Mostrando postagens com marcador Teologia bíblica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teologia bíblica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Breve Teologia Bíblica do Decálogo



O Antigo Testamento é rico de muitos modos, em seus vários tipos de literatura (história, lei, poesia, profecia), em seu período histórico (da criação à restauração de Israel do exílio), em seus detalhes proféticos concernentes à Primeira e Segunda Vinda de Cristo, e em seu tema multifacetado. Todo aquele que lê o Antigo Testamento percebe nitidamente a gama de temas, entre eles, falando em termos gerais: Deus, o homem, o pecado, a relação ligada à redenção e aliança de Deus com o homem, e o futuro governo messiânico do Filho de Deus, o Messias. Como os vários segmentos da Bíblia se relacionam com estes temas, é a função da Teologia Bíblica mostrar o que a Bíblia ensina teologicamente.

BREVE TEOLOGIA BÍBLICA DO DECÁLOGO

Os Dez Mandamentos são dez leis na Bíblia que Deus deu à nação de Israel logo após o êxodo do Egito. Os Dez Mandamentos são essencialmente um resumo dos mais de 600 mandamentos contidos na Lei do Antigo Testamento. Os primeiros quatro mandamentos lidam com a nossa relação com Deus. Os outros seis mandamentos lidam com os nossos relacionamentos com os outros. Os Dez Mandamentos estão registrados na Bíblia em Êxodo 20:1-17 e Deuteronômio 5:6-21

O PRIMEIRO MANDAMENTO – “Não terás outros deuses diante de mim”. Este mandamento é contra a adoração de qualquer deus que não seja o único e verdadeiro Deus. Todos os outros são falsos deuses.

Este primeiro mandamento trata diretamente da relação pressuposta pelo tratado do soberano e servo. O Senhor em virtude de eleger e libertar salvadoramente o povo tirando-o de outro senhor (o Egito), ordena os israelitas a empreender e manter uma atitude de lealdade indivisa a Ele. “Não terás outros deuses diante de mim” (v.3) é uma afirmação categórica das reivindicações exclusivas do Senhor de domínio e adoração. Violar este mandamento é repudiar a totalidade da relação entre soberano e vassalo, pois se trata de alta traição.

Deus durante todo o Antigo Testamento e eras da revelação da Sua Promessa, enfatizou que Ele é o único Deus, e que o povo deveria prestar total reverência e viver de acordo com suas leis, pois fazendo isso eles seriam o seu povo.

O SEGUNDO MANDAMENTO – “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Este mandamento proíbe a representação do Senhor por qualquer tipo de ídolo ou semelhança, pois representá-Lo é limitar o Deus soberano e confundir o Criador com a criação. Os que praticam idolatria aborrecem o Senhor, ao passo que os que não a praticam são os que o amam. Os idólatras, pelo próprio ato da idolatria, rejeitam o verdadeiro Deus quando Ele escolhe revelar-se, e escolhem uma invenção da sua própria imaginação. Por outro lado, os que o amam lhe obedecem, tornam-se recebedores do seu amor recíproco. A lealdade ao Senhor por parte do povo-servo ocasionará a resposta de compromisso leal e infalível a eles.

Este mandamento é contra a fabricação de ídolos, representações visíveis de Deus. Não existe imagem que nós possamos criar que possa precisamente retratar a Deus. Fazer com que um ídolo represente Deus é adorar um falso deus. Calvino escreveu sabiamente: “O coração do homem é uma fábrica de ídolos”, por todo o Antigo Testamento vemos isso claramente, por inúmeras vezes o povo se voltava a todos os tipos de idolatria. Hoje em dia continuamos a ver o homem produzindo ídolos para si, até mesmo dentro das igrejas ditas como evangélicas, pessoas adorando um Deus criado a partir de suas próprias mentes e nem um pouco parecido com o Deus das Escrituras.

TERCEIRO MANDAMENTO – “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

Este mandamento conecta o nome do Senhor com o próprio Senhor. O abuso do nome divino é equivalente a sacrilégio, pois no antigo Oriente Próximo e em Israel os nomes não só descreviam os atributos, caráter e destino dos indivíduos nomeados, mas, às vezes, era sinônimo de pessoa. Abusar do nome divino ou usá-lo sem propósitos ou de maneira imprópria é tentar manipular Deus para fins e propósitos humanos. É um esforço arrogante do servo obter vantagem para si, prostituindo esse nome e Pessoa santos, desta forma invertendo o papel para o qual ele foi posto em comunhão.

Este é um mandamento contra o tomar o nome do Senhor em vão. Não devemos tratar o nome de Deus levianamente. Devemos demonstrar reverência a Deus mencionando-o apenas de formas respeitosas e honrosas. Deus preza pelo Seu Santo Nome, e esse cuidado é expressando nesse mandamento.

