series, 7:497-98)

3. Teodoreto de Ciro (393-466)

Em tempos antigos, aqueles que aceitaram a divina pregação e que foram batizados para a sua salvação, receberam sinais visíveis da graça do Espírito Santo trabalhando neles. Alguns falaram em línguas que eles não sabiam e que ninguém lhes havia ensinado, enquanto outros realizaram milagres ou profetizaram.  O coríntios também fizeram essas coisas, mas não usaram os dons como deveriam ter usado. Eles estavam mais interessados em se mostrar do que em usar os dons para a edificação da igreja . . . Mesmo no nosso tempo a graça é dada para aqueles que são julgados dignos do santo batismo, mas não pode assumir a mesma forma que possuía naqueles dias.

(Fonte: Teodoreto de Ciro. Comentário sobra a primeira epístola aos Coríntios, 240, 43; em referência à 1Co 12:1,7.  Citado de 1-2 Coríntios, ACCS, 117).

4. Martinho Lutero (1483-1546)

Na Igreja primitiva, o Espírito Santo foi enviado de forma visível.  Ele desceu sobre Cristo na forma de uma pomba (Mt. 3:16), e à semelhança de fogo sobre os apóstolos e outros crentes.  (Atos 2:3) Esse derramamento visível do Espírito Santo foi necessário para o estabelecimento da Igreja primitiva, como também foram necessários os milagres que acompanharam o dom do Espírito Santo. Paulo explicou o propósito destes dons miraculosos do Espírito em I Coríntios 14:22, "as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem".  Uma vez que a Igreja tinha sido estabelecida e devidamente anunciada por estes milagres, a aparência visível do Espírito Santo cessou.

(Fonte: Martinho Lutero, traduzido por Theodore Graebner [Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1949], pp  150-172. A respeito do comentário de Lutero sobre Gálatas 4:6.)

5. João Calvino (1509-1564)

Embora Cristo não declare expressamente se Ele pretende que esse dom [de milagres] seja temporário ou a permaneça perpetuamente na Igreja, é mais provável que os milagres tenham sido prometidos apenas por um tempo, para dar brilho ao evangelho enquanto ele era novo ou em estado de obscuridade.

(Fonte: João Calvino, Comentário sobre os Evangelhos Sinóticos, III:389.)

O dom de cura, como o resto dos milagres, os quais o Senhor quis que fossem trazidos à luz por um tempo, desapareceu, a fim de tornar a pregação do Evangelho maravilhosa para sempre.

(Fonte: João Calvino, Institutas da Religião Cristã, IV: 19, 18.)

6. John Owen (1616-1683)

Dons que em sua própria natureza excederam completamente o poder de todas as nossas habilidades, essa dispensação do Espírito há muito cessou e onde ela agora é simulada por alguém, pode ser justamente presumida como um delírio entusiasmado.

(Fonte: John Owen, Obras, IV:518.)

7. Thomas Watson (1620-1686)

Claro, há tanta necessidade de ordenação hoje como no tempo de Cristo e no tempo dos apóstolos, quando então havia dons extraordinários na igreja, os quais agora cessaram.

(Fonte: Thomas Watson, As Bem-Aventuranças, 140.)

8. Mattew Henry (1662-1714)

O que eram esses dons nos é largamente dito no corpo do capítulo [1 Coríntios 12], ou seja, ofícios e poderes extraordinários, concedidos a ministros e cristãos nos primeiros séculos, para a convicção dos descrentes, e propagação do evangelho.

(Fonte: Mattew Henry, Comentário Completo, em referência a 1 Coríntios 12)

O dom de línguas foi um novo produto do espírito de profecia e dado por uma razão particular, retirar o judeu e demonstrar que todas as nações podem ser conduzidas à igreja. Estes e outros sinais da profecia, começaram como sinais, e há muito cessaram e foram deixados para trás, e nós não temos nenhum incentivo para esperar um avivamento deles; mas, pelo contrário, somos direcionados para o chamado das Escrituras a mais certa palavra de profecia, mais certa que vozes dos céus, e ela nos orienta a tomar cuidado, a busca-la e se firmar nela.

(Fonte: Mattew Henry, Prefácio ao Vol IV de sua Exposição do At e NT, vii.)

9. John Gill (1697-1771)

Agora esses dons foram concedidos comumente, pelo Espírito, aos apóstolos, profetas e pastores, ou anciãos da igreja, naqueles primeiros tempos: a cópia de Alexandria, e a versão Latina da Vulgata, dizem, "por um só Espírito".

(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:9)

Não; quando estes dons estavam presentes, nem todos os possuíam.  Quando a unção com óleo, a fim de curar o doente, estava em uso, ela só foi executada pelos anciãos da igreja, e não pelos seus membros comuns, que deveriam buscar o doente nesta ocasião.

(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:30.)

