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sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Eleição e a vida cristã


A eleição é o segredo familiar dos filhos de Deus, algo acerca do que eles têm o direito de saber e que deveriam saber para seu próprio bem. Não é por acaso que Pedro nos exorta: "Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição" (2 Pe 1.10). Em outras palavras, os crentes devem estar certos da realidade da eleição, e, portanto, de sua própria eleição.
Na vida de uma pessoa, a eleição se faz conhecida por seus frutos. Paulo reconheceu a eleição dos crentes tessalonicenses devido à fé, à esperança, ao amor e à transformação operada pelo evangelho nas vidas deles (1 Ts 1.3-6). Quanto mais se manifestarem em nossas vidas as qualidades às quais Pedro nos exorta — virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor — tanto mais seguros estaremos de nossa própria eleição.
Como Isso nos Ajuda?
Qual é o valor e o efeito do conhecimento de nossa própria eleição? Isso permite que nos tornemos complacentes e concluamos que, visto sermos eleitos, não importa como vivemos? Não, pois, conforme nos indica o texto citado de 2 Pedro, somente se estivermos diariamente "aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1), eviden¬ciando assim a genuinidade de nossa fé através de nossas obras, teremos o direito de estar seguros de nossa eleição. De fato, o conhecimento que o crente fiel tem de sua eleição leva a uma tendência bem diferente. Tal conhecimento desperta nele o senso de reverência, por exibir aos seus olhos a grandeza do Deus em cujas mãos todos estamos, o qual dispõe de nós todos segundo o seu próprio prazer. Tal conhecimento humilha o crente, pois fá-lo lembrar que a sua salvação não é obra sua em qualquer aspecto: ele nada possui que não tenha recebido. Mas, esse conhecimento também o emociona, por assegurar que a sua salvação deve-se inteiramente a Deus e que, nas mãos de Deus, ele está seguro para sempre. A razão pela qual ele agora está em Cristo é que Deus o escolheu para isso, desde a eternidade. E a escolha feita por Deus garante que ele será mantido seguro em Cristo, para a eternidade. "E aos que presdestinou, a esses também chamou... justificou... glorificou.''
Certeza Exultante
Portanto, o conhecimento que temos de nossa eleição transforma a nossa esperança de glória de um tímido anelo em uma exultante certeza e nos fortalece para encararmos qualquer horrendo futuro na terra, com um senso de triunfo em nossos corações. Não foi o acaso, mas a mais coerente lógica espiritual, que levou Paulo, depois de ter revisto o pro¬pósito eletivo de Deus a exclamar: "Que diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?... Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?... Quem nos separará do amor de Cristo?... somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir... nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.31-39). Quando o crente perscruta esse insondável, todo-poderoso, gratuito e infindo amor do Pai e do Filho, que se apossou dele antes que o tempo começasse, que o redimiu e vivificou e que se comprometeu a conduzi-lo em segurança através de todas as batalhas e tempestades da vida até às indizíveis alegrias que Deus tem reservado para os seus filhos, então ele fica a anelar, mais do que nunca, por responder com amor a esse amor. E a linguagem do seu coração torna-se a linguagem do hino de Murray M'Cheyne:
Escolhido, não por qualquer bem em mim, Despertado, para da ira fugir; Ao lado do Salvador, ocultado, E pelo Espírito, santificado. Ensina-me a mostrar na terra, Senhor, Pelo meu amor, quanto sou devedor.

[VIA]

sábado, 16 de julho de 2011

Não depende de quem quer


Deus escolhe os Seus!
Pois ele [Deus] diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. " Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.( Rm 9.15,16)
O verbo eleger significa "selecionar ou escolher". A  doutrina bíblica da eleição consiste em que, antes da Criação, Deus selecionou da raça humana, antevista como decaída, aqueles a quem Ele redimiria, traria à fé, justificaria e glorificaria em Jesus Cristo e por meio dele (Rm 8.28-39; Ef 1.3-14; 2 Ts 2.13,14; 2 Tm 1.9,10). Esta escolha divina é uma expressão da graça livre e soberana, porque ela é não constrangida e incondicional, não merecida por qualquer coisa naqueles que são seus objetos. Deus não deve aos pecadores nenhuma misericórdia de qualquer espécie, mas somente condenação; por isso, é surpreendente, e razão de sempiterno louvor, que Ele tenha decidido salvar alguns de nós; e louvor duplicado porque sua escolha incluiu o envio de seu próprio Filho para sofrer, como portador do pecado, pelos seus eleitos (Rm8.32).
A doutrina da eleição, como toda verdade acerca de Deus, envolve mistério e, algumas vezes, incita à controvérsia. Mas na Escritura é uma doutrina pastoral, incluída ali para ajudar os cristãos a verem quão grande é a graça que os salva, conduzindo-os à humildade, confiança, alegria, louvor, fidelidade e santidade como resposta. É o segredo de família dos filhos de Deus. Não sabemos quem mais Ele escolheu entre aqueles que ainda não crêem, nem tampouco a razão por que nos escolheu em particular.
O que de fato sabemos é que, primeiro, se não tivéssemos sido escolhidos para a vida, não seríamos crentes agora (pois somente o eleito é trazido à fé), e, em segundo lugar, como crentes eleitos podemos confiar que Deus completará em nós a boa obra que Ele começou (1 Co 1.8,9; Fp E6; 1 Ts 5.23,24; 2 Tm 1.12; 4.18). Assim, o conhecimento da eleição por parte de uma pessoa traz conforto e alegria.
Pedro nos diz que devemos "confirmar a [nossa] vocação e eleição" (2 Pe 1.10) — isto é, certificá-la. A eleição é conhecida por seus frutos. Paulo sabia da eleição dos tessalonicenses por sua fé, esperança e amor, a transformação interna e externa que o evangelho tinha operado em sua vida (1 Ts 1.3-6). Quanto mais as qualidades para as quais Pedro exortou seus leitores aparecerem em nossa vida (virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade, amor: 2 Pe 1.5-7), mais seguros estaremos da própria eleição que nos foi concedida.
Os eleitos são, de um ponto de vista, a dádiva de Deus ao Filho (Jo 6.39; 10.29; 17.2,24). Jesus testifica que veio a este mundo especificamente para salvá-los (Jo 6.37-40; 10.14-16,26-29; 15.16; 17.6-26; Ef 5.25-27), e qualquer relato de sua missão deve enfatizar isto.
Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus a respeito dos pecadores que Ele não escolheu para a vida. Sua decisão é, em essência, não para mudá-los, como os eleitos são destinados a ser mudados, mas deixá-los ao pecado, como em seus corações eles já desejam fazer, e finalmente para julgá-los como merecem pelo que têm feito. Quando em casos particulares Deus os entrega a seus pecados (isto é, remove as restrições à prática de coisas desobedientes que desejam fazer), isto já é o começo do julgamento. Ele se chama "endurecimento" (Rm 9.18; 11.25; cf. SI 81.12; Rm 1.24,26,28), que leva inevitavelmente culpa maior.
A reprovação é uma realidade bíblica (Rm 9.14-24; 1 Pe 2.8), mas não a que se relaciona diretamente com a conduta cristã. Até onde os cristãos saibam, os reprovados não têm face, não nos cabendo tentar identificá-los. Devemos, antes, viver à luz da certeza de que qualquer um pode ser salvo, se ele ou ela arrepender-se e colocar sua fé em Cristo.
Devemos ver todas as pessoas que encontramos como possivelmente incluídas entre os eleitos.
 
J. I. Packer