QUARTO MANDAMENTO – “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”.
Este mandamento tira o foco do reconhecimento apropriado e respeito à Pessoa do Senhor como Deus de Israel e coloca no regulamento do exercício do domínio humano sobre a terra. Ele tem de “lembrar-se do dia do sábado, para o santificar” (Ex 20:8). Essa lembrança é feita pela interrupção do trabalho comum, no sétimo dia da semana, pela família israelita, seus servos e até as bestas de carga. A significação teológica sugerem que as razões para separar o dia são:

1 – que o Senhor fez todas as coisas em seis dias e descansou no sétimo e

2 – que Ele celebrou essa cessação de trabalho criativo pondo de lado o dia de descanso para ser um memorial.

Deus é o Senhor sobre o espaço e tempo. O homem como vice-regente e imagem de Deus também tem de cessar o trabalho no antegozo de um “dia de descanso” de dimensões tanto históricas quanto escatológicas. Em termos de concerto sinaítico, o sábado era para lembrar Israel do seu papel como povo-servo e do cumprimento desse papel no dia de descanso.

QUINTO MANDAMENTO - “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Este é um mandamento para sempre tratar os seus pais com honra e respeito.

A referência ao trabalho no quarto mandamento agora é ligada à terra no quinto, pois a obediência com relação à avaliação apropriada dos pais resultará em vida longa na terra. É apropriado que os pais humanos sejam honrados como representantes do Senhor a quem devemos a mais alta deferência e honra. Honrar os pais é honrar o Senhor, e desonrá-los é nada mais que violação e infidelidade. O quinto mandamento pertence às dimensões verticais da relação humana.

O SEXTO MANDAMENTO - “Não matarás”. Este é um mandamento contra o assassinato premeditado de outro ser humano.

O homem não deve assassinar o membro da raça humana, pois tal assassinato é na realidade um ataque letal contra o próprio Deus. Porque a vida é, por via de regra, sagrada para Deus e para o homem principalmente. Por estas razões, a violação do homem ao ponto da morte é uma afronta à soberania de Deus, uma agressão no seu representante terreno.

O SÉTIMO MANDAMENTO - “Não adulterarás”. Este é um mandamento contra ter relações sexuais com qualquer pessoa que não seja o seu esposo ou esposa.

O adultério a nível humano é infidelidade, na verdade, é um análogo apropriado à infidelidade em nível mais alto, o nível divino-humano. A revelação bíblica é penetrante como frases como “não se prostituam após os seus deuses”, imagem que fala de Israel abandonar a Soberania redentora a favor de outro que não tem reivindicações ou legitimidade. Adultério é a mistura do verdadeiro e do falso, do santo e do profano, do puro e do corrupto. É a ultrapassagem da linha que circunscreve a relação de confiança entre parceiros que fizeram a promessa mútua de compromisso leal.

OITAVO MANDAMENTO - “Não furtarás”. Este é um mandamento contra tirar qualquer coisa que não nos pertence sem a permissão daquele a quem tal coisa pertence.

Roubar é cometer pelo menos três pecados contra Deus:

1 – Tirar de outro o que lhe foi dado e necessita para exercer mordomia;
2 – descumprir a própria tarefa com base no que Deus deu;
3 – arruinar os propósitos sábios de Deus que dá a cada um de acordo com a sua função e habilidade.

Todas as coisas, materiais e imateriais, pertencem a Deus e devem ser distribuídas segundo o seu desejo gracioso.

NONO MANDAMENTO - “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Este é um mandamento contra o testemunhar contra outra pessoa falsamente. É essencialmente um mandamento contra a mentira.

Na comunhão de compromisso comum, as negociações entre o israelita e seu companheiro devem ser tão honestas e confiáveis quanto entre um vassalo e seu senhor. Dizer falso testemunho é provocar discussão dentro da comunidade e interromper o funcionamento ordenado e harmonioso do reino.

DÉCIMO MANDAMENTO - “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. Este é um mandamento contra o desejar qualquer coisa que não lhe pertença. A cobiça pode levar a outras proibições listadas acima: assassinato, adultério e roubo. Se é errado fazer uma coisa, também é errado desejar fazer essa mesma coisa.

Os outros mandamentos inevitavelmente manifestam-se em expressão exterior até certo ponto ou outro, mas, teoricamente, a cobiça existe só na mente e no coração e nunca se evidencia em ato externo. No momento que se exterioriza não é mais cobiça. O desejo impróprio está no nível mais “espiritual” de roubo, adultério e seus semelhantes,e por isso é proibido.

Mesmo que a cobiça nunca se realize no comportamento público, é uma ruptura séria, porque o Senhor, que conhece o coração, se ofende com isso.A cobiça impugna a sabedoria e bondade de Deus, questionando a concessão divina das bênçãos da vida em acordo com o seu plano onisciente.


Finalmente, a função formal e teológica do Decálogo fica clara quando a vemos no contexto do ato redentor do êxodo e dos propósitos eletivos de Deus para Israel como povo vassalo, conduzindo na comunhão com Ele, a fim de servir como reino de sacerdotes. Particularmente os Dez Mandamentos, fornece as diretrizes segundo as quais este povo privilegiado tinha de ordenar-se para que realmente fosse uma nação santa capaz de exibir o reino de Deus e mediar os benefícios e promessas salvíficas para o mundo em geral da humanidade alienada.


