sábado, 30 de julho de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
A Eleição e a vida cristã
A eleição é o segredo familiar dos filhos de Deus, algo acerca do que eles têm o direito de saber e que deveriam saber para seu próprio bem. Não é por acaso que Pedro nos exorta: "Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição" (2 Pe 1.10). Em outras palavras, os crentes devem estar certos da realidade da eleição, e, portanto, de sua própria eleição.
Na vida de uma pessoa, a eleição se faz conhecida por seus frutos. Paulo reconheceu a eleição dos crentes tessalonicenses devido à fé, à esperança, ao amor e à transformação operada pelo evangelho nas vidas deles (1 Ts 1.3-6). Quanto mais se manifestarem em nossas vidas as qualidades às quais Pedro nos exorta — virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor — tanto mais seguros estaremos de nossa própria eleição.
Como Isso nos Ajuda?
Qual é o valor e o efeito do conhecimento de nossa própria eleição? Isso permite que nos tornemos complacentes e concluamos que, visto sermos eleitos, não importa como vivemos? Não, pois, conforme nos indica o texto citado de 2 Pedro, somente se estivermos diariamente "aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1), eviden¬ciando assim a genuinidade de nossa fé através de nossas obras, teremos o direito de estar seguros de nossa eleição. De fato, o conhecimento que o crente fiel tem de sua eleição leva a uma tendência bem diferente. Tal conhecimento desperta nele o senso de reverência, por exibir aos seus olhos a grandeza do Deus em cujas mãos todos estamos, o qual dispõe de nós todos segundo o seu próprio prazer. Tal conhecimento humilha o crente, pois fá-lo lembrar que a sua salvação não é obra sua em qualquer aspecto: ele nada possui que não tenha recebido. Mas, esse conhecimento também o emociona, por assegurar que a sua salvação deve-se inteiramente a Deus e que, nas mãos de Deus, ele está seguro para sempre. A razão pela qual ele agora está em Cristo é que Deus o escolheu para isso, desde a eternidade. E a escolha feita por Deus garante que ele será mantido seguro em Cristo, para a eternidade. "E aos que presdestinou, a esses também chamou... justificou... glorificou.''
Certeza Exultante
Portanto, o conhecimento que temos de nossa eleição transforma a nossa esperança de glória de um tímido anelo em uma exultante certeza e nos fortalece para encararmos qualquer horrendo futuro na terra, com um senso de triunfo em nossos corações. Não foi o acaso, mas a mais coerente lógica espiritual, que levou Paulo, depois de ter revisto o pro¬pósito eletivo de Deus a exclamar: "Que diremos, pois, à vista destas cousas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?... Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?... Quem nos separará do amor de Cristo?... somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir... nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.31-39). Quando o crente perscruta esse insondável, todo-poderoso, gratuito e infindo amor do Pai e do Filho, que se apossou dele antes que o tempo começasse, que o redimiu e vivificou e que se comprometeu a conduzi-lo em segurança através de todas as batalhas e tempestades da vida até às indizíveis alegrias que Deus tem reservado para os seus filhos, então ele fica a anelar, mais do que nunca, por responder com amor a esse amor. E a linguagem do seu coração torna-se a linguagem do hino de Murray M'Cheyne:
[VIA]
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Falece John Stott (1921-2011)
Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (1 Timóteo 5:17)
John Stott faleceu ontem dia 27 de Julho de 2011 às 03:15, no horário de Londres, aos 90 anos, de acordo com Benjamin Homan, presidente do John Stott Ministries (fonte).
“antes que possamos começar a ver a Cruz como algo feito para nós (nos conduzindo a fé e a adoração) temos que vê-la como algo feito por nós (nos conduzindo ao arrependimento)”. – John Stott
Biografia
Considerado uma das mais expressivas vozes da Igreja Evangélica contemporânea, o inglês John Stott nasceu em 27 de abril de 1921. Foi um agnóstico até 1939, quando ouviu uma mensagem do reverendo Eric Nash e se converteu ao cristianismo evangélico.