10. Jonathan Edwards (1703-1758)

Nos dias de sua [Jesus] encarnação, os seus discípulos tinham uma medida dos dons miraculosos do Espírito, sendo habilitados desta forma para ensinar e fazer milagres.  Mas, depois da ressurreição e ascensão, ocorreu o mais completo e notável derramamento do Espírito em seus dons milagrosos que já existiu, começando com o dia de Pentecostes, depois da ressureição Cristo e Sua ascenção ao céu.  E, em conseqüência disto, não somente aqui e ali uma pessoa extraordinária era dotada de dons extraordinários, mas eles eram comuns na igreja, e assim continuou durante a vida dos apóstolos, ou até a morte do último deles, mesmo o apóstolo João, que viveu por cerca de cem anos desde nascimento de Cristo, de modo que os primeiros cem anos da era cristã, ou o primeiro século, foi a era dos milagres.

Mas, logo após a finalização do cânon da Escritura quando o apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse, não muito antes de sua morte, os dons miraculosos tiveram seu fim na igreja. Pois, agora, a revelação escrita da mente e da vontade de Deus estava completa e estabelecida. Revelação na qual Deus havia perfeitamente gravado uma regra permanente e totalmente suficiente para Sua igreja em todas as eras.  Com a igreja e a nação judaica derrotadas, e a igreja cristã e a última dispensação da igreja de Deus estabelecidas, os dons miraculosos do Espírito já não eram mais necessários e, portanto, eles cessaram; pois embora eles tenham continuado na igreja por tantas eras, eles se extinguiram, e Deus fez com que fossem extintos porque já não havia ocasião favorável a eles.  E assim foi cumprido o que está dito no texto: “Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;. Havendo ciência, desaparecerá".  E agora parece ser o fim para todos os frutos do Espírito tais como estes, e não temos mais razão de esperar que voltem.

(Fonte: Jonathan Edwards, sermão intitulado "O Espírito Santo deve ser comunicado ao Santos para sempre, In na graça da caridade, ou amor divino", em 1 Coríntios 13:8)

Os dons extraordinários foram dados para a fundação e o estabelecimento da igreja no mundo. Mas, depois que o cânon das Escrituras foi concluído e a igreja cristã foi plenamente fundada e estabelecida, os dons extraordinários cessaram.

Fonte: Jonathan Edwards, Caridade e seus frutos, 29
Via: Cristão Reformado / Internautas Cristãos

Poderíamos adicionar a esta lista outros nomes: James Buchanan, R. L. Dabney, Charles Spurgeon, George Smeaton, Abraham Kuyper, William G. T. Shedd, B. B. Warfield. A. W. Pink, e assim por diante.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cessacionismo X Continuísmo

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Dentro da Pneumatologia (doutrina do Espírito Santo) o assunto mais polêmico e de maior debate é acerca dos dons espirituais. Os dons miraculosos ou dons sobrenaturais cessaram, ou continuam em nosso dias?

Dentro desse assuntos temos duas grandes teorias, que posteriormente possuem mais alguns grupos internos que divergem entre si, mas todos derivam desses dois grandes grupos. De um lado o cessacionismo do outro o continuísmo.

Cessacionismo:é a visão cristã de teólogos reformados e batistas fundamentalistas, geralmente de origem puritana. Formulam que alguns dons do Espírito Santo foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. 1

Entendem os cessacionistas que tais e restritos dons serviram a um propósito, a fundação da Igreja Primitiva, em momento que os Apóstolos teriam que cumprir o ide sem possuir qualificação de doutores e mestres. O encerramento do livro (Bíblia) teria fechado toda a profecia fora da palavra.

Continuísmo:é a crença de que os dons do Espírito Santo são ainda distribuídos hoje, ainda estão em uso, e ainda são necessários na igreja. O mesmo Espírito Santo que habitava o apóstolo Paulo e presenteou-o com habilidades sobrenaturais e que estava presente durante os tempos do Antigo Testamento e também dotado tais habilidades aqueles a quem Deus escolheu especificamente para realizar as suas obras em tempos do Novo Testamento. O continuísmo acredita que este mesmo Espírito ainda se move e trabalha na igreja contemporânea.


Motivos pelo qual creio no Cessacionismo:

1) O cessacionismo é a posição que mais glorifica a Deus. No cessacionismo não há espaço para o homem. No pentecostalismo e todas as suas derivações, a atenção é voltada para o homem. O homem possui os dons espirituais; o homem possui o poder da cura; o homem tem o dom da fé; o homem tem o dom de línguas e etc. Não somente os dons são reconhecidos, mas revestidos de uma importância exagerada, tal que os fiéis são continuamente instados a buscá-los; por sua vez, aqueles que alegadamente recebem tais dons ocupam uma posição de destaque, reconhecimento e até mesmo de veneração. Assim toda a atenção está centrada no homem! Sim, existe “fé”, mas trata-se de uma “fé” cega e antropocêntrica. 2

2) Sola Scriptura – O encerramento do cânon bíblico torna-se desnecessário portadores de revelações novas, tendo em vista que toda a revelação pertinente ao nosso salvador Jesus Cristo e sobre a salvação foram totalmente reveladas. Tudo o que uma pessoa precisa saber para ser salva encontra-se escrito na Bíblia. A Bíblia é assim, totalmente infalível como plenamente suficiente não necessitando de ajustes ou de novas revelações.