Fontes:

Site Wikipedia
Site GotQuestions
Roy B. Zuck, Teologia do Antigo Testamento, Ed.CPAD, Rio de Janeiro, 2010.

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Teologia Bíblia do Novo Testamento e Seus Autores

A teologia bíblica estuda a Bíblia e organiza as conclusões em várias divisões e áreas de estudos, com a finalidade de estudar e conhecer a progressão da Revelação de Deus à humanidade desde a criação, queda, redenção e consumação, passando pelo Antigo Testamento e Novo Testamento.

A teologia bíblica parte da pesquisa exegética, ou seja, do específico para o geral. Em outras palavras, a teologia bíblica parte da exegese dos textos bíblicos como afirmação primeira, elaborando a partir dessa exegese afirmações decorrentes.

Através de um breve estudo da Teologia do Novo Testamento é possível observar a diversidade de vocabulários, diversidade de temas e também, claramente, apesar de toda essa diversidade a grande unidade entre todos os autores e textos do Novo Testamento, uma prova clara e garantida da inspiração divina das Escrituras Sagradas.

No Novo Testamento há a teologia de Mateus, de Marcos, de Lucas (Lc e At), de João (Jo, 1Jo, 2Jo, 3Jo e Ap), de Paulo (Cartas Paulinas), teologia de Hebreus, de Tiago, Pedro e Judas.

1. TEOLOGIA DE MATEUS

Os evangelhos de maneira distinta da maioria das biografias modernas, são relativamente breves. No Evangelho de Mateus fica claro que o escritor bíblico está apresentando um resumo do ensinamento de Jesus. A comparação de passagens semelhantes dos evangelhos sugere que cada escritor exerceu liberdade na apresentação e disposição do material. Essa liberdade permitiu que cada autor, sob inspiração do Espírito Santo, salientasse aspectos distintos das palavras e obras de Cristo.

Embora Jesus seja o foco central dos evangelhos, o relato de sua vida e de seus ensinamentos não é a única preocupação deles. Os evangelhos também ajudam a entender alguns dos fatores que levaram à formação da Igreja.

Ao mesmo tempo em que a vida e o ministério de Jesus são o foco do Evangelho de Mateus, ele também deixa claro que o que Jesus disse e fez, como também os eventos que conspiraram para levá-lo à cruz, faz parte do plano e propósito de Deus.

Todos os escritores dos evangelhos retratam a vida e o ministério de Jesus como o cumprimento da profecia e da expectativa do Antigo Testamento. Mas Mateus é bastante característico em relação a isso. Seus evangelho caracteriza-se por uma série de citações do Antigo Testamento introduzidas com o uso do verbo “cumprir”. A primeira ocorrência no evangelho de Mateus ilustra a natureza dessas introduções: “Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta” (Mt 1:22).

2. TEOLOGIA DE MARCOS

Entre os evangelhos sinóticos, certamente, Marcos é o menos considerado em comparação aos seus companheiros mais longos. Marcos possui apenas 10% do relato do Evangelho que contêm informações que não se encontram em Mateus e Lucas. É possível que isso tenha contribuído para o julgamento do Evangelho de Marcos o fato de ele, em essência, ser um resumo, ou condensação, dos evangelhos mais longos, em especial, o de Mateus. Inclusive Agostinho se referia a Marcos como o “abreviador” de Mateus.

Apesar dessa avaliação ter sido aceita como correta por mais de 1.800 anos, a partir do século XIX emergiu o consenso de que Marcos não é o “seguidor” de Mateus, como pensava Agostinho, mas foi o primeiro escritor de um Evangelho.

Vários aspectos do Evangelho de Marcos sugerem que essa ideia de Marcos como o primeiro seja a forma mais correta de apresentar os fatos. Pois se Marcos abreviou Mateus em vários pontos, fez um trabalho muito precário. Inclusive, a narrativa de Marcos da vida de Jesus, em mais de uma ocasião, é mais longa e detalhada que a de Mateus. Antes, Mateus, por comparação, parece ter resumido e condensado a narrativa.

Outro fator em favor dessa opinião está o fato do estilo utilizado em grego, o estilo de Marcos é com frequência mais deselegante em comparação com o de Mateus. Entretanto o fato dos escritos de Marcos conter algumas passagens em grego deselegante não deve nos surpreender nem nos desanimar, ao contrário, deve ser fonte de encorajamento. Esse fato fornece como ilustração, que Deus, com frequência, usa pessoas comuns para executar obras extraordinárias.

Embora muito do que Marcos escreveu em seu Evangelho seja ecoado nos evangelhos de Mateus e Lucas, seria errado pensar que ele não tem nada distinto a dizer. Marcos retrata a humanidade e a humilhação de Jesus de maneira única. Mostrou com grande efeito o que Jesus pretendia quando disse que “o Filhos do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (10:45). De modo igualmente empolgante o leitor consegue a compreensão de que seguir Jesus é um empreendimento com implicações profundas: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (8:34).