Estudou Línguas Modernas na Faculdade Trinity, de Cambridge. Foi ordenado pela Igreja Anglicana em 1945, e iniciou suas atividades como sacerdote na Igreja All Souls, em Langham Place. Lá continuou até se tornar pastor emérito, em 1975. Foi capelão da coroa britânica de 1959 a 1991.
Stott tornou-se ainda mais conhecido depois do Congresso de Lausanne, em 1974, quando se destacou na defesa do conceito de Evangelho Integral – uma abordagem cristã mais ampla, abrangendo a promoção do Reino de Deus não apenas na dimensão espiritual, mas também na transformação da sociedade a partir da ética e dos valores cristãos.
Em 1982, fundou o London Institute for Contemporary Christianity, do qual hoje é presidente honorário. Escreveu cerca de 40 livros, entre os quais Ouça o Espírito, ouça o mundo (ABU), A cruz de Cristo (Vida) e Por que sou cristão (Ultimato).
Disponibilizado por: mundocristao.com.br
John Stott – O Verdadeiro Significado da Cruz
Se quisermos desenvolver uma doutrina da propiciação verdadeiramente bíblica, necessitaremos distingui-la das idéias pagãs em três pontos cruciais, relacionados ao motivo da necessidade da propiciação, quem a fez e o que ela é.
Primeiro, o motivo pelo qual a propiciação é necessária é que o pecado suscita a ira de Deus. Isso não quer dizer (como temem os animistas) que ele é capaz de explodir a mais trivial provocação, muito menos que ele perde as estribeiras por nenhum motivo aparente. Pois nada há de caprichoso ou arbitrário no santo Deus. Nem jamais ele é irascível, malicioso, rancoroso ou vingativo. A ira dele não é misteriosa nem irracional. Jamais é imprevisível, mas sempre previsível por ser provocada pelo mal e pelo mal somente. A ira de Deus, como examinamos com mais detalhes no capítulo 4, é o seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o pecado em todas as suas formas e manifestações. Em resumo, a ira de Deus está mundos à parte da nossa. O que provoca a nossa ira (a vaidade ferida) jamais provoca a dele; o que provoca a ira dele (o mal) raramente provoca a nossa.
Segundo, quem faz a propiciação? Num contexto pagão são sempre seres humanos que procuram desviar a ira divina mediante a realização meticulosa de rituais, ou através da recitação de fórmulas mágicas, ou por meio de oferecimento de sacrifícios (vegetais, animais e até mesmo humanos). Pensam que tais práticas aplaquem a divindade ofendida. Mas o evangelho começa com a afirmação ousada de que nada do que possamos fazer, dizer, oferecer ou até mesmo dar pode compensar os nossos pecados nem afastar a ira divina. Não há possibilidade alguma de bajularmos, subornarmos ou persuadirmos Deus a nos perdoar, pois nada merecemos das suas mãos a não ser o julgamento. Nem, como já vimos, tem Cristo, por meio do seu sacrifício, prevalecido sobre Deus a fim de que ele nos perdoe. Não, foi o próprio Deus que, em sua misericórdia e graça, tomou a iniciativa.
Esse fato já estava claro no Antigo Testamento, pois nele os sacrifícios eram reconhecidos não como obras humanas, mas como dádivas divinas. Eles não tornavam a Deus gracioso; eram providos por um gracioso Deus a fim de que pudesse agir graciosament-e para com o seu povo pecaminoso. “Eu vo-lo tenho dado sobre o altar”, disse Deus a respeito do sangue do sacrifício, “para fazer expiação pelas vossas almas” (Levítico 17:11). E o Novo Testamento reconhece essa verdade com mais clareza, e não menos os textos principais acerca da propiciação. O próprio Deus “apresentou” ou “propôs” a Jesus Cristo como sacrifício propiciatório (Romanos 3:25). Não é que tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João 4:10).
