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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Campanha Milagrosa

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Fazendo uma busca rápida no google sobre campanhas evangélicas é possível observar alguns títulos como: Campanha do milagre urgente, campanha vitoriosa, campanha derrubando muralhas, campanha vale do sal, campanha 12 dias de oração para 12 meses de bençãos, campanha cajado da vitória, campanha altar de fogo, campanha de libertação e avivamento, campanha unção e milagres entre tantas outras.

Na primeira igreja que frequentei tinha-se o costume de realizar diversas campanhas durante o ano, usava-se o pretexto de que as pessoas são movidas por campanhas, se você faz uma campanha a igreja lota.

As perguntas que devem ser feitas são:

Existe base bíblica para a realização de campanhas?

Qual o objetivo, o que pretendo alcançar realizando uma campanha?

Sobre a base bíblica eu desconheço qualquer que seja, já ouvi alguém usando Atos 19:12 que diz: De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.”

A pessoa usou esse texto pra justificar o uso de fotos e roupas de pessoas que são levadas aos pastores para que através de oração com o uso dessas peças hajam curas e milagres.

O primeiro grande erro é que no texto as peças de roupa que eram levadas pertenciam ao Apóstolo Paulo, levavam as roupas dele para que através dessas peças houvessem curas a quem quer que seja. E não o contrário, não eram as roupas dos enfermos que eram levadas até o apóstolo.

Paulo possuía o dom de curas, algo destinado aos apóstolos que servia para confirmação do Evangelho aos incrédulos. Sugiro que leiam este texto para maiores detalhes: http://respirandodeus.blogspot.com.br/2012/12/cessacionismo-x-continuismo.html.

As campanhas que realmente temos base bíblica para realizarmos são a campanha dasantificação pela Palavra de Deus e a campanhaoração incessante.

Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. João 17:17

Orai sem cessar. 1 Tessalonicenses 5:17

Campanha de santificação e de oração são difíceis de encontrar, ainda mais se as orações sejam para que as vontades de Deus sejam cumpridas e não as nossas.

É possível notar que os objetivos dessas campanhas são quase que, na sua totalidade, para benefícios próprios e terrenos: curas, milagres, unção, libertação, casa própria, prosperidade, entre tantas outras aberrações.

Deus cura, realiza milagres, entretanto para o cristão essa não deve ser a sua motivação da sua busca por Deus. Devemos amar a Deus como Paulo amou sabendo que para o cristão morrer é lucro (Fp 1:21). Ou seja, devemos amar, de tal maneira, estar em Sua presença que tudo o que deixaríamos pra trás aqui na terra para vivermos ao lado de Cristo é considerado como perda. O morrer é lucro, pois estarei na presença do meu Amado.

Deus também liberta, através do poder soberano do Espírito Santo no momento da conversão, onde somos libertos da condenação do pecado e temos liberdade em Cristo Jesus. Também somos libertos através do conhecimento da Sua Verdade, a Palavra de Deus (Jo 8:32). Somos libertos de uma vez por todas, não precisamos nos “libertar” semanalmente. Libertos inclusive de participar dessas companhas mentirosas e enganadoras.

Existe grande apelo místico com o uso de amuletos da sorte, óleo ungido (http://respirandodeus.blogspot.com.br/2011/05/devemos-ungir-com-oleo-ebook.html), rosa ungida, campanha do sal, peças de roupas. A fé é depositada nesses amuletos e retiradas da pessoa de Jesus Cristo.

Enfim, existe um grande apelo emocional, para dar ao homem aquilo que ele já deseja, saúde, prosperidade, e consolo perante a condenação eminente. Qualquer homem morto em seus delitos e pecados (Ef 2:1-2) deseja essas coisas. Portanto o grande objetivos dessas campanha é lotar a igreja, o objetivo principal não é a glória de Deus, não é pregar fielmente a Sua Palavra.

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” Oséias 4:6

Devemos nos recordar das palavras do profeta Oséias, o povo de Deus padeceu por que lhe faltou conhecimento da lei de Deus. Oséias não estava falando pro mundo em rebeldia contra Deus, estava falando ao próprio povo de Deus.Quando aceitamos práticas contrárias as escrituras, então, nós estamos perecendo por falta de conhecimento.

Devemos ser como o salmista: “Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” Salmos 1:2.

Somente assim poderemos ter a certeza de estarmos fazendo a vontade de Deus.

Que Jesus nos ajude.

Fernando.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Igreja na Pós-Modernidade

http://malucoporjesus.files.wordpress.com/2010/01/jesus-legal.jpg


Apesar de ainda existirem alguns remanescentes pré-modernos e modernos, estes últimos principalmente nas igrejas históricas, a grande maioria das pessoas, já se encontra sob a forma cultural pós-moderna, vale ressaltar que é uma cultura que atinge o mundo de uma maneira global, não somente dentro da igreja, porém nos manteremos sob uma perspectiva em cima da igreja ou movimento evangélico.