Marcos, também, teve uma intenção única se comparado a Mateus e Lucas na maneira de não transmitir uma impressão positiva dos discípulos. Isso se deve em parte pelo fato de eles serem retratados exatamente da forma como eram, um grupo de pessoas bastante comum. Marcos também ressalta a fragilidade e a falibilidade dos discípulos de forma mais clara que os outros escritores dos Evangelhos.

A intenção de Marcos era que seus leitores se identificassem totalmente com os discípulos, eram homens e mulheres comuns que fracassavam. Mas a certeza e a confiança deles não repousavam em si mesmos, mas em Deus.

3. TEOLOGIA DE LUCAS-ATOS

O Evangelho de Lucas e o livro de Atos dos apóstolos juntos totalizam 27,1% do Novo Testamento, além disso, apenas Lucas-Atos contam a história de Jesus Cristo, desde seu nascimento até o início da Igreja e do ministério de Paulo. Essa ligação é importante, pois fornece uma visão panorâmica dessa sequência de eventos.

Lucas-Atos possui muita atenção voltada para Jesus e aos discípulos, com isso, podemos pensar que o principal tema de Lucas é a história de Jesus e da Igreja. Todavia, a principal responsabilidade de Lucas é muito mais profunda. Ele retrata que o plano de Deus foi executado em cumprimento à promessa divina. A inauguração desse cumprimento vem por intermédio de Jesus e da Igreja, composta de judeus e de gentios. A conclusão desse cumprimento se dará quando Jesus retornar (At 3:18-26).

Lucas escreve para Teófilo a fim de assegurá-lo sobre as coisas que ele aprendeu (Lc 1:4). Todavia, dois aspectos desse proclamado cumprimento seriam problemáticos: um salvador morto, e uma comunidade de Deus, que incluía gentios, perseguida, quando Israel se agarrava à esperança da promessa.

Lucas-Atos garantem a Teófilo que a perseguição da Igreja não é um sinal de julgamento. Lucas nos mostra que a perseguição fora predita e é o meio pelo qual a mensagem poderia alcançar mais pessoas em todo o mundo. Também nos mostra que a morte do Messias fazia parte do plano de Deus, e de forma mais relevante, a sua ressurreição e ascensão à direita de Deus, de onde oferece, como Senhor, benefício da salvação para todo aquele que se entregar a Ele. Assim, Deus e sua atividade são o centro de Lucas-Atos dos Apóstolos.

4. TEOLOGIA DE JOÃO

A teologia joanina é cristológica. A pessoa de Jesus Cristo está no centro de tudo que o apóstolo João escreve. Quer no Evangelho de João, com sua ênfase única na Palavra que se fez carne, quer nas epístolas joaninas, como o foco na Palavra de vida em meio à controvérsia das opiniões errôneas da Igreja, quer em Apocalipse, com suas visões de Cristo exaltado e de seu triunfo final, o principal objetivo do apóstolo é explicar a seus leitores quem Jesus é.

Entretanto, isso não significa dizer que João não tratou de outros assuntos importantes em seus escritos. Isso apenas quer dizer que tudo o que João diz, independente do assunto que está sendo tratado, ele está quase sempre relacionando à sua ênfase cristológica.

Claramente o tema teológico fundamental é a cristologia, João também trata sobre a glorificação de Jesus, consistindo não só da exaltação pelo Pai, mas também de sua morte, ressurreição e ascensão. Seguindo a isso existe uma ênfase de João no Espírito Santo, o substituto de Jesus após a sua partida; a doutrina da salvação que é provavelmente o segundo tema mais importante dos escritos joaninos; a teologia de João em relação à cruz, incluindo nesse assunto a ênfase na morte de Jesus como parte do plano de Deus, a natureza voluntária da morte de Jesus e seus aspectos sacrificiais; regeneração; fé; vida eterna, essa retratada como uma experiência presente que está disponível aos crentes.

Por fim, a escatologia joanina, inclui a tensão existente no Evangelho de João e em apocalipse entre a escatologia “futura” e a escatologia “cumprida”.

João, como parte característica de seus escritos, faz o uso por repetida vezes de antíteses, como luz e trevas, fé e descrença, céu e terra, e carne e espírito. Esses pares de opostos são incrivelmente importantes para a compreensão da teologia joanina. Não somente pelo impacto que têm nos leitores, mas também por que eles ressaltam a apresentação de Jesus, por parte de João, como o Messias e o Filho de Deus em escolhas antitéticas. Em outras palavras, o leitor do Evangelho de João tem que escolher ficar a favor de Jesus ou contra Ele, e essa escolha determina seu destino eterno.