Os dons sobrenaturais atuaram como selo de autenticação para os primeiros séculos da igreja, como forma de comprovar que aqueles homem encarregados em proclamar o Evangelho das boas novas eram de fato enviados de Deus.

3) Evidências Históricas – A história da igreja nos aponta para a descontinuidade dos dons sobrenaturais. Por maior que sejam os relatos miraculosos que possuímos em nossos dias, eles têm sido normalmente associados com cultos místicos e com ênfase no emocional e centrados no homem.

Até mesmo na própria Escritura Sagrada podemos observar uma descontinuidade pelos relatos dos milagres feitos pelos apóstolos, se buscarmos esses relatos veremos apenas em Atos os devidos registros. Sobre o livro de Atos ele não é um livro normativo para a Igreja, e sim de transição. Abaixo os registros:
Coxo curado por Pedro
At 3.6-9
Morte de Ananias e Safira
At 5.1-10
Restauração da vista de Saulo
At 9.17,18
Cura de Elimas
At 9.33-35
Ressurreição de Dorcas
At 9.36-41
Cegueira de Elimas
At 13.8-11
Cura de um coxo
At 14.8-10
Expulsão de demônio de uma jovem
At 16.16-18
Ressurreição de Êutico
At 20.9,10
Picada de cobra torna-se inócua
At 28.3-5
Cura do pai de Públio
At 28.7-9

4) O caráter temporário de alguns dons.

Conforme observamos em 1 Co capítulos 12, 13 e 14, fica claro que alguns dons passarão (1Co 13:8). O dom de apóstolo, a grande maioria das congregações admitem que esse dom cessou. Portanto, fica claro o caráter temporário de certos dons do Espírito Santo.

5) O exercícios de “dons” fora do propósito Bíblico.

Sem dúvidas o dom sobrenatural mais debatido em nossos dias é o dom de línguas, pegarei como base este para mostrar que os dons não são exercidos em nossos dias de acordo com os propósitos bíblicos para eles. Portanto não podem ser validados como dons legítimos.

"De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis" (1 Co 14.22).

O dom de línguas era para alcançar os incrédulos.

"E se alguém falar em língua estranha, faça-se isso por dois, ou quando muito três" (1 Co 14.27a).

Falam um de cada vez ou todos juntos? "...e por sua vez" (1 Co 14.27b).

"...e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja" (1 Co 14.27c).

Deve existir interpretação simultânea.

"As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar" (1 Co 14.34).

As mulheres não devem exercer esse dom em culto público.

O que temos visto nas igrejas? Elas observam essas regulamentações que Paulo orienta?

Paulo realmente considera a Igreja de Corinto como irmãos em Cristo, mas existe a evidência de que eram dons legítimos, pois Paulo nos assegura isto. Mas hoje em dia não creio que podemos considerar que os dons exercidos possam ser afirmados como legítimos, pois as orientações de Paulo estão todas registradas de maneira muito clara neste texto de 1 Coríntios capítulo 14, texto este que todos temos o livre acesso.

Tendo em vista que a grande característica de alguém cheio do Espírito Santo é a obediência a Palavra de Deus, sou compelido a não crer que o Cristo transmitido nessas congregações é o mesmo Jesus Cristo das Escrituras Sagradas. Pois elas simplesmente desprezam as orientações específicas de Paulo sobre um único dom.

Obviamente não quero ser injusto em afirmar que todas as igrejas que praticam línguas estão enquadradas nessa afirmação, mas tendo em vista as que possuo conhecimento, percebo um culto centrado totalmente no homem, onde é criado uma atmosfera emocional e atrativa para “manifestações” de todos os tipo, onde sequer posso considerar como línguas estranhas ou estrangeiras, e sim, não passa de mera glossolalia.


Creio existir muita confusão sobre dons e milagres, eu creio que milagres acontecem todos os dias. Tendo em vista o estado depravado do homem, toda a vez que alguém reconhece sua condição de pecador e se agarra em Cristo para a salvação, para mim é um grande milagre.

Creio também que Deus realiza milagres de curas através da oração, desde que seja a vontade de Deus que isso aconteça. Creio nos profetas que todos os domingos transmitem e expõem a Palavra de Deus simples e pura pelos púlpitos ao redor do mundo.

Mas não creio ser necessária nenhuma outra manifestação miraculosa além da maior de todas, o milagre da Bíblia, o milagre de Deus ter se revelado a nós e toda essa revelação estar disponível para que aprendamos sobre Ele, para que conheçamos a Ele e através Dele obtermos salvação.

Em Cristo

Fernando.


1Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, Pág. 174 e 177
2Felipe Sabino de Araújo Neto; www.monergismo.com, Cessacionismo e a Glória de Deus