Com a grande mudança de pensamento, onde a razão passa a ser subjetiva e relativista, temos uma significativa mudança de cenário no movimento evangélico, onde destaca-se a enorme ênfase a movimentos destacados pelo individualismo, onde o culto a Deus, é trocado pelo culto ao individuo, o que antes era um encontro de crentes com o objetivo da centralidade de Deus no culto, com seus elementos destacados nas escrituras, estes são trocados pelo entretenimento, para que o individuo se sinta mais confortável e emocionado, pode-se evidenciar algumas introduções no movimento evangélico , como a chegada com muita força na época pós-moderna dos movimentos pentecostais e neopentecostais.

Com essa mudança na cultura do mundo, as igrejas foram sucumbidas, principalmente nas denominações neopentecostais, pela introdução de vários tipos de atração, diferentes das escrituras, a importância da experiência no culto, desprovida da interpretação das escrituras, onde a metodologia para leitura, histórica e gramatical, é descartada, muitas vezes o importante é adequação das escrituras as pessoas, e não o contrário, os pregadores dessas igrejas, preocupam-se muito mais com o pluralismo sincero dos corações, e interpretam a bíblia alegoricamente, por não achar necessário aprender o posicionamento de interpretação hermenêutico da escrituras.

Entre as coisificações dentro da Igreja, vemos a introdução iminente de musicas gospel, que em certos casos, nada tem de letras com teologia bíblica, incorporadas ao sistema de entretenimento, e onde os “crentes” cantam sem nem mesmo entender o significado das letras, por falta de importância e pela correnteza pós-moderna, época em que as pessoas buscam experiências fortes, e a musicalidade se encaixa nesse contexto, tendo em vista que a harmonia das músicas com o conhecimento das escrituras não é tão importante, a realidade é algo que sentimos, então porque seria errado cantar algo sem sentido, desde que faça bem e auxilie na proporção ideal de felicidade, este é o pensamento muitas vezes, o que importa é o que sentimos e não a razão, infelizmente esse pensamento absurdo pode muitas vezes ser tido como sincero, mas ele está sinceramente errado.

A espiritualidade bíblica, é mercadejada pelas experiências místicas e esotéricas, entram diversos ritualismos e crendices dentro da igreja evangélica, sem a mínima constatação do que aprovam ou desaprovam as escrituras, tendo em vista que desde que os princípios sejam politicamente corretos, pouco importam a maneira como muitas vezes serão alcançados, o perigo do pragmatismo entra em contraste com experimentos não bíblicos, simplesmente pelo sucesso alcançado e possivelmente surjam heresias contrárias aos ensinamentos bíblicos.

Outras formas errôneas de ensino são aderidas ao movimento evangélico com a cultura pós-moderna, a teologia da prosperidade e o teísmo aberto, onde no primeiro o cristão é medido pelas posses e qualidade de vida prospera, principalmente na área financeira, a vida do aqui e agora é a tida como real e importante, esquecendo-se de que existe ainda uma eternidade pela frente, são principalmente aderidas às massas, e são feitas como espécie de troca espiritual, onde o individuo é amenizado temporariamente em troca de sua contribuição financeira, poderíamos compará-los a médicos, que medicam clientes com câncer, mas que dão um remédio para gripe, então a medicação nunca funciona, e dentro destas aplicações geralmente são megaigrejas, onde o individuo, sequer aprende que precisa se arrepender e viver para gloria de DEUS, porque está tão preocupado consigo mesmo, que pouco importa o amanhã.

A intensificação de experiências dentro da igreja evangélicas, sem levar em conta a veracidade das escrituras, leva imediatamente o ensino de que todas as coisas ruins que acontecem é obra maligna do Diabo, deixando de fora muitas vezes o entendimento dos propósitos de Deus para com os problemas, pela motivação errada de que todo cristão tem que “determinar a sua vitoria”, ou quem não é próspero financeiramente não é um verdadeiro cristão, estes tem sido grandes problemas enfrentados com a pós-modernização das igrejas, o que em parte pode levar também a colaborar com um sério problema introduzido através do teísmo aberto, que é uma maneira que tentaram explicar o mal, isentando Deus dele.
Apesar dessa teologia no começo ter a intenção de ajudar, prejudicou muito mais do que ajudou, porque transforma o DEUS da bíblia, em um Deus impotente, que não pode mudar a historia ou os acontecimentos, um Deus que não é Soberano em todas as coisas, que não participa ativamente das coisas que acontecem no mundo, simplesmente pelo fato dEle abrir mão, em sua soberania de assim fazer, e apesar do mal, não ter sido causado por Deus, só com sua permissão pode acontecer, o que essa teologia propaga, de maneira geral é, que se Deus não pode impedir o mal de existir, é porque ele não é todo poderoso, para impedi-lo, ou Ele não interfere no que rege as leis naturais.

Todavia deve-se entender que mesmo que muitas situações possam não estar debaixo de total entendimento humano, mesmo assim Deus as controla, apesar das mudanças na cultura e que as estratégias e adaptações podem e devem levar em consideração estas mudanças, para que a Igreja continue relevante, alguns valores são inegociáveis e não podem ser colocados em segundo plano, em prol de agradar uma população extremamente narcisista e secularizada, devemos sim, nos adaptar em relação a costumes e mudanças, porem sem jamais comprometer a palavra de Deus, essa apesar de todas as mudanças culturais, políticas e sociais, permanecerá para sempre.

Glorias a Deus

Guinho