5. TEOLOGIA DE PAULO

5.1 TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS MISSIONÁRIAS DE PAULO

O perseguidor da igreja transformou-se em um missionário de destaque e deixou um legado escrito para as igrejas que fundou e onde logo passou a ser reconhecido por ter relevância e autoridade permanentes.

As seis primeiras epístolas de Paulo foram escritas, em um período de cerca de dez anos (48-58 d.C.), no curso de três viagens missionárias. Fazem parte das epístolas missionárias de Paulo: Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, 1 Tessalonicenses e 2 Tessalonicenses.

Paulo escreveu essas epístolas por ser o pastor fundador e estar preocupado com o bem-estar das igrejas plantadas por meio do seu ministério. Em geral, havia assuntos específicos com os quais ele se sentia compelido a lidar.

Com frequência, Paulo atacava as falsas doutrinas ou as condutas impróprias que ameaçavam a estabilidade da comunidade cristã. As epístolas por tratarem de questões específicas, não apresentam, uma teologia abrangente ou sistemática. O escrito que mais se aproxima de uma apresentação teológica sistemática é a epístola aos Romanos, a única epístola, entre as seis, escrita para uma igreja que Paulo não fundou.

5.2. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PAULINAS ESCRITAS NA PRISÃO

As epístolas de Paulo são teologias aplicadas, e o objetivo dele é que seus leitores vejam o mundo e a forma como eles vivem diante de Deus, e isso é apresentado em termos de categorias e assuntos específicos e concretos. Não há melhor exemplo da natureza pastoral dos ensinamentos de Paulo do que suas epístolas escritas na prisão.

Incerto do próprio destino quando escreveu essas quatro epístolas, Paulo transmite fé na soberania de Deus e a certeza do triunfo, independentemente do que possa acontecer a ele nesta vida. Paulo regozija-se, sabendo que nada poderia destruir o que Deus fizera em Jesus Cristo, tanto para a nova comunidade na qual Deus criara na igreja como também para os indivíduos que são membros dessa comunidade (Efésios). Paulo também sabe que Cristo compartilha essa soberania divina e que Ele, nosso Mediador, é quem capacita o crente, de forma que tudo que a pessoa precisa para honrar a Deus nesta vida esteja disponível agora (Colossenses). Na verdade, Jesus transforma os relacionamentos em todas as esferas sociais à medida que a vida é vivida à luz do perdão e da reconciliação, a essência da comunhão (Filemom). Assim, Paulo pode se regozijar e chamar todos os crentes a reconhecer que sua cidadania é celestial, transcendendo quaisquer circunstâncias e sofrimentos que possam enfrentar nesta vida (Filipenses).

Fazem parte das epístolas paulinas escritas na prisão:
Colossenses: A primazia de Jesus Cristo, apenas Ele é nosso Libertador e nossa esperança, aquEle que capacita os Cristãos.
Filemom: Comunhão plena em Cristo relacionamentos transformados pelo perdão e a reconciliação.
Efésios: Em direção à congregação de todas as coisas em Cristo – O poder de Deus na nova aliança de judeus e gentios.
Filipenses: Conhecer a Cristo e viver como cidadãos celestiais em um mundo caído.

As epístolas escritas na prisão refletem o casamento da profunda teologia de Paulo com as preocupações pastorais. Deus triunfa na cruz e na ressurreição de Jesus. Assim, o Pai estende sua libertação àqueles que vão a Ele pela fé. Isso quer dizer que os crentes fazem parte do que Deus usa para refletir a redenção de toda a criação. Essa esperança suprema quer dizer que a vida neste mundo também é transformada.

5.3. TEOLOGIA DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS DE PAULO

As epístolas de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são conhecidas como epístolas pastorais. Embora nenhuma dessas epístolas use o termo “pastor”, elas tratam de questões importantes enfrentadas pelos que são chamados a posição de liderança na igreja. Os livros afirmam que foram escritos por Paulo para seus companheiros, Timóteo e Tito, a fim de encorajá-los a permanecer firmes no evangelho em face de desafios heréticos. Embora endereçadas especificamente a Timóteo e Tito, essas epístolas devem ser lidas por toda a igreja, não apenas por seus líderes.

O núcleo teológico das epístolas pastorais é a necessidade de defender a fé contra os encorajadores de erros prejudiciais. Nessas cartas, o termo “a fé” é o verdadeiro objetivo do evangelho da graça de Deus que Ele viabilizou por intermédio da obra salvadora de Cristo, efetivada pelo ministério do Espírito Santo.

Para compreender a exata teologia dessas epístolas de forma apropriada é necessário estar familiarizado com a ameaça histórica dos falsos mestres em Éfeso e Creta. Esse histórico serve para esclarecer a ênfase teológica na obra da Trindade, a explicação da mensagem da salvação e as instruções concernentes à liderança e ao estilo de vida da igreja. Por conseguinte, examinar o erro que Paulo combate nos ajuda a avaliar a verdade que ele transmite para estabelecer uma igreja saudável.