Não podemos enfatizar demais que o amor de Deus é a fonte, e não a conseqüência da expiação. Como o expressou P. T. Forsyth: “A expiação não assegurou a graça, mas fluiu dela”. Deus não nos ama porque Cristo morreu por nós; Cristo morreu por nós porque Deus nos amou. É a ira de Deus que necessitava ser propiciada, é o amor de Deus que fez a propiciação. Se pudermos dizer que a propiciação “mudou a Deus” ou que por meio dela ele mudou a si mesmo, esclareçamos que a sua mudança não foi da ira para o amor, da inimizade para a graça, visto que o seu caráter é imutável. O que a propiciação mudou foi os seus tratos para conosco. “A distinção que eu peço que vocês observem”, escreveu P. T. Forsyth é “entre uma mudança de sentimento e uma mudança de tratamento… o sentimento de Deus para conosco jamais necessitou mudar. Mas o tratamento de Deus com referência a nós, o relacionamento prático de Deus para conosco — esse teve de mudar”. Ele nos perdoou e nos recebeu no lar.
Terceiro, qual foi o sacrifício propiciatório? Não foi animal, vegetal nem mineral. Não foi uma coisa, mas uma pessoa. E a pessoa que Deus ofereceu não foi alguém mais, uma pessoa humana ou um anjo, nem mesmo o seu Filho considerado como alguém distinto dele ou exterior a si mesmo. Não, ele ofereceu-se a si mesmo. Ao dar o seu Filho, ele estava dando a si mesmo. Como escreveu repetidamente Karl Barth: “Foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus”. Por exemplo, “o fato de que foi o Filho de Deus, de que foi o próprio Deus, quem tomou o nosso lugar no Gólgota e, através desse ato, nos libertou da ira e do juízo divino, revela primeiro a implicação total da ira de Deus e a sua justiça condenadora e punitiva”. Repetimos, “porque foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus, que tomou o nosso lugar na Sexta-Feira da Paixão, para que a substituição fosse eficaz e pudesse assegurar-nos a reconciliação com o Deus justo. Somente Deus, nosso Senhor e Criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida.” E tudo isso, esclarece Barth, foi expressão não somente da santidade da justiça divina, mas também das “perfeições do amor divino”; deveras, do “santo amor divino”.
Portanto, o próprio Deus está no coração de nossa resposta às três perguntas acerca da propiciação divina. É o próprio Deus que, em ira santa, necessita ser propiciado, o próprio Deus que, em santo amor, resolveu fazer a propiciação, e o próprio Deus que, na pessoa do seu Filho, morreu pela propiciação dos nossos pecados. Assim, Deus tomou a sua própria iniciativa amorosa de apaziguar sua própria ira justa levando-a em seu próprio ser no seu próprio Filho ao tomar o nosso lugar e morrer por nós. Não há nenhuma grosseria aqui que evoque o nosso ridículo, apenas a profundeza do santo amor que evoca a nossa adoração.
Ao procurar, assim, defender e reinstituir a doutrina bíblica da propiciação, não temos intenção alguma de negar a doutrina bíblica da expiação. Embora devamos resistir a toda tentativa de substituir a propiciação pela expiação, damos boas-vindas a todas as tentativas que procuram vê-las unidas na salvação. Assim F. Büchsel escreveu que “hilasmos. . . é a ação na qual Deus é propiciado e o pecado expiado”.21 O Dr. David Wells elaborou sucintamente sobre essa idéia:
No pensamento paulino o homem é alienado de Deus pelo pecado e Deus é alienado do homem pela ira. É na morte substitutiva de Cristo que o pecado é vencido e a ira desviada, de modo que Deus possa olhar para o homem sem desprazer, e o homem olhar para Deus sem temor. O pecado é expiado, e Deus propiciado.
Por John SttotExtraído do livro: Cruz de Cristo pág: 154 – 156Disponibilizado por: amecristo.com
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