6. TEOLOGIA DE HEBREUS

A epístola aos Hebreus, não é tanto uma epístola, mas um sermão na forma escrita. Esse sermão é dirigido a cristãos que estavam sob grande pressão por causa de sua ligação com Cristo.

A visão central de Cristo apresentada pelo autor de Hebreus é fundamentada no Antigo Testamento e em um conhecimento apurado da vida terrena, morte e ressurreição de Jesus. Ela é profundamente inspirada por uma reflexão teológica e por um significado dessas coisas em relação a fé e a vida cristãs.

A visão do escritor em relação a Cristo é a do Filho de Deus e Sumo Sacerdote exaltado que agora ocupa posição de honra suprema na presença de Deus. Assim é possível identificar quem Cristo realmente é e observar tudo que cumpriu no propósito eterno de Deus ao seguir o caminho da obediência.

Com essa concepção do Filho exaltado, os leitores podem enxergar sob uma nova perspectiva em relação a suas próprias circunstâncias difíceis e seguir com esperança renovada ao longo da trilha que Ele proclama para eles.

Essa visão de Cristo é o ponto central para o qual todos os principais temas teológicos de Hebreus se direciona, Cristo e sua missão; Do antigo para o novo: A história da salvação; e a vida cristã. Em cada um desses temas, o retrato de Cristo como o Filho exaltado e Sumo Sacerdote aparece de forma bastante incisiva.

7. TEOLOGIA DE TIAGO

A epístola de Tiago é conhecida por suas grandes exortações a respeito da vida prática cristã, um chamado para o exemplo de conduta cristã. Tiago não coloca nenhuma enfoque em temas teológicos como outros escritores bíblicos.

Ele não escreve com a finalidade de corrigir problemas doutrinários, mas para incentivar os cristãos a agir de acordo com o que acreditam, a ser “cumpridores da palavra e não somente ouvintes” (1:22). Embora Tiago enfatize a vida prática cristã, ele revela seus fundamentos teológicos e contribui com percepções distintivas para a teologia cristã.

Assuntos abordados por Tiago: Tentação, pecado, natureza humana, fé e obras, lei, oração, confissão e cura. Um bom resumo da mensagem seria, atos de amor e de bondade, não meras palavras, é a forma de os cristãos viverem sua fé e tornarem-se praticantes da Palavra.

8. TEOLOGIA DE PEDRO E JUDAS

A teologia de Judas é tratada junto com a teologia de Pedro pois os temas e composição literária de Judas são semelhantes aos temas de 2 Pedro, com foco nos falsos mestres, enquanto o tema principal de 1 Pedro é o sofrimento em meio a perseguição.

As três epístolas (1 Pedro, 2 Pedro e Judas), fornecem um grande ensino a respeito de quem é Jesus Cristo e muitos importantes tópicos teológicos, em especial 1 Pedro, relacionados intimamente com o que é dito sobre Cristo.

Uma das contribuições mais importantes dessas epístolas é o ensinamento sobre a Salvação que Cristo promoveu. É de extrema importância que Pedro enfatize a necessidade de o Messias sofrer e morrer em cumprimento da vontade de Deus (1Pe 1:11).

A obra de que Deus por meio da morte e ressurreição de Jesus Cristo proveu libertação espiritual da humanidade é outro tópico importante das epístolas de Pedro e de Judas.

Outros temas abordados nessas epístolas são: submissão e boas obras nas relações sociais; verdade cristã, ortodoxia e heresia; a autoria da Escritura; escatologia e julgamento.


FONTES:

5 – ROY B. ZUCK, Teologia do Novo Testamento, CPAD, 5.Ed 2012.


sábado, 22 de junho de 2013

O Reino já veio?




Teologia bíblica- Reino de Deus.

A intenção aqui não é ser exaustivo, também não aplicá-la efetivamente para nossos dias, a intenção aqui é explicar o Reino de acordo com a teologia bíblica (1) e dar um panorama geral sobre o Reino de Deus.

Neste texto faremos o estudo do tema do Reino de Deus (Basileia Tou Theou) (2), principalmente alicerçado nos ensinos dos Evangelhos sobre o assunto.

1- Reino no Antigo Testamento.

Embora a frase Reino de Deus, não seja utilizada no Antigo Testamento para descrever a nova ordem que é introduzida pelo Dia do Senhor, tal ideia flui em meio aos profetas. Encontramos no Antigo Testamento um contraste entre a presente ordem de coisas e a ordem redimida do povo de Deus.

2- Visão judaica de Reino.

Há dupla ênfase sobre a soberania real de Deus. Ele é frequentemente referido como Rei, tanto de Israel, como de toda terra (Ex 15:18; Is 6:5; Jr 46:18; Sl 29:10). Então, Deus já é mencionado como Rei, mas também vemos outras referênciafalando de um dia em que Ele se tornará Rei e governará seu povo (Is 24:23; 33:22). Esta forma do Reino futuro é tida tanto na história, quanto na irrupção de Deus como propósito divino de restauração plena do Reino.

Todavia, para o judaísmo, a concepção de Reino de Deus se tornou muito mais escatológica apocalíptica do que histórica, tendo em vista a expectativa que eles tinham de um Reino através do descendente de Davi em um cenário politico terreno (Is 9:11).

Quando esta expectativa se esvaeceu, após o retorno do exílio, esta esperança de um Reino na história foi substituída por um desejo ardente de uma ação de Deus para cumprir o propósito redentor.

3-Vinda do Reino.

Com o anúncio por parte de João Batista de que o Reino havia chegado envolvendo dois aspectos. Um duplo batismo deveria acontecer: Com Espírito e com fogo (Mt 3:11, Lc 3:16), (3). Jesus inaugurou o Reino, embora não de maneira definitiva, como se esperava.

Com os sinais, Ele demonstrou seu poder sobre os demônios (Mc 5:15). Podemos dizer que foi a sobreposição do poder do Reino de Deus, sobre o reino de Satanás na história (Mt 12:28). Em lugar de esperar até o fim dos tempos para revelar seu poder real e destruir o mal satânico, Jesus declara que Deus já atuou em seu poder real para deter o poder de Satanás (4).

4- Entrada no Reino.

Embora as distinções de João Batista e Jesus quanto a realidade do Reino, no sentido de implicações em sua vinda (5), os dois anunciaram o arrependimento, sendo essencial e vital para entrada no Reino.

Sem o arrependimento, não há formas de entrar no Reino, essa é em ordem cronológica a mais importante do novo testamento, João Batista, foi o primeiro que pregou sobre essa doutrina tão importante, ele pregava para que as pessoas se arrependessem e se batizassem, ele pregava sobre o batismo de arrependimento. Não muito distante disso, o próprio Jesus, incentivava as pessoas de que o Reino estava próximo, então, que se arrependessem e acreditassem no evangelho (Mc 1:14-15). Seria impossível retirar dos ensinamentos de Jesus, a doutrina do arrependimento, sem estraçalhar e destruir seus ensinos.

5- Mistério do reino.

O mistério do Reino é a vinda do Reino para a história como uma antecipação de sua manifestação apocalíptica (6).

5.1- Tensão sobre o Reino, duas eras.

Existia uma confusão quanto ao estabelecimento de um reinado de Deus no futuro.
É vital fazermos algumas considerações judaicas escatológicas de duas eras, para entendermos o mistério.

Para os judeus, a era presente é marcada com a queda de Adão, com a entrada do pecado e o início de uma era marcada pela morte, doença, sofrimento e então a vinda de Cristo antecipou a era futura de redenção, uma era onde o reino de Deus viria com força, rompendo com o poder o reinado do pecado e das trevas, então o Reino de Deus é trazido a era presente, sobrepondo a antiga era, mas não a eliminando por completo, era desta forma que os evangelistas e também o apostolo Paulo entendia em relação as duas eras.

Cristo inaugurou um era futura. Com sua ressurreição, derrotou a morte e todos inimigos.

 Esta nova era começou na história com seu advento, mas ainda não foi totalmente concluída, isso se dará em sua parousia.

Uma vez instituído o Reino, vemos várias características presentes através das parábolas de Jesus.

5.2- Ensino sobre o Reino por parábolas:

Uma maneira muito comum entre o povo judeu, era o ensino por meio de parábolas, as parábolas de Jesus, eram histórias contadas para transmitir um fundo espiritual.

Uma história verdadeira com um significado espiritual por demonstração. Eram um meio de comunicação eficaz, pois, devido a seu formato de história, logo despertavam o interesse dos ouvintes.

5.3- Porque Jesus falava por parábolas?

Quando os discípulos perguntaram a Jesus porque falava com as pessoas por meio de parábolas (Mt 13:10; Mc 4:10), Ele disse que tinha duas finalidades:
Uma era revelar verdades a seus seguidores, e a outra ocultar a verdade aos de fora (Mc 4:11), (7).

Todas as parábolas (8) ensinam algo sobre Jesus, seu Reino ou seus seguidores, é importante ao interpretar as parábolas ter em vista que todas se referem de alguma forma ao Reino de Deus. Jesus usava de vários aspectos comuns a época, comércio, agricultura e pecuária, aspectos domésticos, eventos sociais e elementos religiosos.

Na maior porção reunida especificamente sobre o Reino, vemos no capítulo 13 de Mateus, uma série de parábolas que contam a chegada, a progressão em um certo sentido do Reino e a consumação no futuro escatológico, falando a que o Reino se comparava. Não dizemos com isso que somente neste capitulo as parábolas faziam referência ao Reino, mas que sem dúvidas são uma boa porção agrupada delas, no que se refere a vinda do Reino com a presença do Senhor Jesus em duas etapas, ou em outras palavras: "O Reino chegou, mas não totalmente em sua plenitude."

Estas colocações de Jesus sobre o Reino, no capítulo 13, se iniciam logo após no capítulo 12 os fariseus o acusarem de que fazia as maravilhas pelo poder de Belzebu, então como demonstração da chegada do Reino Jesus contas as sete parábolas no capitulo 13 de Mateus:

1- O semeador, 13:13-23 : A maioria das pessoas rejeitará as boas novas do evangelho.

2- O trigo e o joio, 13:24-30: Pessoas de fé autêntica e pessoas que dizem falsamente ter fé coexistirão durante o período que separa as duas vindas de Cristo.

3- O grão de mostarda,13:31-32: O Reino que um dia será uma grande árvore, já se encontra presente no mundo de forma frágil e insignificante.

4-O fermento, 13:33-35: O reino de Deus já se encontra na terra, porém de maneira difícil de se perceber, um dia dominará toda a terra.

5-O tesouro escondido e a pérola, 13:44-46: O reino de Deus é de valor inestimável e deve ser buscado acima de todas as outras posses.

6- A rede, 13:47-52: Os anjos separarão os ímpios dos justos, quando Cristo vier.


6- Características moradores do Reino descritas nas parábolas:

Com a chega antecipada do Reino rompendo na história escatológica (9), nesta época eles já começaram a desfrutar das primícias do futuro em Cristo, os moradores do Reino tem como características:

6.1- Compaixão: O bom samaritano (Lc 10:25-37).
6.2- Humildade: A recompensa do servo (Lc 17:7-10).
6.3- Fidelidade: Os dois servos; os talentos; as minas (Mt 24:45-51; Mt 25:14-30; Lc 19:11-27).
6.4- Oração persistente: O amigo a meia-noite; o juiz iníquo (Lc 11:5-8; Lc 18:1-8).
6.5- Perdão: O credor incompassivo (Mt 18:23- 35).
6.6- Disposição de se sacrificar: A torre inacabada e a guerra precipitada do rei.
(Lc 14:31-33).

Os cidadãos do Reino possuem características especiais, porque eles nasceram do Espírito e não somente da carne (João 3:7), (10).


7-Reinado futuro.

Cristo inaugurou o Reino e trouxe com ele todos os benefícios, todavia, fica claro que chegará um dia em sua parousia, em que todas as bençãos serão desfrutadas plenamente, e o romper de Deus será para separação dos bodes das ovelhas (Mt 25:33), do joio e do trigo (Mt 13:24-30), os inimigos serão derrotados em sentido pleno, onde o sofrimento, a dor, a morte e Satanás serão completamente derrotados (Ap 21:4). Este reinado futuro é tanto uma certeza por já existir no momento, como uma esperança (Rom 5:4) por parte dos cristãos, esperança que traz o sentido que é garantido este evento porque Deus cumpre suas promessas.


Notas:

1-Teologia do Novo Testamento- George Eldon Ladd, Hagnos, pág 38.

2- Entendemos por Reino de Deus, o reinado de Deus na história e de maneira a estabelecer sua justiça por meio de eventos finais na historia julgando(eventos apocalípticos), mas que já entrou para a historia humana na pessoa e na missão de Jesus.

3-João Batista também tinha a perspectiva da mesma forma que os profetas do antigo testamento, de que os dois atos messiânicos aconteceriam como dois aspectos de uma única visitação, salvação dos justos e julgamento do impios,

4-Teologia do Novo Testamento- George Eldon Ladd, Hagnos, pág. 93.
O Reino de Deus nos ensinos de Jesus, tem dupla manifestação: Na missão de Jesus aprisionar Satanás; e no fim dos tempos destruí-lo.

5- João ouvindo falar do feitos de Cristo enviou dois de seus discípulos (Mat11:2), Os fatos até então realizados não eram os que João esperava, não havia acontecido nem o batismo do Espírito nem o de fogo, como resposta Jesus afirmou que a profecia messiânica de Isaías 35:5-6 havia sido cumprida.

6- Teologia do Novo Testamento- George Eldon Ladd, Hagnos, pág. 128.

7- A Interpretação Bíblica, Roy B. Zuck, Vida Nova, pág. 229.

8-As parábolas são divididas nos evangelhos da seguinte maneira: Mateus contém 18 (11exclusivas), Lucas contém 22 (15 exclusivas), Marcos contém 5 (duas exclusivas).

9- Não dizemos que não existia Reino no Antigo Testamento, já existia ação de Deus na história, podemos constatar no Êxodo , mas a vinda de Cristo antecipou o Reino futuro esparado, não da maneira esperada pelo povo judeu (religiosos da época principalmente), que pedia sinais, dando inicio a um Reino que também já tem seus moradores e participantes, assim como no futuro os moradores desfrutarão plenamente deste Reino em sua forma completa.


10- Eles não estão mais em Adão, mas agora estão em Cristo, ou seja eles tem uma nova filiação, nestes termos principalmente de mudança escatológica, embora reconheçamos que existem ligações indivisíveis do crente está em Cristo e Cristo está no crente, também estar em Cristo é estar dentro da Igreja dele, mas especificamente estar em Cristo é estar no Reino e debaixo de sua filiação.